alborguetti Alborghetti, o avô do Capitão Nascimento

Quem me apresentou Alborghetti foi meu velho compadre Ronnie.

Roniquita andava em fase de vagabundear bastante no ap da Joaquim Eugênio de Lima e falou “meu, você já viu esse cara que bate com um porrete na mesa, grita que nem louco e baba no microfone?”

Quando vi não acreditei. Era melhor que a melhor televisão. Era hipnotizante.

Não dava pra eu ver sempre porque passava tipo seis da tarde. Mas depois começou a reprisar na madruga.

Era de morrer de rir e de chorar, tanta desgraça e tanta papagaiada junta. Depois vieram Ratinho e tantas variações, mais pra cá, mais pra lá. Mas Alborghetti foi o primeiríssimo.

Porque antes caras como Gil Gomes e Afanásio tinham levado a narração policial radiofônica para a televisão. Mas eles eram sombrios, assustadores.

Alborghetti era histriônico, um comediante nato. Fazia a gente rir dos crimes mais horrorosos do mundo.

Fora os epítetos que dedicada aos criminosos, de “sua capivara vagabunda” pra baixo.

Fora as encaradas na câmera: “Eu vou meter a mão na sua cara, seu xarope cheira-cola! Eu vou quebrar a sua bunda, vou mandar entrar com a metranca e passar fogo!”

De jornalista não tinha nada.

E é claro que não dá para assinar embaixo das nazistices de Alborghetti, “bandido bom é bandido morto” etc.

Mas não dá pra não rir do cara chamando os câmeras de debilóides e ensinando a matar bandido...

Quando eu assisti Tropa de Elite, ficou uma memória lá me cutucando, e eu não sabia do quê.

Às vezes tem isso - queremos lembrar de uma coisa e parece que a memória está trancada numa gaveta.

Se você não encontra a chave, não consegue lembrar do que está ali no subconsciente, te provocando como uma coceirinha.

Hoje conectei: a pegada de Tropa de Elite - mezzo brucutu, mezzo parlapatão - é puro Alborghetti. Eu tinha esquecido que o cara existia.

O cara precisou morrer para eu descobrir que ele estava na atividade! E na web, mais louco varrido que nunca.

Ronnie, olha essa, cara, é recente e imperdível:

Graças às maravilhas da internet, Dalborgas - o fanfarrão original - viverá para sempre.

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Mário Bortolloto Clarah Averbuck e uma campanha do bem

Mário Bortolotto, dramaturgo e músico, foi baleado no bar de um teatro. Negócio sério. A piada pronta é que ele faz um blog chamado Atire no Dramaturgo.

A amiga dele, Clarah Averbuck, manda recado: Mário está estável e vai sair dessa.

Não conheço Mário e não vou ao teatro.

Mas ela pediu para todo mundo entrar na campanha. E pedido de Clarah, quem tem juízo obedece.

“Quem puder ajudar a família do mário – a ex-mulher e a filha, que moram em Londrina, estão aqui e precisando muito de grana para poder ficar e cuidar dele quando sair do hospital – por favor deposite uma graninha na conta de Cristiane do Carmo Viana – unibanco ag 0935 - conta poupança 127721-6. Muito obrigada a quem puder.”

Quem puder colaborar para Cristiane e a filha de Mário, Isabela, ficarem em São Paulo, que faça já sua boa ação.

Agora, só Clarah para pegar uma desgraça dessas e ainda conseguir ser tão ela mesma, engraçada e letal:

“em tempo: QUEM ASSALTA UM TEATRO? QUER O QUÊ? PAGAR MEIA? espero sinceramente de bom coração que paguem é de mulherzinha na cadeia. um beijo c.”

Nunca vejo Clarah, mas acompanho suas carreiras à distância, com uma pontinha de orgulho. Ela ia ser publicada de qualquer jeito, mas na prática, alguém tinha que ser o primeiro.

E fomos nós, na Conrad, 2002, que lançamos o primeiro livro dela: Máquina de Pinball.

Hei Clarah, era você, o Cleiton e eu tomando cerveja na frente do Parque da Aclimação, lembra?

Aqui está Clarah:

clarah1 Clarah Averbuck e uma campanha do bem

Aqui está a banda da Clarah: Clarah Averbuck & The Oneyedcats 

Essa é a história dela, versão Wikipedia.

