Posts com a categoria: Televisão

Publicado em 06/10/2014 às 15:53

O mundo que Twin Peaks criou

cooper O mundo que Twin Peaks criou

O agente Dale Cooper

A fita VHS passava de mão em mão. Preciosa, vinha de longe - Los Angeles. Uma fita a cada duas, três semanas, um mês, como demora! E quanto mais perto do fim, maior o tempo entre elas.

Era assim na nossa redação em 1991. Ana Maria Bahiana, nossa correspondente, programava o videocassete de seu apê em Century City, Los Angeles. As fitas vinham para São Paulo pelo malote da Editora Azul. Endereçadas para o diretor de redação das revistas Bizz e Set, de música e de cinema, José Augusto Lemos. Meu chefe. Que assistia rápido e me repassava, fazendo suspense.

Eu via rápido com namorada e amigos, dia de pizza e cerveja e muito debate. Que diabo a gente acabou de ver? E no dia seguinte eu já repassava para outro colega de redação. Queríamos que todos vissem logo, pra gente poder comentar. Cara, viu o anão que fala ao contrário? A mulher que carrega o tronco? A mina dando um nó no cabinho da cereja com a língua? E quem matou Laura Palmer?

Era Twin Peaks. A série que criou o mundo das séries. A gente não sabia disso na época. E jamais imaginaríamos. Porque era uma série era muito doida e muito careta e muito anos 50 e muito do futuro, tudo ao mesmo tempo. Mas foi a matriz do que vinha. Porque Twin Peaks, sem dar audiência gigantesca, dava muito assunto, gerava debates, dividia, conquistava. Fenômeno pop, capa da Rolling Stone. Que loucura. Que mulheres lindas.

twinforasta O mundo que Twin Peaks criou

Twin Peaks não tinha audiência, tinha fãs. Nós queríamos comprar camisetas e canecas e badulaques em geral. Deu um lucrão. É o modelinho perseguido por todas as séries de hoje. Contar uma longa história aos pedaços, com personagens marcantes, mistérios & surpresas, sex-appeal. Causar, marketear, licenciar, faturar. Boxixo é o sangue nas veias da web, que nem existia em 1991.

Twin Peaks implodiu logo. Era estranha demais para ser o que podia ter sido. A segunda temporada fez água; veio um longa metragem; tudo desnecessário. Pioneiros frequentemente quebram a cara. Quem vem depois vê mais longe, porque nos ombros de gigantes. O que veio depois foi Arquivo X, exato filhote de Twin Peaks com Além da Imaginação. O protagonista de Twin Peaks, Agente Cooper, era um cético agente do FBI que, obrigado a eliminar o provável, passa a aceitar o impossível como a única explicação. É Fox Mulder e Dana Scully encapsulados. Arquivo X pegou o começo da web de massa. Dá dinheiro à beça até hoje.

Um quarto de século passa tão rápido que dá tontura. Os produtores de Twin Peaks prometem uma continuação para 2016, no canal Showtime, só nove episódios, todos escritos pela dupla original, o diretor David Lynch e o produtor Mark Frost. Lynch dirigirá todos. O teaser está abaixo. O que esperar? Difícil surpreender uma geração que cresceu com os seriados que beberam em Twin Peaks e depois Arquivo X. A minha safra comemora a curta duração da nova série e cruza os dedos pela volta de Kyle McLachlan como o agente Cooper. Fantasiamos com mais do mesmo, mais estranho, mais além.

Não dá para botar tanta fé? É caça-níqueis? Lynch virou um velhinho ripongo? Não consigo não torcer a favor. Em 1992, minha primeira viagem para os EUA, fiz questão de ir para Seattle, a cena de rock mais quente da época. E de lá para... a verdadeira Twin Peaks. A uma hora de Seattle estão o velho hotel, a cachoeira de Snoqualmie, a floresta, a lanchonete. Comi a torta de cereja. Damn good coffee!

Publicado em 07/01/2014 às 19:15

BBB: real como sempre, animal como nunca

20140107 MontagemBBBs <i>BBB</i>: real como sempre, animal como nunca

Assistir ou não o BBB é como ouvir ou não Anitta, ou questionar a eterna popularidade praiana de cerveja e picolé. Assuntar sua validade estética é discutir o sexo dos anjos. O BBB é um vendaval sazonal, como o El Niño. Sopra forte todo verão. Tentar fugir ou ignorar é fútil. Fenômenos existem para serem investigados, se você é mais para chato, ou curtidos acriticamente, como convida o clima de férias.

Por que o BBB repercute tanto? Porque o BBB é o lado B da televisão careta, que tem como maior representante a novela. Nas novelas todo mundo é ou do bem ou do mal, todo mundo é família, 80% são brancos e bonitos, os pobres não sofrem com a falta de grana, todo mundo é hetero e os poucos gays não beijam na boca.

No BBB, como no mundo real, a maioria das pessoas é ambígua e faz qualquer coisa por dinheiro, ou pela fama, que talvez preencha ainda melhor nosso vazio. Freud explica: somente a realização de desejos infantis sacia. Criancinha não entende dinheiro, donde dinheiro não traz felicidade. Mas chamar atenção, ah, isso qualquer nenê nas fraldas sabe muito bem.

No século 21, percepção é capital - mesmo que seja notoriedade. O BBB é O SISTEMA. O resto da TV é faz de conta. Iluminar nossas entranhas é o segredo explícito de seu sucesso. O merengue na torta é que as pessoas reunidas para o BBB não têm a menor condição de ganhar dinheiro usando o cérebro. São criaturas que faturam com apelo sexual. O espectador não é só voyeur, mas voyeur sádico, porque o clímax é proibido durante meses, nem mesmo embaixo dos edredons, tortura no tórrido Rio de Janeiro.

Os brothers são animais. Vivem de seus corpos e instinto de sobrevivência, submetidos a provas idiotas e tarefas cansativas e inúteis - como você e eu. Diferente de nós, estão todos sob estrita direção. Cada um com seu personagem, que nunca conseguem seguir à risca, porque humanos e com os nervos expostos: o marrento, o caipira, a inocente, a barraqueira, a bicha de língua afiada.

É improvável o eterno reinado do programa, 14 anos já. Abundam similares, e programas como SuperPop compartilham do mesmo, digamos, ideário. Uma hora dessas aparece algo mais hipnotizante, provavelmente direto na web. É facílimo e baratésimo reproduzir BBB, mas é preciso dissecar o monstro para destilar seu veneno.

