Posts com a categoria: Tecnologia

Publicado em 14/09/2012 às 10:28

Os peitos de Kate e o futuro do jornalismo: aviões de controle remoto

kate middleton ok Os peitos de Kate e o futuro do jornalismo: aviões de controle remoto

Kate Middleton tem uns peitinhos pequenos, clarinhos, simpáticos. Sem grande personalidade. Não impressionam pela aerodinâmica, volume, coloração ou “empinância”. Kate é uma inglesa jovem, magrinha e atlética. Suas “mamicas” não causariam sensação numa praia qualquer da França, onde o topless é praticamente norma, tanto de mocinhas como de velhinhas.

Na Europa, é difícil praia onde não se vê uns peitos de fora, e em algumas os mamilos expostos preponderam. A gente acostuma. Depois de uns 15 minutos, o brasileiro mais tarado já se esqueceu do topless, e está reparando mais é nas partes de baixo, enormes, tampando o traseiro todo. Cadê aquelas bundinhas bronzeadas e torneadas a la carioca? Fora o choque de ver os peitões caídos e cheios de veias das vovós.

Como Kate resolveu se casar com o herdeiro do trono da Inglaterra, não faz como boa parte das moças da sua idade. Não faz topless na praia. Mas de férias no sul da França, em companhia do marido, tirou a parte de cima pra curtir o sol e a piscina. William nem tchuns. Imagino que aprecie ver a mulher pelada, mas não é exatamente novidade.

Um fotógrafo capturou as imagens a distância. Tentou vender para os jornais ingleses. Se recusaram. Sabiam que vinha bala. Vendeu para uma revistinha francesa. Processo à vista. Vão perder uma fortuna. Kate é figura pública, mas estava em espaço privado. Não tem volta: as fotos caíram na internet. Também não tem importância: amanhã teremos esquecido. Mas a história tem outras implicações. Vai lá ver, depois volta.

A revista colocou umas legendas bem temperadas. Tenta elevar a temperatura do conteúdo. Veja as fotos sensuais do príncipe William e Kate! Veja a futura rainha da Inglaterra, como ela nunca mais será vista! Bem, o casal aparece sozinho na piscina. Podiam ter dado uns amassos, ou quem sabe algo mais, por que não? Férias é pra essas coisas... Mas as fotos são totalmente casalzinho, William besuntando a mulher de filtro solar, os dois papeando, erotismo zero.

Comentando o caso, o colunista do jornal britânico Telegraph Willard Foxton levanta o principal ponto do caso. Essa não será a última vez que veremos as “peitolas” de Kate, ou as escapadas de Harry, ou outros famosos e poderosos aparecendo como não queriam. Porque todo celular é uma câmera faz tempo.

Agora eles são ótimas câmeras, com capacidade de zoom, de controlar a luz e de focar, que antigamente só fotógrafos profissionais tinham à disposição. Ontem mesmo, a Apple mostrou ao mundo o novo iPhone, que vem com uma câmera de oito megapixels. Tem mais, diz o colunista. Tem drones. Sabe o que é? Aviõezinhos de controle remoto, contendo câmeras. Drone journalism: a utilização de drones para captação de fotos, vídeos, dados.

Foxton cita o Team Blacksheep, uma equipe de hobbistas americanos, que criaram seus próprios drones em garagens. E o caso do vídeo feito na Polônia por um drone, registrando um quebra-quebra. Olha o bicho pegando em Varsóvia.

 

varsovia Os peitos de Kate e o futuro do jornalismo: aviões de controle remoto

A conclusão dele: daqui para frente, ninguém está a salvo de ter sua vida registrada, exposta e comercializada. A minha: não há legislação que segure a onda. O texto completo está aqui.

 

Aeryonscout Os peitos de Kate e o futuro do jornalismo: aviões de controle remoto

Eu vinha procurando uma chance de tocar nesse assunto, e chegou. Drone journalism vem sendo saudado como o futuro do jornalismo por publicações como Wired e Fast Company. O assunto já tem um ano, pelo menos. Já existem ONGs dedicadas ao jornalismo drone. Um centro de drone journalism na Universidade de Nebraska recebeu um prêmio da Knight Foundation, instituição americana dedicada à inovação no jornalismo. Tá pegando.

Drone journalism tem uma série de vantagens. Dá para cobrir esportes, shows e tal. Mas também desastres naturais, revoluções, abusos policiais, e muitas outras coisas. Um drone baratinho custa US$ 6 mil dólares, os mais sofisticados dez vezes mais. Os preços estão caindo. Em Moscou, protestos na última eleição de Putin foram registrados por um drone.

Os cupinchas do presidente tentaram abater o helicopterozinho a bala, mas não conseguiram. As fotos são incríveis. Dão um peso enorme ao protesto. Drones são ótimos porque permitem a gente comum cobrir o que as grandes empresas de comunicação muitas vezes preferem ignorar, ou manipular. Veja as fotos de Moscou e comprove.

Há questões de legislação. Países diferentes têm regras diferentes sobre a utilização de drones, ou nenhuma. Nos EUA, o FAA, órgão público que regulamenta a aviação, tem até 2015 para propor novas regras para seu uso. É certo que os drones serão liberados. Eles têm muitas utilizações potenciais, e não só no jornalismo. Podem ser combinados com GPS. Podem ter algum nível de inteligência artificial.

Podem revolucionar a meteorologia, o controle de tráfego, a guerra, a segurança. Também podem servir para a manutenção de um estado policial, ou para desintegrar nossos conceitos de privacidade. Quer comprar um drone? Esses robokopters parecem bem legais. Veja aqui.

Os drones vão longe. Até onde? Não faço ideia. Sei que as Kates e todos os famosos e importantes terão que se acostumar com o fato de que não terão mais vida privada. E sei que os drones são poderosos demais para ficar na mão dos poderosos. Os abusos virão. Mas abusos também há na imprensa e na internet, como provam os peitinhos da princesa. E como a imprensa e a internet, os drones dão poder a nós, os plebeus.

Viva a revolução!

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Publicado em 04/09/2012 às 09:05

O futuro deles não é o nosso

batman super heroes O futuro deles não é o nosso

Games Industry é meu site favorito de games. Não tem graça. Não tem trailer do momento, listinha sacada, vídeos com apresentadoras gatas, ou blogueiros descolados. O que tem é o que me interessa: jornalismo. Todo dia dou uma passada lá, e recomendo que quem trabalha na área faça o mesmo.

É sobre o lado business dos games, mas não é só para desenvolvedor, ou marketeiro. Fala de vendas, sucessos e fracassos, mas fala também de criação. Tem entrevistas com todo mundo que interessa. É a melhor referência de como anda o mundo dos games, e para onde.

