No dia que Raul Seixas morreu, fui chamado de uma reportagem na rua para escrever sobre ele. Eu trabalhava na Folha de S.Paulo, e tinha entrevistado Raul e Marcelo Nova uns meses antes.

Hoje estreia o documentário sobre Raul, e gente boa falou que é bom. Eu vou assistir. As razões estão aí embaixo.

raul doc Raul Seixas

MR. ROCK’N'ROLL

Desde que o consumo de drogas e álcool de Raul Seixas subiu às alturas, no final dos anos 70, sua carreira – que sempre abominou as linhas retas – se tornou cada vez mais errática.

Chegou um ponto – especificamente, 1988 – em que ninguém mais confiava em Raul Seixas. Com 44 anos e 21 discos nas costas, nenhuma gravadora ou promotor de show apostava um tostão nas condições físicas e mentais do velho roqueiro.

A volta foi triunfal – por seu enorme sucesso e, antes disso, simplesmente por acontecer. Começou em setembro do ano passado, quando Raul foi convidado por seu herdeiro Marcelo Nova para cantar quatro músicas num show em Salvador. Raul – uma ruína física – ressuscitou numa performance endiabrada.

raul texto Raul Seixas

Centenas de milhares de pessoas viram os mais de 30 shows que se seguiram.

Marcelo abria para Raul, que desfiava hits – Rock das Aranhas, Aluga-se – e hinos – Ouro de Tolo, Metamorfose Ambulante, Sociedade AlternativaGita. A voz era tremulante, mas ninguém se importava.

Sabe-se lá o que Raul tinha, para ser tão amado e respeitado. O fato é que sua figura há muito tempo tinha tomado proporções que ultrapassavam de longe suas muitas qualidades.

Raul não era mais só o co-fundador da atitude rock brasileira, ao lado dos Mutantes. Também não era só quem melhor misturou o rock’n’roll com ritmos nacionais como o xote ou o baião, ou o único a colocar uma sensibilidade especificamente nordestina a serviço do rock. Seus fãs, os mais fiéis, não o adoravam só por seu messianismo ou sua visão contracultural. Mesmo quem não era fã, torcia pelo velho roqueiro.

O fato é que no final de sua vida Raul Seixas tinha se tornado um herói popular, um dos últimos disponíveis numa época em que acreditar em qualquer coisa ou pessoa está cada vez mais difícil.

Por mais irregular que tenha sido sua carreira, por mais destrambelhada sua vida, ninguém nesse país mereceu mais o título que Raul Seixas carregou até ontem – “Mr. Rock’n’roll”.

(Ilustrada, Terça-feira, 22 de agosto de 1989)

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A estreia do TV Folha, programa produzido pelo jornal e exibido na TV Cultura, provocou verdadeiro Fla-Flu, com malhos de lá, defesas apaixonadas de cá, alguma razão e muita emoção.

Assisti aos dois programas do TV Folha exibidos até agora. Aos pedaços. Pulando as partes que me interessavam menos. Na internet. Que é onde faz mais sentido assistir ao TV Folha. O que, desconfio, a Folha sabe muito bem.

Eu me diverti vendo vários trechos do TV Folha. Teria críticas e elogios a fazer, de linguagem, pegada e pauta. Não farei. Conheço vários jornalistas ali há décadas; alguns são camaradas das antigas; um é amigo chegado.

Você que assista e forme sua opinião. De qualquer forma, meu ponto é outro. Jornal em 2012 tem que ser pensado como conteúdo multiplataforma. Isso é notícia velha. Executar a missão é dificílimo.

Organizações, indivíduos e equipes condicionadas a pensar conteúdo em termos de texto e imagens impressas, com ciclo de produção diário, processo fabril e logístico caro e complexo, e abordagem monodirecional, apanham com meios digitais.

É a velha história: nenhuma grande empresa de transporte ferroviário virou companhia aérea. Eles pensavam que estavam no negócio de colocar trilho no chão e queimar carvão, não no negócio de transportes.

Mesmo assim, todos os jornais e revistas que valem seu sal, mundo afora, estão tentando dar o salto. Não há alternativa, ainda que 90% do faturamento continue vindo das versões impressas.

