Publicado em 02/12/2009 às 09:11

FHC Outubro, 1994: você votaria em FHC se soubesse que ele teve dois filhos fora do casamento…

 ... e não assumiu nenhum dos dois?

FHC Blog FHC Outubro, 1994: você votaria em FHC se soubesse que ele teve dois filhos fora do casamento...

Pelo menos um filho fora do casamento, sabemos que Fernando Henrique Cardoso teve. O garoto tem dezoito anos. Eu sei da história faz dezessete.

FHC decidiu assumir, segundo a jornalista Mônica Bergamo, porque seu filho com a jornalista Mirian Dutra, Tomás, chegou à maioridade agora.

Tomás acaba de se formar no Imperial College, em Londres. De lá foi para os Estados Unidos, estudar Relações Internacionais na George Washington University.

A história foi oficializada com o artigo de Mônica na Folha, no dia 15/11. Você pode ler a íntegra aqui. 

Todos os jornalistas do Brasil sabiam, desde antes da primeira eleição de FHC. E políticos também, oposição inclusive, claro. Ninguém tocou no assunto.

Um amigo repórter de política propôs no início de 1994 para o jornal onde trabalhava a seguinte pauta: ele iria para Portugal, onde Tomás vivia com a mãe; arrancaria um cachinho do cabelo do moleque; e na volta, fariam o exame de DNA para comparar com o de FHC.

A reportagem foi rejeitada pela secretaria de redação. Me ofereceu a matéria. Nós começávamos a revista “General”, independente, que pretendia cobrir de tudo, jornalismo cultural com ênfase em música, um tanto de política, muita “atitude” - como se dizia na época. Uma espécie de Rolling Stone, para quem não era nascido na época. Com menos grana e muita gana.

Era questão complicada, e cara, porque incluía o custo de enviar o repórter para Portugal. Ele garantiu que queimava suas férias com isso se fosse preciso. Eu tinha sócios na “General” e levei a questão a eles.

Nada feito. Mesmo que fosse verdade, era “questão particular”.

Eu arrancava os cabelos de raiva. Vida particular uma pinóia. A história mudaria a opinião de muita gente sobre o caráter de FHC, podia mudar o resultado da eleição para presidente, e portanto era e é de interesse público.

E a pauta colocaria a “General” no mapa. Éramos quatro sócios para decidir, dois votavam no PSDB, dois no PT. Fui voto vencido.

Quem finalmente fez reportagem sobre o assunto foi a Caros Amigos, mas só em 2000. Pauta capitaneada pelo valente Palmério Dória. A chamada de capa era “Por que a imprensa esconde o filho de FHC com a jornalista da Globo?”.

Várias pessoas eram ouvidas, inclusive o então diretor de sucursal em Brasília da Folha, Josias de Souza, que confirmou a história.

Ninguém repercutiu a história em lugar nenhum - salvo Sebastião Nery. O detalhe iluminador: a Caros Amigos citava a certidão de nascimento:

Tomás Dutra Schmidt. Sem Cardoso. E sem o nome do pai na certidão. Por essas e por outras que eu me orgulho de ter feito parte do time da Caros Amigos.

Agora, parece que tem outro menino na história. Menino não, vinte anos.

O colunista Cláudio Humberto - que para sempre lembrarei como sendo da turma de Fernando Collor, o que é difícil de perdoar - publicou no dia 18 de novembro as seguintes notas:

“Filho de FHC e a mãe trabalham no Senado"

“Príncipe da sociologia brasileira”, FHC disse uma vez que tinha “um pé na cozinha”. Maria Helena Pereira, a negra que o impressionou pela formosura e lhe deu outro filho fora do casamento, continua com o pé na copa.

A mãe de Leonardo, o filho mulato de FHC, ainda é a copeira do gabinete 22, do senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB), na Ala Teotônio Vilela do Senado. Trabalha todo dia lá, no período da tarde.

Leonardo, 20... também trabalha no Senado, como a mãe. É um modesto carregador."

A coluna de Cláudio Humberto é publicada em uma pá de jornais pelo Brasil afora e na internet. Depois, mais detalhes:

“Uma ex-empregada afirma ter um filho com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em Brasília. O rapaz, hoje com 20 anos de idade, é Leonardo dos Santos Pereira que trabalha como carregador (auxiliar de serviços gerais) em um órgão público, na Esplanada dos Ministérios. Ele nasceu da relação do então senador FHC com sua empregada Maria Helena Pereira, uma negra que o impressionava por sua formosura. Leonardo é considerado muito parecido com o pai." Demitida com o filho nos braços, Maria Helena só recebeu 130 mil dos R$ 250 mil prometidos, e uma pequena casa em Santa Maria (DF). Quem administrava o segredo e os pagamentos a Maria Helena, diz ela, era o ex-senador Ney Suassuna (PB) que depois virou ministro. FHC tremeu após ser informado que Maria Helena considerava pedir teste de DNA no 'Programa do Ratinho', sucesso do SBT, na época. Esta coluna tentou contato com o ex-presidente FHC, através de seu instituto, em São Paulo. Ele não retornou as ligações."

No dia 20, Cláudio Humberto soltou mais uma:

“Dinheiro enviado por FHC não chegou à copeira. Dos R$ 250 mil prometidos pelo então senador Fernando Henrique Cardoso à ex-empregada Maria Helena Pereira, mãe do seu filho Leonardo, somente R$ 30 mil chegaram às mãos dela de uma vez e cerca de R$ 100 mil em parcelas mensais no valor médio de R$ 6 mil. O dinheiro foi repassado a Maria Helena pelo então senador Ney Suassuna (PMDB-PB), transformado em fiel depositário do segredo. A pedido de FHC, Maria Helena foi nomeada auxiliar de copa no gabinete de Ney Suassuna, após ser demitida por d. Ruth Cardoso.”

Nei Suassuna negou seu envolvimento, aqui.

O Leonardo não consta no Siorg, que teoricamente contém todos os funcionários da administração federal.

Falta Cláudio Humberto, ou alguém, ouvir mãe e filho. Até hoje, dois de dezembro, Fernando Henrique não tocou no assunto.

Veja mais:

+ FHC teme consequências ao PSDB de mensalão no DF

+ PSDB vai esconder FHC em 2010?

+ Todos os blogueiros do R7

Publicado em 01/12/2009 às 10:59

Pó, piranhas e Robin Williams

Robin Williams costumava mandar muito bem em humor grosso. Era viciado em cocaína e elétrico no palco. Passou parte dessa energia para algumas performances - Popeye, Bom Dia Vietnã, Alladin.

Depois largou o vício e foi ficando cada vez mais sem graça, fazendo filminhos chochos “para toda a família”.

Virou filantropo, tem carro elétrico, é ciclista etc. Seus filmes como protagonista são intragáveis desde Hook, 1991, em que faz um Peter Pan envelhecido.

Olha ele aqui nos bons tempos tirando sarro dos cheiradores: “uma droga maravilhosa!”

Robin ainda manda mais ou menos bem em pontas (como Teddy Roosevelt, nos dois Uma Noite no Museu) e em entrevistas - cospe piadas e imitações como uma metralhadora. Na de ontem, no David Letterman, explicou assim como o Rio ganhou de Chicago, na disputa para ser sede das Olimpíadas:

“Chicago enviou a Oprah Winfrey e a Michelle Obama. O Brasil mandou 50 strippers e meio quilo de pó. Não foi uma competição justa.”

[r7video http://videos.r7.com/robin-williams-faz-piada-de-mau-gosto-sobre-escolha-do-rj-para-as-olimpiadas-de-2016-/idmedia/60da56e3bae6b58858211558851f3754.html]

A história acabou de rolar e já vi um post reclamando, “humor duvidoso” etc. Qual o problema? Qualquer alvo é bom alvo para uma piada.

Letterman esculhamba toda noite sua amada Nova York. Se Robin quisesse tirar sarro, sei lá, da França, ia dizer que na Olimpíada de Paris não ia ter chuveiro, porque francês não toma banho.

O problema é que a piada sobre o Rio não é engraçada. Tanto que ninguém na plateia riu.

Mas é um tantinho reveladora da nossa imagem nos Estados Unidos. Por que pó? Porque no Brasil está cheio, e os filmes brasileiros que chegam lá fora falam exatamente de tráfico, favelas e tal.

Por que cinquenta strippers? Ora, porque nossas mulheres têm fama de bonitas, e porque de fato está cheio de stripper brasileira nos EUA.

Uns anos atrás peguei um táxi no aeroporto de Nova York, JFK, e o motorista brasileiro e ilegal me convidou para uma bandinha noturna por New Jersey, “está cheio de stripper brasileira e essas, dependendo da grana, dão”.

Thanks, but no, thanks.

A piada também sugere que o Brasil não tem as mesmas armas dos países ricos para ganhar uma competição. Temos tudo aqui, cara, inclusive o Eike Batista.

O importante não é competir. O importante é ganhar. Medalha de ouro, você vira garoto propaganda de um monte de marcas, é recebido pelo presidente etc. Sem medalha, sem moral.

O Rio ganhou para ser sede da Olimpíada? Vai correr um rio de dinheiro na direção certa, para os bolsos certos. Chicago? Dançou.

O importante é ganhar, mesmo que via anabolizante. O fundamental é não ser pego.

Esta é a “ética” dos esportes e dos negócios, no Brasil e em qualquer lugar. Robin entende de drogas, mas não entende de doping.

Veja mais:

+ Aprendendo a se portar como um adulto com David Letterman
+ Assista ao trailer de Old Dogs, com Travolta e Robin Williams
+ Todos os blogueiros do R7

Publicado em 30/11/2009 às 08:52

Quando o dinheiro dá vergonha

Tem gente que fica furiosa de ver um cara gastando um dinheirão em um carro, um relógio, uma viagem, uma garrafa de vinho.

Eu não. O que é importante para um não é para outro.

Para uma pessoa louca por AC/DC, pagar R$ 300 para ver um show não é caro. Para quem acha a banda chata, é insano.

Não tenho preconceito contra nenhum tipo de gasto, também. Até porque o conceito de riqueza, assim como o de desperdício, é bem variável.

Quando eu tinha dezoito anos, não tinha dinheiro nem para tomar cerveja em padaria, mas arrumava uns cruzeiros para comprar gibi americano.

O que é luxo para um não é para outro.

Se você almoça fora todo dia, gasta dez, vinte, ou mais reais por dia. Dentro do padrão.

Se você leva todo dia sanduba de casa para almoçar, e um dia por mês sai para jantar e gasta trezentos reais, está fora do padrão.

Eu não gasto nada com roupa. Não tenho coragem de comprar um tênis importado. Uso relógio Swatch.

Em compensação, gasto muito com livro - um absurdo para 99% das pessoas.

Agora, mesmo um cara como eu às vezes não consegue não ter uns engulhos ao ver como se portam os ricos brasileiros.

A Veja lançou esses dias uma edição especial sobre São Paulo, intitulada “A Capital do Luxo”.

No que faz muito bem. Porque é bom negócio. Tem muito anunciante que quer falar com rico.

Tem muito rico no Brasil, 131 mil milionários, segundo a revista.

São pessoas que tem pelo menos um milhão de reais em aplicações financeiras, dinheiro livre, fora casa, carro, sítio, essas coisas.