BBB compartilha o mérito do Rock in Rio: alargar os horizontes morais-sexuais da família brasileira. O festival botou de Nina Hagen a Slipknot na sala de estar de vovós e criancinhas. Quanta inocente psique foi irremediavelmente estilhaçada por metaleiros satanistas, punks monstros, drogados, andróginos, malditos?

Quanta fé cega na família, no trabalho, na subserviência aos ditames sociais foi destroçada pela moralidade de bordel de BBB, tão dúbia, tão parecida com o mundo aí fora?

BBB reina porque divide, e dá o que falar porque é real, a realidade espetacularizada - reality show.

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Publicado em 09/08/2013 às 10:09

Algumas perguntas para Pablo Capilé, o Fora do Eixo e a Mídia Ninja

A semana foi uma montanha-russa para a rede Fora do Eixo, e um de seus braços midiáticos, a Mídia Ninja. Pablo Capilé, gestor do Fora do Eixo, e Bruno Torturra, coordenador de comunicação do FDE, e face da Mídia Ninja, começaram dando baile em baluartes da imprensa no programa Roda Viva, na segunda (5). E chegaram à quinta sob ataque cerrado, enfrentando denúncias, e principalmente depoimentos impactantes de ex-integrantes do Fora do Eixo.

Eu já tinha publicado uma entrevista com Bruno. Na terça (9), comentei o Roda Viva. Na quarta (10), convidei Pablo para uma entrevista aqui no blog, e ele aceitou. Na quinta, enviei as perguntas abaixo. No mesmo dia, Capilé as publicou em seu perfil no Facebook.

Eu não pretendia publicar as perguntas sem resposta. Mas já que ele tomou a iniciativa, e disse que vai respondê-las nos próximos dias, deixo aqui registradas também.

O "algumas" do título é brincadeira. São um monte. E muitas outras não incluí. O Fora do Eixo é complexo. Não foi nenhum grande esforço de reportagem. Minha pesquisa levou algumas horas, três telefonemas, e
tive a sorte de contar com algumas fontes muito bem informadas.

O mais estranho não é que eu tenha elaborado tantas perguntas. O mais estranho é que eu, que tenho um simples blog, e outro emprego, tenha feito isso tão fácil e tão rápido. E a imprensa - tradicional ou independente - jamais tenha se dado ao trabalho.

Abaixo, a íntegra do email que mandei para Pablo Capilé e Bruno Torturra.

Oi Pablo,

aí está. Um questionário e tanto!
E olha que ainda cortei muitas perguntas.
Como você sabe, o Fora do Eixo tem muitos críticos.
E todo mundo resolveu me procurar, quando anunciei que preparava uma entrevista contigo...
Dei uma boa peneirada. Mesmo assim sobrou um tanto de perguntas provocativas.
E outras que são bem pragmáticas mesmo.
As regras são as mesmas da entrevista que fiz com o Bruno Torturra: as suas respostas serão publicadas na íntegra e nesta mesma ordem. Só editarei se for realmente necessário, e somente por questões de espaço e de padronização de texto do R7.
Confirma se recebeu, OK?
Obrigado, abraço

capile  Algumas perguntas para Pablo Capilé, o Fora do Eixo e a Mídia Ninja

André

título: Uma entrevista com Pablo Capilé, gestor do Fora do Eixo

Quantas organizações compõem a rede Fora do Eixo?

O que elas são - empresas, ONGs Oscips?

Quantos CNPJs?

Cada uma tem autonomia para captar recursos e participar de editais independentemente, ou há uma coordenação nacional?

Existe um caixa único?

O que é o Banco Fora do Eixo?

Existe uma prestação de contas unificada, ou cada organização presta contas separadamente?

Qual é o total de recursos que a rede Fora do Eixo recebeu em 2012?

Quanto destes recursos veio de editais, quando de patrocínios e apoios, quanto de festivais, e quanto de outras fontes?

Quanto veio de recursos públicos, seja via editais, patrocínios, publicidade ou qualquer outra modalidade de apoio?

O Fora do Eixo defende a transparência e afirma que suas contas e planilhas estão à disposição de quem quiser. Onde estão disponíveis planilhas que dêem conta de todas as movimentações do FDE?

A área de "empreendimentos" do site do FDE está em manutenção pelo menos desde fevereiro passado. Por quê?

Esta planilha de prestação de contas é difícil de analisar. Às vezes os valores aparecem em número, às vezes por extenso, o que dificulta a soma direta. Por quê?

A cada ano, nesta planilha, há projetos que não incluem resultados. A gente sabe que às vezes fica para outro ano. De todos os projetos apresentados pelo FdE, qual a proporção que é aprovada e qual a proporção rejeitada?

O FDE já afirmou que 7% do total de seu orçamento vem de dinheiro público. No Roda Viva, você falou em 5%. Isso indica que o FDE tem um orçamento consolidado. Tem ou não tem? Se tem, você pode divulgar?

E onde estão as informações sobre os investimentos de empresas privadas e receitas de outras atividades, que somam esses 95%? Esta planilha divulgada pelo FDE não contém valores nesse montante.

O que é a Universidade Fora do Eixo?

Quantos estudantes e quantos professores estão na Universidade Fora do Eixo?

Os estudantes pagam? Quanto?

O site da Universidade Fora do Eixo lista dezenas de docentes. Eles recebem? Quanto?

Alguém já se formou nessa Universidade?

Qual é o orçamento da Universidade FDE, e quem gere este orçamento?

No site da Universidade Fora do Eixo, há um crédito: "Realização: Ministério da Cultura, Petrobras, Fora do Eixo", com os logotipos. Qual a participação, e o investimento financeiro, do Ministerio da Cultura e da Petrobras na Universidade Fora do Eixo?

A Petrobras vem sendo um grande apoiador das iniciativas do Fora do Eixo. O FDE já indicou alguém para participar das instâncias que decidem os patrocínios da Petrobras?

O Fora do Eixo já apoiou candidatos a cargos públicos? Quem?

O Fora do Eixo já indicou alguém para participar de governos? Quem?

Embora o FDE tenha entrado de cabeça no movimento Existe Amor em SP, contra Russomano e pró-Haddad, a secretaria de cultura de São Paulo está com Juca Ferreira, e com o chefe de gabinete Rodrigo Savazoni. Savazoni é da Casa de Cultura Digital e independente do Fora do Eixo. Você acha que o FDE mereceria mais espaço na gestão Haddad?

Quantas pessoas trabalham em período integral na rede Fora do Eixo?