Também é bela muleta para quando você tem que escrever uma coluninha de opinião sobre games e está sem assunto. E eu, coincidência, tenho uma dessas na revista EGW. Então fui lá fuçar. Voltei mais confuso que antes. Vamos ver se você consegue entender o que está acontecendo:

- o melhor modelo de negócio para jogo pra celular é vender badulaque: a Rovio vai faturar US$ 400 milhões com merchandising de Angry Birds em 2012
- o Facebook agora tem jogo em que você pode apostar com dinheiro de verdade, o Bingo Friendzy (mas por enquanto só na Inglaterra)
- a Amazon agora tem seu próprio estúdio de desenvolvimento de games, dedicado a criar jogos sociais
- os gurus de computação gráfica da Industrial Light & Magic preveem que em dez anos os games serão indistinguíveis da realidade
- mas o que está detonando na Live é o jogo com o visual mais tosco que você pode imaginar: Minecraft está vendendo 17 mil cópias por dia
- nos últimos dois anos todo mundo só falava de social games, mas a líder desse mercado, a Zynga, derrete a olhos vistos
- a Nintendo tem bases instaladas gigantescas de Wii e DS, mas decidiu não fazer mais jogos para essas plataformas (?!)
- a Sony tem quedas significativas de vendas do PS3, PSP, o Vita não decolou, mas por enquanto nada de significativo muda na estratégia da empresa (?!)
- a Apple vendeu 17 milhões de iPads e 26 milhões de iPhones só no último trimestre fechado, abril-junho, e a maior parte dos grandes publishers continua fazendo de conta que a maçã não existe
- a Microsoft está seguindo o modelito da Apple com o Windows 8, sisteminha fechado, cheio de regras e aprovações e prazos e fees, e os desenvolvedores de jogos para PC como Blizzard e outros estão chiando
- o futuro dos games é na nuvem, mas a Valve, líder em download digital com o Steam, vai começar a trabalhar com outros tipos de software, ligados à criação e produtividade (Office?)
- o futuro dos games é digital, mas as revistas de games continuam muito bem, obrigado. A Game Informer é agora a terceira maior revista do mercado americano em geral, com 8.2 milhões de exemplares! Graças ao programa de fidelidade PowerUp - a Game Informer, se você não sabe, é da Game Stop, rede líder do varejo de games nos EUA.

E isso são as notícias mais chamativas do dia!

É por isso que eu leio Games Industry. Mas leio com olhos de editor, e de brasileiro. Aqui não é primeiro mundo, por mais que os shoppings estejam cada vez mais finos e lotados. Aqui, um console, tablet ou smartphone ainda custa entre o dobro e o triplo dos principais mercados (o Nintendo 3DS XL, tela maior, vai custar aqui R$ 1200,00. Nos EUA é US$ 199,00, equivalente a quatrocentos reais).

Aqui é o seguinte: meu filho andou sendo um garoto bacana, e fez por merecer um jogo novo (de presente mesmo, não emprestado da Tambor). Namorou com esse e aquele e bateu o martelo em Lego Batman 2: DC Super Heroes (que, aliás, é bem melhor que O Cavaleiro das Trevas Ressurge...).

Compramos na PSN, R$ 169,00 (caro paca). Começou a baixar domingo, nove e meia a noite. Manhã seguinte, baixando. Hora do almoço, baixando. O moleque foi para a escola, eu fui trabalhar, e à noite finalmente conseguimos começar a jogar. Pô, quase 24 horas pra baixar um game de Lego?

É por essas e por outras que vai demorar muuuito tempo para o download digital chegar ao consumo de massa no Brasil. É caro, ruim, intermitente. Para games e para todo o resto. Se eu for começar a contar minhas aventuras com a Net... Bem, não sou nenhuma Games Industry, mas faço aqui minha previsão. Precisamos de banda larga de qualidade, com preços acessíveis.

Para a Copa de 2014, não dá mais tempo, que a infra demora, e sem concorrência entre as empresas de telefonia, o preço não cai. Eu achava que lá pra 2016, com o fim da TV analógica, as coisas iriam melhorar. Mas li hoje que o governo federal resolveu afrouxar esse prazo, pra 2020 e depois...

Internet boa e barata é importante demais para ficar ao sabor das ondas do mercado. É obrigação pública. Pra jogar games, sim, também, e não só. Ou conexão de qualidade é prioridade de governo, ou não é. Por exemplo: na Coreia, que uns anos atrás era bem menos desenvolvida que o Brasil, é. É por isso que os brasileiros importam games coreanos. Por que o futuro chegou antes para eles. E infelizmente não chegará tão cedo para nós.

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Publicado em 31/08/2012 às 11:01

Arte Digital: o coração da máquina, exposto em São Paulo

3ª Mostra 3M de Arte Digital Arte Digital: o coração da máquina, exposto em São Paulo

Uma engenhoca transforma o meu peso, altura e pulsação em música. Outra capta a presença de celulares funcionando e usa para esmagar celulares velhos. Uma sala tem uma megatela 3D dedicada a um filme curto e mudo de cenas cotidianas do Rio de Janeiro. No meio do corredor um painelzão cheio de penduricalhos acende, pisca e se mexe pra nada. A projeção de um coração perigoso bomba na parede. Um fotógrafo pilota um helicóptero sobre o Ceagesp para fotografar os caminhões de cima. Outro constrói suas próprias câmeras antes de fazer cada sessão de fotos - a mais bonita é uma lata de bombom.

quadrado Arte Digital: o coração da máquina, exposto em São Paulo

Não sei o que é arte, mas sei do que gosto, proclama o fariseu, e gostei da terceira Mostra de Arte Digital 3M. Tem isso aí acima e mais. A mostra está no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. É grátis e vai até o dia 16 de setembro. Se quiser pegar uma praia de paulista, este sábado seis da tarde tem também cinema open air, remix de Glauber Rocha, na parede do instituto.

Sai de lá e vai discutir o que é arte tomando umas na Vila Madalena, que é pertinho. O tema é Tecnofagia, explicado como o encontro entre a ciência de ponta e a ciência de garagem. São artistas brasileiros estabelecidos, novos e novíssimos. Não manjo nada de arte, muito menos digital, que dirá brasileira. Também não sabes o que é arte digital? A curadora da mostra, Giselle Beiguelman, minha gentil guia pela mostra, explica no vídeo abaixo.

O que é arte digital? por Giselle Beiguelman por perolasblogs no Videolog.tv.

Gostei da mostra e da explicação de Giselle. Sou discípulo de Johnny Rotten: arte não pode ser tratada com sisudez e submissão, como algo precioso, obra de gênios ungidos pelos deuses. Gostei desta arte digital da Mostra, porque dá para perceber as digitais de quem criou. Porque tem humor. Porque tem ataque. Porque não tem preguiça. Meus parcos conhecimentos de arte param ali pelos anos 30, ecos finais do Dada e do Surrealismo.

Por isso também é que a mostra me tocou: porque meus ídolos dadaístas iam amar. Era na capotagem entre as máquinas que controlamos e nos controlam, presos nas ferragens e rindo do sangue correndo, que se fazia Dada. Se era a cara do começo do século 20, é o coração do começo do século 21. A diferença é que nas veias das novas máquinas correm bits. E algumas das mais surpreendentes se encontram em São Paulo - aqui e agora.

dada Arte Digital: o coração da máquina, exposto em São Paulo

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Publicado em 16/08/2012 às 06:00

A atriz mais bonita do mundo tem uma irmã mais bonita que ela – e as duas adoram videogames!

Penélope Cruz tem, eu não sabia, uma irmã. Monica Cruz é uma mistura de Penélope com a jovem Cláudia Cardinale. Este comercial mostra as duas jogando Super Mario Bros 2. Nada mais a dizer.

New Super Mario Bros 2 - Penélope & Mónica Cruz TV ad (Nintendo 3DS) por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 14/08/2012 às 06:00

11 emails mais irritantes que recebo todo dia

Esses são de hoje. Ontem teve iguais. Ou quase. Ou pior. Meu endereço normal de email já era. Vou ter que cancelar e fazer outro novo. O pior é que tudo é oferta.

Pra comprar barato, emagrecer, enricar. Quem aguenta tanta oferta? Me oprime. Prefiro gastar mais, me manter acima do peso e com a conta bancária caidona...

Como emagrecer dormindo (matéria Fantástico)

Especialização em gestão de processos de negócios

Tcherere tche tche super desconto pra você R$ 399 tablet android

Declare #amor pelo seu corpo

Seu casamento merece ser eternizado - faça um site comemorativo

#importados para esculpir seu corpo

Indicação de possíveis clientes, boa sorte!