E mesmo que o mundo digital esteja roendo sua margem. É como aquele filme do alpinista que ficou entalado na rocha: se você não cortar seu próprio braço, com canivete cego, a morte por hemorragia é lenta e certa.

O TV Folha não tem nada que vá me levar para a frente da TV em um domingo à noite. Acho que o veredito vale para os meus amigos mais viciados em informação e opinião.

Embora o TV Folha seja diferente de seus concorrentes nos canais abertos, o formato é bem normalzinho comparando com os canais pagos. E pra que ver junto com todo mundo se posso ver quando me der na telha, e só o que me interessa?

Pretendo pinçar na internet o que me seduzir e assistir, sem pressa, nos dias seguintes à exibição na Cultura. Imagino que as visualizações na web de segunda a sexta serão bem maiores que o ibope do domingo.  Natural, e pouco importa se a audiência do TV Folha na TV não dá audiência.

A Cultura sempre deu traço mesmo. O Roda Viva existe há décadas com baixíssima audiência, porque dá muito prestígio. Se você está engajando meia dúzia de gatos pingados, mas todos têm algum dinheiro e influência, é bom investimento; aliás, esta é a exata descrição do que é um jornal.

E com a obrigação da produção semanal do programa, a tendência é que, com o tempo, a Folha domine mais e mais a linguagem do vídeo - seja para TV, web, tablet ou o que for.

Na prática, a Folha encontrou uma maneira muitíssimo inteligente de promover o conteúdo em vídeo que produz para a internet. Em vez de simplesmente colocar um bom time de jornalistas e colunistas para aparecer em vídeos e jogar no seu site, embalou tudo em um programa, e colocou no horário nobre na TV Cultura.

Promove os valores que fizeram a fama do jornal, inovação, pluralidade e tal, numa vitrine de primeira classe. É uma ação de marketing. Muito mais barata e eficiente do que fazer uma campanha de TV.

Repercutiram críticas contra o arrendamento de horários da TV Cultura para a Folha; o canal negocia acordos similares com o Estadão e a Abril. Concordo.

Se era para lotear a programação, muito melhor seria emprestar horários para veículos independentes, blogs, cooperativas, rádios comunitárias, o melhor do YouTube, bizarrias, vozes únicas. Já que não há grana nem necessidade de audiência, vamos botar fogo no circo! Para que dar mais espaço para os mesmos de sempre?

A Cultura é uma emissora pública que ao longo de sua história frequentemente foi joguete político na mão do governo do Estado, que é quem paga as contas e dá as cartas. Li argumentos que com esta mudança, pelo menos o jornalismo da Cultura seria agora menos chapa-branca.

Bem, que tal fazermos uma forcinha e estabelecermos mecanismos independentes de financiamento e de governança, que garantam a autonomia econômica e editorial da TV Cultura? Dá mais trabalho, mas não é física quântica. É saída medíocre demitir seus próprios funcionários e lotear a programação entre os grandes grupos de comunicação do Estado.

Mas aí o erro não é da Folha de S.Paulo. É da Cultura e do governo - mais um de muitos que vão para conta de Geraldo Alckmin. A Folha viu uma oportunidade e aproveitou. Se a TV Cultura quiser me dar meia horinha semanal para eu fazer minhas estrepolias, também topo...

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Este vídeo foi visto mais de 113 milhões de vezes no YouTube. Está entre os dez mais vistos do momento. É de um artista belga-australiano chamado Gotye.

Ele não é jovem, bonito, musculoso, nem tatuado ou rebelde. A voz lembra Sting. A canção parece coisas que Peter Gabriel fazia em 1980 - aliás, ano em que nasceu Wally DeBacker, nome real do cara.

Gotye tem alguns anos de carreira sem maior repercussão. O álbum de que esta canção emplacou. Fez sucesso de público e crítica ano passado na Austrália.

O vídeo tem uma boa sacada, mas nada que você não possa reproduzir, com alguma dedicação, na sala da sua casa, por uns R$ 500, 00.

Por que o vídeo foi visto todas estas vezes?

Por que ele não tem nada a ver com outros megavídeos, megaproduzidos, de megapopstars?

Ouviremos falar de Gotye daqui para frente, a) muito, b) pouco ou c) nada?