É obrigatório para quem trabalha em período integral no FDE morar nas Casas Fora do Eixo?

Qual é a faixa etária dessas pessoas?

Três pessoas diferentes me disseram que os integrantes do Fora do Eixo são pressionados a se relacionar amorosamente somente com outros integrantes do FDE. Quem quiser namorar com alguém de fora é convidado a sair do FDE. É verdade ou mentira?

Há relatos de que uma criança mora em uma Casa Fora do Eixo, apelidada "Bebê 2.0". Seria filho de dois militantes do FDE, mas seria criada coletivamente, por vários "pais" e "mães". O pai e mãe biológicos não teriam poder paterno sobre a criança. É verdade?

O Fora do Eixo criou diversas moedas virtuais: Cubo Card, Goma Card, Marcianos, Lumoeda, Palafita Card e Patativa. Como elas são utilizadas?

Por quê criar diversas moedas, e não uma só?

Essas moedas virtuais podem ser trocadas por reais? Se sim, qual o câmbio? Se não, por quê não?

Quem trabalha para o Fora do Eixo recebe em moedas virtuais. Se sair do FDE, o que vai fazer com suas moedas virtuais?

No site da Casa Fora do Eixo, há, em destaque, um logotipo da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Qual o valor do apoio da Secretaria à Casa Fora do Eixo?

O Estado de São Paulo é governado pelo PSDB. O Fora do Eixo aceita apoio de governos de qualquer partido?

O governador Geraldo Alckmin foi o principal alvo das manifestações em São Paulo. Você vê alguma contradição em receber apoio de um governo e militar contra ele?

A homepage do Portal Fora do Eixo traz três patrocínios federais: Ministério da Cultura, programa Cultura Viva e Programa Mais Cultura. Isso não provoca no leitor uma ideia imediata de vinculação entre o FDE e o governo federal?

O que é o Partido da Cultura? É ligado ao Fora do Eixo?

No site do Partido da Cultura, o último post é de janeiro de 2012. No twitter, de março de 2012. Ele está ativo? Pretende se constituir como partido regular e disputar eleições?

O FDE vem se aproximando de Marina Silva e seu projeto de partido, a Rede, inclusive colaborando na campanha de assinaturas. Há alguém indicado pelo FDE na executiva da Rede?

Se Marina Silva vencer a eleição para presidente, o FDE pretende indicar o ministro da cultura?

O Fora do Eixo costumava proclamar a política do "pós-rancor". O termo "pós-rancor" é criação de Claudio Prado, chefe do programas de cultura digital do Ministério da Cultura na época de Gilberto Gil e Juca Ferreira. Segundo a teoria do pós-rancor, as tensões entre capital e trabalho estão superadas, o conflito agora é entre quem tem informações e quem não tem. Cláudio Prazo é muito próximo do FDE, tem até programa na Pós TV. Mas nas manifestações de rua, o que não falta é rancor e polarização, ainda mais nos últimos protestos. O "pós-rancor" morreu?

Uma fonte me disse que o Fora do Eixo costuma apoiar determinados candidatos em eleições municipais e estaduais, com os militantes trabalhando diretamente nas campanhas. Se o candidato vence, o Fora do Eixo indica gente para a secretaria de cultura, geralmente pessoas que não são do FDE, mas próximas. Seriam mais de dez secretários da cultura no Brasil. É verdade?

A Mídia Ninja, como a Pós-TV, é do Fora do Eixo. O FDE recebe verbas de grandes corporações, como Vale e Petrobras. O Fora do Eixo financia a Mídia Ninja, que critica o grande capital, e principalmente a grande mídia. Afinal, FDE e a Mídia Ninja são contra o grande capital ou a favor?

Diversos apoiadores do FDE trabalham ou trabalharam na grande imprensa. A principal figura da Mídia Ninja, Bruno Torturra, trabalhou anos na Editora Trip, chegando a diretor de Redação. Contratou, demitiu, controlou orçamentos. Além da Trip, a editora faz revistas pra grandes corporações, como Gol, Pão de Açúcar e Audi. Seu emprego mais recente foi na TV Globo, como redator do programa Esquenta, com Hermano Vianna e Regina Casé. Você vê alguma contradição nisso?

Você acha que quem participa dos protestos tem consciência de que a Mídia Ninja e o FDE recebem apoio financeiro de grandes empresas, e governos de diversos partidos?

O Fora do Eixo costumava ser muito ativo nas redes sociais. Mas no auge das manifestações em S. Paulo, você abandonou o Twitter. Entre 11 e 18 de junho, não publicou nada, sendo que a manifestação em que a repórter da Folha foi ferida no olho aconteceu no dia 13. Coincidentemente, o twitter do Fora do Eixo tb não publicou nada entre 13 e 22 de junho. Vc só voltou ao twitter pra divulgar as transmissões da Mídia Ninja e pra anunciar que o prefeito Haddad ia baixar as tarifas. Por quê?

No começo deste ano, o Fora do Eixo publicou na internet o glossário do FDE: termos que devem ser conhecidos e usados por todos os militantes. Outros coletivos fizeram críticas, o FdE tirou o texto do ar, depois republicou, mas com alterações. A principal: eliminou o verbete "choque pesadelo". O verbete era assim:  "Choque pesadelo: Embate conveniente direcionado a alguém que vem conflitando ideias através de críticas não propositivas que desestimulem uma pessoa, ou grupo. O choque pesadelo serve como uma fala direcionada que busca esclarecer situações através do "papo reto". Ex. Tivemos uma conversa franca que serviu como choque pesadelo para ele. Ler também "papo reto". Pode explicar?

Muitos críticos do FDE dizem que o Fora do Eixo é uma seita, com regras rígidas para todas as ocasiões. O fato de existir um glossário tão detalhado não dá razão aos que criticam o FDE por ser uma espécie de seita?

O que é "catar e cooptar?"

Embora o FDE se apresente como uma rede, ex-integrantes do FDE dizem que a estrutura é totalmente verticalizada, e que você é como um guru na organização - jamais é questionado por ninguém. Quais outros integrantes do FDE têm influência próxima à sua?

Muitos coletivos de esquerda e movimentos populares não se dão com o Fora do Eixo. É o caso do Movimento Passe Livre, do MST, Movimento Hip Hop, Ocupa São Paulo e vários outros. A que você atribui essa rejeição?