E 56% do consumo da classe AAA no Brasil está em São Paulo - uns seis bilhões de reais.

Aliás, os números publicados são de cair o queixo. Alguns preços:

- R$ 15.760,00 pelo relógio Rolex mais vendido em São Paulo

- R$ 9.950,00 pelo relógio Cartier mais vendido aqui

- R$ 3.946,00 por uma jaqueta de couro Diesel

- R$ 500,00 por uma polo Giorgio Armani

- R$ 29.000 por uma bicicleta

- R$ 89.990,00 por um colar de diamantes na Vivara

- R$ 15.000 por uma caneta-tinteiro Faber Castell

- R$ 18.900,00 por um vinho do porto Quintal do Noval 1963

- R$ 2.960,00 por um sapato Salvatore Ferragamo

- R$ 73.500,00 por uma bolsa de crocodilo Louis Vuitton

E por aí vai.

De novo: não tenho preconceitos. E qualquer centavo ganho honestamente pode ser gasto como você melhor entender.

O que eu me pergunto é o seguinte: uma pessoa que gasta 73 mil reais em uma bolsa, deve ter, imagino, mais de uma.

Duas? Três? Cinco?

E pares de sapatos?

Tem umas entrevistadas na revista que afirmam ter dezenas de pares de sapatos.

Tem uma moça lá de 23 anos que diz ter mais de cem pares. Perguntada sobre seu livro de cabeceira, Heleninha Bordon respondeu: “gosto mais de revistas de moda.”

Não é a campeã. Lilly Sarti, também de 23 anos, tem “uns 180 pares. Compro quinze, vinte de uma vez só.”

Como você ganha dinheiro suficiente - aos 23 anos - para ser capaz de ter no armário milhões de reais em roupa?

E que tipo de gente tem orgulho de aparecer em revista contando vantagem sobre esse tipo de gasto?

Me deu vergonha.

Veja mais: 

+ Mulheres chegam a pagar milhões em bolsas

+ Veja em ‘As Coisas Mais Caras do Mundo’ as bolsas exclusivas das milionárias

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Publicado em 28/11/2009 às 10:00

No fim de semana, vá para o lado que o vento soprar

Fim de semana: não ligo computador, deixo acabar a bateria do celular, não quero saber de notícia.

Leio livro e gibi.  Começo este findi o Secret Agent. Demorou mais de quarenta anos e finalmente me liguei em Joseph Conrad.

Aliás, se você está à toa na vida, vai na banca mais próxima e compra um livrinho dele chamado Juventude, um desses pockets da LP&M.

É a história de um navio que não chega nunca em Bangcok, e seu segundo em comando, um garotão que acha tudo uma aventura.

Ou, já que você está com o computador ligado, deixo uma canção para trazer um sorriso para seus lábios.

Com vocês, Bohemian Rhapsody, na versão dos... Muppets.

Veja mais:

+ Dez regras para escrever um romance
+ Ame o que você faz, trabalhe muito e respeite a inteligência do próximo
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Publicado em 27/11/2009 às 07:44

O que eu aprendi com o AC/DC

Nesse mundo moderno, a gente virou um bicho muito desatento, distraído, maria-vai-com-as-outras.

É Orkut? Vai todo mundo pro Orkut. Twitter? Começa um Twitter. Facebook? Vamos lá.

Queremos novidade toda hora. Queremos moda nova toda hora. O seriado quente do ano passado? Já era.

A banda que estreou com aquela música fantástica? Ih, já está na terceira música, ficou velha, tem coisa nova.

Fazemos um monte de coisas, corremos atrás de um monte de coisas, prestamos atenção em um monte de coisas.

Num mundo com abundância de distrações, faz grande falta foco, clareza, fidelidade. Na vida, não dá pra fazer tudo.

Não dá pra transar com todas as mulheres bonitas que você vê na rua, não dá pra experimentar todas as comidas, nem conhecer todos os países.

Não dá para ler todos os livros - eu mesmo fiz uma conta outro dia e cheguei à conclusão que tenho mais uns 700 livros pela frente, se tudo der certo. Não chegam a mil. Preciso ser seletivo.

E não dá para fazer mil funções profissionais diferentes e achar que você vai mandar bem em tudo. Produzir muito, sim. Trabalhar muito, inevitável. Mas com foco.

Na vida, é fundamental fazer algumas coisas muito bem. E é muito importante amar algumas pessoas muito. Requer concentração e dedicação.

Mesmo que seja para ficar bom em uma coisa que muita gente acha estúpida. E mesmo que leve décadas para você realmente ficar bom. Como, por exemplo, o AC/DC.

ac dc O que eu aprendi com o AC/DC

Angus Young usa aquele shorts, toca daquele jeito e esperneia como um epiléptico há 36 anos.

E, incrível, desde aquela época os caras sabiam que leva um tempão para você chegar ao topo.

Com vocês, a primeira faixa do primeiro álbum do AC/DC:

Gettin' old
Gettin' grey
Gettin' ripped off
Under-paid
Gettin' sold
Second hand
That's how it goes
Playin' in a band
It's a long way to the top
If you wanna rock 'n' roll

Ridin' down the highway
Goin' to a show
Stop in all the by-ways
Playin' rock 'n' roll
Gettin' robbed
Gettin' stoned
Gettin' beat up
Broken boned
Gettin' had
Gettin' took
I tell you folks
It's harder than it looks
It's a long way to the top
If you wanna rock 'n' roll
It's a long way to the top
If you wanna rock 'n' roll
If you think it's easy doin' one night stands Try playin' in a rock roll band It's a long way to the top If you wanna rock 'n' roll

Hotel, motel
Make you wanna cry
Lady do the hard sell
Know the reason why
Gettin' old
Gettin' grey
Gettin' ripped off
Under-paid
Gettin' sold
Second hand
That's how it goes
Playin' in a band
It's a long way to the top
If you wanna rock 'n' roll
It's a long way to the top
If you wanna rock 'n' roll
If you wanna be a star of stage and screen Look out it's rough and mean It's a long way to the top If you wanna rock 'n' roll

Well, it's a long way
It's a long way, (so they tell me)
It's a long way, such a long way

Você pode dizer que o AC/DC, como os Ramones ou o Motorhead, se repetem, são rock burro, fazem sempre a mesma coisa.

É. E eles fazem basicamente a mesma música, com as mesmas letras toscas, desde que eu tinha nove anos de idade.

Eu sou fã desde os dezenove, 1985, quando vi os caras no Rock In Rio. Não vi show mais poderoso na vida.

Repetição leva à perfeição. E eles não se distraem com besteirinhas.

Uns anos atrás, vi uma entrevista com a banda na MTV americana. O apresentador perguntou, vocês acompanham as novidades do rock? Qual a última banda que vocês acharam bacana?

Angus respondeu, “os Rolling Stones”. É de chorar de legal. Tão véios pra cacete? Estão.

Fica calminho aí, garoto, se você tiver sorte chega a ter cabelo branco. 

Getting old, getting grey, I tell you folks, it's harder than it looks...

Eu não vou ao show. Faltou companhia, faltou energia, faltou ingresso, faltou paciência de tomar mais chuva.

Mas tenho inveja de quem vai.

For those about to rock...

Veja mais:

+ Pacotão de raridades do AC/DC sai em novembro
+ Imagens da carreira do AC/DC
+ AC/DC volta ao Brasil para show no Estádio do Morumbi
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Publicado em 25/11/2009 às 19:26

Provocando O Provocador

Quando transferi meu blog do UOL para o R7, mudei um pouquinho o foco, de totalmente “lo que quieras” para uma pegada, digamos, contra a corrente.

Não do contra. De vez em quandíssimo, quando escrevo aqui uma crítica, já saio com a pedra na mão.

Mas cotidianamente tenho tentado - num estilo coloquial e quiçá cutuquento - colocar contrapontos ao senso comum, confundir, complicar, jogar luz sobre os muitos matizes de cinza que existem entre o preto e o branco.

Ou seja, é exatamente o contrário da proposta de ser um provocador. O provocador é um cartunista. Exagera o narigão do retratado, aumenta a careca, carrega nas cores, para ficar muitíssimo claro quem é o alvo e porque ele merece bala.

Mesmo assim - como arrumei umas brigas boas umas décadas atrás, e quem faz fama deita na cama - para um ou outro ainda carrego a pecha de cara do contra.

Esclareço novamente: sou seguidor de Eris, a deusa da discórida, não de Ares, o deus da Guerra.

eris discordia Provocando O Provocador

Agora, para quem ainda tinha alguma ilusão de que o emprego de bad boy (nem tão boy) oficial do R7 era meu, novidades.

Temos agora um provocador oficial no R7, Marco Antonio Araújo, também conhecido como... O Provocador.

Welcome, my friend, to the show that never ends!

Marco Antonio chegou chegando, defendendo a recepção ao presidente do Irã, metendo o pau na lei antifumo e provocando a ira da colega Rosana Hermann.

Bem, eu meti o pau na lei antifumo, e meio que entendo porque o Brasil deve fazer negócios com o Irã, e espero não provocar nunca a ira da Rosana, de quem sou leitor e, espero, querido.

Mas em um país em que ninguém quer arrumar treta com ninguém, bato palmas para qualquer um que dê a cara para bater. E o nosso Provocador pontua bem para caramba. Pago pau para um cara que sabe usar pontos e economizar nas vírgulas.

Claro que o fato do Marco Antonio ter estreado defendendo a Record e descendo o pau na Folha vai gerar críticas de cara.

De fato, provocador a favor não existe, assim como não há jornalismo a favor - vira relações públicas.

Eu não sou a favor. Ou melhor, sou a favor de todo mundo. Só sou contra os monopólios e os cartéis.

Torço para o sucesso do R7? Claro e colaboro em tudo que puder.

Espero que a Folha de S. Paulo vá à falência? É evidente que não.

Quero mais é que todos os grandes grupos de comunicação continuem competindo cada vez mais.

É mais emprego para os jornalistas, mais oportunidades para as empresas de tecnologia, de internet, de comunicação.

Mais ação, mais confusão, mais diversidade, e principalmente salários melhores.

A competição acirradíssima na internet brasileira, com UOL à frente, Terra renovando o jornalismo, G1 dando banho em hard news, MSN crescendo, agora um projetão como o R7, daqui a pouco a estreia do novo iG, que tem uma megareestruturação editorial a caminho - tudo isso é sensacional.

A Folha, o Estadão, o Globo, o Valor, os diversos jornais fortes regionais - OK, não vivemos no melhor dos mundos, mas é muito melhor do que se tivéssemos só um grande jornal nacional ditando as regras.

Tem alguma empresa de comunicação que seja a dona da verdade, inatacável e impoluta? Não é o ponto. O ponto é a distribuição razoavelmente equânime de forças. E olho crítico e vigilante nos deslizes de gregos e troianos.

Tenho um pé no mercado de internet e outro no mercado de revistas.

Qualquer editor de revistas vai te dizer: é um problemão a existência de uma empresa que domine dois terços do mercado, como a Abril.

editora abril Provocando O Provocador

Você pode argumentar que ninguém teve competência para peitar a Abril e roubar dela uma fatia do mercado. Procede. Independente disso, é um pepino você ter uma editora só com tanto poder. E ainda por cima, dona da única distribuidora de revistas do país.

