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Posts com a tag: VMB

Publicado em 17/09/2010 às 15:00

Restart é rock de verdade

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O Restart ganhou tudo no VMB 2010. Parabéns. Explicação: ganhou porque é rock de verdade. Rock é tudo aquilo que um jovem ama e seus pais desprezam. Pode ser um corte de cabelo, um tipo de roupa, um grupo de amigos, até música, e preferencialmente tudo junto.

Rock é rebelião adolescente. Arte, poesia, sucesso, “tocar bem” etc. são outros papos, e irrelevantes. Esses dias um camarada me cumprimentou por explicar neste blog por que essas bandas tipo Restart, Cine etc. são o verdadeiro rock de 2010, e não os alternativos que tocam em festivais, muito menos os tiozinhos dos anos 80.

Horas depois, duas colegas de trabalho na casa dos vinte e poucos me contavam de shows que viram dos Titãs, Paralamas, um tributo a Legião Urbana. Fiz cara de comigo não, violão.

Mas Forasta, você não gosta disso? Daquilo? Daquele outro? Hmm, não. Me rendo ao Capital Inicial, a única banda de sua geração ainda relevante, e falando com jovens, não sessão nostalgia para quarentões.

E disse isso para o Dinho um ano e tanto atrás. Mas não ouço Capital, não é e nunca foi para mim. A amiga me contou que viu um show dos Paralamas terrivelmente desanimado, o público sentado em mesas.

Eu, que me lembro dos Paralamas quando eram pra pular, achei estranhíssimo. Horas depois, na mesa de bar, a piada politicamente incorreta: só porque o Herbert não pode mais levantar, todo mundo tem que assistir o show sentado?

Hei, vibrei com Cabeça Dinossauro, e Camisa de Vênus, e Selvagem!, e, vá lá, me dá um apertinho no coração se esbarro com “Índios” na rádio. Os roqueiros mais velhos, irmãos dos meus amigos achavam tudo uma porcaria, porque mal tocado - bom era rock progressivo, Genesis, Yes etc.

Eram bandas formadas por pessoas ligeiramente mais velhas, só o suficiente para eu estar na plateia e eles no palco, e muitas vezes palquinhos minúsculos. Não são da minha geração - compartilham com jornalistas um tico mais velhos, alguns bons amigos meus. E isso explica muita coisa.

Os cinco anos que me separam da geração 80 do rock brasileiro, e da geração de jornalistas de cultura e/ou música equivalente, são uma vala intransponível. Esses caras passaram a adolescência, o colegial, nos anos 70, na ditadura militar.

Ser do contra era gostar do que seus pais, e os milicos, não gostavam - ser ripongo, de esquerda (mas não do PC; Libelu era a opção mais descolada; assunto para outro dia), tomar chá de cogumelo e, se interessados por música brasileira, idolatrar e emular Caetano e Gil, que na época não faziam sucesso.

Sério. Caetano e Gil eram artistas “alternativos” na segunda metade dos 70. Os anos de relevância da Tropicália iam longe. Os sucessos radiofônicos eram memória distante.

A chave só virou em 1979/1980, com o reempacotamento de Caetano e Gil, e também Rita Lee, Cor do Som etc. para as novas gerações.

Bem, em 1980 eu fiz 15 anos, e troquei Beatles e Pink Floyd e KC & The Sunshine Band por B-52's, Devo, Tom Petty, Clash etc., e nenhum artista brasileiro falava comigo, muito menos esses baianos cabeludos.

Nunca confie num hippie, era o slogan punk, e eu era só um molequinho piracicabano, mas comprei essa de coração. Música brasileira 1980-1985 era o que eu assistia no Cassino do Chacrinha e boa.

Claro que o rock dos anos 80 produziu boas canções e momentos de reverberação cultural. Mas nunca me pegaram pelas tripas. O que me facilitou muito a vida quando “militei” no jornalismo musical, Folha e Bizz e General, 1988-1995.

Eu não era da turma, e me sentia muito à vontade para caçoar das bandas, com a crueldade gratuita de quem não quer ser aceito. Em toda a geração 80 do rock e do jornalismo cultural se vê essa marca dos 70.