Super liquidação Hi Phone 5 wi fi em 3 cores por apenas R$ 9,44 mensais

Caminho das pedras para publicar um livro

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Publicado em 03/08/2012 às 06:00

A vida digital é parte da vida, não o contrário

Tive umas merecidas férias, das quais infelizmente voltei uma semana atrás. Merecia mais tempo - um ano estava ótimo! Mas valeu cada minuto. Fui sem celular nem notebook. Carreguei guias, aqueles de 600 páginas, pra cima e pra baixo, completamente escangalhados na volta. Não chequei Facebook ou Twitter. Não li jornal ou revista. Desliguei meu e-mail de trabalho. Chequei meu e-mail pessoal uma vez por semana.

Tirei umas fotinhos, com câmara, não smartphone. Foi perfeito.Eu não tenho nada contra tecnologia. Trabalho com isso. Sou fã de ficção científica. Fui diretor da PC Magazine, pô! E porque entendo um pouco dessas paradas, sei que ficar online, como ficar offline, tem hora. As novas gerações talvez discordem. A função delas é discordar mesmo, mas estou certo e os meninos, errados.

Lidar inteligentemente com tecnologia é questão de educação, mas também de disponibilidade. Se você coloca hoje um iPad na frente de um bebê, não pode esperar que dez anos depois ele preste atenção no mundo não-digital, não-interativo, ou mesmo no que você diz.

celular 1 A vida digital é parte da vida, não o contrário

De volta ao Brasil, avião taxiando, um monte de passageiros sacou os celulares para dizer, gritar, o óbvio: oi mãe-pai-filho-bem, cheguei, vou passar na alfândega e duty free, te ligo quando entrar no táxi. E depois, imagino, quando entrar na marginal, e quando chegar em casa e tirar os sapatos, e quando sair do banho. Um cara manipulava o celular sem parar. Impossível não pensar em um bebê acariciando o pinto.

Minha amiga Márion Strecker tem feito uma série bem interessante na Folha de S. Paulo sobre dependência digital, da qual quer se livrar, mas não muito... os textos são ótimos e estão repercutindo bastante. Porque cada dia aparece uma dependência nova. E porque cada dia aparecem novas razões para você não se desconectar. Inclusive financeiras. O assunto rende em todo lugar.

Hoje na bíblia da economia, o Wall Street Journal. Começa com um causo ilustrativo. Na véspera de sair de férias, a jornalista Jennifer Green, editora de beleza da revista Teen Vogue, avisou seus seguidores no twitters: "Estou oficialmente de férias!". Nos cinco dias seguintes, ela passeou de carro pelo Estado do Arizona. Neste período ela twittou mais de 120 vezes, fez checkin 15 vezes no Foursquare e postou mais de 30 fotos no Instagram. Quando chegou pela primeira vez na vida no Grand Canyon e viu aquele esplendor todo, a primeira coisa que fez foi tirar uma foto e compartilhar com seus 32.600 seguidores no Twitter. Jennifer é burra. Na minha ausência do mundo digital, ganhei um  monte de seguidores no Twitter e amigos no Facebook.

A vida digital caminha sem a gente. Um dia, inclusive, vamos morrer, e parar de twittar, imagine! Compartilhar tudo com todo mundo equivale a não compartilhar nada com ninguém. A vida digital é parte da vida. Não o contrário.

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Publicado em 29/06/2012 às 16:11

Comemorando os cinco anos do iPhone, aviso os amigos: parei de usar celular

Iphone 4G Comemorando os cinco anos do iPhone, aviso os amigos: parei de usar celular

Quebrou o cabinho do meu celular. Fui procurar e nada. Um amigo que ia à Santa Ifigênia garantiu que lá tinha e ficou de me comprar um novo.

Voltou dizendo que custava quinze reais o pirata e sessenta reais o original. Sessenta paus? Caríssimo. Quinze? Para quebrar depois de uns dias e me fazer passar raiva?

Donde que estou há um mês e pouco sem celular. Era um Android. Tive um iPhone antes, que queimou. Podia ter comprado o cabinho. Podia ter comprado um ching-ling na esquina. Desencanei. Passo muito bem sem. Vou continuar assim.

Eu não preciso de celular porque sou um cara muito comportado e previsível. Vou de casa para o trabalho e do trabalho para casa, e nos dois lugares tem telefone e internet, e não são distantes um do outro.

Se vou almoçar ou jantar em algum outro lugar, ligo e combino antes, e apareço na hora certa. Era assim que eu funcionava antes de existir celular, e funcionava bem. Para quê mudar?

Não estou dizendo que todo mundo deve abrir mão do celular. Eu mesmo estou com um pouquinho de peso na consciência — quem tem entes queridos, bípedes ou quadrúpedes, namorado, pai, mãe, avó, filho, sogro, cachorro, tartaruga etc., tem razões para se preocupar. A ideia do celular é que você esteja encontrável a qualquer momento e tal. Mas na prática só não estou encontrável quando em trânsito, então acho que tudo bem. E ou estou guiando, ou estou no metrô ou táxi, oportunidade de ouro para... Ler! Lembra dessa coisa incrível que existia antes dos smartphones?

Celular é diversão, já há cinco anos, quando foi lançado o iPhone, o primeiro celular viciante. É game, vídeo, app daqui e de lá. Passa o tempo que é uma beleza. Mas passa tempo demais. A gente fica o tempo todo entretido, e pulando de uma diversão para outra. Não é que eu abri mão do celular porque é chato. Fiz isso porque é divertido. É a mesma razão porque não tenho tablet: porque é superlegal.

É possível que amanhã eu volte a ter celular. Se smartphone cheio de trique-trique, ou um celularzinho chulé só pra falar, ou nada, vamos ver. Também posso imaginar um dia em que eu tenha um tablet.

Principalmente porque os amigos tão fanáticos por quadrinhos quanto eu garantem que é uma maravilha pra ler gibi.

Ou não. Me peguei seletivo, na reta para os cinquentão. Deixa eu ler esse livro maravilhoso com calma. Deixa eu fazer o jantar sem distrações. Deixa eu prestar atenção em quem merece. Eu não acreditava quando os coroas me garantiam, décadas atrás, mas chegou o dia: casório é muito mais bacana que uma coleção caprichada de one-night stands. Vou investir meu precioso tempo no que é permanente. No que sinto que é mais precioso.

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Publicado em 28/06/2012 às 13:08

Quer conhecer o futuro da tecnologia e da mídia? Assista esse vídeo logo: ele chega no final de 2012

Este é o Leaf. É uma nova e embasbacante maneira de humanos se comunicarem com máquinas. É um grande avanço sobre o Kinect, da Microsoft, que por si já é fantástico. Imagine uma tela touchscreen que você não tem que tocar. E mais: que reconhece movimentos em três dimensões. E mais: que perceba os movimentos mais sutis de suas mãos com precisão.

A turma do site americano de tecnologia The Verge foi conhecer de perto o Leaf e fez este vídeo. O aparelhinho ainda está em versão beta. A versão final deve ser lançada no final deste ano. É uma engenhoca que você simplesmente pluga no seu computador. Deve custar US$ 99,00. E terá uma lojinha de aplicativos, tipo AppStore, para desenvolvedores botarem seus próprios programas de utilização do Leaf.

O que significa que em cinco anos todas as tevês, computadores e tablets terão algo parecido e embutido, e um ecossistema robusto, e o Leaf será uma de muitas plataformas oferecendo esta interface imersiva e irresistível, porque humana. O pessoal da Technology Review diz que é o Leaf é revolucionário, a tecnologia mais importante desde a criação do smartphone. É opinião de peso. Veja o vídeo e julgue você mesmo. É só clicar aqui.