E tem até filme baseado nos livros da Clarah. É Nome Próprio, com Leandra Leal. Tá na locadora.

Mas vá direto à fonte, que não te arrependerás. Clique aqui.

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Adriana Bombom saiu chorando da Fazenda. Boninho escolheu uma garota gay para o BBB.

Oh, céus, começou de novo.

Quando eu vejo o sucesso que esses reality shows fazem, perco as esperanças na humanidade.

Novela é tudo mentira e chato, mas eu - com algum esforço de imaginação - consigo entender como as pessoas assistem.

Novela são pessoas que não existem em lugares que não existem, fazendo coisas que não têm um pingo de sentido.

Mas tá lá, naquele horário, o Rio de Janeiro é bonito, as pessoas também, rola umas dancinhas, umas malvadezas.

Depois acaba, começa outra igual, e está tudo conversado.

É redundante, confortável, previsível. Não requer a utilização de neurônios e não estimula os hormônios.

É como comer purê de batata todo dia.

Agora, reality show, “espetáculo da realidade”, tenha dó.

Não é reality, porque de realidade não tem 1%. É mais irreal até que novela.

As provas são totalmente artificiais. Os ambientes artificiais. Não tem emprego, relógio, telefone, internet.

As pessoas são mais malhadas que na realidade. E bem mais tontas!

Onde encontram tanto asno?

Espetáculo em reality show, só se for de ignorância e deselegância.

E os diretores investem é nisso mesmo, burrice e pornografia família. É sacanagem leve debaixo do Edredom e capa da Playboy ano que vem.

Tanto que a grande novidade do próximo BBB será a câmera submarina. Para focar as partes das meninas por baixo, claro.

Alguns reality show gringos, como contam com roteiristas, direção com mão de ferro, edição ágil e tal, podem não ser muito apetitosos mas escorregam pela garganta. Parecem filme, seriado, começo-meio-e-fim em uma horinha.

No Brasil, que tipo de reality show emplacou? Exatamente o que é mais parecido com novela.

Embora nos nossos reality shows sempre haja um “argumento” - um roteiro, vai - os diálogos não foram escritos por roteiristas, então são de Mobral pra baixo.

De vez em quando, no caminho para casa, paro pra tomar uma cerveja na Panificadora Flor do Sumaré.

Não é a Padaria Real nem a Barcelona, points de artistas, bacanas etc.

É uma padoca na frente do Metrô Vila Madalena e do terminal do ônibus.

Você imagina qual a frequência, certo?

Pois já tive papos perfeitamente inteligentes com gente de todas as classes sociais, interesses e perfis na Flor do Sumaré.

Se levo o Gaspar, que é o garçom de lá, para conversar com uma das moças da Fazenda, vai ser o encontro do Albert Einstein com a Marilyn Monroe.

O perigo é eles transarem e nascer uma criança com a inteligência da bunduda e a beleza do Gaspar.

Veja mais:
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chuva terca A incompetência criminal de Kassab e a sua

São Paulo está parada. Tem gente morrendo todo dia. É “por causa das chuvas”. Não é não. Chove sobre justos e injustos, mas só pobre morre nessa hora.

A causa é a incompetência do nosso prefeito. Pela qual ele deveria ser acusado criminalmente. A negligência que causou estas mortes.

É o descaso com a administração que causa tantos prejuízos. A cidade está largada. Não há limpeza. Não há manutenção.

Nenhuma surpresa. Kassab era da turma do Maluf, secretário do Pitta. Você queria o quê?

Agora, hoje é um ótimo dia para as pessoas lembrarem de quem colocou ele lá.

José Serra fez muita força para ele emplacar, mas quem votou nele foi a maioria dos paulistanos.

Você?

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“Mulher pelada é cultura?

Comentei aqui por diversas vezes que considero o vale-cultura, capaz de envolver até R$ 7 bilhões, um previsível desperdício - o dinheiro seria mais bem usado se focado nos estudantes das escolas públicas.

Desde ontem, meu receio aumentou ainda mais, pela possibilidade de que, com esse benefício, mulher pelada também seja cultura. Ou gibi.