Um conhecido jornalista de esquerda, José Arbex, escreveu um texto com críticas pesadas ao Fora do Eixo, em 2011, na revista Caros Amigos: "Lulismo Fora do Eixo". Ele conta que durante a preparação da Marcha pela Liberdade, em maio de 2011, você mencionou a possibilidade de a Coca-Cola patrocinar a marcha, e que a Coca nem fazia questão de sua  marca aparecer --era só pra ficar bem com os movimetos progressistas. Outros coletivos rejeitaram o patrocínio. Várias pessoas contaram a mesma versão dessa história. Isso é verdade? Se não é, exatamente o que você disse nessa reunião? Se isso não é verdade, o que foi que você disse nessa reunião?

O coletivo de esquerda chamado Passa Palavra se destaca nas críticas ao Fora do Eixo. Em um texto muito alentado, de 2011, eles afirmam que: a) o Fora do Eixo tem 57 CNPJs diferentes; b) o FDE é uma máquina de ganhar editais, que floresceu nas gestões de Gilberto Gil e Juca Ferreira no MinC, por meio do programa Cultura Viva, dirigido pro Claudio Prado. Segundo o Passa Palavra, o FDE participava da elaboração de editais da área digital do Minc, editais esses que eram vencidos pelo próprio FDE. Como você responde a essas acusações?

O Fora do Eixo começou em Cuiabá, com o Festival Calango. Esse festival não existe mais, apesar do crescimento do FDE. Por quê?

Você já disse defendeu várias vezes de que os artistas que tocam em festivais não deveriam receber cachês. Por quê?

Se os artistas não ganham para tocar, não ganham para divulgar música na internet, e o mercado de discos está em baixa, do que os artistas devem viver?

O FDE agencia shows? De que artistas? Como o FDE é remunerado por agenciar shows?

Os festivais independentes de rock brasileiros eram reunidos, desde 2005, numa entidade chamada Abrafin. Qual a relação atual entre a Abrafin e o Fora do Eixo?

Em 2011, treze festivais independentes, incluindo alguns dos mais importantes do Brasil, como o Goiânia Noise e o Abril Pro Rock (de Recife), abandonaram a Abrafin. Alegaram que o FDE tentava impor um paradigma único a todos os festivais. E que os festivais se viam obrigados a chamar sempre os mesmo artistas ligado ao FdE. O que aconteceu de fato na Abrafin?

Você tem a informação de que festivais que abandonaram a Abrafin passaram a receber menos patrocínios? A que atribui isso?

Vários artistas - o cantor China, o Daniel Peixoto (do Montage) e o Márvio dos Anjos (do Cabaret), entre muitos outros - relatam que os festivais do Fora do Eixo têm como características a infraestrutura muito simples e o não-pagamento de cachê, exceto em casos muito excepcionais. Se a infraestrutura é básica, não tem cachê, e os festivais são feitos com dinheiro de editais, para onde vai o dinheiro que sobra? Ou não sobra?

A cineasta Beatriz Seigner divulgou ontem um longo depoimento no Facebook. Cita um jantar na casa da diretora de marketing da Vale, onde ela e você estavam. Segundo o texto dela, você disse que "era contra pagar cachês aos artistas, pois se pagasse valorizaria a atividade dos mesmos e incentivaria a pessoa ‘lá na ponta’ da rede, como eles dizem, a serem artistas e não ‘DUTO’ como ele precisava. Eu perguntei o que ele queria dizer com “duto”, ele falou sem a menor cerimônia: “duto, os canos por onde passam o esgoto”. Esse diálogo aconteceu?

Beatriz também diz que seu filme Bollywood Dream - O Sonho Bollywoodiano foi exibido em sessões que contavam com patrocinadores, mas que o dinheiro ficou sempre com o Fora do Eixo; ela não recebeu nada pela exibição durante os festivais Grito do Rock, e só conseguiu receber o dinheiro do SESC depois de muito insistir com o FDE. Isso é verdade?

Diz que lhe foi pedido que seu filme tivesse o crédito "Realização Fora do Eixo", embora o filme não tenha sido produzido pelo FDE. Isso é uma prática comum? Você considera isso um pedido normal?

Todo o depoimento de Beatriz é muito crítico ao FDE e a você pessoalmente. Como você responde a ele?

"Fora do Eixo" é marca registrada. O registro no INPI é da Globo Comunicação e Participações. Pode explicar? Aqui está o registro:

NCL(8) 3582861623009/08/2006FORA DO EIXORegistroGLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S.A.NCL(8) 41

O Fora do Eixo vem recebendo mais e mais críticas. Agora, também de ex-integrantes do FDE. Alguns preparam publicações de novos depoimentos contra o FDE. Certamente, a imprensa vai investigar ainda mais.

Com tanta publicidade negativa, dificilmente o FDE continuará recebendo apoios e patrocínios na mesma escala - afinal, empresas não querem risco na hora de escolher quem patrocinam. E necessariamente todas as contas do FDE serão examinadas com cada vez mais rigor. O Fora do Eixo - e portanto Mídia Ninja, Abrafin, Pós TV, Casas FDE, Universidade FDE etc. - está em risco de desmoronar de repente?

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Publicado em 31/10/2012 às 14:54

O que a compra da Lucasfilm pela Disney (não) significa para as empresas de comunicação do Brasil

George Lucas vendeu a Lucasfilm, que fundou e da qual era o único proprietário, por US$ 4 bilhões. Quais os ativos da Lucasfilm? Luke, Yoda, Indy: um grupo de personagens que saiu da cabeça de Lucas, de seus funcionários e colaboradores. De mais importante ainda: a relação pessoal que muitos milhões, talvez bilhões, de seres humanos têm com esses personagens.

Sim, a Disney comprou os seis filmes de Star Wars, os quatro de Indiana Jones, as séries para TV desses personagens, um prédio aqui, outro penduricalho acolá. Isso tudo tem valor. Mas o valor real está no futuro: na exploração comercial das próximas histórias de Star Wars e Indiana Jones, o que inclui não só bilheteria, mas merchandising, interatividade e integração com outras propriedades da Disney.

E o que é a Disney? Às vezes as pessoas se distraem e pensam que é um estúdio que faz desenho animado. A Disney é o maior conglomerado de mídia do mundo. Em 2011, faturou quase 41 bilhões de dólares (USD 40.893.000,00, se preferes). A Disney comprou nos últimos anos:

— Marvel, estúdio e editora de gibis de super-herói

— Pixar, estúdio de animação

— Muppets, o Caco, a Miss Piggy, etc.