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Manchete de hoje incendeia a internet brasuca: o Washington Post prevê que os próximos bilionários da internet virão do Brasil!

Está lá, no jornal oficial da capital do império: empresas do porte do Facebook em breve nascerão no nosso País, capitaneadas por jovens inovadores e geniais, os Marks Zuckerberg brasileiros.

Aí você faz diferente da maioria das pessoas que fica repercutindo manchetes no Twitter como zumbis, e tira cinco minutos para efetivamente ler o texto. Aqui.

A foto que ilustra a matéria é de dois caras na praia, seminus, na contraluz de um sol dourado, ao longe uma canoa. Começou mal, mas pelo menos não é mulata requebrando no Carnaval. O autor é o colunista Vivek Wadhwa, ou seja, não é reportagem, é opinião.

Dr. Wadhwa é acadêmico respeitado. No primeiro parágrafo, ele descreve Campinas como uma pequena cidade universitária na periferia de São Paulo. Piorou. E depois piora.

Ele conta algumas anedotas sobre experiências de empreendedores em Campinas, como eles se ajudam e como adotaram alguns princípios das start-ups americanas (lean start-up, uma maneira chique de dizer gaste pouco, bote logo seu produto no mercado e aprenda com seus erros).

Aí Mr. Wadhwa declara que as empresas que viu em Campinas são de qualidade melhor das que tem visto no Silicon Valley, e que por isso ele prevê que elas têm mais chance de sobreviver que as americanas.

Mark Zuckerberg dueno de Facebook ok Porque o novo Mark Zuckerberg NÃO virá do Brasil

Devo ter ouvido besteira maior na vida, mas não me lembro. A qualidade da inovação das novas empresas brasileiras é o de menos. Nosso colunista pode entender tudo de start-up na Califórnia, mas não sabe o be-a-bá da economia tupi.

O investimento mais conservador que se pode fazer no nosso País, que é botar dinheiro em uma aplicação careta no banco da esquina, rende dez por cento ao ano. Com um pouquinho mais de recursos e ousadia, dá pra chegar a quinze ou vinte. Sempre que conto isso pra gringo, eles caem para trás.

Neste ambiente, não há nenhuma boa razão para termos um ambiente propício a investimentos produtivos, muito menos no nascedouro. Novos empreendimentos automaticamente são mais arriscados, e quanto mais nova a ideia, mais novos os problemas que ela vai ter que enfrentar.

Não vou nem começar a detalhar a indigesta salada de pepinos que um empresário iniciante tem que engolir no Brasil, impostos, cartelização, legislação, corrupção... Por isso tudo é que o cenário de start-ups no Brasil é tão frágil, comparado ao tamanho e ao crescimento do País.

Mark não ia dar em nada no Brasil; o Facebook jamais teria recebido investimentos; o jogo aqui é outro. Os maiores crânios do Brasil, diferente da Califórnia, não vão trabalhar em start-ups. Vão trabalhar em bancos. E pela mesma razão: é onde está o dinheiro.

No final, o colunista diz que os próximos Marks Zuckerberg virão das favelas de Nova Déli, na Índia, de Valparaíso, no Chile, e de São Paulo (sem acento)... Ora faça-me o favor.

Quando os gringos começarem a botar o til em São Paulo, começo a levar a sério suas profecias.

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A indústria da música está acabando, ouviu falar? Todo mundo agora está baixando música de graça da internet, e por isso é que as gravadoras estão todas falindo.

A única solução para os artistas é dar suas canções de graça, em formato digital, para tentar ganhar alguns fãs, e depois faturar fazendo shows.

Isso já aconteceu com a indústria fonográfica, e tudo que é digitalizável tem o mesmo destino - filmes, games, notícias. É um mundo completamente novo e salve-se quem puder!

O parágrafo acima está cem por cento errado. O mundo não é preto e branco. O mundo não é como você ou eu desejamos que seja. O mundo é hachura, matiz, móbile de Escher.

Quando todos começam a repetir a mesma coisa do mesmo jeito, deixamos o mundo e vamos para a Matrix, o domínio da realidade consensual. Que de consenso nada tem - é sempre imposta, e portanto sempre parte de quem tem poder para impor.