Foi aprovada uma emenda no Congresso permitindo que o vale-cultura seja usado para comprar jornais, revistas e gibis. Senadores argumentaram que, com isso, revistas como a "Playboy" seriam beneficiadas, mas a emenda foi aprovada assim mesmo.

Nada contra a "Playboy", mas mulher pelada não é cultura - muito menos com dinheiro público.”

Gilberto: criticar a existência do Vale-Cultura, tudo bem. Decidir por mim - por todos nós - o que é cultura e o que não é, não vai rolar não.

 

Marilyn Monroe Playboy 1 Gilberto Dimenstein, na Folha:

V de Vingança1 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Pierre Auguste Renoir As Grandes Banhistas Gilberto Dimenstein, na Folha:

Lobo Solitário Gilberto Dimenstein, na Folha:

La Maya Desnuda Francisco Goya Gilberto Dimenstein, na Folha:

 

Gibi Turma da Mônica2 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Gustav Klimt Nuda Veritas1 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Gisele Bündchen Richard Avedon Gilberto Dimenstein, na Folha:

As Aventuras de Tintim O Templo do Sol Gilberto Dimenstein, na Folha:

 Gilberto Dimenstein, na Folha:

Asterix e os Índios Gilberto Dimenstein, na Folha:

 

Cavaleiro das Trevas Gilberto Dimenstein, na Folha:

 Maus Art Spielgelman1 Gilberto Dimenstein, na Folha:  

 

Veja mais:

+ O Vale-Cultura (e quanto a cultura vale)

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 leila lopes rindo g orlandooliveira2 Leila Lopes e os poucos astros pornô que se suicidaram

As primeiras informações sugerem que Leila Lopes se matou. Se foi mesmo isso, demorou. Demorou porque astros pornô normalmente se matam mais jovens.

Leila estava no pornô fazia pouco tempo, mas já tinha cinquenta anos. Idade dura para viver de transar com estranhos por dinheiro. Ainda mais na frente de uma câmera.

Jon Dough se enforcou aos 43. Era um dos astros pornô mais conhecidos da minha geração. Comeu todas as estrelas. Dirigiu outras tantas.

Estrelou um filme chamado O Homem mais Sortudo do Mundo, em que transava com 101 mulheres diferentes.

Alex Jordan também se enforcou, aos 28. Shauna Grant estourou os miolos com um rifle 22, aos vinte anos.

A francesa Karen Lancaume, de Baise-Moi, provocou uma overdose aos 32.

Mary Millington, lenda do pornô inglês dos anos 70, também foi de overdose, de paracetamol. Você pode vê-la em The Great Rock'n'Roll Swindle, o filme picareta dos Sex Pistols. Tinha 33 anos.

Johnny Rahm, astro de filmes gay do diretor drag ChiChi LaRue, se enforcou com arame aos 39 anos. Tinha HIV e hepatite.

A mais famosa estrela suicida do mundo pornô foi Savannah. Não era lá muito energética, mas tinha boa estampa, e frequentava a cena rock'n'roll de Los Angeles.

Namorava gente como o ator Pauly Shore e o guitarrista / tecladista Gregg Almann. Explodiu a cabeça com uma nove milímetros.

E, que eu tenha descoberto, é só.

atores Leila Lopes e os poucos astros pornô que se suicidaram

Jon Dough, Mary Millington, Savannah e Shauna Grant

De milhares e milhares de pessoas que trabalham com pornô, só soube destas que se mataram.

É pouquíssimo, se você considerar que é supostamente uma profissão muito estressante, em que você convive com gente perigosa etc.

A profissão que mais comete suicídio é... médico. Pelo menos nos Estados Unidos. Aqui, não descobri dados.

Sabe quantas pessoas tentam se matar todos os dias? 60 mil. Sabe quantas conseguem? Três mil. Dados da Organização Mundial de Saúde.

Destas, tem um grupo que realmente é a fim de se matar. São os jovens. Suicídio é a terceira causa de morte mais comum entre jovens (15-35 anos) no mundo.

O número de casos cresceu 60% nos últimos 45 anos. Nos próximos dias, muita gente vai ligar a morte de Leila Lopes com sua opção pelo pornô.

É moralismo. Não caia nessa.

Veja mais:

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Hoje temos uma participação especial.

Com a palavra, Marcelo Soares, criador do blog E Você Com Isso?.