— a comunidade infantil online Club Penguin

— a rede de TV ABC

— o canal esportivo ESPN

— agora, a LucasFilm

E a Disney também é dona:

— da produtora de videogames Disney Interactive

— dos canais Disney XD, Disney Channel, e da Rádio Disney

— da gravadora Disney Music

— da Disney World e de outros 13 parques espalhados pelo mundo

logo O que a compra da Lucasfilm pela Disney (não) significa para as empresas de comunicação do Brasil

— e mais várias outras coisinhas menos importantes.

Se você analisar de onde vem a receita da Disney, vai descobrir que o grosso vem de seus personagens. Como foi a divisão em 2011, arredondando os números:

— 6,3 bilhões de dólares dos estúdios

— 3 bilhões de produtos

— 11,8 bilhões dos parques e dos cruzeiros

— 18,7 bilhões de suas empresas de mídia

— 1 bilhão de internet e games

A única coisa aí que não é 100% propriedade intelectual da Disney são as empresas de mídia. Nem tudo que é exibido nos canais de TV abertos, pagos, rádio etc. da Disney são da Disney, embora boa parte seja.

Mas o grosso da receita do grupo vem, sim, de propriedades intelectuais da Disney. Bichinhos falantes, Vingadores, Piratas do Caribe e companhia. Boas histórias com esses personagens garantem boa bilheteria, boa audiência, muita gente nos parques. E boas vendas de produtos com suas imagens, produtos estes que são licenciados a fabricantes em troca de belos royalties.

Os parques, canais, rádios etc., geram rios de dinheiro. Mas sua importância maior é como plataforma de distribuição dos personagens. A Disney World e o Disney XD são a Apple Store da Disney, uma maneira da empresa controlar a apresentação de seus personagens, e encantar seus fãs.

Por que a Disney é capaz de ter uma empresa tão grande como essa, fundamentada em algo tão rarefeito como personagens fantásticos? Várias razões:

a) eles sabem manter vivo o interesse por seus personagens

b) sabem executar muito bem

c) controlam um mix bem balanceado de conteúdo e distribuição

d) diversificam sem perder o foco na tal Family Magic

e) a receita é global; quando a crise atrapalha em um país, a Disney se dá bem em outro canto

f) são as histórias, estúpido! No final, é tão simples quanto isso: a Disney é a melhor contadora de histórias do mundo.

Não quer dizer que a Disney não tenha cometido erros cretinos no passado, ou não vá cometer outros no futuro. Frequentemente, dá suas tropeçadas (uma recente e bem visível: o fracasso monstro da saga espacial John Carter de Marte). E considerando o tamanho de suas outras divisões, ainda é muito pequena em internet e games, apesar do fenômeno Club Penguin.

Mas não dá pra imaginar uma situação como a de 25 anos atrás, quando a Disney estava às portas da falência. A compra de uma grande publisher de games é o próximo movimento lógico para a Disney. A EA, com suas megafranquias de esportes, tem encaixe perfeito (eu adoraria ver uma improvável associação entre Disney e Nintendo, a única gigante dos games com personagens tão carismáticos, e bem cuidados, quanto os da Disney). E o movimento lógico seguinte é a aquisição das versões regionais, ou pan-regionais, da Marvel, LucasFilm, e Club Penguin.

O que o Brasil tem a aprender com a aquisição da Lucasfilm pela Disney?

Bem, aqui não tem nada parecido com a Disney. As empresas brasileiras especializadas em contar histórias, no Brasil, são editoras, que só pensam em termos de livros, ou os grandes grupos de comunicação. Quanto a esses:

— produzem todo seu conteúdo ou compram enlatados gringos

— não são diversificados, dependem fundamentalmente de publicidade

— não investem em propriedades intelectuais permanentes (novela acabou, o personagem morreu)

— não pensam em termos globais

— não têm plataformas de distribuição extramídia

— não têm plataformas eficientes de distribuição internacionais

— não trabalham o licenciamento como item fundamental na geração de receitas

— não se preocupam em identificar e adquirir propriedades intelectuais de terceiros

— não pensam em si próprios como empresas que precisam ser excelentes em serviço

— como regra geral, investem pouquíssimo em plataformas digitais, como internet, mobile e games.

Portanto, as grandes empresas de comunicação brasileiras são muito frágeis. Têm um modelo de negócios que qualquer ventania leva, que dirá o furacão permanente do século 21. Isso é que devia estar preocupando os seus executivos. E, aliás, a intelectualidade tupi, e o governo do Pindorama, porque um país que não souber contar histórias daqui para frente é um país sem alma nem futuro, um entreposto de commodities.

Infelizmente, aqui não existe nada parecido com a Lucasfilm. E poderia, pode existir. Uma propriedade intelectual na área de entretenimento, o que é? Ser um bom contador de histórias, em um ambiente que favoreça a remuneração de histórias bem contadas. Será que, em quase 200 milhões de brasileiros, não temos uma meia dúzia capaz de criar universos tão atraentes quando os de Star Wars ou Indiana Jones?

Claro que temos o Sítio do Picapau Amarelo, a Galinha Pintadinha, o Menino Maluquinho, personagens e mundos que atraem muita gente. Mas não com escopo e ambição de universo ficcional multiplataforma... Uma possível e única exceção me ocorre: Maurício de Sousa Produções. O Cebolinha é nosso Anakin, o Horácio é nosso Yoda. Arrisca Maurício receber antes do que imagina uma visita do rato que ruge... Mas ainda é muito pouco para um país como o Brasil. Caramba, a Finlândia, que é do tamanho de Jundiaí, conseguiu criar os Angry Birds, um bilhão de downloads no mundo, 50 milhões de dólares de faturamento só em merchandising!

Mauricio de Sousa 051 2 O que a compra da Lucasfilm pela Disney (não) significa para as empresas de comunicação do Brasil

O Brasil precisa entrar de vez na Economia Criativa, ou se render a vender minério e bife, e consumir pra sempre o mesmo folhetim. Isso tem a ver com criar um ambiente de negócios amigável para quem tem boas histórias para contar — seja em um livro, um gibi, um desenho, um game. Tem a ver com as grandes empresas de comunicação arejarem as ideias e, francamente, se espelharem no exemplo da Disney. E tem a ver com a gente usar a cabeça para criar histórias que vão nos encantar e durar. Estamos no século 21 — e, quem tem imaginação, tem a Força.

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Publicado em 11/04/2012 às 18:38

O melhor anúncio do ano

O canal pago TNT é especialista em emoções fortes. Como os americanos chamam: drama.