O nosso mercado de revistas seria mais saudável se tivéssemos quatro ou cinco empresas de porte similar quebrando o pau? Com certeza. Vai acontecer? Passou a hora. A Abril é a Ambev das revistas. Não tem mais como ninguém encarar de frente. Restam os nichos.

Leio revistas da Abril? Frequentemente. Folha? Na web. G1? Sempre. R7?

Virou hábito diário. E mais um milhão de outros veículos, grandes, médios, minúsculos.

O homem, meus amigos, é um animal onívoro.

Agora, conversando sobre a estreia do Marco Antonio Araújo, um chapa me provocou: se a Abril tem um Reinaldo Azevedo, porque a Record não pode ter alguém que compre suas brigas?

Pode, claro. Cada potência que escolha seu melhor guerreiro, que orem todos para Ares, escolham suas armas e vão à luta. Eu fico na arquibancada, clamando por sangue na hora do pau e pedindo clemência para os derrotados. Polegar para cima, sempre.

Nosso colega Provocador vai, com o tempo, deixar claro se é o campeão da Record, ou se - diferente do Reinaldo, por exemplo - é metralhadora giratória, como se autodefinia meu herói Paulo Francis.

Enquanto isso, seguirei lendo o Provocador. E no aguardo de um post do Marco Antonio cutucando a Record.

Inspirado por tanta animação, eu, que estou semiaposentado dessas refregas, estou preparando um artigo sobre...  A Fazenda.

Só pra provocar, claro.

Publicado em 25/11/2009 às 11:26

Avatar: James Cameron além da fronteira final

Você gosta de cinema? Gosta de verdade, ou gosta só de ver um filminho legal de vez em quando?

Você sabe que uma pessoa gosta de cinema quando ela gosta de ler sobre cinema. É a mesma coisa em música, arte, culinária, qualquer coisa.

Se você é apaixonado por uma coisa, quer saber mais, se informar, imergir naquele universo. Eu gosto muito de cinema. E tenho o prazer incrível de estar editando uma revista de cinema.

O nome da revista é MOVIE.

A MOVIE está longe de ser perfeita, mas tem bons textos, colaboradores muito interessantes, e visualmente está convidativa.

O número dois está nas bancas. Não todas - é revista independente, meus amigos. Mas está nas maiores bancas das maiores cidades.

Se quiser comprar a 2 e não está achando, mande um email para a Andreia: andreiaqueda@tambordigital.com.br

E se quiser receber a 3 de graça na sua casa, você pode garantir a sua já. Revista grátis? Veja como clicando aqui.

Você pode e deve colaborar com a revista. Estamos sempre procurando gente boa e nova. Às vezes nova mesmo.

Na número 2, tem uma resenha de O Solista feita por um garoto de 13 anos. Para mim, está sendo um prazer enorme lançar a MOVIE. Também porque me dá oportunidade de escrever sobre cinema.

A matéria de capa da MOVIE 2 é o filme Avatar, de James Cameron. É o primeiro que ele faz desde Titanic. Ele chega em dezembro e, francamente, estou contando os minutos para a estreia.

Como é um dos filmes mais esperados de todos os tempos, e como é um grande salto em termos de inovação tecnológica no cinema, mereceu a capa.

É uma reportagem de doze páginas. Já viu revista com matéria de capa de doze páginas? E mais o editorial abaixo, que eu escrevi.

Jim era o tipo de adolescente que você não encontra toda hora:  estudioso, boas notas, ótimo em exatas. Não dava trabalho. As horas vagas passava mergulhado em livros de ficção científica.

Os adultos perguntavam: vai ser engenheiro como seu pai? Ninguém estranhou quando ele decidiu fazer faculdade de Física. Pertinho estava a University of South California, que tinha curso de cinema e uma coleção de filmes muito grande.

Jim se apaixonou por cinema – pelo lado técnico do cinema. Pesquisava métodos de projeção, funcionamento das câmeras, efeitos visuais. Lia textos técnicos, xerocava trabalhos acadêmicos. Foi se educando. A faculdade de física foi se tornando cada vez menos interessante.

Jim abandonou os estudos. Sem profissão nem certezas, foi tocando a vida. Motorista de caminhão foi a profissão em que durou mais tempo.

Já tinha 23 anos quando viu o filme que mudou sua vida – a mais perfeita integração de avanço técnico, mitologia clássica e ficção científica que já tinha visto na vida.

O ano era 1977, o filme era Star Wars, e nosso herói encontrou sua missão: fazer melhor que George Lucas. E isso, Cameron nunca fez. Até agora.

Não faltou dedicação à parte técnica do cinema. Para fazer seu primeiro filme, o curta Xenogenesis, em 1978, Jim desmontou a câmera antes do primeiro take, para descobrir exatamente do que ela era capaz.

Quer ver o Xenogenesis? Está em duas partes, aqui:

Foi maquetista, designer e diretor de arte em alguns dos melhores filmes de baixo orçamento da época. Aprendeu com mestres como Roger Corman e John Carpenter em títulos como Fuga de Nova York e Galáxia do
Terror.

Dirigiu os efeitos especiais de umas das melhores cópias baratas de Guerra Nas Estrelas, Mercenários das Galáxias.

Também não faltou dedicação ao lado artístico do cinema. Desde o início, Cameron não se propôs a ser um simples diretor. Queria controle. O Exterminador do Futuro já trazia crédito de “writer”.

Mas ele também não queria só ser um roteirista bem-sucedido (embora entre seu primeiro e segundo filme, tenha assinado o argumento de Rambo 2).

RAMBO Avatar: James Cameron além da fronteira final

A cada filme, Cameron deu um passo à frente, técnica e emocionalmente. Ganhou fama de mestre da ficção científica hardcore, mas arrastou multidões ao cinema.

Porque os argumentos de Cameron tocam em problemas reais e atuais, num ambiente fantástico -  uma fórmula para a melhor ficção científica.

O filme que finalmente trouxe o Oscar a Cameron é o menos realista de todos. Titanic não tem robôs ou alienígenas, mas é 90% pura fantasia.

Um filme deslavadamente romântico para o público feminino – algo que o diretor nunca tinha tentado. A razão porque Cameron fez Titanic em 1997 é técnica.

O outro filme que ele queria fazer em meados dos anos 90 era impossível.

O universo virtual mais convincente criado até então era o de Jurassic Park. Mas nem Steven Spielberg se arriscou a recriar em computação gráfica um meio ambiente inteiro.

Jurassic Park 2 blog Avatar: James Cameron além da fronteira final

Cameron havia escrito aventura de ficção científica inteiramente passada em um planeta chamado Pandora.

O romance entre uma alienígena e um humano é inspirado em um dos mitos fundadores dos EUA, o de Pocahontas – a história real da princesa indígena que salva o colonizador inglês e se apaixona por ele.

Avatar parece ser muito mais leve, mais mágico, que a maioria dos filmes de Cameron. E ele sabe ser delicado. Lembra da criatura feita de água, em O Segredo do Abismo?

Claro que o lado milico linha-dura também não pode faltar. No caso, personificado em um brucutu, o Coronel Quaritch.

O filme ilustra o choque entre civilizações e seu custo para o meio ambiente requeria a criação convincente de um ecossistema – fauna, flora, e uma civilização de cultura absolutamente alienígena, a dos Na’vi.

Uma boa comparação que vem sendo feita: O Último dos Moicanos.

A computação gráfica, os sistemas de filmagem, os sistemas de captura de movimento e os métodos de projeção dos anos 90 não estavam avançados o suficiente.  Agora, doze anos depois, estão.

Veremos Avatar e saberemos se valeu esperar tanto tempo pelo trabalho da vida de Cameron, a obra que ele prepara desde que viu Star Wars em 1977.

A única coisa que James Cameron jamais fez: um filme para toda a família.

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Publicado em 24/11/2009 às 13:27

Brasil, Irã e os Baha’i: pragmatismo é bom, e com limites melhor ainda

Lula e Ahmadinejad José Cruz ABr Brasil, Irã e os Bahai: pragmatismo é bom, e com limites melhor ainda

Hipótese 1: você coloca seu carro à venda e no mesmo dia recebe uma proposta. Um cara quer comprar seu carro à vista e nem pediu desconto.

Beleza! Mas o nome te parece familiar. Você procura na internet e é um bandidão do Comando Vermelho, que escapou sabe-se lá como de ser punido.

Ele te liga dizendo que vai depositar o dinheiro na sua conta agora. Você:

a) deixa o cara fazer o depósito e vende o carro para ele;
b) diz que infelizmente já vendeu o carro para outro;
c) diz que não quer dinheiro sujo e manda o cara para os quintos dos infernos.

Hipótese 2: você é um arquiteto. É chamado para construir uma mansão. Chega lá, é a mansão nova do José Sarney. Você:

a) pega o trabalho;
b) diz que infelizmente não vai poder porque está muito ocupado;
c) diz que não quer dinheiro sujo e manda o cara para os quintos dos infernos.

Hipótese 3: você é o presidente da República. Sua missão é fazer a qualidade de vida do brasileiro melhorar, o que também significa arrumar mercados para nossas exportações.

O Irã que, produz petróleo pacas e mais quase nada, quer comprar um montão de coisas do Brasil. Você:

a) faz negócio com o Irã;
b) diz que não vai dar e para compensar tenta vender mais para lugares supercivilizados, tipo Suécia;
c) diz que não faz negócio com governos autoritários e manda o cara para os quintos dos infernos.

Governantes fazem o que é melhor para os seus interesses, em primeiro lugar. Teoricamente fazem em segundo lugar o que é melhor para os interesses do seu país.

Lula era líder sindical e negociava com os patrões, os inimigos, na teoria. Ele sabe que negócio se faz com quem pode, não com quem quer. É a regra do jogo, e quem não quer jogar levante da mesa.

É muito natural que o Brasil receba bem o presidente Ahmadinejad, do Irã. Afinal, queremos a grana dele. E se recebemos bem George W. Bush, se temos negócios com a China, com Hugo Chávez, com Israel, com a Rússia - ué, por que não?

Dito isso, ninguém se engane que nossos parceiros de negócios são bonzinhos ou estão do nosso lado. É relação comercial. O abraço apertado dos presidentes, tirando foto pra sair no jornal, é tão sincero quanto beijo de puta.

Claro que sempre tem o outro lado da questão. Que é: quanto está custando esse lucro que eu estou tendo? Quanto estou sacrificando os meus, nossos princípios?

Tudo é questão de contexto. No Brasil, é socialmente aceitável vender pinga e não é vender maconha. No mundo todo, se considera honrada uma empresa que vende armamentos.

Que talvez seja um dos únicos lugares onde eu não trabalharia. Eu entendo que cada um tem que escolher a linha entre o aceitável e o não aceitável.

Você não pode deixar essa decisão tão importante nas mãos do consenso cultural, do ambiente onde você mora, da lei. A decisão é sua.Fernando Collor Foto por José Cruz ABr Brasil, Irã e os Bahai: pragmatismo é bom, e com limites melhor ainda

A minha é: se eu fosse dono de restaurante, não ia me negar a servir uma pessoa que acho abominável - como, digamos, Fernando Collor.