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Publicado em 18/05/2012 às 10:50

Facebook: tudo que é bom dura pouco

zuckerberg techcrunch Facebook: tudo que é bom dura pouco

Eu tenho três notícias para quem está boquiaberto com a oferta pública de ações do Facebook, que atribui um valor de mais de cem bilhões de dólares à empresa. 

Primeira: o Facebook vale cada centavo dessa granola toda. As empresas, as terras, as casas, os bichos, as pessoas valem o que se paga por elas. Tá tudo à venda. A isso chamamos capitalismo. Quanto vai valer amanhã ou depois, depende do bater das asas das borboletas no Havaí. Empresas de tecnologia frequentemente atingem seu valor máximo no IPO. Se eu for fazer uma lista das empresas que eram o ó do borogodó e hoje ninguém lembra mais, perco o final de semana.

Segunda: o Facebook é uma empresa de mídia. Sua receita vem de vender anúncio. Ou de ficar com uma comissão sobre itens vendidos dentro do Facebook. Seu IPO é um cala-boca para os tantos profetas do apocalipse midiático. O Facebook concorre pela mesma grana que televisão, jornal e revista.

É uma empresa de tecnologia? Claro, mas os jornais, quando apareceram, eram high-tech com seus linotipos, e o rádio foi uma tecnologia revolucionária, e as TVs idem, e via satélite nem se fala. Para definição do segmento empresarial não importa se a empresa faz uso intensivo de tecnologia, mas de onde vem o principal da sua receita. O Facebook é uma empresa da nova mídia, nova perto de 2004, quando surgiu, velha perto da mídia de daqui a pouquinho.

O Facebook está fazendo experiências para cobrar coisas do usuário - por exemplo, cobrar dois dólares para que sua mensagem apareça com mais visibilidade para seus amigos. Ou cobrar empresas para que as marcas paguem um pouco por cada Fã, para atingir esses usuários com campanhas de marketing 75% do tempo.

Se for por este caminho, o Facebook arrisca fuga em massa. A promessa feita na sua home sempre foi: é gratuito e sempre será. Mas depender só de publicidade é um risco e tanto. Principalmente quando as empresas perceberem quão pouco vale um milhão de Curtir. O Facebook pode ter 800 milhões de usuários, e valer no dia de hoje 100 bilhões na bolsa, mas faturou US$ 3,7 bilhões ano passado. É dinheiro de cachaça.

Terceiro: o Facebook quer ser o lugar onde as pessoas passam a maior parte de sua vida online, sem precisar sair para nada. É o mesmo objetivo da Apple, do Google, Amazon, Microsoft, Sony, e de mais uma meia dúzia de empresas infinitamente mais poderosas que o Facebook, que se digladiam para terem o cercadinho mais bem feito. Briga de cachorro grande é pouco. Tá mais pra rinha. Todas estas empresas empregam gênios aos montes. À frente delas estão gente como Tim Cook, Sergey Brin, Jeff Bezos, Steve Ballmer e Kaz Hirai. Perto deles, Zuckerberg e Sandberg são bebês nas fraldas.

O Facebook gera valor de fato na vida de seus usuários. Essa é a razão porque se aproxima de um bilhão de usuários - isso, e porque é grátis. Mas hoje enfrenta o que nunca antes teve de enfrentar: redes sociais segmentadas, e a explosão dos dispositivos móveis, área em que faz feio.

E pepino principal: cada um de seus usuários gera pouquíssima receita para o Facebook. Não é problema para eles. É problema para quem comprar as ações do Facebook hoje. E pode ser tornar um problemão se o Facebook, que nasceu como uma festinha animada de faculdade e hoje verga sob o peso das massas indistintas, seguir o caminho lógico de tudo que é bom: durar pouco.

Veja as imagens do Facebook na Bolsa dos EUA

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Publicado em 20/04/2012 às 06:00

Meu dia de repórter de TV

Eu jamais quis trabalhar em televisão. Nunca passou pela minha cabeça.

Me lembro de Astrid Fontenelle sugerindo que eu fizesse teste para a primeira turma de VJs da MTV, 1991? Agradeci mas no, thanks. Fiz algumas aparições, como comentarista disso e daquilo, ou em painéis. Um ano e pouco atrás, passei uma temporada participando semanalmente do NBlogs, na Record News.

Não é desinteresse. TV é poder. Não é vergonha. Sou o cara mais sem vergonha do mundo na frente de uma câmera. Também não tenho a menor idéia do que vou fazendo. Vou falando, até demais, e vamo que vamo. Foi falta de convite que fizesse sentido para mim, e falta de energia da minha parte para correr atrás. Não tenho nada contra aparecer, mas não tenho vocação de repórter, boniteza de apresentador, e no final gosto mesmo é de escrever. Em breve, quando este blog estrear seu novo design, vou fazer mais vídeos. Pelo menos um por semana. Naquele esquema deixa que eu chuto.

Minha estréia como repórter de vídeo foi no ano passado. Na cobertura da E3, o maior evento de games do mundo, em Los Angeles. Eu já tinha feito muito vídeo de lá. Mas em 2011 foram mais de trinta, sempre eu falando, eu mostrando, eu entrevistando esse e aquele. No final dos quatro dias estava rouquinho da silva. Tudo para nosso site.

Mas nunca tinha feito algo como isso aí embaixo. Foi duas semanas atrás, no GameWorld 2012, evento promovido pela empresa que dirijo, a Tambor.

Comecei dando uma de repórter pro R7. Vê a cara de pau do picareta vendendo seu peixe, depois dos nossos comerciais:

[r7video]

Tivemos no GameWorld um convidado especialíssimo, Yoshitaka Amano.

Admiro Amano e fiz questão de fazer a entrevista pessoalmente. Foram 34 minutos de papo, intermediados pela tradutora, e bravamente registrados pelo colega Renato Almeida. Uma versão com introdução, começo, meio, fim e resumida será publicada na próxima edição da revista EGW. A íntegra está aqui. Prometo nunca mais fazer um vídeo de meia hora, mas neste caso não pude resistir, e não resisto a compartilhar.

GameWorld 2012 - Entrevista com Yoshitaka Amano por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 16/04/2012 às 06:00

Minhas regrinhas para o Facebook

facebook m 20110920 Minhas regrinhas para o Facebook

Eu sou fácil de achar. Estou no Twitter: @forastieri. E estou no Facebook: André Forastieri. Minha política: como Roberto Carlos, eu quero ter um milhão de amigos. Não fico tentando aumentar o número de amigos (2270) artificialmente, nem comentando tudo, ou fazendo palhaçada pra gerar polêmica boba.

Faço parte de dois grupos: a comuna Bizz, de gente que é doida por música, onde saem uns papos interessantes e bizarros, e o Boteco Gamer, mais sério, de gente que trabalha com games. E fim. Se um ou outro for seu caso e quiseres aparecer por lá, dá um oi.

Agora, tenho umas regrinhas para o Facebook:

- eu não aceito amigo Pessoa Jurídica.
- eu não aceito amigo que a foto é em branco, ou meio macabra.
- eu não quero ser incluído em grupo à revelia, fazendo o favor.
- eu não jogo no Facebook, não me convide.
- aliás, pense muito bem antes de me convidar. Eu já fui na sua balada? Nunca. Porque iria depois de cinquenta convites?
- eu não uso BranchOut e cia. Aplicativo no FB que eu uso de verdade, só o do Guardian.
- eu não cutuco de volta. Acho meio sexual esse negócio de cutucada.
- eu não posso bater papo a qualquer momento do dia, não se chateie se eu der uns tchaus meio bruscos
- eu não curto Pessoa Jurídica, a não ser que eu curta MESMO. Não insista.

Não sou antisocial. Sou bem sociável. Mas a vida social tem que ter regras. O amigo agradece a compreensão.