Para seu lançamento na Bélgica, colocaram uma plataforma com um grande botão vermelho em uma pracinha de um vilarejo. No alto, o sinal: aperte o botão para adicionar drama. Finalmente, alguém apertou.

O que aconteceu depois foi registrado. Só as reações dos transeuntes já valem o troféu: anúncio do ano.

Uma surpresa dramática numa praça tranquila por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 23/03/2012 às 06:00

Por que o TV Folha não precisa de audiência

A estreia do TV Folha, programa produzido pelo jornal e exibido na TV Cultura, provocou verdadeiro Fla-Flu, com malhos de lá, defesas apaixonadas de cá, alguma razão e muita emoção.

Assisti aos dois programas do TV Folha exibidos até agora. Aos pedaços. Pulando as partes que me interessavam menos. Na internet. Que é onde faz mais sentido assistir ao TV Folha. O que, desconfio, a Folha sabe muito bem.

Eu me diverti vendo vários trechos do TV Folha. Teria críticas e elogios a fazer, de linguagem, pegada e pauta. Não farei. Conheço vários jornalistas ali há décadas; alguns são camaradas das antigas; um é amigo chegado.

Você que assista e forme sua opinião. De qualquer forma, meu ponto é outro. Jornal em 2012 tem que ser pensado como conteúdo multiplataforma. Isso é notícia velha. Executar a missão é dificílimo.

Organizações, indivíduos e equipes condicionadas a pensar conteúdo em termos de texto e imagens impressas, com ciclo de produção diário, processo fabril e logístico caro e complexo, e abordagem monodirecional, apanham com meios digitais.

É a velha história: nenhuma grande empresa de transporte ferroviário virou companhia aérea. Eles pensavam que estavam no negócio de colocar trilho no chão e queimar carvão, não no negócio de transportes.

Mesmo assim, todos os jornais e revistas que valem seu sal, mundo afora, estão tentando dar o salto. Não há alternativa, ainda que 90% do faturamento continue vindo das versões impressas.

E mesmo que o mundo digital esteja roendo sua margem. É como aquele filme do alpinista que ficou entalado na rocha: se você não cortar seu próprio braço, com canivete cego, a morte por hemorragia é lenta e certa.

O TV Folha não tem nada que vá me levar para a frente da TV em um domingo à noite. Acho que o veredito vale para os meus amigos mais viciados em informação e opinião.

Embora o TV Folha seja diferente de seus concorrentes nos canais abertos, o formato é bem normalzinho comparando com os canais pagos. E pra que ver junto com todo mundo se posso ver quando me der na telha, e só o que me interessa?

Pretendo pinçar na internet o que me seduzir e assistir, sem pressa, nos dias seguintes à exibição na Cultura. Imagino que as visualizações na web de segunda a sexta serão bem maiores que o ibope do domingo.  Natural, e pouco importa se a audiência do TV Folha na TV não dá audiência.

A Cultura sempre deu traço mesmo. O Roda Viva existe há décadas com baixíssima audiência, porque dá muito prestígio. Se você está engajando meia dúzia de gatos pingados, mas todos têm algum dinheiro e influência, é bom investimento; aliás, esta é a exata descrição do que é um jornal.

E com a obrigação da produção semanal do programa, a tendência é que, com o tempo, a Folha domine mais e mais a linguagem do vídeo - seja para TV, web, tablet ou o que for.

Na prática, a Folha encontrou uma maneira muitíssimo inteligente de promover o conteúdo em vídeo que produz para a internet. Em vez de simplesmente colocar um bom time de jornalistas e colunistas para aparecer em vídeos e jogar no seu site, embalou tudo em um programa, e colocou no horário nobre na TV Cultura.

Promove os valores que fizeram a fama do jornal, inovação, pluralidade e tal, numa vitrine de primeira classe. É uma ação de marketing. Muito mais barata e eficiente do que fazer uma campanha de TV.

Repercutiram críticas contra o arrendamento de horários da TV Cultura para a Folha; o canal negocia acordos similares com o Estadão e a Abril. Concordo.

Se era para lotear a programação, muito melhor seria emprestar horários para veículos independentes, blogs, cooperativas, rádios comunitárias, o melhor do YouTube, bizarrias, vozes únicas. Já que não há grana nem necessidade de audiência, vamos botar fogo no circo! Para que dar mais espaço para os mesmos de sempre?

A Cultura é uma emissora pública que ao longo de sua história frequentemente foi joguete político na mão do governo do Estado, que é quem paga as contas e dá as cartas. Li argumentos que com esta mudança, pelo menos o jornalismo da Cultura seria agora menos chapa-branca.

Bem, que tal fazermos uma forcinha e estabelecermos mecanismos independentes de financiamento e de governança, que garantam a autonomia econômica e editorial da TV Cultura? Dá mais trabalho, mas não é física quântica. É saída medíocre demitir seus próprios funcionários e lotear a programação entre os grandes grupos de comunicação do Estado.

Mas aí o erro não é da Folha de S.Paulo. É da Cultura e do governo - mais um de muitos que vão para conta de Geraldo Alckmin. A Folha viu uma oportunidade e aproveitou. Se a TV Cultura quiser me dar meia horinha semanal para eu fazer minhas estrepolias, também topo...

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Publicado em 13/03/2012 às 07:45

Panicats: agora, sem músculos na testa

panicats divulga Panicats: agora, sem músculos na testa

Panicats: Jaque Khury, Babi Rossi e Aryane Steinkopf

O Pânico está saindo da RedeTV. Vai pra Band. Na minha cabeça orna. Passei a infância nos 70 assistindo Discoteca e Buzina do Chacrinha, e também Bolinha, na Bandeirantes. Pânico é herdeiro, se não no formato, no espírito.

babi okokok Panicats: agora, sem músculos na testa

Babi Rossi/AgNews

Quase não assisto TV, nem aberta e nem fechada. Mas se trombo Pânico, estaciono ali. É absurdamente irregular e destrambelhado, mas sempre tem momentos sacados, e a pegada de humor, esculhambação e pseudo-jornalismo sempre me pega. Dito isso, não perdôo uma coisa a Surita e cia.: o estabelecimento de um padrão de beleza brucutu para a mulher brasileira.

No começo, a ideia de gostosa do Pânico era Sabrina Sato, originalmente mais pneumática e desnuda no programa. Com o tempo, por razões que ignoro, as meninas foram ficando mais e mais marombetas. Pinta de pitbull da UFC, só que com peitos e bundas (de silicone).