Quer dizer, servia, mas talvez eu botasse um laxante moído no suflê do figura... Porque pragmatismo tem que ter limites.

E porque pragmatismo tem limite, lembro aqui de uma minoria oprimida pelo governo do Irã.

São os iranianos que seguem a religião Baha'i. Já ouviu falar? Tem uns seis milhões de seguidores no planeta. Estão no Brasil também, 65 mil pessoas.

A religião Baha'i nasceu exatamente no Irã, no século 19, quando o país ainda se chamava Pérsia. Mas os seguidores da religião Baha'i no Irã não têm direito a curso superior, a aposentadoria, nem podem ser funcionários públicos no Irã.

Lá, a identificação da religião em fichas estudantis ou empregatícias é obrigatória. Os baha´is não são reconhecidos como minoria religiosa. Não podem praticar sua fé. O mesmo não ocorre com o judaísmo, o cristianismo e o zoroastrismo, que têm os direitos garantidos pela Constituição.

Eu até posso ter fantasias com um mundo em que todas as religiões fossem proibidas... mas na prática, não dá para aceitar esta postura do governo iraniano.

Discriminação - de raça, de gênero, de religião - não dá pra engolir não.

Agora, se você for levar esta posição política até as últimas consequências, o Brasil não poderia, por exemplo, ter negócios com a Índia. Porque, afinal, o sistema de castas continua belo e formoso por lá.

E quem sabe a Índia não devesse ter negócios com o Brasil. Porque, como sabemos, somos o país número um no tipo de discriminação mais difícil de combater: a discriminação de classe, onde quem não tem dinheiro é cidadão de segunda categoria - seja da raça, gênero ou religião que for.

E aí? Que decides?

Ainda bem que não sou político e nem você. Aliás, falando em discriminação, os Baha'i também têm regras patetas, como toda religião. Tipo não pode transar antes do casamento, não pode ser gay, não pode beber etc.

Mas os Baha'i tem uma característica única. O fanatismo é proibido entre os Baha'i. Eu ouvi falar deles pela primeira vez faz uns dez anos. Segue abaixo o artigo que escrevi na época.

O mundo era mais simples para mim em 1999...

Uma estrela para lembrar

Breve será a presente ordem posta de lado e uma nova ordem se estenderá em seu lugar

Tem uma nova religião de que você nunca ouviu falar, nem eu, mas que já tem 5 milhões de fiéis. O bahaísmo nasceu no século 19, mas começou a crescer muito agora.

Gostei desde a primeira frase que li: “A brilhante faísca da verdade só é gerada pelo choque entre opiniões diferentes”, disse seu fundador, Bahá’u’lláh.

bahulala Brasil, Irã e os Bahai: pragmatismo é bom, e com limites melhor ainda

Não tem dogmas nem clero, mas traz doze ensinamentos sensacionais:

1. A Terra é una e a humanidade, seus cidadãos.

2. A religião é una. Todos os profetas comunicam a mesma mensagem, o mesmo segredo, mas de maneira apropriada para seu tempo e seu ambiente.

3. O homem tem o dever de investigar independentemente a verdade.

4. A religião deve ser uma fonte de unidade, harmonia e concórdia entre os homens.

5. A religião é um processo progressivo e evolucionário, que deve ser atualizado conforme a humanidade evolui mentalmente, socialmente e espiritualmente.

6. Deve haver harmonia entre fé e ciência – as duas asas com que voa a inteligência humana.

7. O diálogo pacífico é o melhor método para resolver diferenças. O indivíduo deve estar sempre aberto para a verdade, venha de onde e de quem vier.

8. Todo o mundo deve falar uma só linguagem. Só assim o mundo será um só país.

9. A educação deve ser universal.

10. Todo preconceito – religioso, racial, nacional, político – deve ser eliminado.

11. A igualdade de direitos e educação entre homem e mulher deve ser estabelecida.

12. A abolição dos extremos de pobreza e riqueza deve ser perseguida.

13. A paz universal deve ser estabelecida agora, em uma assembleia de todos os homens.

Parece a religião mais legal de que eu já ouvi falar. Incrivelmente aberta e futurista, religião Jornada nas Estrelas.

Deu vontade de comentar com amigos. Não ficou curioso? Não dá vontade de saber mais? E nasceu como um desdobramento dos xiitas, vê se pode.

Infelizmente, não acredito em Deus nem em religião. Mas acredito em Equilíbrio Pontuado – a teoria evolucionária que prega que a evolução das espécies ocorre em explosões isoladas que resultam no surgimento de novas espécies, entre longos períodos de estabilidade ou estase. E acredito (ou quero acreditar, o que é a mesma coisa) que isso está acontecendo com a espécie humana agora.

Stephen J. Gould e Niles Eldrige propuseram essa teoria em 1972, para horror dos defensores do gradualismo darwinista.

Pouco depois, Richard Hawkins apareceu com a teoria (bizarra) do gene egoísta – que a vida é basicamente suporte para genes que buscam se replicar.

E na mesma década maluca os Chaos Magicians ingleses popularizaram a criação de Sigilos, na organização secreta-militante Temple of The Psychic Youth.

O que são Sigilos? Ora, são muletas para mágicos – uma forma que contém magicamente um desejo muito grande de que determinadas coisas aconteçam.

Já vejo o amigo leitor vomitando: “Conversa de louco, cai na real, hippie nojento...”.

Peraí, meu chapa. Vivo no mundo realíssimo. Leio até livros de administração de empresa! Aliás, na lista dos best-sellers está o novo de Seth Godin (o mesmo autor de Marketing de Permissão) e sabe o que ele ensina?

A criar Sigilos. Pode também, como Hawkins, chamar de Memes. Godin chama de Ideavirus – “ideias que se movem e crescem e infectam sua audiência alvo” e que podem ser geradas, alimentadas, controladas e, claro, capitalizadas.

Diz que todo tipo de ideia, independentemente do formato (pode ser uma canção, uma imagem, um produto, um processo), é um manifesto.

E como se gera valor? Usando seu manifesto para mudar a maneira como as pessoas pensam, falam, agem. É isso que o livro, Unleashing the Ideavirus, ensina a fazer.

Seth é direto e marketeiro, o escritor de gibis Grant Morrison gongórico e alucinado.

Falam da mesma coisa, Grant com mais glamour: “São frankenconceitos memeticamente projetados, que depois de digeridos ficam livres para se replicar e dominar – sobrepujar a mídia de massa, infectá-la, tornar-se a mídia de massa.

Logos, marcas, símbolos são bombas-sigilo meméticas de reprodução rápida, projetadas para instantaneamente colonizar e paralisar espaços imaginários desprotegidos”.

Pois eu tenho uma ideia-vírus para inaugurar o milênio.

Já tinha faz tempo, mas Bahá’u’lláh disse antes e melhor: “O bem-estar da humanidade, sua paz e segurança são inatingíveis, a não ser que, primeiro, se estabeleça firmemente sua unidade”.

Dizem os baha'is hoje: “A questão espiritual fundamental que desafia todos os povos, de qualquer nação, religião ou origem étnica, é o estabelecimento dos alicerces de uma sociedade global que reflita a unidade da natureza humana.

A unificação dos habitantes da Terra não é nem uma remota visão utópica, nem uma questão de escolha.

Ela representa o próximo estágio inevitável no processo de evolução social, um estágio em direção ao qual todas as experiências do passado e do presente nos estão conduzindo.

A menos que essa questão seja reconhecida e tratada, nenhum dos males que afetam nosso planeta será solucionado, porque todos os desafios fundamentais da era na qual ingressamos são de natureza global e universal, e não particulares ou regionais”.

Por maior que seja o tumulto, o período no qual a humanidade está ingressando abrirá a cada indivíduo, cada instituição e cada comunidade da Terra oportunidades sem precedentes para participar na tarefa de escrever o futuro do planeta.

“Breve”, promete Bahá’u’lláh, “será a presente ordem posta de lado, e uma nova ordem se estenderá em seu lugar.”

Esta é a visão que faz os bahais chamarem o século 20 – com todas as suas barbaridades e desgraças – de “o século da luz”.

Porque, nos últimos cem anos, a humanidade caminhou mais em direção à unidade do que em toda a história anterior.

Fica de presente de ano novo você e os participantes do Fórum Social Mundial que se reúnem este mês em Porto Alegre.

E, para que ninguém esqueça, dou forma à minha ideia-manifesto. Tem uma nova estrela no firmamento – a estrela da manhã de um novo século, um novo milênio.

O nome dela é Liberdade e fomos nós que fizemos. Aliás, estamos fazendo. Fica pronta em 2006.

Já tem gente morando lá, dois russos e um americano. Depois vai mais gente. Sete moradores serão fixos. Tem um brasileiro se preparando para visitar. Dá pra ver a olho nu de qualquer ponto da Terra.

A Estação Espacial Internacional vai ser a luz mais forte no céu, depois do Sol e da Lua. Quando você vir a estação Liberdade, vai lembrar dos ensinamentos bahais. Do futuro. E de mim.

Vai saber que a Terra é una, e que “tão poderosa é a luz da unidade que pode iluminar a Terra inteira”.

Olho no céu.

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Publicado em 23/11/2009 às 11:48

Por que Lua Nova é maior que Crepúsculo

Lua Nova caminha para ser uma das maiores bilheterias da história. É o recorde de maior bilheteria para dia de estreia, 72,7 milhões de dólares.

É a terceira maior abertura de final de semana de todos os tempos, nos Estados Unidos.

Faturou 140 milhões de dólares, versus 151 milhões de Homem-Aranha 3 e 158 milhões de Batman - O Cavaleiro das Trevas.

Considerando que os outros dois foram produções bem mais caras, com super-heróis super-conhecidos, e que estrearam no verão americano, quando as bilheterias sempre são grandes mesmo... os vampiros teen ficam muito bem na fita.

Lua Nova, dizem, é maior e melhor que Crepúsculo. Não vi e não verei tão cedo, não tenho pressa, mas verei. Até porque meu moleque viu e gostou do primeiro, vamos ver o segundo juntos.

E porque Chris Weitz, o diretor de Lua Nova, entende muito de criança e adolescente.

É o diretor de American Pie, de A Bússola de Ouro, e de um filme que já vi várias vezes - Um Grande Garoto, com Hugh Grant e Rachel Weisz, que acho linda de morrer.

Espero que todas as meninas que estão vendo Lua Nova essa semana assistam Um Grande Garoto, About a Boy. O filme explica muito sobre meninos de todas as idades.

Eu sempre fico com um soluço preso na garganta quando vejo essa cena:

 

Chris não pensa pequeno. Seus próximos projetos são a adaptação de um clássico da literatura fantástica, Elric de Melniboné, um cavaleiro albino que porta uma espada vampira, sugadora de almas, Stormbringer.

Ele foi criado por um inglês chamado Michael Moorcock. Que é um loucão e uma das maiores influências sobre muita gente boa no mundo da literatura e, claro, dos quadrinhos. Meus ídolos Alan Moore e Grant Morrison inclusos.