O mercado fonográfico brasileiro cresceu 8,4% em 2011, em faturamento. Chegou a R$ 373,3 milhões, segundo o relatório anual da Associação Brasileira dos Produtores de Disco.

"O cenário de redução e encolhimento que observamos na primeira década do século 21 ficou para trás", disse Paulo Rosa, presidente da ABPD. Dá para acreditar? Claro.

De onde vem o dinheiro? Vem 53% da venda de CDs; 31%, de DVDs musicais; 32%, receitas diversas de música digital (downloads, serviços de aluguel, ringtones pra celular etc.).

Esta área cresceu 12,8% ano passado. Vai crescer bem mais em 2012.

O iTunes, maior serviço de venda de música digital do mundo, chegou ao Brasil só em dezembro. Entrei este minuto para ver o que tinha na capa do iTunes: Thiaguinho. Faz sentido.

Quer saber os campeões de venda do mercado brasileiro de música em 2011? Marcelo Rossi e Paula Fernandes.

montagem Os campeões da música em 2011: Marcelo Rossi, Paula Fernandes, você e eu

Vai continuar aumentando a quantidade de downloads piratas? Vai. E prevejo que, no Brasil, vai continuar aumentando simultaneamente a venda de CDs, DVDs, e de música digital.

Música, seja em suporte físico ou em elétrons, hoje é barato. E música é conveniência, mas também é paixão. Para quem adora música, não há prazer como passar duas horas fuçando uma loja especializada das boas.

Fui a San Francisco a trabalho, e fiz isso na Rasputin, no centrinho da cidade, Powell Street. Toda viagem minha aos EUA, uma ou duas por ano, inclui momento de peregrinação similar. Eram cinco andares de CD, DVD, Blu-ray, vinil, novos, usados e raros.

Sabe quanta gente tinha na Rasputin em dois domingos atrás, onze da manhã, na capital do Vale do Silício, coração da música digital planetária? Um monte.

Comprei 27 CDs, 24 usados, preço a partir de R$ 5,95, dez reais. Estou tirando um por um do plástico e curtindo um por um, separadamente.

Alguns eu tinha em vinil, outros tive em fitas cassete na pré-história, outros são de artistas que conheço mal, outros de bandas que conheço nada.

Você sabe quanto os músicos e compositores destas canções ganharam com a minha compra destes CDs usados? Zero. Quanta dor na consciência senti por não colaborando para sua subsistência ou fortuna? Zero.

As gravadoras, quando eu era editor de revista de música, se pensavam onipotentes. Hoje são sombra do que eram. Estão no tamanho certo. 2012 é muito melhor para quem curte música do que qualquer momento antes.

E os artistas nunca tiveram tanta liberdade para criar e ganhar com sua criação, o que pode gerar um pouco de angústia nos pobrezinhos, e certamente gera muita confusão nas regras e leis, e muita oportunidade de faturar com o caos. É o que vemos na atual tiroteio sobre o Ecad, e na discussão sobre como e quanto os compositores devem receber pela execução de suas obras.

Existem novas maneiras de fazer as coisas, mas elas não são necessariamente melhores que as antigas. As velhas maneiras de fazer as coisas, bem - algumas estão mortas, outras precisam de uma estaca no coração.

E outras eram bem razoáveis, e enquanto não aparecer nada melhor, podemos continuar usando-as. Sem stress e sem culpa.

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Fez sucesso anos atrás um livro chamado Too Big To Fail. A expressão americana diz respeito a empresas tão grandes, que os governos não podem permitir suas falências - o estrago social seria monstruoso.

Frequentemente, se aplica a bancos. Por mais falcatruas cometidas, melhor enfiar dinheiro público lá que deixar quebrar e prejudicar milhões e milhões de correntistas e poupadores.

Político, naturalmente, sempre acha uma desculpa para entuxar nossa grana em cofres privados, sob essa e aquela justificativa.

No Brasil, mais de um terço do PIB nós pagamos de imposto, e temos pouquíssimo controle como o dinheiro é gasto. Mas é parecido em todo lugar.

Um caso recente e espetacular nos EUA foi o bilionário desfibrilador que a administração Obama aplicou na moribunda indústria automobilística americana. Os resultados ainda são duvidosos.