Virou moda expor problemas sociais e de saúde em novelas, pra mostrar “a vida como ela é”. Pegue a história da modelo Luciana, da novela Viver a Vida.

 

Luciana Viver a Vida A paraplégica da novela não existe, parte II

Ficção: Luciana, modelo que está paraplégica na novela Viver a Vida, interpretada por Alinne Moraes

Loira, linda, alta, jovem e rica, sofreu um acidente de ônibus no Oriente Médio e perdeu os movimentos dos membros. A ideia é mostrar como é a vida de quem sofre com deficiência física.

Mas será que a personagem representa mesmo quem sofre com isso? Existem dados sobre isso.

A cada dez anos, o IBGE coleta informações detalhadas sobre a população brasileira no Censo. No banco de dados deles, procurei ver quantas pessoas no Brasil tinham mais ou menos o mesmo perfil da personagem:

Mulher, 25 a 29 anos, com rendimento nominal mensal de mais de 5 salários mínimos (o IBGE não oferece classe mais alta que isso) e portadora de deficiência física (tetraplegia, paraplegia ou hemiplegia permanente).

Clique aqui e acesse o link do banco de dados do IBGE.

No censo de 2000, havia apenas 262 mulheres nessa condição no país – num total de 514.791 mulheres nessa faixa etária e grupo de renda. Isso dá 5 em cada 10 mil mulheres dessa faixa etária e grupo de renda no Brasil.

Se for fazer pelo total de brasileiros, incluindo homens e mulheres de todas as idades, dá 1,55 POR MILHÃO.

O dado tem um problema sério: 5 salários mínimos é uma renda muito abaixo da renda da personagem. Se for restringir pelos que ganham ao menos 10 salários mínimos por mês, um salário modesto para uma supermodelo principiante, certamente haveria menos gente.

Para ter uma ideia, apenas pelo corte de cinco SM já foram excluídos DEZESSETE ESTADOS que sequer tinham mulheres com deficiência física nessa faixa de idade e renda: RO, AC, RR, PA, AP, TO, PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, ES, SC, MS, MT.

As moças com deficiência física nesses lugares costumam ser mais pobres. Como, de resto, a média dos habitantes. Portanto, têm menos acesso a bons hospitais e transporte de qualidade. Sofrem bem mais.

Das 262 mulheres com deficiência física no Brasil, apenas 34 estavam no Rio de Janeiro (onde mora a personagem da novela). Isso dá 6 em cada 100 mil mulheres de mesma idade, sexo e faixa ampla de renda no Brasil inteiro. Ou DUAS EM CADA DEZ MILHÕES de brasileiros de todos os sexos e idades.

Não dá pra ver por bairro quantas moram no Leblon. O que dá pra ver é que apenas 19 dessas 32 mulheres estavam na cidade do Rio. Isso dá 3,7 em cada 10 mil brasileiras de mesma idade e faixa ampla de renda. Ou pouco mais de UMA EM CADA DEZ MILHÕES de brasileiros.

blog modelos A paraplégica da novela não existe, parte II

Vida real: As modelos (foto e passarela) Carina Queiroz e Carol Paiva são paraplégicas. Foto por Kica de Castro

O Censo não permite filtrar pela altura, cor do cabelo, profissão ou largura dos lábios. Também não permite ver a questão do comportamento da moça, o que estreitaria ainda mais a seleção.

"A vida como ela é", uma pinóia. Essa personagem praticamente não existe – e, se existir, tem a vida muito mais confortável do que a dos que de fato existem.  

  Tudo para quem tem dificuldades de locomoção acaba saindo mais caro. Quem tem grana consegue contornar a maior parte desses problemas; quem não tem sofre muito mais.

E como são os que existem? O IBGE também nos conta.

Brasilia Julgamento sobre uso de celulas tronco no Brasil Foto Wilson Dias ABr1 A paraplégica da novela não existe, parte II

Brasilia: Julgamento sobre uso de células-tronco no Brasil - Foto:Wilson Dias/ABr

 Antes de mais nada, 22% dos homens com deficiência física e 29% das mulheres com deficiência física simplesmente não têm renda nenhuma.

No Brasil, a maior proporção dos que têm deficiência física dentro de sua faixa etária está entre os velhinhos homens de mais de 70 anos de idade e renda nenhuma (4,4%) ou até um salário mínimo (4,7%).