Fico pensando que as fãs de Lua Nova vão acabar assistindo um filme de Elric, só por causa do diretor. A ideia me traz um sorriso mefistofélico aos lábios.

cymoril Por que Lua Nova é maior que Crepúsculo 

E depois, Chris quer fazer o que chama de “minha homenagem a um clássico do cinema neo-realista italiano, Ladrões de Bicicleta”, intitulado The Gardener, o jardineiro.

É sobre... um menino, claro, e seu pai. Não viu o filme original de Vittorio de Sica? Men, todos os críticos do mundo já disseram que é um dos melhores filmes de todos os tempos. Tenho inveja de você. Assista hoje!

 

 

Engraçado que o primeiro Crepúsculo tenha sido dirigido por uma mulher que entende de meninas - Catherine Hardwicke, de Aos Treze - e o segundo por um cara que entende de garotos.

Mas natural que o novo seja melhor que o primeiro. O diretor é muito melhor, entende de teen, teve muito mais grana para gastar.

Nos Estados Unidos, os caras medem tudo, então naturalmente analisaram quem foi assistir Lua Nova neste final de semana.

Adivinha: 80% mulher e 50% com menos de 21 anos. Garotas adolescentes, claro. Eu tenho convivido com fãs da saga Crepúsculo adultas, e uma ou outra adolescente.

Tem alguma coisa na saga que transforma instantaneamente qualquer mulher em uma menininha de doze anos. Deve ser um feitiço de Stephanie Meyer.

85 milhões de livros vendidos em 39 línguas? Ela deve ter é pacto com o capeta.

Vi uma menininha assistir o primeiro filme em DVD meses atrás. Allana tem onze anos. Nunca tinha ouvido falar de Crepúsculo. Assistiu o filme hipnotizada.

Quando acabou, mal comentou o que tinha visto - apertou o play e assistiu o filme inteiro de novo.

Você pode analisar livro e o primeiro filme como quiser. E achar razões que explicam o sucesso. Mas não um sucesso deste tamanho, na boa.

Eu tenho lá minhas teorias. A principal nem é teoria, é fato: meninas têm medo de perder a virgindade (e meninos também, assunto para outro dia).

E quando perdem, geralmente dão um muxoxo, “é só isso?”

Tem uma diferença importante. Culturalmente, o mais habitual é que as meninas adiem um bom tempo perder a virgindade e os garotos tentem acelerar ao máximo.

O momento da adolescência quando seus hormônios estão fervendo mas você ainda não transou é mágico e poderoso. Ninguém esquece.

É muito frequente que grandes fenômenos pop sejam projetados minuciosamente para atingir esta faixa etária.

São meninos imberbes, bonitos, românticos mas não ameaçadores. Lembra do dos New Kids on The Block, do N'Sync? Da mania das meninas por Leonardo Di Caprio, na época de Titanic? Do Menudo?

 

No caso de Crepúsculo, Edward, o vampiro vivido por Robert Pattinson, é alto, bonito, charmoso, rico, galante, bom ouvinte, tem uma família glamurosa, carros bacanas, é absolutamente apaixonado por Bella... e não quer transar com ela!

É a fantasia das fantasias; a menina pode passar a noite abraçadinha com seu amor, no aconchego romântico da adolescência, olhando a lua e conversando... e não se preocupar que daqui a pouco ele vai estar tentando tirar sua calcinha.

Eu comentei com a Beatriz, editora da revista Movie, que leu os livros: parece o melhor amigo gay que toda garota sonha em ter.

Ela disse não, no final da história toda - Spoiler, pessoal - Bella e Edward casam, ela engravida, quase morre, e ele a transforma em vampira para salvá-la.

E a saga acaba aí, claro. Quem quer ver Edward trocando as fraldas cocozentas de sua filhinha e levando a menina no dentista para colocar aparelho?

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Publicado em 19/11/2009 às 13:58

Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Trip

E pelada.

 cleo11 Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Tripcleo21 Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Trip

cleo31 Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Tripcleo41 Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Trip

Eu andava um pouco chateado com Cleo, desde que ela apareceu toda magruça na capa da Boa Forma. Até escrevi sobre isso.

Felizmente, acho que ela só fez a dieta para sair na revista. Depois voltou a comer, sei lá, arroz e feijão.

O ensaio é na linha clássica da Trip: de nua para seminua, nada explícito, sem poses forçadas, fotos com ambição estética, produção despojada.

Eles foram tirar as fotos em alguma quebrada natureba, não sei direito aonde.

Oh, god, ela tem uma tatuagem no quadril com a frase “Live and Let Die”. Judia de mim, menina.

Olha o making of, com Cleo acarinhando um bicho preguiça:

Eu me sinto um pouquito velho safado escrevendo isso. Porque a mãe de Cléo e eu somos contemporâneos.

Em 1978, eu tinha treze, Glória tinha quinze. Eu estava na sétima série da Escola Estadual de Primeiro Grau Barão do Rio Branco, em Piracicaba.

Ela estava na novela Dancing Days, no Rio, dando dor de cabeça para a mãe, Sonia Braga.

A menina era fogo. Adolescente rebelde, não exatamente bonita, mas muito interessante. 

 gloria pires1 Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Trip

Hoje todas as jovens atrizes têm cara de modelo e quase nenhuma tem ataque.

Glória era boa desde cedo e melhorou bastante. Ana Terra? Maria de Fátima, em Vale Tudo? Quem viu não esqueceu.

Cresci com Glória, e mesmo não sendo nem um pouco fã de novelas, ela faz parte da minha vida.

Minha e de todos os brasileiros, claro.

O Brasil não tem muito esse negócio de decidir quem é o melhor isso e o maior aquilo - a gente faz tudo para evitar conflitos e constrangimentos.

Mas se fosse feita uma eleição, tenho certeza que o povo ia decretar que Glória Pires é a maior estrela do Brasil.

Então, me sinto um pouco tiozinho Sukita, crescendo o olho para a filha dela.

Podia ser minha filha, pô. Fazer o quê. Homem é assim. Olha as duas aqui juntas, que fofas.

 

GP e CP2 Cleo Pires está linda na nova edição da Revista Trip

E aí, se animou a comprar a revista? Pois faça isso.

Tá, sei que com jeitinho qualquer um baixa fácil as fotos na internet.

Mas vou te dar duas razões boas para você comprar a Trip.

Primeiro: a experiência de ver as fotos de Cleo impressas, em formato grande e papel bom, é muito superior a vê-las na tela do seu computador.

Quando uma moça maravilhosa olha fundo nos seus olhos de dentro de uma revista, convence muito mais.

Segundo: sabe aquela velha piada do cara que lê Playboy pelos artigos?

A Trip, além de Cleo, tem artigos. Sempre tem coisa boa. Nesta edição eles se superaram.

De uns tempos para cá, a Trip entrou nesse lance de revista temática. O tema desta edição é Brasil.

E, podes crer, me senti no Brasil.

A entrevista de Jorge Benjor feita por Pedro Alexandre Sanches está mais que ótima.

Tem piscinão de ramos, favela, Serra Pelada, um lindo carro brasileiro dos anos 60 (o Interlagos), uma cadeia no Rio, Otto, hardcore paulistano, brasileiros que moram fora do país, o lendário Arthur Veríssimo na Xurupita e a banda Calypso.

Tem preconceito? Joelma dá de dez em 99% das estrelas do planeta. Tem carisma e energia inigualáveis. Está no time da Beyoncé, por aí.

Olha a prova: Calypso ao vivo em Portugal!

Aproveitando o embalo, a Trip faz uma propagandinha do documentário do mano Vladimir Cunha sobre o Tecnobrega paraense, Brega S.A.

Imprescindível e na faixa para você baixar, aqui.

A Trip também faz parte da minha história e da história do Brasil, desde 1986.

Sou leitor intermitente desde o início. Vou e volto. A revista mudou muito e continua mudando.

Não é exatamente minha turma. Mas tenho uma relação pessoal com a revista, entre outras razões porque ela começou quando eu pensava em ser jornalista.

A Trip é uma grande escola de jornalistas. Você pode aprender lendo ou trabalhando lá, e muita gente boa trabalhou e trabalha.

E Paulo Lima é o melhor editor da minha geração. Pronto, falei.

Uma época me irritei muito com a Trip, quando ela ficou meio fresca, com um certo perfume de playboy, o que eu chamava de conexão Maresias-Morumbi.

Criticava porque me importava, claro. Mas sempre torci a favor.

Mas a Trip era e continua sendo nossa melhor revista jovem - mesmo que hoje tenha mais espírito do que carne jovem, propriamente.

Hoje, vejo na revista e na empresa Trip uma preocupação com o país e com o mundo que me tocam. É coisa de quem tem filho.

Quem tem filho é automaticamente otimista.

E quem tem filho é automaticamente um pouco menos egoísta.

Porque, sabe, a gente olha o filho e pensa: ele é melhor que eu.

Tenho certeza que Glória olha para Cleo e pensa exatamente isso.

Já eu olho para Cleo... e penso que está na hora do Paulo lançar um livrão bem bonito com todas as Trip Girls da sua, da minha história.

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Publicado em 18/11/2009 às 07:30

Matadores

Elegantes como Roxy Music.

Grandiloquentes como U2.

Sinceros como Bruce Springsteen.

Sombrios como The Cure.

Frívolos como Erasure.

Mega como Duran Duran.

Frios e furiosos como Joy Division.

Derramados como Soft Cell.

Ambiciosos, espertos, corajosos como David Bowie.

E bregas como Vegas.

Quem mais teria peito de fazer covers de Dire Straits, Girls Just Wanna Have Fun e Hotel California?

Quem mais tem pelo menos três ideias por canção e não economiza nenhuma?

Quem não tem vergonha de passar ridículo?

Quem faz as melodias mais memoráveis?

Entre nós, este sábado, direto do início dos anos 80, a melhor banda do século 21.

Pena que não posso levar o Tomás. Essa é no momento a música favorita dele.

Menino de bom gosto. Puxou seu velho pai...

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Publicado em 16/11/2009 às 13:45

Quem não come bife que atire a primeira pedra

Nunca escrevi nada que gerasse tantos comentários na internet quanto o post Cachorro Cozido é melhor que Cachorro Quente.

Não dá para responder separadamente cada um dos 303 comentários publicados até agora (fora os vetados. E olha que minha política é não vetar nada. Mas dependendo do nível de sociopatia e boca suja, a gente veta, fazer o quê).

Mas dá para responder a maioria de uma vez só. Porque só uma minoria de nós é vegetariana. Então, estou supondo que só uma minoria dos que querem ver minha pele são vegetarianos.

O que eu fiz? Pedi ajuda para um amigo vegetariano, defensor dos direitos dos animais, o jornalista Luiz Pimentel, do Vírgula.

“Oi, Forasta, como estás? te ajudo com o maior dos menores prazeres...

Há um vídeo clássico chamado A Carne é Fraca, e dizem que quem assiste nunca mais come carne.



Nunca assisti porque tenho uma fraqueza e sensibilidade incontrolável em relação a animais. Logo, é desnecessário para mim - minha carne é fraca para ele.

E a literatura clássica sobre o assunto é Libertação Animal, do Peter Singer, que é australiano e professor em Princetown, nos EUA.”

Há um resumo do livro. Clique aqui.

Ficou com preguiça de ler um vídeo comprido (e assustador), ou de ler o livro do australiano?