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Publicado em 12/04/2012 às 19:59

Vídeo mostra fábrica de iPads (trabalho chato, pouca grana)

Você já viu aqueles anúncios incríveis da Apple, que mostram como o iPad é demais, certo?

E é mesmo. Não é perfeito, como alguns fãs babões defendem, mas certamente é muito legal.

Dá pra viver sem. Eu não tenho tablet. Já passo tempo demais olhando tela. Vou evitar enquanto der.

Outra boa razão: o vídeo abaixo. Ele mostra a linha de montagem da Foxconn na China, empresa que fabrica os iPads, sob encomenda da Apple.

Parece o trabalho mais chato do mundo.

E paga R$ 26,00 por dia.

A Foxconn vai se instalar em Jundiaí, aqui do lado de São Paulo. Espero que pague melhor os brasileiros.

Imagino que meu celular Android não tenha sido construído de maneira muito diferente.

Muito menos meu querido Mac Air.

Mas que dá bode, dá.

Inside Foxconn - Veja como é feito o iPad por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 20/03/2012 às 06:00

Google: grande demais para quebrar (e para existir)

Fez sucesso anos atrás um livro chamado Too Big To Fail. A expressão americana diz respeito a empresas tão grandes, que os governos não podem permitir suas falências - o estrago social seria monstruoso.

Frequentemente, se aplica a bancos. Por mais falcatruas cometidas, melhor enfiar dinheiro público lá que deixar quebrar e prejudicar milhões e milhões de correntistas e poupadores.

Político, naturalmente, sempre acha uma desculpa para entuxar nossa grana em cofres privados, sob essa e aquela justificativa.

No Brasil, mais de um terço do PIB nós pagamos de imposto, e temos pouquíssimo controle como o dinheiro é gasto. Mas é parecido em todo lugar.

Um caso recente e espetacular nos EUA foi o bilionário desfibrilador que a administração Obama aplicou na moribunda indústria automobilística americana. Os resultados ainda são duvidosos.

Que empresa você acha que é grande demais para quebrar? Com que produto, de que marca, você não consegue imaginar ficar sem? Pense um segundinho.

Desconfio que uma parte muito grande de nós responderia: Google.

sede google ok Google: grande demais para quebrar (e para existir)

Como fazer sentido de uma internet sem os poderes mágicos de busca do Google? Sem Google Maps, YouTube, Gmail?

O Google é grande demais para quebrar, com certeza.

Mais que isso: talvez esteja ficando grande demais para existir. Talvez seja hora do Google ser dividido.

O que não pode ser feito pelo mercado, só por interferência direta do governo do País onde a empresa tem sede, os EUA.

Em 2011, o faturamento total do Google foi de US$ 37,9 bilhões. A receita total de publicidade de TODOS os jornais dos Estados Unidos foi de US$ 24 bilhões - menos da metade do que foi em 2005. Por quê?

Principalmente porque o Google capturou a maior parte dos investimentos em classificados.

E o valor de mercado do Google em ações? É de US$ 200 bilhões.

Se a empresa vira pó amanhã, destrói pedaço considerável da economia americana, da internet mundial e das vidas de cada um de nós que usa os serviços do Google.

Outro exemplo assustador: a Apple, a empresa de maior valor de mercado do planeta. São R$ 550 bilhões.

Se um terrorista joga um avião na sede da Apple em Cupertino, e mata todos os gênios que trabalham lá, o que acontece?

sede apple Google: grande demais para quebrar (e para existir)Vale a pena correr o risco?

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Publicado em 01/02/2012 às 07:34

Como trabalhar de graça e ganhar com isso (te conto na Campus Party)

free Como trabalhar de graça e ganhar com isso (te conto na Campus Party)

É um dos enigmas de nosso tempo: a tecnologia em geral e a internet em particular acostumou todos nós a acessar conteúdo de graça. Está tudo lá, ao alcance de quem teclar. Ninguém quer pagar nada por livro, música, cinema, jornalismo. Mas vai mais longe. Ferramentas digitais ajudam todo mundo a comprar mais e mais barato todo tipo de produto, de alface orgânica a armário para o bebê.

Ótimo para quem compra, péssimo para quem vende. As margens de lucro vão sendo espremidas, e os empregos terceirizados para cada vez mais longe. Sugira que alguém deve pagar por música, filme ou jornalismo, e só falta os mais jovens te cuspirem na cara. Sugira que estes mesmos jovens trabalhem de graça, e serás chamado de porco capitalista.

Esses tempos atrás, eu li sobre a debandada da indústria têxtil da China. É, os salários chineses subiram um pouco nos últimos anos, as empresas estão indo para lugares onde os salários são mais desgraçados, Miyamar, Laos e por aí vai. Tá pensando que é para fabricar porcaria?

Estas fábricas produzem roupas com algumas das grifes mais famosas do Ocidente. A mocinha compra a blusa pensando em Paris e Milão, mas ela foi fabricada por uma garota do Laos de dezoito anos, que trabalha 14 horas por dia...

Tá, é drama bem mais explícito para proletários asiáticos do que para o brasileiro que quer viver de conteúdo. Mas pega mesmo assim. Tenho um amigo que dirige uma das maiores revistas do país. Sabe que o futuro já chegou e se instalou e quer fazer parte dele.

Mas quando eu conto como é o mundo digital, ele gela. Como sobreviver? Como exercer sua profissão? E o que garante que o modelo de negócio e trabalho que funciona hoje vai ser viável no ano, no mês que vem?

Donde que apareceu este tema para a próxima Campus Party. Quatro caras que têm o que dizer sobre o assunto, e respeitáveis currículos para bancar seus pitacos. E seu amigo aqui, convocado para moderar o papo, ou melhor, provocar debates e aumentar a temperatura ao talo.

Serão 45 minutos no mínimo interessantes - resuminho oficial abaixo. Se vais ao Campus Party, está convidado. Te espero no dia 10/2, das 15h15 às 16h45, no Anhembi Parque!

A CULTURA DO GRÁTIS E DO FREEMIUM TRABALHANDO A SEU FAVOR

Um mundo free representa um apelo enorme para os usuários, mas um enorme desafio para quem quer viver da internet. Uma discussão sobre os modelos, oportunidades e ideias (que vão além da publicidade) para resolver essa questão!

Debatedores

Caique Severo

Jornalista com formação em administração e marketing, trabalha com internet desde 1993. Participou da criação de alguns dos principais portais brasileiros, como Brasil Online, Zaz e Terra. Desde 2007 é um dos responsáveis pelo portal iG.

Jonny Ken Itaya

Responsável pelo Migre.me, um dos principais aplicativos para Twitter no Brasil. Trabalha com informática desde 97. Já trabalhou com edição de fotos, animações flash, administração de redes e programação. Também participa do Decodificando, podcast que fala de aplicação das leis sobre as novas tecnologias, é colunista do Techtudo e blogueiro no Infopod.

Daniel Wjuniski

CEO e co-fundador do Minha Vida. Também é sócio e participou da criação do Portal iCarros junto com os fundadores da WebMotors e do Banco Itáu. Foi selecionado pela Endeavor em 2009. Em 2011 foi vencedor do prêmio Empreendedor do Ano - E&Y, na categoria Emerging e do Prêmio Empreendedor de Sucesso da revista Pequenas Empresas Grandes negócios.

Alexandre Canatella

Empreendedor nato, apontado pelo revista Próxxima como uma das personalidades pioneiras da internet brasileira, co-fundador de CyberCook, CyberDiet e VilaMulher. sobrevivente da bolha de internet com o modelo de freemium no ano de 2000 com o lançamento de um serviço de dietas online. Palestrante e debatedor nos principais eventos e conferências do mercado online, escreve para ResultsOn e INFO. Ganhador do Prêmio iBest, ABANET e Prêmio ""Hermann Gmeiner"" de Responsabilidade Social.