Pegou. As Panicats ficaram famosas, sempre novas fotinhos de uma arrumando o sutiã na praia e deixando, opa, entrever o mamilo. O novo visual começou a se espalhar por outros programas e pelas ruas. Aquelas maravilhas que dançavam atrás do Gugu, Faustão, Luciano Huck e tal foram ganhando ombrões, coxões, batatonas nas pernas. No carnaval deste ano, as madrinhas das escolas de samba pareciam figurantes de Spartacus.

Minha conclusão, a única possível, é que foi uma resposta do Brasil popular à tentativa de estabelecimento de Gisele e outros anjos da Victoria´s Secret como padrão de beleza das branquinhas classe média alta. Quando todos os comerciais e revistas de moda tentam bancar esqueletinhos como ideal de mulher, o único retruque à altura foi a caricatura.

Escrevi sobre as panicats uma vez, intitulando-as paquidérmicas. Me chamaram de boiola e preconceituoso. Nem uma coisa nem outra.

Leia aqui.

E agora... as Panicats estão todas na rua. Na mudança pra casa nova, a direção do Pânico não só fez uma limpa, como mudou os requisitos pra Panicat. Ganhei uma colega: Jaque Khoury promete se dedicar ao jornalismo.

jaque khury okoko Panicats: agora, sem músculos na testa

Jaque Khury/AgNews

ariane okok Panicats: agora, sem músculos na testa

Aryane Steinkopf/AgNews

Nos últimos dias, mais de 400 moças se candidataram ao cargo - afinal, é uma chance de rebolar na TV. Só duas foram convocadas. O diretor do programa, Alan Rapp, explicou que agora eles querem garotas no estilo ninfeta.

Treze anos de idade? Imagino que não. Deve estar falando de formas mais, hm, humanas. Se a moda pega, daqui a pouco as ex-Panicats estarão em breve sem músculos na testa, desinchadas, talvez um pouco desenxabidas.

Ainda resta uma vaga. Conheceremos as eleitas quando o programa re-estrear, apropriadamente no dia primeiro de abril. Um amigo meu vai chorar. É fã das cavalonas. Me solidarizo. Como eu ia lá dizendo, não sou nem um pouco preconceituoso.

Não tenho nada contra você ser atraído por garotas halterofilistas, ou banguelas, ou pernetas, ou homens barbudos, ou qualquer outra preferência. A única tara incomprensível, cravou mestre Millôr, é a abstinência.

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Publicado em 03/02/2012 às 08:46

Isso explica por que eu não trabalho em TV

O amigo Alex Antunes, eternamente militante cultural, inventou um programa chamado Pós-Bizz. Foi inspirado pelos intermináveis e divertidíssimos debates político-socio-etílico-musicais das duas comunidades Bizz, do Facebook.

Que diabo é Bizz? Era uma revista onde trabalharam o Alex, e a Bia Abramo, e depois deles, eu. Alex nos convocou os dois para participar da segunda edição do programa. Foi transmitido ao vivo. Agora está pingando aos pedaços na internet.

É de alguma maneira ligado a um negócio chamado Pós-TV. Que é produzido pelo Fora do Eixo. Que eu não sei explicar o que é. E também não importa neste caso. Foram duas horas de papo ou mais. A gente se divertiu bem.

Deve ter saído alguma coisa que preste. Jamais saberei.

Aqui tem sete minutos. É mais que suficiente para responder definitivamente à pergunta que tantas vezes ouvi: por que você nunca trabalhou em televisão?

PosBIZZ 01/02/2012 - parte 1 por perolasblogs no Videolog.tv.

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Publicado em 05/01/2012 às 13:18

BBB: o lado B da TV, o lado real da vida


"Mulheres, peitos de fora, bacon, queijo, cerveja e sexo anal. Quer combinação mais explosiva?" É a chamada para um dos vídeos do site pornô-alternativo X-Plastic, onde trabalha a "arte-educadora" Mayara, lésbica, recém-escalada para a nova edição do Big Brother Brasil.
João, representante comercial, diz que gosta de homem e mulher.

A paquidérmica "empresária" Fernanda também é lésbica, e namorada de uma participante de outro reality show. A representante comercial Kelly ganhava a vida dançando seminua no Aviões do Forró. A "estudante de medicina" Laísa concorreu ao troféu de bumbum mais bonito da Playboy. O lutador de muay thai ganha a vida dando porrada. E por aí vai.

Há quem critique o BBB 2012 por não ter negros na escalação, ou por não ser representativo do Brasil. Nunca foi o objetivo do programa. Sua missão é dar dinheiro. Para isso tem que dar assunto. Faz isso melhor que qualquer outro reality show.

Assistir ou não o BBB é como ouvir ou não Michel Teló, ou questionar a eterna popularidade praiana de cerveja e picolé. Assuntar sua validade estética é discutir o sexo dos anjos. O BBB é um vendaval sazonal, como o El Niño. Sopra forte todo verão. Tentar fugir ou ignorar é fútil. Fenômenos existem para serem investigados, se você é mais para chato, ou curtidos acriticamente, como convida o clima de férias.

Por que o BBB repercute tanto? Porque o BBB é o lado B da televisão careta, que tem como maior representante a novela. Nas novelas todo mundo é ou do bem ou do mal, todo mundo é família, 80% são brancos e bonitos, os pobres não sofrem com a falta de grana, todo mundo é hetero e os poucos gays não beijam na boca.

No BBB, como no mundo real, a maioria das pessoas é ambígua e faz qualquer coisa por dinheiro, ou pela fama, que talvez preencha ainda melhor nosso vazio. Freud explica: somente a realização de desejos infantis sacia. Criancinha não entende dinheiro, donde dinheiro não traz felicidade. Mas chamar atenção, ah, isso qualquer nenê nas fraldas sabe muito bem.

No século 21, percepção é capital - mesmo que seja notoriedade. O BBB é O SISTEMA. O resto da TV é faz de conta. Iluminar nossas entranhas é o segredo explícito de seu sucesso. O merengue na torta é que as pessoas reunidas para o BBB não tem a menor condição de ganhar dinheiro usando o cérebro. São criaturas que faturam com apelo sexual.

O espectador não é só voyeur, mas voyeur sádico, porque o clímax é proibido durante meses, nem mesmo embaixo dos edredons, tortura no tórrido Rio de Janeiro.

Os brothers são animais. Vivem de seus corpos e instinto de sobrevivência, submetidos a provas idiotas e tarefas cansativas e inúteis - como você e eu. Diferente de nós, estão todos sob estrita direção. Cada um com seu personagem, que nunca conseguem seguir à risca, porque humanos e com os nervos expostos: o marrento, o caipira, a inocente, a barraqueira, a bicha de língua afiada.