Não tem problema. O Luiz me repassou este documento abaixo. Ele se posiciona contra o abate de cães, mas também bois, frangos, porcos etc.

É a posição moralmente, ambientalmente e economicamente mais correta. E não é a minha. Mas como sempre digo:

Liberdade é a liberdade de quem discorda da gente. Seja burro e hipócrita, como quem come leitão e se horroriza de que haja gente que come cachorro. Ou seja gente civilizada como Luiz.

Ou Vanice, a presidente da União Internacional Protetora dos Animais, para quem passo a palavra:

“Prezados Associados e Colaboradores da UIPA,

Sobre o matadouro de cães, é preciso esclarecer que a UIPA se posiciona contra o abate de qualquer espécie de animais. Milhares de bovinos, suínos e galináceos são mortos, diariamente, sem ao menos terem tido o direito de viver segundo a sua própria natureza.

Os métodos de criação intensiva impõem morte precoce depois de uma curta vida em confinamento, dentre toda sorte de condutas cruéis (a descorna, a debicagem, a marcação a ferro, a castração, e a inseminação artificial, são realizadas por leigos e sem utilização de anestésicos).

E até o caminho para a morte é sofrido (os animais permanecem em pé, durante toda a longa viagem, para economia de espaço no veículo).

Como descreve Laerte Fernando Levai, na obra " DIREITO DOS ANIMAIS" ( 2ª ed., SP, Editora Mantiqueira, 2004), "os novilhos precoces, nas fazendas de gado de corte, são afastados de suas mães logo ao nascer e, permanecendo confinados, sozinhos em baias estreitas e escuras, recebem somente alimentação líquida, de forma que não desenvolvam musculatura e se tornem anêmicos.

Tal subterfúgio cruel faz com que suas carnes fiquem macias e claras, características muito apreciadas pelos gourmets.

Esses pequenos animais, fracos e anêmicos, são conduzidos aos matadouros entre 2 e 6 meses de idade, sendo mortos, geralmente, sem insensibilização prévia.

Longo sofrimento para tão breve vida, eles morrem sem ter dado um único passo no campo e sem nunca ter visto a luz do sol."

Carneiros e porcos perdem suas caudas a golpes de faca. Leitoas submetidas à inseminação artificial permanecem acorrentadas, sempre na mesma posição, para garantir a amamentação contínua de filhotes, que com três semanas de vida são separados da mãe , castrados e desdentados a sangue frio, até serem mortos, a golpes de faca, com cinco meses de idade.

Galináceos, que poderiam viver até 15 anos, sobrevivem por algumas semanas e sob regime de confinamento constante, até serem mortos sem prévia insensibilização. Os pintinhos machos são triturados vivos para produção de ração.

As aves selecionadas para produção de ovos vivem sob luz intensa e permanente para que se alimentem e coloquem ovos, por todo o tempo.

Por tudo isso, é de se lamentar que a sociedade erga voz apenas contra a morte de espécies de animais pelas quais nutre maior simpatia.

Indignada com a ameaça de importação do péssimo costume coreano, a UIPA ficará atenta e denunciará às autoridades competentes qualquer fato que constitua um indício da prática de abate de cães.

Convém lembrar que a UIPA foi a primeira entidade a se insurgir contra a eliminação da vida de cães e de gatos pelas municipalidades, redigindo o texto da lei estadual paulista, de autoria do Dep. Feliciano Filho, que coíbe o extermínio sistemático desses animais.

Cordialmente,

Vanice Orlandi

Presidente.”

Agora vai ver o vídeo e ler o livro que o Luiz recomendou.

Quer fazer algo pelos animais? Acesse:

União Internacional Protetora dos Animais

Veja mais:

+ Saiba onde denunciar maus tratos contra animais

+ Cachorro mais triste do mundo faz amigos pela internet

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Publicado em 16/11/2009 às 07:53

O filme que eu mais quero ver em 2010

Já aconteceu antes. Quando as pessoas estão muito encantadas com seus televisores, há que investir em filmes que perdem 99% da graça vistos em casa.

Só a tela grande pode oferecer todo o impacto dos mundos fantásticos, heróis mitológicos, batalhas maiores que a vida.

Nos anos 50, foram formatos como Cinema Scope e grandes épicos de fantasia - disfarçados de filmes religiosos, como Os Dez Mandamentos e Ben-Hur, ou assumidos, como A 7ª Viagem de Sinbad e Jasão e os Argonautas, ambos clássicos do rei da animação stop motion, Ray Harryhausen.

(Deixa eu contar uma vantagenzinha que pouca gente vai apreciar, sobre uma das festas mais legais que eu já fui.

Em Los Angeles e estavam presentes - além do legendário Odair Braz Jr. -  Harryhausen e Goseki Kojima.

Kojima-san? Criador do Lobo Solitário Itto Ogami e seu filho Daigoro?

kozuremanga title1 O filme que eu mais quero ver em 2010

Não achou grande coisa? Deixa para lá...)

Agora, com os efeitos digitais dando saltos evolutivos a cada dia, a indústria usa o mesmo argumento para tirar as pessoas do sofá: venha ao cinema mergulhar em um novo mundo e ter uma experiência que home theater nenhum pode oferecer.

O curioso é que o primeiro grande épico desta nova leva é justamente a refilmagem da despedida de Harryhausen.

A ideia em princípio parece péssima. O original só convencia criancinhas, mesmo que contasse com um elenco de apoio estelar vivendo os deuses do Olimpo - Lawrence Olivier à frente.

A história era um remix radical do mito de Perseu e Andrômeda.

A única parte memorável eram os monstros - principalmente Medusa.

Pois o novo Fúria de Titãs parece imperdível, uma mistura de 300 e O Senhor dos Anéis. Sam Worthington, depois de viver um exterminador e um soldado do futuro em Avatar, é Perseu.

Ralph Fiennes é seu arqui-inimigo, Hades, o rei do inferno. O diretor é o francês Louis Leterrier,  de O Incrível Hulk.

O trailer corre a internet e gera comentários como “o melhor vídeo que o Iron Maiden nunca fez” e “meetaaaal!”.

Deve ter muito filme melhor chegando em 2010. Mas não tem nenhum que eu esteja mais a fim de ver.

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Publicado em 13/11/2009 às 13:25

Cachorro cozido é melhor que cachorro quente

Quando eu era criança, era bem chato para comer. Comia pouquíssimo e era cheio de frescura. Alface, só no cheese salada.

Minha mãe fazia força, mas como eu não comia quase nada, qualquer coisa que eu engolisse já era uma vitória.

Com quinze anos, eu tinha o tamanho de hoje - 1m84 - e trinta quilos a menos. Parecia aqueles alienígenas esguios e cabeçudos dos Contatos Imediatos do 3º Grau.

Contatos Imediatos Cachorro cozido é melhor que cachorro quente

Por isso tudo, é esquisitíssimo que hoje eu experimente basicamente qualquer coisa.

Tirando uma ou outra mania - queijos fedorentos, vade retro - um dos meus grandes prazeres é comer, e comer coisas diferentes.

Tenho uma abordagem que funciona muito bem em restaurante. Quase sempre peço o prato que não consigo imaginar que gosto tem. É muito divertido.

Em viagens, geralmente adoto a comida do local. Na Tailândia só comia comida tailandesa, mexicana no México, turca na Turquia ou paraense em Belém, para onde fui outro dia.

A comida paraense é divina. Experimentei tudo que me passou na frente. O Lá Em Casa, restaurante onde você pode provar uns vinte pratos paraenses diferentes, é uma perdição.

Esta semana mudou para São Paulo, para um evento no restaurante Porto Rubayat. Não deve ser baratinho, mas te garanto que vale cada centavo.

Experimento tudo? Não, claro; na Tailândia não tive coragem de provar os insetos fritos (aranhas, besouros etc.); no México, pulei a parte de engolir o verme do Mezcal.

insetos fritos Cachorro cozido é melhor que cachorro quente

Gosto de tudo? Não. Não me desceu a maniçoba, a feijoada paraense que substitui o feijão pela folha da mandioca brava.

Provei em restaurante e em casa de família. Não desce - a consistência da folha me lembra folha de uva macerada, pára na garganta.

manicoba grande Cachorro cozido é melhor que cachorro quente

Nos últimos anos, venho me dedicando a provar novamente coisas que eu já tinha decidido que não gostava. Só para ter certeza.

Rabada decidi que aprecio muito e comemos aqui em casa faz umas duas semanas, no molho ferrugem.

Bucho tentei faz uns dois anos e não tem jeito; o aroma me revira o estômago e a consistência borrachenta não ajuda a engolir.

Agora, praticamente não tenho mais preconceitos.

Me arrependo de não ter pelo menos experimentado os gafanhotos tostados de Bangcok, pra onde fui uns dez anos atrás. Se fosse hoje, provava.

O que me leva a ... cachorros.

cachorros 58921 Cachorro cozido é melhor que cachorro quente

Tá cheio de gente por aí louca por cachorro. Não tenho cachorro e nunca tive, não meu.

Nada contra. Os bichos podem ser simpáticos e sedutores. Tudo contra os donos que impõem seus cachorros ao resto da população, largam os bichos cagando pela rua, nos parquinhos infantis, na praia.

Cachorro na rua é na coleira e a responsabilidade pelo cocô é do dono.

Também não acho nada agradável ir na casa de alguém e ter que aguentar um cachorro soltando bafo na minha cara ou tendo relações sexuais com minha canela.

Ninguém tem obrigação de aguentar os animais domésticos dos outros. Eu já tive uma gatinha. Quando chegava gente de fora em casa, ela ia para o quintal.

Eu tenho por cachorro o mesmo amor que tenho por uma vaca, um coelho ou um leitãozinho. Pra mim é bicho. Se é bicho, dá pra comer.

Não tem no mundo cachorro mais fofo que um coelho. Pois eu já preparei vários à caçadora, com vinho tinto e azeitonas. Você já viu um coelho inteiro, despelado, sangrando?

Eu não mato os bichos nem limpo. Mas como.

Em 1997, na África do Sul, perguntei para o vigia do parque marinho St. Lucia's Reserve sobre um lagartão que a gente viu em cima de um tronco: dá pra comer?

O cara respondeu o óbvio: se é vivo, dá pra comer.

Já comi avestruz, canguru, gnu, iguana, paca, rã, jacaré, ostra, polvo, passarinho e impala. Fora, claro, boi, porco, carneiro, cabrito, peixes e aves variadas. Devo estar esquecendo algum bicho.

Eu comeria cachorro? Fácil. Nunca tive oportunidade, mas se pintar, não recuso.

E tem um mundo subterrâneo de comedores de cachorro em Brasil. Ontem, por exemplo, sessenta quilos de carne de cachorro foram apreendidas em Suzano, aqui na grande São Paulo.

[r7video http://videos.r7.com/em-suzano-casal-e-preso-em-flagrante-por-vender-cachorros-para-restaurantes/idmedia/f853c77853ef82e5843453e3e7799435-1.html]

Um casal pegava os bichos na rua, engordava, abatia e vendida para dois restaurantes aqui do Bom Retiro. O casal e quatro coreanos, responsáveis pelos restaurantes, foram presos.

Presos por quê? Qual a acusação? É ilegal comer cachorro no Brasil? Pô, aqui se come buchada de bode, cobra, tartaruga. Na França se come cavalo e escargot. Qual o problema?