Dois em cada dez deficientes físicos brasileiros, homens, são velhinhos com mais de 70 anos, e pelo menos um desses dois vive com menos de R$ 500 mensais.

A proporção de velhinhas com deficiência física em sua faixa etária é um pouco menor, mas principalmente porque homem tem a feia mania de morrer mais cedo. Mas três em cada dez mulheres com deficiência física são velhinhas com mais de 70 anos.

Essa proporção de velhinhos vem aumentando, conforme o brasileiro vai ficando mais velho. É o lado ruim da melhoria das condições básicas de vida.

Entre as mulheres, no total do Brasil, 81,3% das que têm deficiências físicas têm renda menor do que um salário mínimo ou nenhuma. Na faixa de idade da Luciana, 25 a 29 anos, são quase 87%.

Ou seja: quase nove em cada dez não ganham nem R$ 500 ao mês.

Educação é outro problema muito sério: é muito difícil alguém que tem deficiência física frequentar aulas, especialmente porque escolas e faculdades não são adaptadas.

Aqui, porém, o roteiro de Manoel Carlos acertou na mosca: tal como 89,7% das moças de 25 a 29 anos com deficiência física, Luciana não estuda.

Veja mais:

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Eu ia escrever sobre a paraplégica da novela. Aí vi a Alinne Moraes saracoteando no YouTube. Agora, já está sentando. Até o Carnaval está desfilando na Portela. E, claro, era uma demônia e agora virou uma santa.

luciana viver a vida desfila1 A paraplégica da novela não existe, parte IViveraVida g 200911061 A paraplégica da novela não existe, parte ILucianasentada g 200912022 A paraplégica da novela não existe, parte I

Eu nem sei dizer o quanto fico furioso com essa história. Porque o assunto me toca de perto. Meu tio, Joaquim Lazari, é paraplégico desde 1983.

Ele fez mais que enfrentar a situação. Fundou uma associação na cidade em que mora, Limeira, para defender os direitos dos deficientes.

Chama-se Ainda (Associação Integrada de Deficientes e Amigos). O site está aqui. A seção de notícias está meio defasada, mas a Ainda está ativíssima.

Joaquim é o cara mais valente que eu conheço. Mas diz que é privilegiado. Uma vez me disse: “pior que a deficiência, é a miséria e a ignorância. E às vezes junta tudo”.

Cadeirante pobre, dizia, vira prisioneiro. Não sai de casa porque não tem dinheiro para cadeira de rodas. E eles são muitos, muitos.

Você, meu amigo, faz ideia de quanto custa uma almofada especial para evitar escaras? almofada para cadeira de rodas1 A paraplégica da novela não existe, parte IMais de mil reais.

Sabe quanto custa adaptar um carro? A partir de dezoito mil reais.

A novela Viver a Vida desperdiçou uma grande oportunidade. Poderia lidar com o tema da deficiência com algum realismo.

Não estou exigindo seriedade de novela. Não assisto e não recomendo.

Agora, se é para ser ilha da fantasia, vamos de Caminho das Índias, Mutantes etc.

Se é para falar de coisa séria, vamos ter um mínimo de respeito pelas pessoas que enfrentam uma vida tão difícil, como é a do deficiente brasileiro.

onibus A paraplégica da novela não existe, parte I

carro adaptado A paraplégica da novela não existe, parte I

Estava no bar trocando ideia com os amigos que colaboram com este blog e espumando sobre o assunto. Vai ver foram as caipirinhas, mas o Marcelo Soares se inspirou. Fez muito melhor que eu faria, porque reuniu números importantes sobre o tema.

Amanhã, vamos publicar o artigo que ele escreveu sobre o assunto, exclusivamente para este blog. É bom ter amigos mais inteligentes - e mais valentes - que a gente.

Veja mais:

+ Viver a Vida: Alinne Moraes fala sobre destino

+ Luciana recupera movimento do braço em Viver a Vida

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 ... e não assumiu nenhum dos dois?

FHC Blog FHC Outubro, 1994: você votaria em FHC se soubesse que ele teve dois filhos fora do casamento...

Pelo menos um filho fora do casamento, sabemos que Fernando Henrique Cardoso teve. O garoto tem dezoito anos. Eu sei da história faz dezessete.