André Forastieri (mediador)

Diretor de conteúdo do portal social Bubot e da Tambor Digital, agência de conteúdo e marketing especializada em games. Jornalista desde 1988, passou pela Folha e revistas Bizz e SET; fundou e dirigiu durante doze anos a Conrad Editora, especializada em quadrinhos e livros; foi diretor editorial da revista PC Magazine. Escreve sobre cultura, comportamento e tecnologia em seu blog, no portal R7.

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Publicado em 10/01/2012 às 08:31

Como fazer um jornal de sucesso em 2012: muito além da receita de bolo

Papo recorrente entre jornalista: pra onde vai esse negócio? É corte de profissional para cá, fechamento de jornal pra lá, é um portal cortando, é tudo que é empresa de mídia despencando de valor pro mundo afora.

Sempre repito o mesmo: trabalho produzindo conteúdo não há de faltar, que agora toda empresa quer ter sua revista customizada, seu site pra falar com o consumidor final, a newsletter, o twitter, o videozinho.

As maiores empresas de relações públicas já têm equipes do tamanho de um grande jornal ou revista. Pô. Assessoria de imprensa, e geração de buchicho, é cada vez mais importante. A gente sabe fazer essas paradas. Vai ter trabalho pros véio e pros moço. Relax, man.

Dá pra chamar conteudista de jornalista? E página no Facebook de mídia? Outra história. Desconfio que os formatos que vão prosperar nos próximos anos serão tão diferentes do que chamamos hoje de jornalismo, que nem sei se dá pra gente, da velha guarda, ficar muito otimista.

Dito isso, continuo fuçando, que uma hora o ovo para em pé, e se quebrar, fazemos uma omelete. Nesta virada do ano, esbarrei com duas notícias que dão um alento para os preocupados com o futuro do jornalismo.

A primeira é uma receita de bolo, de um dos poucos caras que tem conseguido virar o jogo e fazer seus jornais crescerem em audiência e lucro. É John Paton, 54, diretor da segunda maior cadeia de jornais regionais dos Estados Unidos, a JRC.

Veja Paton em vídeo aqui

Para quem está com preguiça, e quem não está?, o resuminho:

1. Priorize o conteúdo digital, não o jornal impresso.

2. Terceirize tudo que não for criar conteúdo, e vender a audiência para os anunciantes.

3. Pare de ouvir os velhos profissionais do jornal. Bote tudo na mão da turma digital. E deixe eles mandarem em você.

4. Se os jornalistas não aceitam a mudança, se livre deles.

5. Jamais dê anúncio no site como bônus dos anúncios no jornal impresso. Aprenda a espremer cada centavo da operação digital.

6. Corte redundância - não deixe ninguém reescrever press release, ou cozinhar matéria comprada de outra fonte. Bote sua equipe na rua, para gerar conteúdo original. Os jornais de Paton têm 40% conteúdo local original, 60% licenciados de outras fontes e publicados sem modificação.

7. Converta seu público em parceiros, publicando conteúdo gerado pelos usuários.

8. Use ferramentas grátis da web.

9. Comunique direito o que você está querendo fazer. Use as ferramentas da web. Se o diretor do jornal não tem tempo para twittar, não está fazendo seu trabalho direito.

Todos são conselhos ponderados e razoáveis, e estão tendo efeito na empresa que Paton dirige. É bom e pouco. Nosso consumo de conteúdo em 2012 já é bem bagunçado, e o futuro parece bem doidão para estas iniciativas darem conta.

Minha aposta é na desintermediação. Acredito que cada um de nós determinará a cada minuto o que fará parte de seu cardápio de conteúdo, seja de entretenimento, jornalismo, ou serviço. E acredito na multiplicação das formas como este conteúdo chegará até nós. Relógio de Dick Tracy, microtela direto na retina, chip no cérebro, aí vou eu!

Mas as soluções não precisam necessariamente ser super high tech. Veja um exemplo legal e fofo, a Little Printer. É uma impressorinha simpática que imprime na sua casa um jornalzinho, só com informação que interessa para você.

Vai ser um megasucesso? Vai ser um frouxo fracasso? Saberemos este ano, mas isso não é o mais importante. O fundamental sobre a Little Printer é que ela abre nossa cabeça.

2012 é um bom ano para pensar em soluções autenticamente novas, em vez de tentar tirar ainda mais leite de cada vez menos pedra.

Hello Little Printer available 2012 by BERG por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 10/11/2011 às 11:27

Por que eu sou importante

22.845 pessoas leram meu texto sobre a militarização da administração pública em São Paulo, usando o gancho da invasão e desocupação à força da reitoria da USP.

O principal colunista do maior jornal do país não sabe quantas pessoas leram seu artigo de anteontem. Mas eu sei quantas me leem e sei que desta vez foi mais que o habitual.

Sei mais. Sei quantos acessaram meu texto através do Bubot, ferramenta que uso para compartilhar o link dos meus textos no Facebook e Twitter: 6581 pessoas.

Com o Bubot, consigo acompanhar a velocidade com que este compartilhamento acontece, minuto a minuto, se quiser, se for tão ansioso.

Sei também quem compartilhou o texto com seus próprios seguidores no Twitter. Quem comentou sobre ele nas redes sociais, quem pitacou o quê e, claro, quem comentou aqui no próprio blog.

Está tudo registrado e dei uma olhada panorâmica. Das pessoas que expressaram sua opinião sobre o que escrevi, sei quem aplaudiu, quem discordou com fortes ou fracos argumentos, e quem simplesmente é um idiota.

Como o texto chegou a tanta gente tão rápido? Parte pela força do R7, que destacou o texto em sua homepage, e twittou o link.

Parte pela minha própria importância. Porque, um pouco de propósito e um pouco por acaso, fui criando minha própria rede de relacionamentos na web.

Não segui nenhum manual de como influenciar pessoas na web. Não escolhi um tema pra ficar batendo. Não planejei estrategicamente ser um influenciador.

Tenho hoje 8.379 seguidores no Twitter e 1.774 amigos no Facebook, uma rede de mais de dez mil pessoas. Não é tanto quanto uma celebridade, não é a média das pessoas.

Razoável, porque não sou celebridade, e não estou na média. Como eu sei que não estou na média? Uma nova engenhoca chamada Schmap me contou.

Em segundos, ela analisa seu perfil no Twitter, e diz quem são seus seguidores. Como? Com algoritmos (uns endiabrados duendes digitais). O relatório abaixo fiz hoje, mas diz respeito ao dia 11 de novembro.

O Schmap é impressionante, mas não entrega os dados do dia. Tem limite pra tudo.

Os meus seguidores, em resumo:

91,2% estão no Brasil, 4,2% nos Estados Unidos 53,9% em São Paulo, 10,4% no Rio 57,8% homens 69,1% falam inglês 39,5% twitam de uma a cinco vezes por dia.

As profissões:

357 jornalistas
195 músicos
183 estudantes
95 executivos sênior
85 professores
82 executivos de marketing
71 consultores
67 escritores
50 desenvolvedores de internet
49 empreendedores
45 designers
45 designers gráficos
43 trabalham com produção de mídia
37 artistas
34 engenheiros
30 investidores
30 trabalham na área de saúde
29 atores
20 DJs
20 fotógrafos

E por aí vai, até chegar em cientistas e modelos (oito de cada!).

Faria sentido que no Facebook o perfil dos meus amigos seja semelhante, talvez com presença ainda maior de jornalistas e profissionais de comunicação em geral, porque, claro, é isso que eu faço.

E tem cabimento imaginar que os meus leitores fiéis do blog sejam até mais influenciadores.