Eu adoro comida coreana. Quando trabalhava no Cambuci mandava ver direto.

Esse esquema de pegar uns vira-latas na rua e engordar parece meio nojento, mas um cachorrinho criado para o abate eu traçava feliz.

Em São Paulo é difícil ocidental ter acesso. Em Seoul é comum. Chego lá.

A maioria dos coreanos jovens não come cachorro, como a maioria dos brasileiros jovens não come buchada. Mas se come cachorro na Coréia faz milhares de anos.

A raça de cachorro mais criada para virar comida é a Nureongi, diferente dos cachorros que os coreanos criam como animais domésticos.

A carne de cachorro geralmente é assada, vira sopa ou cozido.

A tradição é comer o Bosintang no verão. É um cozido em que vai carne de cachorro, chili, gengibre, alho, broto de bambu, cebolinha.

Há quem inclua vinho tinto, um bom Bordeaux. Parece que faz muito bem para a saúde.

Na Coréia se diz que equilibra o chi, a tal energia vital do seu corpo. Parece ótimo: Clique aqui: Korean Dog

Te garanto que um cachorro bem cozido é muito melhor pra saúde do que, digamos, um cachorro quente.

Eu não acredito em chi. Mas acredito que se a natureza quisesse que eu fosse vegetariano, não teria me dado dentes caninos.

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Publicado em 12/11/2009 às 11:52

Last Dance

Maria Amélia foi pra balada. Balada de tiazinha, claro: Donna Summer no Credicard Hall com uma amiga.

Com cinquenta anos, dois filhos, tá ótimo - Hot Stuff, Bad Girls, bom pra dançar, pra reviver a adolescência nos anos 70, pra lembrar como a vida é boa.

Era a noite do apagão. Fim de show, sem transporte público nem táxi fácil, mais de uma da manhã, Maria Amélia ofereceu uma carona para a amiga, que mora no Jabaquara.

Demorou. O trânsito na Avenida do Café estava travado. Luz na rua não havia. Estavam quase chegando. O Fiesta Preto avançava devagarinho, metro após metro.

Um motoqueiro aproveitou a escuridão. Encostou ao lado do Fiesta preto de Maria Amélia e apontou a arma. Ela pisou no acelerador. O motoqueiro apertou o gatilho duas vezes e fugiu.

A bala calibre 38 atravessou o cérebro de Maria Amélia Leite Roque Taiana.

Segundo o Ministro da Justiça, Tarso Genro, o apagão foi um “microincidente”. 

Veja mais:

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Publicado em 11/11/2009 às 09:12

Que bom que o meu filho tem medo do escuro

escuridão1 Que bom que o meu filho tem medo do escuro 

Quando as luzes se apagaram, eu estava xingando a Dilma Rousseff, que durante cinco anos foi Ministra das Minas e Energia, hoje é da Casa Civil, mãe do PAC, quer ser presidente etc. e não consegue garantir que o Brasil, no século 21, mantenha as luzes acesas.

Depois eu imaginei que legal seria se no último minuto da final da Copa do Mundo entre Brasil e Argentina, 2014, zero a zero, apagasse a luz no Maracanã. Ha!

Quer dizer, isso foi tipo 15 segundos depois da luz apagar. Nos primeiros 14, e na meia hora seguinte, eu estava sossegando meu filho, que achou estranhíssimo a luz apagar no meio do Ben 10 Força Alienígena.

Expliquei para ele que quando papai era pequeno, era comum faltar luz de vez em quando. E que antigamente as pessoas ainda não tinham inventado a eletricidade, e todo mundo ia dormir assim que escurecia, ora vejam só!

Tomás não estava exatamente nervoso, mas meio apreensivo.

O que eu acho ótimo, porque me lembra aquele conto do Ray Bradbury do livro F de Foguete. O defunto sai da tumba, sai pela rua, encontra um monte de crianças brincando numa rua escura. Pergunta, vocês não têm medo?

Elas, do quê? E ele pergunta se eles nunca ouviram falar de monstros, e elas não.

E aí ele vai em uma biblioteca, e não há livros de Edgar Allan Poe, nem H.P. Lovecraft, nem nada de assustador. E ele pensa que porcaria de mundo do futuro era aquele em que o terror tinha sido banido e as crianças não tinham medo do escuro.

Porque não ter medo do escuro é falta de imaginação. O escuro é o pai das histórias.

Quando o sol se punha, os homens e mulheres se reuniam em volta das fogueiras. Para quê? Para contar histórias. E história boa sempre tem um medinho no meio.

Não que eu fosse entrar nesse papo com o meu filho, claro. Eu repetia o que sempre repito quando ele fala que tem medo do escuro. O que tem no escuro?

A mesma coisa que tem no claro, menos uma coisa: fótons. E estava nesse papinho que não convencia muito.

Ray quem? Bradbury, meu, lenda vida da ficção científica. Olha ele aqui dizendo que não acredita em colegial nem universidade e explicando como você faz para se educar:

Ray escreveu muitas histórias que se passam no escuro. Eu recomendo que você leia todas. O que aconteceu quando as luzes apagaram foram dois minimilagres.

O que você faz quando acaba a energia? Vai para a cozinha e acende todas as bocas do fogão. Só que meu fogão tem acendimento automático, portanto elétrico.

O milagrinho um foi que tinha uma caixa de fósforos dando sopa por perto do fogão.

O milagrinho dois é que tinha uma caixa de velas completinha no armarinho da cozinha, que eu nunca tinha visto antes.

Então Tomás e eu ficamos nos divertindo, acendendo velas e colocando em pratos e xícaras de café com leite.

E entre as velas e um abajurzinho à pilha que eu tenho do lado da cama, deu para ir agitando o jantar, esquentando um chile com carne, botando a salada com guacamole na mesa.

Fiz uma margarita para combinar e me instalei no sofá com Tomás, bebericando. E ele falou pai, me conta uma lenda?

E eu contei que na época dos gregos antigos, as pessoas acreditavam que um deus chamado Apollo trazia o sol todo dia de manhã em uma carruagem, tipo uma biga.

As pessoas não sabiam que o Sol era uma bola de fogo gigante no espaço. Que o Apollo é um dos meus deuses favoritos, que era o deus da música, da harmonia e da medicina.

E que os gregos também chamavam o Apollo de Helios, e por isso tem um gás que foi batizado de Hélio, que compõe mais ou menos um quarto do Sol, e por isso até hoje tem gente que chama Hélio.

Olha ele aqui, sendo visitado por minha deusa padroeira, Promethea:

 promethea 17 art1 Que bom que o meu filho tem medo do escuro

E depois meu amor chegou, o moleque apagou no sofá e jantamos à luz de velas. Romântico!

E agora chega de papo, que Tomás está no meu colo, me catucando e pentelhando para jogar seu Sonic.

Deixo você com uma cançoneta para iluminar seu dia: Blackout, com meus favoritos Asian Kung Fu Generation:

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Publicado em 10/11/2009 às 13:37

A volta de Bon Jovi e a juventude que não volta

Meu amigo Thales me disse em 1988: “é bom, é jovem, é Bon Jovi”.

Pois John Francis Bongiovi Jr., 47, está de volta e para um pai de quatro filhos, looking fucking good.

Daqui a quase exatamente um ano, dia 7 de novembro, ele estará no Brasil e você vai poder conferir ao vivo. Se for fã mesmo, pode pegar o show na abertura em Seattle, fevereiro, ou em algum outro canto do mundo - aqui está o roteiro da tour. Bon Jovi na Croácia, que tal?

Eu também estaria rebolando feliz se tivesse vendido 120 milhões de álbuns. Talvez sem a mesma ginga, claro. Olha ele vendendo o peixe aqui, a primeira faixa do novo disco, na versão inglesa do Ídolos:

We Weren't Born To Follow é mais um daqueles hinos genéricos, tronitruantes, assobiáveis, all-american que ninguém faz melhor que o Bon Jovi.

Umas eles acertam na mosca - Wanted Dead or Alive, Living on a Prayer, It's My Life. Outras, e essa nova é um desses casos, não.

Mas é indolor, e tem um monte de heróis americanos, ou pelo menos heróis para um garoto italiano, durango e Democrata de Nova Jersey - Martin Luther King, Al Gore, Bobby Kennedy, astronautas e a princesa Diana. Como, claro, Obama, que Jon apoiou. Olha ele cantando na festa de posse do presidente americano:

No universo do Bon Jovi, ser um cara comum é ser a melhor coisa do mundo, o sal da terra, o herói, o protagonista. A banda vende melhor que ninguém o sonho americano: a vida é difícil, mas qualquer americano pode conseguir realizar muita coisa.

Basta trabalhar duro, ser justo e leal com seus amigos. O que é verdade, naturalmente; e a prova indiscutível é o próprio Jon saracoteando sorridente no palco na sua frente, não está vendo?

É um ideário que seria country e republicano se não fosse suburbano e liberal. A operação conceitual é interessantíssima. O Bon Jovi existe em um ponto imaginário equidistante de Los Angeles, Memphis e New Jersey.

Entre, sei lá, Poison, Elvis e Bruce Springsteen. Nunca fui exatamente fã de Bon Jovi, mas sempre simpatizei e cada vez mais. Piracicabano que vira paulistano tem dessas coisas.

Quando entrei na Folha, 88, era cabeludo e tinha gente que achava que eu era headbanger.

Vai ver não diferenciavam minhas camisetas do Joy Division e Dead Kennedys de camisetas do Iron Maiden.

Minha primeira capa da Ilustrada foi sobre, adivinha, a então mais recente dentição metaleira, o hard rock de laquê e batom de gente como Motley Crue, Guns N'Roses e... Bon Jovi.

Adoraria ler de novo. Alguém sabe onde encontro?  Todos esses caras viraram covers deles mesmos. Jon virou outra coisa.  Elvis é a referência mais na cara. Não imitação; isso, ninguém fez melhor que Eddie Murphy.

Claro que a vida do comportado Jon não tem nada a ver com o doidão Elvis. Aliás, Jon já viveu hoje quatro anos mais que Elvis. Mas ninguém há de negar que mesmo sendo um garoto de cidade, Jon engana bem de cowboy do asfalto.

E não é de hoje. Olha ele em 1985, mandando ao vivo do lado de Willie Nelson, em uma cover de, opa, Elvis:

Bon Jovi, como Presley, domina a arte de ser famosíssimo e manter aquele equilíbrio entre ser inatingível e acessível, queridíssimo entre as mulheres e “one of the guys” para os homens.

O som? É hard rock superproduzido; é caipira de coração; é o hino que embala sonhos, desilusões e festerê do povão. É, mais ou menos, Victor & Leo. 

Não sei fazer elogio maior que dizer que Borboletas faria bonito em uma antologia do Bon Jovi. Num palco como o do Planeta Atlântida, então, a comparação fica mais auto-explicativa:

Parte importante da lenda que suporta o Bon Jovi é a da gangue de amigos inseparáveis e superleais, Jon à frente, Richie Sambora como seu fiel escudeiro.

Sejam quais forem os bastidores desta relação, a parada funciona; o Bon Jovi faz shows emocionantes e lota estádios nos cinco continentes, em maratonas só comparáveis às dos Stones e U2, mas mais íntimas e espontâneas.