FHC decidiu assumir, segundo a jornalista Mônica Bergamo, porque seu filho com a jornalista Mirian Dutra, Tomás, chegou à maioridade agora.

Tomás acaba de se formar no Imperial College, em Londres. De lá foi para os Estados Unidos, estudar Relações Internacionais na George Washington University.

A história foi oficializada com o artigo de Mônica na Folha, no dia 15/11. Você pode ler a íntegra aqui. 

Todos os jornalistas do Brasil sabiam, desde antes da primeira eleição de FHC. E políticos também, oposição inclusive, claro. Ninguém tocou no assunto.

Um amigo repórter de política propôs no início de 1994 para o jornal onde trabalhava a seguinte pauta: ele iria para Portugal, onde Tomás vivia com a mãe; arrancaria um cachinho do cabelo do moleque; e na volta, fariam o exame de DNA para comparar com o de FHC.

A reportagem foi rejeitada pela secretaria de redação. Me ofereceu a matéria. Nós começávamos a revista “General”, independente, que pretendia cobrir de tudo, jornalismo cultural com ênfase em música, um tanto de política, muita “atitude” - como se dizia na época. Uma espécie de Rolling Stone, para quem não era nascido na época. Com menos grana e muita gana.

Era questão complicada, e cara, porque incluía o custo de enviar o repórter para Portugal. Ele garantiu que queimava suas férias com isso se fosse preciso. Eu tinha sócios na “General” e levei a questão a eles.

Nada feito. Mesmo que fosse verdade, era “questão particular”.

Eu arrancava os cabelos de raiva. Vida particular uma pinóia. A história mudaria a opinião de muita gente sobre o caráter de FHC, podia mudar o resultado da eleição para presidente, e portanto era e é de interesse público.

E a pauta colocaria a “General” no mapa. Éramos quatro sócios para decidir, dois votavam no PSDB, dois no PT. Fui voto vencido.

Quem finalmente fez reportagem sobre o assunto foi a Caros Amigos, mas só em 2000. Pauta capitaneada pelo valente Palmério Dória. A chamada de capa era “Por que a imprensa esconde o filho de FHC com a jornalista da Globo?”.

Várias pessoas eram ouvidas, inclusive o então diretor de sucursal em Brasília da Folha, Josias de Souza, que confirmou a história.

Ninguém repercutiu a história em lugar nenhum - salvo Sebastião Nery. O detalhe iluminador: a Caros Amigos citava a certidão de nascimento:

Tomás Dutra Schmidt. Sem Cardoso. E sem o nome do pai na certidão. Por essas e por outras que eu me orgulho de ter feito parte do time da Caros Amigos.

Agora, parece que tem outro menino na história. Menino não, vinte anos.

O colunista Cláudio Humberto - que para sempre lembrarei como sendo da turma de Fernando Collor, o que é difícil de perdoar - publicou no dia 18 de novembro as seguintes notas:

“Filho de FHC e a mãe trabalham no Senado"

“Príncipe da sociologia brasileira”, FHC disse uma vez que tinha “um pé na cozinha”. Maria Helena Pereira, a negra que o impressionou pela formosura e lhe deu outro filho fora do casamento, continua com o pé na copa.

A mãe de Leonardo, o filho mulato de FHC, ainda é a copeira do gabinete 22, do senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), na Ala Teotônio Vilela do Senado. Trabalha todo dia lá, no período da tarde.

Leonardo, 20... também trabalha no Senado, como a mãe. É um modesto carregador."

A coluna de Cláudio Humberto é publicada em uma pá de jornais pelo Brasil afora e na internet. Depois, mais detalhes:

“Uma ex-empregada afirma ter um filho com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília. O rapaz, hoje com 20 anos de idade, é Leonardo dos Santos Pereira que trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) em um órgão público, na Esplanada dos Ministérios. Ele nasceu da relação do então senador FHC com sua empregada Maria Helena Pereira, uma negra que o impressionava por sua formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai." Demitida com o filho nos braços, Maria Helena só recebeu 130 mil dos R$ 250 mil prometidos, e uma pequena casa em Santa Maria (DF). Quem administrava o segredo e os pagamentos a Maria Helena, diz ela, era o ex-senador Ney Suassuna (PB) que depois virou ministro. FHC tremeu após ser informado que Maria Helena considerava pedir teste de DNA no 'Programa do Ratinho', sucesso do SBT, na época. Esta coluna tentou contato com o ex-presidente FHC, através de seu instituto, em São Paulo. Ele não retornou as ligações."