Que empresa você acha que é grande demais para quebrar? Com que produto, de que marca, você não consegue imaginar ficar sem? Pense um segundinho.

Desconfio que uma parte muito grande de nós responderia: Google.

sede google ok Google: grande demais para quebrar (e para existir)

Como fazer sentido de uma internet sem os poderes mágicos de busca do Google? Sem Google Maps, YouTube, Gmail?

O Google é grande demais para quebrar, com certeza.

Mais que isso: talvez esteja ficando grande demais para existir. Talvez seja hora do Google ser dividido.

O que não pode ser feito pelo mercado, só por interferência direta do governo do País onde a empresa tem sede, os EUA.

Em 2011, o faturamento total do Google foi de US$ 37,9 bilhões. A receita total de publicidade de TODOS os jornais dos Estados Unidos foi de US$ 24 bilhões - menos da metade do que foi em 2005. Por quê?

Principalmente porque o Google capturou a maior parte dos investimentos em classificados.

E o valor de mercado do Google em ações? É de US$ 200 bilhões.

Se a empresa vira pó amanhã, destrói pedaço considerável da economia americana, da internet mundial e das vidas de cada um de nós que usa os serviços do Google.

Outro exemplo assustador: a Apple, a empresa de maior valor de mercado do planeta. São R$ 550 bilhões.

Se um terrorista joga um avião na sede da Apple em Cupertino, e mata todos os gênios que trabalham lá, o que acontece?

sede apple Google: grande demais para quebrar (e para existir)Vale a pena correr o risco?

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A esta altura, muito já se falou sobre o discurso de Bruce Springsteen no festival South by Southwest. Desde quinta-feira passada, trechos da sua palestra são citados como inteligentes, engraçados, provocantes, e principalmente inspiradores.

O veterano roqueiro - 62 anos já - equilibrou com arte integridade com humor. É de fazer qualquer um admirar Springsteen - mesmo quem não tem nenhum CD dele em casa, como eu (tenho três vinis, vá).

Só falta assistir ao original. Só para quem entende bem em inglês. E essa é uma das razões por que aprender bem inglês é importante, e rock sempre é uma boa maneira de aprender.

A íntegra da palestra de Bruce, uma hora, incluindo a introdução. Assista tudo, até o final.

Bruce Springsteen: full keynote speech (HD) - SXSW 2012 por perolasblogs no Videolog.tv.

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Dark Shadows fez sucesso razoável por cinco anos nos Estados Unidos, de 1966 a 71. HIstórias góticas eram modinha na época, do Drácula de Christopher Lee aos gibis, e até a livros pra moças estilo Sabrina.

O seriado de TV tinha pegada era sobrenatural contemporânea, com um vampiro do bem, Barnabas Collins, e um circo de horrores coadjuvando - lobisomens, bruxas, fantasmas, zumbis. Com infinitas reprises, virou objeto de culto.

Terreno familiar para a dupla Tim Burton e Johnny Depp, criancinhas na época, parceiros de tantas outras fantasias sombrias.

Burton deu o primeiro papel sério a Depp, em Edward Mãos de Tesoura, 1991. O casório artístico já dura duas décadas - A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd, Alice no País das Maravilhas, e o desenho A Noiva Cadáver (Depp faz a voz original do noivo).

Pelo primeiro trailer de Dark Shadows, no Brasil, Sombras da Noite, a parceria promete novos frutos saborosos em 2012. É comédia rasgada e assumida, com elenco escolhido a dedo (Michelle Pfeiffer, Chloe Moretz, Alice Cooper), a costumeira sofisticação visual, figurino e trilha sonora de época (Carpenters, Marc Bolan, Isaac Hayes).

E Depp no seu melhor pique canastra, com uma antagonista à altura - Eva Green, possivelmente a mais deliciosa Bond Girl da história, ou não me lembro de outra mais atraente, o que dá no mesmo.

Dark Shadows: Official Trailer (HD) por perolasblogs no Videolog.tv.

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Quantas pessoas nascem e morrem a cada segundo? Quantos computadores foram vendidos este ano? E jornais?

Quantos emails enviados, quantos posts em blogs?