Como, digamos... Bruce Springsteen, de novo.

Para completar, Jon tem um legendário “casamento perfeito” e discreto, com sua namorada de colegial, Dorothea. Bonitona ela, mas sem visual de superstar.

jon bon jovi2 A volta de Bon Jovi e a juventude que não volta

Jon é tão perfeito que parece de mentira. É mentira mesmo, mas deve ter seu fundo de verdade, porque nunca pegaram ele de calça curta. Minha teoria: disciplina e tino comercial.

Jon é filho de dois ex-Marines, fuzileiros navais americanos. Ele, John, ela Carol, ex-coelhinha da Playboy. Das que serviam mesas no Club Playboy no final dos anos 50, não das que saíram peladas na revista.

Infância linha dura, pouca grana mas sem miséria. Jon era bonitinho, moleque.

Se fez bonitão: plásticas, musculação, jaquetas nos dentes, tratamentos diversos - é só olhar a pele dele com 23 anos e hoje. Sua beleza veio exatamente de onde vêm os visuais de estrelas de cinema, e não é da barriga da mamãe, ainda que DNA ajude bem.

Jon cresceu querendo ser um rockstar, e foi rápido. Depois queria ser um menestrel respeitável, como Bruce Springsteen, e não foi. Agora parece que está mais confortável. É facílimo prever os próximos anos do Bon Jovi.

Mais discos iguais aos de sempre, mais turnês lotadas, mais sucesso, mais dinheiro e nenhum escândalo à vista. Ele sabe que a vida é dele. E seu herói hoje toca para ele:

Pode estar fora de moda gostar de Springsteen e Bon Jovi. Bem, tenho quase a idade de Jon, e não estou dando a mínima para o que está na moda. O tempo passa para o bem e o mal.

Mesmo que a gente pareça jovem, se sinta jovem e não queira se entregar à nostalgia, é difícil não pensar às vezes no que foi e não volta mais.

Com melancolia, mas - espero - também com carinho e humor. Assim:

Now I think I'm going down to the well tonight and I'm going to drink till I get my fill

And I hope when I get old I don't sit around thinking about it but I probably will

Yeah, just sitting back trying to recapture a little of the glory of,

Well time slips away and leaves you with nothing mister but boring stories of

Glory days well they'll pass you by 

Glory days in the wink of a young girl's eye Glory days, glory days

Hei, Thales, olha os dois juntos aqui, man!

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+ Bon Jovi anuncia turnê mundial para 2010
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Publicado em 09/11/2009 às 07:50

Um bilhão de razões para prestar atenção em Madonna

madonna 200911081 Um bilhão de razões para prestar atenção em Madonna

Madonna Louise Ciccone, 51, quebrou muitas barreiras e enfrentou muitos tabus. Continua.

Por exemplo, adotando menininhos africanos e namorando meninões brazucas. Sem vergonha de ter literalmente a mesma idade da avó de Jesus Luz.

Sabemos tudo sobre ela, às vezes muito mais do que seria desejável. Ele sempre falou abertamente de suas encucações, fantasias, neuras, vida pessoal, sexual, religião, tudo.

Ela só não fala de uma coisa: dinheiro. Mas ela tem muita, muita grana. Madonna não é uma pessoa: é uma multinacional.

Em sua visita ao Brasil, será recebida por governador, prefeito, primeira-dama, candidata a presidente. Pelo homem mais rico do Brasil. Por sei lá mais quantas figuras importantes e endinheiradas.

Por que? Porque ela tem uma fortuna enorme. Uma estimativa conservadora da revista Forbes em 2007 calculava 325 milhões de dólares.

Outra do jornal inglês The Sunday Times, de 2008: 500 milhões de dólares, ou 850 milhões de reais. De qualquer forma, depois disso ela ganhou mais 120 milhões de dólares na turnê Sticky & Sweet.

Um passeio pela internet traz fontes falando de 800, 900 milhões de dólares em 2009. Soma daqui, subtrai dali, o dólar está R$ 1,70... Madonna vale mais de bilhão de reais, fácil.

Ela sempre gostou de dinheiro, e a gente sabe disso faz 25 anos, claro. Tem alguma dúvida? É só clicar aqui.

Madonna ficou famosa nos 80, mas é cria dos 70, filhota de Debbie Harry, seguidora de Andy Warhol.

Quer que eu pegue meu hit polêmico-religioso e transforme em jingle pra vender Pepsi? Não tem problema.

Fez escola! Olha uma seguidora dela aqui promovendo o mesmo refri e batendo um bolão.

Ela queria bater a carteira do mundo e bateu. A mocinha material virou uma tiazinha biliardária. Agora os brasileiros é que estão entrando na grana dela.

Começou com o senhor Jesus. Agora a fila aumentou. Sabe, sou totalmente por popstars que fazem o bem. Só que em alguns a coisa combina melhor.

São Bono Vox, por exemplo, sempre foi bonzinho. Agora é um milionário bonzinho. Madonna nunca foi flor que se cheirasse. Uma garota rock'n'roll.

Como Iggy Pop, que a homenageou quando ela foi eleita para o Rock'n'Roll Hall of Fame. Os dois estão no Brasil no mesmo final de semana, aliás. E ela está ficando com o corpinho dele.

madonna iggypop 0 0 0x0 406x525 Um bilhão de razões para prestar atenção em Madonna

Depois ela virou toda espiritual, étnica, cabalista e não sei o quê. Até que foi legal por um tempo:

Entendo que ela queira construir um mundo melhor pras criancinhas, já que ela tem várias. E mais uns neguinhos adotados, quem sabe brasileiros, a caminho?

Ela pode até passar os próximos trinta anos limpando a barra. Mas ela sempre é melhor quando é má, estilo pimp, encaixando dólares na tanga da stripper:

Tem que dar um ponto pra Madonna. Quantos bilionários já fizeram algo parecido com isso aqui? She works hard for the money...

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Publicado em 08/11/2009 às 11:05

Ame o que você faz, trabalhe muito e respeite a inteligência do próximo

É um adolescente como tantos outros. Estuda, lê gibis, vai ao cinema, pratica esportes. É louco por música. Duro, como tantos outros.

O pai é garçom. A mãe trabalha na lanchonete dos seus pais. O casal não convive muito bem. 

Criam o cara e sua irmãzinha com dificuldades, num apartamento apertado em um bairro afastado do centro. Aos 16 anos já faz uns bicos.

Não é um aluno muito dedicado. Não é alto nem bonito. Mas até que não vai mal com as meninas. Aprendeu que fazer uma mulher rir é meio caminho para conquistar seu coração.

Aos 18 anos, consegue entrar na universidade. Está trabalhando firme agora e fazendo um dinheirinho decente – seu senso de humor impressionou um comediante da TV e ele agora faz frilas, bolando piadas.

Acaba levando pau na escola e termina expulso. Nosso herói tem outras preocupações agora. Porque aos dezenove anos se casa com a namoradinha, de dezesseis.

Como tantos casamentos entre adolescentes, não tem futuro. Cinco anos depois, os dois estarão divorciados.

Resta continuar batalhando. Ele escreve agora pra vários programas de televisão, bola cartuns e pequenos contos para revistas.

Cria coragem e encara o palco: aos 26 anos, começa a se apresentar em pequenas casas noturnas, contando piadas. Afina estilo e ritmo.

Aos 31 anos escreve seu primeiro roteiro para um filme e estreia sua primeira peça. Ambos são comédias e sucessos. Allen Stewart Konigsberg se tornou Woody Allen. O ano é 1966.

43 anos depois, Woody Allen tem uma filmografia como diretor composta de 44 filmes. Isso é o que ele tem a dizer sobre sua carreira: “Não há razão para eu não ter feito grandes filmes.

Ninguém vinha e me dizia que precisava fazer este ou aquele assunto, ou que queriam ver o meu roteiro, ou que não podia contratar determinado ator…

Quero voltar para casa a tempo de jantar, tocar a minha clarineta, ver o jogo, ver os meus filhos. Então, nessas circunstâncias, faço o melhor filme que posso. Às vezes tenho sorte e o filme sai bom.”

Para quem trabalha com criação e comunicação, o livro Conversas com Woody Allen ( Cosac Naify - média R$ 56,00) é obrigatório. Fazer rir é difícil.

Criar algo que faça rir e pensar e tocar o coração, tudo ao mesmo tempo, é genial. Allen consegue com frequência.

O autor, Eric Lax, vem entrevistando Allen desde 1971, em todo tipo de situação, quando Allen era um superstar e quando era fracasso de crítica e público.

Organizou o supra-sumo destes papos por temas: a ideia, escrever, atores, direção etc.

São 468 páginas preciosas e hipnotizantes. Valem uma faculdade de cinema. Valem para quem escreve profissionalmente. Para quem vive de criar. Para qualquer um, no final da história. E é um livro bem engraçado.

São lições demais. Destaco duas, sobre trabalho e sobre o público.

Allen diz que seu trabalho precisa ser divertido enquanto você faz, porque é o único prazer que você recebe daquilo.

Se ele for realmente prazeroso, você vai dar um jeito de fazer seu trabalho. Mesmo que as condições não sejam as ideais.

Por exemplo: Woody Allen não tem dinheiro para fazer seus filmes. Vai atrás de financiamento onde encontra.

Odeia deixar sua amada Manhattan, a mulher e as duas filhas pequenas. Mas filmou seus quatro últimos filmes na Europa, porque lá está a grana.

E mesmo assim filma incessantemente. Alarga seus horizontes a cada nova produção. Foi criticadíssimo por tentar fugir da comédia e fazer dramas.

Finalmente, foi com um drama que conseguiu a maior bilheteria de sua carreira, Match Point, que rendeu US$ 80 milhões mundialmente.

Em toda sua carreira, Woody Allen sempre apostou na inteligência. É a base de toda sua criação.

Do livro: “Sou dos que sempre acreditaram que o público é letrado, e pelo menos tão inteligente, ou mais inteligente, do que eu era.”

Por isso é que a obra de Woody Allen viverá para sempre. Se bem que como diz o próprio, “em vez de sobreviver nos corações e mentes dos seus semelhantes, prefiro sobreviver no meu apartamento."

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Publicado em 07/11/2009 às 14:51

Pagode em gráfico. Já viu?

“One and one is two; two and two is four; I’m heavy loaded baby, I’m booked I gotta go”, já cantava o velho Robert Johnson em Sweet Home Chicago.

Embora o blues e o samba sejam primos, o ritmo brasileiro não herdou a tradição matemática do primo rico.

Em compensação, um grupo de brasileiros mais que criativos, transformou em gráficos algumas letras de pagode.

O resultado é muito bom. Dá uma olhada nesses dois aqui:

Pagodados Amarelinha Pagode em gráfico. Já viu?Pagodados Será Pagode em gráfico. Já viu?

 

Tem uma seleção boa aqui. Clique.

Alguém tinha agora que transformar as músicas do Djavan em gráficos. Talvez ficassem mais compreensíveis.

O blog Pagodados também dá links para vídeos com a música original, de onde saíram os dados.

Veja mais:

+ Notícias sobre música
+ Onze grupos fundamentais na história do samba romântico
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