No dia 20, Cláudio Humberto soltou mais uma:

“Dinheiro enviado por FHC não chegou à copeira. Dos R$ 250 mil prometidos pelo então senador Fernando Henrique Cardoso à ex-empregada Maria Helena Pereira, mãe do seu filho Leonardo, somente R$ 30 mil chegaram às mãos dela de uma vez e cerca de R$ 100 mil em parcelas mensais no valor médio de R$ 6 mil. O dinheiro foi repassado a Maria Helena pelo então senador Ney Suassuna (PMDB-PB), transformado em fiel depositário do segredo. A pedido de FHC, Maria Helena foi nomeada auxiliar de copa no gabinete de Ney Suassuna, após ser demitida por d. Ruth Cardoso.”

Nei Suassuna negou seu envolvimento, aqui.

O Leonardo não consta no Siorg, que teoricamente contém todos os funcionários da administração federal.

Falta Cláudio Humberto, ou alguém, ouvir mãe e filho. Até hoje, dois de dezembro, Fernando Henrique não tocou no assunto.

Veja mais:

+ FHC teme consequências ao PSDB de mensalão no DF

+ PSDB vai esconder FHC em 2010?

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Robin Williams costumava mandar muito bem em humor grosso. Era viciado em cocaína e elétrico no palco. Passou parte dessa energia para algumas performances - Popeye, Bom Dia Vietnã, Alladin.

Depois largou o vício e foi ficando cada vez mais sem graça, fazendo filminhos chochos “para toda a família”.

Virou filantropo, tem carro elétrico, é ciclista etc. Seus filmes como protagonista são intragáveis desde Hook, 1991, em que faz um Peter Pan envelhecido.

Olha ele aqui nos bons tempos tirando sarro dos cheiradores: “uma droga maravilhosa!”

Robin ainda manda mais ou menos bem em pontas (como Teddy Roosevelt, nos dois Uma Noite no Museu) e em entrevistas - cospe piadas e imitações como uma metralhadora. Na de ontem, no David Letterman, explicou assim como o Rio ganhou de Chicago, na disputa para ser sede das Olimpíadas:

“Chicago enviou a Oprah Winfrey e a Michelle Obama. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa.”

A história acabou de rolar e já vi um post reclamando, “humor duvidoso” etc. Qual o problema? Qualquer alvo é bom alvo para uma piada.

Letterman esculhamba toda noite sua amada Nova York. Se Robin quisesse tirar sarro, sei lá, da França, ia dizer que na Olimpíada de Paris não ia ter chuveiro, porque francês não toma banho.

O problema é que a piada sobre o Rio não é engraçada. Tanto que ninguém na plateia riu.

Mas é um tantinho reveladora da nossa imagem nos Estados Unidos. Por que pó? Porque no Brasil está cheio, e os filmes brasileiros que chegam lá fora falam exatamente de tráfico, favelas e tal.

Por que cinquenta strippers? Ora, porque nossas mulheres têm fama de bonitas, e porque de fato está cheio de stripper brasileira nos EUA.

Uns anos atrás peguei um táxi no aeroporto de Nova York, JFK, e o motorista brasileiro e ilegal me convidou para uma bandinha noturna por New Jersey, “está cheio de stripper brasileira e essas, dependendo da grana, dão”.

Thanks, but no, thanks.

A piada também sugere que o Brasil não tem as mesmas armas dos países ricos para ganhar uma competição. Temos tudo aqui, cara, inclusive o Eike Batista.

O importante não é competir. O importante é ganhar. Medalha de ouro, você vira garoto propaganda de um monte de marcas, é recebido pelo presidente etc. Sem medalha, sem moral.

O Rio ganhou para ser sede da Olimpíada? Vai correr um rio de dinheiro na direção certa, para os bolsos certos. Chicago? Dançou.

O importante é ganhar, mesmo que via anabolizante. O fundamental é não ser pego.

Esta é a “ética” dos esportes e dos negócios, no Brasil e em qualquer lugar. Robin entende de drogas, mas não entende de doping.

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