Quantas pessoas passam fome e quantas são obesas?

Quantos morreram de fome hoje?

Quantos suicídios, quantos abortos?

Worldometers é um site em que estes e muitos outros índices são atualizados em tempo real.

É exato? Certamente não. Mas quem foi lá checar garante que está bem próximo dos números reais.

É estranhamente comovente e um pouco anestesiante.

E o fato de que os índices são cercados de anúncios por todos lados são comentário agudo sobre o mundo que criamos.

Visite, pelo menos uma vez: http://www.worldometers.info/

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72265173 1 Imagens de COLEcaO ENCICLOPeDIA BRITaNICA DO BRASIL 1992 MIRADOR 20 LIVROS Enciclopédia Britânica: não é adeus, é até logo

Saio correndo de casa, na função. O gari examina atento uma pilha de livrões ao lado dos sacos de lixo da vizinha. Quarenta, cinquenta anos? Magro, nordestino, um molar faltando, o bigode disfarça bem.

Alguma coisa boa aí, amigo? Judiação, olha o que estão jogando fora, uma enciclopédia novinha! São seis volumes grossos, capa dura. Na lombada: Mirador. Ele abre, olha quanta coisa interessante aqui. Eu adoro ler, se pudesse levava tudo pra casa... mas não dá, hoje já estou carregado!

Flashback: meu pai me compra a Mirador, sétima série. A coleção é de propriedade da Britânica, e tem colaboradores célebres, e um editor famoso, Antonio Houaiss. É minha referência pra trabalhos de escola e muito mais. Nas tardes modorrentas de Piracicaba, folheio os 20 volumes distraído, à procura de gênios, escritores, líderes. Com o tempo leio todos os verbetes sobre gente. 1983, de mudança para São Paulo, a enciclopédia vem junto. Nas infinitas horas longe da escola e do mundo, em busca de sentido, leio mais. Maravilhas naturais e artificiais - países, descobertas, criações. Pulo verbetes técnicos, perda minha. Devo ter lido pelo menos 80% das 11.565 páginas, e uma parte reli repetidamente. Está na biblioteca de casa? Um arrepio - será que fui em frente e me desfiz? Será que está em algum sebo, esperando um obsessivo por artefatos do passado? Ou só pensei em passar a Mirador pra frente?

Flash forward: dia seguinte, leio - online - que a Enciclopedia Britânica vai parar de ser impressa. Repercussão mundial. Nos últimos 244 anos, foi sinônimo de conhecimento. Vendeu seis mil coleções ano passado. É nada. Não chore pela profissão de vendedor de enciclopédia - faz muito tempo que o principal comprador de enciclopédia é governo, escola, biblioteca.

Não chore pela Britânica: já faz tempo que a maior fatia de sua receita vêm de serviços pagos no setor de educação, para professores, estudiosos, estudantes. E a versão online continua firme e forte, o que se foi é o papel. São quase 65 mil artigos, escritos por 4300 especialistas.

Clique aqui para ler mais.

Impossível concorrer com a Wikipedia, enciclopédia viva, produzida todo dia por todos nós; zilhões de artigos escritos por zilhões de amadores de graus diversos, e imperfeita e encantadora como todo ser vivente. Talvez exatamente a onipresença de coisas como a Wikipedia ou o Google reforcem a necessidade de priorizarmos a criação de outro tipo de produtos de informação e referência para leigos. Que sejam acabados, completos, redondos, apurados com apuro, editados por editores, escritos por escritores. Pensando bem, tenho certeza que sim. Mas eles serão sempre digitais e permanentemente atualizados. O fim da Britânica é o começo de uma nova era de enciclopédias, para um mundo mais complexo, de mudanças mais rápidas.

Ô amigo, como é teu nome? Aurélio - olha essa parte aqui, me mostra uma página com uma engrenagens incompreensíveis, tem coisas boas de mecânica, sou mecânico de profissão. Prazer, eu sou André, vem cá, vou abrir o portão, põe os livros ali no fundo, fica protegido da chuva. Quando você passar por aqui de novo, toca a campainha, deixo avisado, você pega seus livros. Valeu mesmo! Eu é que varro sempre a rua aqui. Esta sexta pego a enciclopédia com certeza.

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