Nem Renato Russo você curte, perguntou minha colega de trabalho. Depois de Eduardo e Mônica e Faroeste Caboclo? Nem Cazuza e Lobão? Não.

Existe ótima música no Rio, mas não rock, porque no Rio não há ruptura - tudo é absorvido organicamente, cooptado e perfumado para divertir a corte.

Pensei por pouco tempo que talvez tivesse encontrado minha geração aos 25, 27 anos, com a chegada à cena dos Raimundos, Skank, Nação Zumbi etc. Durou pouco.

Depois que vi Gil em 1995, aliás em um VMB, arrotando que tinha descoberto o Mangue Beat, e Chico Science sorrindo ao lado, aquiescendo, baixando a cabeça...

Essa vala geracional intransponível que me separou do rock dos 80 existe também entre as teens doidas pelo Restart e minhas colegas de trabalho de vinte e poucos. Impossível o diálogo.

Apedrejar o Restart - ou Elvis, os Beatles, o RPM ou Luan Santana - pela paixão de suas fãs é inútil. O Restart é a rebelião adolescente do momento.

Se você não é mais adolescente, o problema é seu. Cinco anos me separam da geração rock 80. São irmãos mais velhos, com outro jeito de se rebelar, que me diz pouco, e que questiono automaticamente.

Não discuto talento, vendas, a letra melhor ou pior, a melodia; nem que eles tenham dito - e digam, muito a muitas pessoas.

Falo de viver e sentir. Meu coração vibra em três acordes.

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Publicado em 02/10/2009 às 14:02

Filosofando no VMB 2009

Meu amigo baladeiro garantiu ontem, tipo duas e meia da manhã: não existe festa melhor que a do VMB. Não vou muito em festa, então vou por ele.

Mas nessa eu fui e estava bacanésima. Saí três e pouco, tiozinho que sou. O camarada avisou meu, isso aqui vai até as oito da matina. Tenho certeza que sim, mas meu taxímetro vence mais cedo.

A festa estava tão boa que quando eu vi estava achando bem divertido o show do Nando Reis, “ o amor é o calor etc.”.

Depois de alguns whiskies e cercado da maior densidade de mulher bonita do planeta, minhas capacidades críticas foram para as cucuias. Talvez eu devesse viver sempre assim: meio tocado e rodeado de beldades.

Fica pra próxima encarnação.

E a entrega do prêmio? Ah, é, já ia esquecendo. Me diverti muito. Eu fui em todos os primeiros VMBs.

Teve um que foi o Paulo Maluf e o Mário Covas, sério, minha turma ficou planejando derrubar uma cerveja no colo do Maluf, mas ficamos com medo de apanhar dos seguranças.

Foi a primeira vez que a MTV me convidou desde, sei lá, 1994. Espero que não levem mais quinze anos para me convidar de novo, que já vou ter 59 e só vou tomar Mylanta on the rocks.

Mas agora sou meio parte do time - um blog colaborativo chamado Bis, bolado pela turma da Tambor, faz parte do portal MTV.com.br.

Fiz uns amigos novos na MTV, reencontrei outros antigos, e tenho a maior simpatia pela turma.

Fora que o Bis vai fechar o ano como um dos principais blogs de música do portal. Acho que com tudo isso, me convidam de novo ano que vem. Quer dizer, depende um pouco do que vou escrever aqui.

Como a festava estava boa, vou falar muito bem. Aí vendidão!

Não, sério, foi legal. Só de chegar e encontrar meu compadre Miranda logo de cara já ganhei a noite. Mas vi muita, muita gente que não via fazia muito, muito tempo.

O que mais ouvi foi “Você por aqui?”. É. O mundo dá voltas.

Aos vencedores, as batatas:

Artista do ano: Fresno

Videoclipe do ano: Skank - Sutilmente

Hit do ano: NX Zero - Cartas para Você

Aposta MTV: Vivendo do Ócio

Melhor show: Os Paralamas do Sucesso

Artista internacional: Britney Spears

Blog do ano: Jovem Nerd

Revelação: Cine

Web Hit do ano: Seminovos - Escolha já seu nerd

Twitter do ano: Marcos Mion

Game do ano: The Sims 3

Filme ou documentário musical: Titãs - A Vida Até Parece uma Festa

Melhor vocalista: Lucas (Fresno)

Melhor guitarrista: Martin (Pitty)

Melhor baixista: Tavares (Fresno)

Melhor baterista: Duda (Pitty)

Rock: Forfun

Rock alternativo: Pública

Hardcore: Dead Fish

Pop: Fresno

MPB: Fernanda Takai

Samba: Zeca Pagodinho

Reggae: Chimarruts

Rap: MV Bill

Instrumental: Pata de Elefante

Música Eletrônica: N.A.S.A.