Não sou colunista de fofocas da TV, futebol, inovação ou finanças pessoais. Ninguém sabe se no dia seguinte vou escrever sobre uma música, a padaria da esquina, ou a crise do capitalismo. Muito menos eu.

Fica difícil manter fidelidade a um cara que atira pra todo lado, dia sim dia não. Mas foi o que aconteceu. Talvez seja porque eu mantenho todo dia pelo menos uma coisa: a disposição de não escrever nada que você possa ler em outro lugar.

Minha situação ilustra perfeitamente a nova expressão chave dos teóricos da internet. O coração da nova vida digital não é o Facebook, o Twitter, o Flickr, o Linkedin, o Orkut, o YouTube, o seu blog ou suas mensagens de texto ou seus emails: VOCÊ é a plataforma.

Então, quando eu tenho algo a dizer, minha voz chega longe. Porque as pessoas com quem me relaciono na internet também têm algo a dizer, e juntas nossas vozes falam muito alto.

Tudo isso para defender uns moleques irresponsáveis? Não. Não me importa o que eles defendiam e eles não precisam da minha defesa. O outro lado é que precisa de ataque.

megafone Por que eu sou importante

Governantes que usam cinicamente nossa falta de segurança, nossos preconceitos e nossa ignorância para posarem de machões, disciplinadores e protetores da população, precisam ser enfrentados ou, pelo menos, avacalhados.

O texto de Paulo Moreira Leite, ontem, no site da Época, revela que durante o dia, mudou a postura do governador Geraldo Alckmin quanto aos estudantes da USP.

De manhã cedo, na hora da reintegração, os delegados pegavam leve. Mais tarde, chegaram ordens para fazer dos meninos um exemplo, fianças altas, acusação de destruição de patrimônio público, formação de quadrilha etc.

Por quê? Porque a assessoria do governador percebeu que a população estava querendo ver a caveira da molecada. Onde? Nas redes sociais. Mais tarde, a polícia aliviou de novo.

Imagino que isso tenha sido ordenado porque no meio da tarde a maré na internet virou. Gosto de pensar que ajudei um pouco. Me engana que eu gosto!

Com todas essas novidades tecnológicas, algumas coisas permanecem bem iguais. Com todo este arsenal digital à minha disposição, no final contou bastante minha experiência de escrever algo diferente das outras pessoas, e publicar na hora que todo mundo estava falando deste assunto. Porque o arsenal digital todo mundo tem, ou pode ter.

Se eu fosse mais um xingando os estudantes da USP de baderneiros mimados, não teria um décimo da leitura e repercussão. A escassez gera valor. A temperatura também.

Publicasse o mesmo texto hoje, quando a rapaziada lá já foi presa e solta, e também não teria um décimo da leitura e repercussão.

E também contam para repercussão, a força e originalidade dos argumentos, apuração pelo menos aceitável, uma certa leveza para tratar de assuntos pesados, e uma boa dose de agressividade para lanhar quem merece umas lambadas.

Chega de tapinhas nas próprias costas, né? Não é isso. Me uso de exemplo para ilustrar o poder de influenciar, de impactar no debate público, de revelar novidades, de arregimentar aliados e incomodar inimigos, que todo mundo tem e pouca gente usa.

As ferramentas estão aí. Podemos usá-las para espalhar mais uma piadinha repercutindo o que vimos na TV ontem à noite. Para compartilhar uma linda canção ou uma preocupação, para desabafar ou protestar.

E - principal - para ser mais um, ou para ser único. Eu sou importante. Você é importante. Vamos agir de acordo.

red megaphone Por que eu sou importante

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Publicado em 28/10/2011 às 10:29

Sua vida no futuro próximo – agora, sem problemas

Se você fica encantado, entediado ou horrorizado com a visão de futuro do vídeo abaixo, não estranhe. Eu também fico. As três coisas ao mesmo tempo. Tem um delicioso sabor artificial de Jetsons. Tem uma faceta mundinho-certinho-chatinho-business-de-americano.

E tem uma apavorante dimensão Huxleyana, tipo big brother venceu e somos nós mesmos; tá todo mundo tão calminho nesse mundo do futuro que desconfio do uso de Soma, a droga legalizada que amenizava as angústias dos cidadãos do Admirável Mundo Novo.

O vídeo foi produzido pela divisão Office da Microsoft, então era de se esperar a ênfase em produtividade e negócios, e em vender o peixe da empresa. Algumas coisas sugerem algum sucessor do sensacional Kinect, a câmera que controla via movimentos o Xbox 360. As interfaces de tablets e celulares lembra o novo design com pinta de azulejo do sistema Windows Phone (que está bonitinho e funcional de fazer inveja à Apple).

Mais para o fim, chega de tanto trabalhar, e inevitavelmente vemos um trecho que mostra como as futuras tecnologias ajudarão a harmonizar trabalho e vida pessoal. E podem fazer isso mesmo. Podem zoar com tudo também, embaralhar trampos e prazos e filhos e amores num labirinto que nem Teseu venceria. O que, aliás, já acontece.

Tecnologia, claro, é ferramenta. Você pode usar um martelo pra fazer uma casinha de madeira para o seu filho brincar, ou esmigalhar os miolos do vizinho. E antes de construirmos ferramentas temos que imaginá-las. O que é trabalho de imaginação, de ficção, que é o que este vídeo é: um pedacinho de ficção científica, que se passa uns poucos anos no futuro, e nos ajuda a parametrizar nosso pensamento. A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo...

Não tem nada de improvável nesta visão de nossa vida que vem por aí. Não duvido que veremos todas as inovações apresentadas no vídeo, e mais, e antes do que imaginamos. Duvido é da ausência de problemas doloridos.

Dessa harmonia toda, das calçadas impecáveis, dos escritórios tranquilos, da cozinha toda esterilizada. Cadê o sangue, o suor, as lágrimas, a meleca? Como cravou William Gibson, a rua encontra seus próprios usos para a tecnologia (acabo de assistir outro vídeo, bem diferente, gerado ao vivo pela turma que Ocupa Wall Street). Felizmente, a tecnologia falha, empaca, embatuca, dá problema. É, por falta de palavra melhor, humana.

Productivity Future Vision - (2011) por perolasblogs no Videolog.tv.

Publicado em 20/09/2011 às 12:27

O maior site pornô do mundo

forasta 1 O maior site pornô do mundo

CONVERSAS AO VIVO EM DIRECTO COM ESPECIALISTAS

Faça novas amizades, obtenha conselhos de especialistas e talentos. Converse sobre temas interessantes, aprenda, pratique ou apenas divirta-se! Quer esteja à procura de pessoas inteligentes, cultas, carinhosas ou divertidas, você irá encontrá-las em LiveJasmin! É uma oportunidade a não perder.

Ogi Ogas e Sai Gaddam são neurocientistas. Escreveram A Billion Wicked Thoughts. É a maior análise de comportamento sexual da história, segundo os próprios. Não entrevistaram seu vizinho nem visitaram bordeis. Simplesmente analisaram toda a informação sobre sexo disponível na internet,  uma cordilheira de dados.  Chegaram a zilhões de conclusões algumas surpreendentes, outras esperadas - por exemplo, homens preferem mulheres acima do peso do que abaixo. Vale a pena fuçar o site deles, e quem sabe enfrentar o livrão. Veja aqui.

Embatuquei com uma parte específica do estudo. Trata de pornografia na internet. Primeiro, como faz para medir a quantidade de pornografia na rede? Os pesquisadores escolheram dois parâmetros. Da lista de um milhão de sites com maior audiência do mundo em 2010, quantos são pornôs? 42.337, pouco mais de 4% do total.