Também teve Marcelo Adnet, que está quase pronto para apresentar o Oscar. Teve Massacration com Falcão (alguém aí anotou a letra?). Teve Franz Ferdinand. Prêmios para o Jovem Nerd e os Seminovos.

Veja as fotos da festa aqui

Até teve um momento de humanidade do Marcos Mion, com quem nunca tive a menor empatia. Ele ganhou o prêmio de Twitter do ano e baixou a carapaça. Mion está deixando a MTV pela Record.

É a segunda vez que ele sai da MTV. Chorou. Não sei se deu para perceber pela TV, mas foram os minutos mais emocionantes da cerimônia.

Fiquei filosofando lá depois de reencontrar o velho chapa Gabriel Thomaz, dos Autoramas, mandando ver ao lado de Erasmo Carlos.

Ele depois me explicou que o punk rock nasceu no Peru e ficou de mandar o link que prova - quero ver. Outro veterano do Little Quail e há anos no Ultraje, o baterista Bacalhau, me deu o CD de seu novo projeto, o Orgânica, que estou ouvindo nesse exato minuto.

Os dois mantêm a mesma cara de moleque de quando o Little Quail passava tardes na redação da revista General, 1993, eu era feliz e sabia. Que dezesseis anos depois eles mantenham o mesmo amor ao rock'n'roll é, francamente, emocionante.

Porque está cheio de banda de rock - de artista, de gente em geral - que trata sua vida como um emprego, um job, uma carreira a ser desenvolvida. Profissionalismo, tudo bem, mas sem tesão nem reflexão, não é suficiente.

Veja mais fotos aqui

É o caso de Wanessa Camargo, que cantou ao vivo seu dueto com Ja Rule. Diva sem molejo e sem estilo não vai dar não. E não é questão de ser black. Pode ser branquinha. A prova está aqui e mais de quatro milhões de pessoas já viram:

Só de chegar perto de gente assim me desanima. Não estou no planeta a passeio - embora dê minhas flanadinhas.

Por isso fiquei feliz de ver a MTV bancando shows de duas bandas fora do esquadro que obviamente têm paixão pelo que fazem, Móveis Coloniais de Acaju e Vivendo do Ócio.

Eu não tenho nada contra bandas queridinhas das teens, imagine, vou ser contra Elvis, os Beatles e os Stones?

Todo mundo tem que começar a gostar de rock em algum lugar, e raramente é no lugar mais extremo. Mas a MTV sempre foi melhor quando esteve à frente de seu público.

Se hoje os adolescentes são loucos por Fresno, Cine, NX Zero, Pitty e tal, cabe à MTV alargar este horizonte.

O que me leva à única crítica realmente azeda que tenho a fazer ao VMB. Você achou que eu ia só ficar pagando pau? Sou fã de Fernando e Sorocaba.

Muitos dos artistas que os jovens brasileiros realmente mais amam e admiram não estavam lá. As músicas mais tocadas e mais dançadas não apareceram no palco do Credicard Hall. Não, elas estão aqui.

Entendo que a MTV tem seu corte e seu público. Mas foco é uma coisa e gueto é outra.

Cadê os Aviões do Forró?

Cadê as aparelhagens de tecnobrega?

Cadê a Tchê Music?

Cadê o pagode, a guitarrada, o funk? Cadê Luan Santana, Fantasmão e os Inimigos da HP?

Qual a explicação para a ausência de Victor & Leo, o maior fenômeno pop do Brasil no último ano e meio?

Faço questão de uma MTV mais interessante e uma festa melhor ainda ano que vem. Por isso, tenho que dizer: o vídeo do ano, exclusivo do YouTube, é esse aqui:

Beijos e até o VMB 2010!

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