E das buscas realizadas na web, quantas são por conteúdo erótico? Mais ou menos 13%. Claro que muita atividade sexual acontece fora de sites propriamente pornográficos - em salas de bate-papo, por exemplo. Mas para identificar pornografia mesmo - quer dizer, com imagens, foto ou vídeo  - os dois critérios parecem eficientes.

E qual o site pornográfico mais popular do planeta? Deve ser um com vídeos da pesada, em full HD, com as maiores e mais protuberantes estrelas do mundo pornô, e de graça, certo? Errado.

É o Livejasmin, um site em que você pode entrar, ver uma moça/moço tirar a roupa ao vivo na frente de uma câmera, e se comunicar com a pessoa do outro lado da tela. Tipo, tire isso, faça aquilo, divirta-se com esse e aquele brinquedinho etc. Tem pessoas solo, casais, lésbicas, gays, todas as cores e variedades e atividades imaginárias.

O LiveJasmin é parte grátis, para atrair bastante gente, e a principal parte pago. É o modelo conhecido no mundo digital como freemium, onde você atrai muita gente com conteúdo / serviço grátis, e converte uma pequena fatia que banca tudo e ainda garante o lucro da operação.

No caso do LiveJasmin, é ainda mais afinado com estes tempos de internet, porque é baseado em UGC, user-generated content, conteúdo gerado pelo usuário, ao vivo, e com muito rala-rala. Tem versão pra celular também.

forasta 2 O maior site pornô do mundo
Não enfrentarei as 416 páginas de A Billion Wicked Thoughts. A vida é curta e os dias, longos. Mas intuo que aprendi algumas coisas sobre a internet, a natureza humana e o estado das coisas, durante meus minutos no Livejasmin.

Em um esforço de reportagem, dei uma perambulada pelo portal. Está disponível em 19 línguas, inclusive português. Fui enviado para a versão em português de Portugal, oferecendo mancebos e raparigas, lésbicas,  transexuais.

Achei menos indecente optar por Mulher Madura, alguém da minha idade, e fui desviado para a seção, onde pode-se escolher entre "avosinha", "mamã", "depiladas", etc. Tem um teaser, um videozinho para te animar a ir em frente, e o próximo passo é ir para o bate-papo, coletivo ou, se quiseres atenção individual, pago. Mas as mulheres não eram maduras, estavam mais passadas. Fui zanzar pelo site.

De um lado é estranho a naturalidade com que as pessoas se expõem. Do outro, dá para entender o prazer que a geração videogame tem de comandar as ações dos atores do Livejasmin (é isso que eles são, atores). É como comandar seu avatar em um desses mundos virtuais.

Aperta um botão e a moça baixa a calcinha, zup. Fascinantes os diálogos entre usuários e performers, cheios de palavrões, carinhos, inglês tosco, uma orgia internacionalista, e cada um no aconchego do seu lar.

A área com casais tinha gente apresentável, atraente, comum. Nada de bombadões e turbinadas de reality show brasileiro, normalidade que é parte integral do apelo do Livejasmin. O à vontade das duplas sugere que muitas devem ser casais mesmo. Fiquei voyeurando uma narigudinha de olhos muito azuis, falsa loira, vestindo só lingerie, entediada na frente da webcam, sem homem por perto.

Pensava em fazer uma entrevistinha. Na hora H, bem, nunca tive problemas com dar o número do cartão de crédito na internet, e duvido que tivesse algum pepino com o Livejasmin, mas - ridículo - bateu constrangimento de engatar um papo virtual com a gringa, húngara, russa?

O Livejasmin tem 32 milhões de usuários mensais. É 2,5% do total de usuários da internet no mundo. Muito, em números absolutos, pouquíssimo, se você considerar que é o destino pornô número 1 da internet. É apenas o 47º site mais popular do mundo, segundo o Alexa.com.

Mas é boa fonte de receita para milhares de pessoas pelo mundo afora, que no aconchego do seu lar se exibem para estranhos em outros continentes e recebem sua parte da graninha (claro que boa parte fica com a AWEmpire, empresa que é dona do Livejasmin). Certamente mais seguro que trabalhar se exibindo de verdade, ou transando de verdade por dinheiro.

Não vi ninguém obviamente brasileiro, mas deve ter. Se você está se animando, saiba que o dinheiro é curto, entre US$ 8 e US$ 15 dólares por hora, uns R$ 25 no máximo. É por isso que a maioria dos que se exibem por lá são gente do leste europeu, Ásia, América Latina etc., lugares onde mil dólares por mês ainda é graninha razoável.

Aprendi várias coisas no meu seguro passeio virtual pelo lado selvagem. Faltou uma importante. Certo que uma rosa chamada por qualquer outro nome continua tendo o mesmo perfume.  Mas quem foi o gênio que batizou o maior site pornô do mundo com um nome delicado como Jasmim Vivo?

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Publicado em 09/08/2011 às 10:48

Celular ou sexo? (ou: Como fazer a vida passar mais devagar)

beijo celular Celular ou sexo? (ou: Como fazer a vida passar mais devagar)

Você não tem tempo pra nada? Não tempo para estudar uma língua, voltar para a academia, curtir mais seus filhos, visitar mais seus pais, aprender marcenaria, começar a cozinhar, passar fio dental depois de escovar os dentes, passear no parque, ter um amor?

A solução é simples. Desligue. Desligue a televisão, como vi recomendado outro dia aqui mesmo no R7.

Desligue o computador, o que os amigos aqui da casa provavelmente não indicariam. E agora, desligue o celular. Ou pelo menos dois dos três, vá. Ah, estás proibida de sair para comprar qualquer coisa. Bom proveito curtindo (?) a vida. Parece torturante, né? Vamos reconhecer: nós não queremos mais tempo.

O que queremos de verdade é o que fazemos de verdade, e principalmente fazer várias coisas ao mesmo tempo, e não nos concentrar em nenhuma. Estamos todos desesperados o tempo todo por... distração.

Não sou dos mais dependentes de telinhas e telonas. Vejo pouquíssima TV, não tenho tablet e quase só uso celular para telefonar - quando uso. Passo de vez em quando uns dias sem o celular, e sem nenhuma ansiedade.

Sou alienígena. No mundo todo, celular é a nova chupeta, o novo cigarro, o novo vício que ninguém consegue largar. Um recentíssimo estudo nos Estados Unidos sobre uso de celular concluiu o seguinte:

- 55% dos americanos preferem ficar sem café, 63% preferem ficar sem chocolate e 70% preferem ficar álcool, do que ficar sem celular;

- um em cada cinco prefere passar uma semana sem sapato que sem celular;

- 22% prefere ficar uma semana longe do amado/amada, que uma semana sem celular;

- e finalmente, um terço dos pesquisados prefere ficar uma semana sem sexo, que uma semana sem celular;

Bando de malucos? É. Mas não vou ser eu a fazer gozação com os gringos. Reconheço: não vivo de segunda a sexta sem computador. Se eu realmente quisesse dominar a esgrima, o kama sutra e a culinária vietnamita, achava hora.

Na real, fora todo o tempo que passo trabalhando, ainda reservo bons minutinhos diários surfando velhos videoclipes no YouTube, checando o que os amigos estão fofocando no Facebook e conferindo o que está dando assunto no Twitter.

Tudo com a desculpa de estar pesquisando para este blog, tudo por ti, honrado leitor, amada leitora. Só depois das dez da noite e no fim-de-semana é que desconecto geral, minha pequena conquista pessoal. A vida no século 21 é, e será cada vez mais, a vida que vivemos através de telinhas, fazendo tudo ao mesmo tempo.

É animado e faz a vida passar bem rápido. Mas entretenimento não é cultura e distração não é paixão. Os maiores prazeres da vida ainda estão no mundo offline. E estes exigem que nos permitamos o tempo necessário para fruí-los - como o café, o chocolate, o vinho e o amor.

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