É improvável o eterno reinado do programa, 12 anos já. Abundam similares, e programas como SuperPop compartilham do mesmo, digamos, ideário. Uma hora dessas aparece algo mais hipnotizante, provavelmente direto na web. É facílimo e baratésimo reproduzir BBB, mas é preciso dissecar o monstro para destilar seu veneno.

O BBB compartilha o mérito do Rock in Rio: alargar os horizontes morais-sexuais da família brasileira. O festival botou de Nina Hagen a Slipknot na sala de estar de vovós e criancinhas. Quanta inocente psique foi irremediavelmente estilhaçada por metaleiros satanistas, punks monstros, drogados, andróginos, malditos?

Quanta fé cega na família, no trabalho, na subserviência aos ditames sociais foi destroçada pela moralidade de bordel de BBB, tão dúbia, tão parecida com o mundo aí fora?

O BBB reina porque divide, e dá o que falar porque é real, a realidade espetacularizada - reality show.

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Publicado em 27/10/2011 às 13:45

A novela já era

Vejo a novela das nove pela primeira vez. As personagens têm nome de personagem de novela, Tereza Cristina e Griselda da Silva, e comportamento de personagem de novela. A vilã é uma dondoca pérfida, estilo Malvina Cruela ou Odete Roitmann. A mocinha é uma pobre batalhadora, honesta, de família.

griselda tereza cristina ok A novela já era
A única diferença gritante desta novela para as da minha infância: as protagonistas estão na casa dos cinquenta e tantos. Têm filhos adultos, neto. Impensável em outras épocas. Obrigatório em 2011. Por quê? Porque hoje só coroa assiste novela.

Os jovens estão na internet, nos games, nas redes sociais, no celular. Hoje, menos de um terço dos televisores brasileiros estão ligados, no horário nobre. Temos mais o que fazer, e quando mais jovem, mais multitarefas. Jovem não tem saco para ouvir uma música até o fim, imagine suportar oito meses uma novela.

Fui conferir a lista completa de personagens da novela. Renata Sorrah, Angela Vieira, Arlete Salles - é realmente elenco de novela dos anos 70, time de estrelas de cinquentonas para cima. Os galãs todos mais novos, que surpresa... Na rabeira do elenco, uma multidão de jovenzitos estilo Malhação, rapazes bombadinhos, garotas fitness, em papéis secundários pra baixo.

Novela é como jornal. Não acabam tão cedo. Só quando morrer o último viciado - daqui uns 30 anos. Os fundamentos econômicos dos dois estão sendo corroídos já. Não dá para ter cada vez audiência menor, e cada vez cobrar anúncio mais caro. E mais: não é porque a TV está ligada na novela, que as pessoas estão assistindo, ou prestando atenção nos anúncios.

Frequentemente, a TV está ligada no horário nobre enquanto a pessoa está no Orkut, no Facebook, no portal, jogando. A publicidade entra por um ouvido e sai por outro. De vez em quando, um comercial consegue quebrar a barreira. É o caso daquele dos Pôneis Malditos. Se você escapou, parabéns. É um anúncio de carro. Uma caminhonete qualquer empaca no lamaçal. O dono xinga, "pôneis malditos!".

poneis malditos divulgacao A novela já era
Abre o capô, estão no motor um grupo de pôneizinhos afeminados de desenho animado, cantando uma música grudenta. No final, o locutor anuncia uma pick-up nervosa, com não sei quantos cavalos de potência etc. A música virou viral na internet. Se espalhou. Rendeu muitas imitações e paródias. Não faço ideia se vendeu um carro a mais por causa deste barulho todo.

O importante é que este anúncio se viralizou foi nos meios digitais. A tevê é incidental na história. Tivesse a montadora feito uma campanha apenas em portais e redes sociais, o efeito poderia ter sido um pouco menor, igual, ou um pouco maior - não há como saber. Mas o custo de veiculação seria infinitamente menor, e portanto sabemos que o retorno sobre o investimento teria sido animal. Más notícias para os canais de TV, e para as agências de publicidade.

E com tudo isso, as novelas proliferam por todos os canais e horários, e com alguma audiência e receita. É que novela tem, além dos anúncios, receita que vem diretamente do merchandising. E outra: canal que tem novela e jornal no horário nobre, tem pinta de mais importante, e atrai anúncios mais caros. Mas as coisas mudam, e estão mudando rápido.

Nos Estados Unidos, o horário nobre despenca de audiência semana após semana. Se rendeu aos reality shows, de custo muitíssimo menor que os seriados, e que suprem bem a sede do público por dramas de mentira, peitões de silicone, vulgaridade etc.

irmas kardashian bikini ok A novela já era
As capas de revista de supermercado, nos EUA, são das irmãs Kardashian. Aqui, a narrativa redundante e previsível, a embalagem luxuosa e a sexualidade comportada das novelas ainda serve como o anestésico perfeito após um longo dia de trabalho. Mas só para quem cresceu no mundo da mídia linear. A nova geração exige estimulação constante e interatividade na ponta dos dedos. A novela viverá por muito tempo - mas já era.

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Publicado em 19/08/2011 às 11:16

Pernalonga e Patolino discutindo a relação? Arrrrghh!


Já assisti todos os desenhos do Pernalonga. Sei um monte de coisas sobre a criação dos Looney Tunes, a gangue de personagens que o acompanha - Patolino, Hortelino, Gaguinho, Papa-léguas, Frajola, Piu-Piu. Li a biografia de Chuck Jones, o maior diretor de animação da Warner, e a de Mel Blanc, que fazia as vozes dos principais personagens.

Assinei anos uma revista chamada Animation. Tenho o CD das trilhas sonoras dos desenhos, feitas por Carl Stalling. Tenho o catálogo da Acme, com todos os produtos imaginários que aparecem nos desenhos: patins atômicos, tinta para fazer túnel e tal. Sentiu?

Quando meu filho nasceu já saí comprando aquelas caixas de latão com os melhores desenhos dos Looney Tunes de todos os tempos. Vimos juntos zilhões de vezes. Depois fui atrás dos Tiny Toons, aquela série com os sobrinhos dos originais, dos anos 90.

Vimos também - era muito boa, muito fiel ao espírito anárquico dos originais, mesmo tendo como óbvio objetivo vender merchandising pra criançada. E Space Jam e Looney Tunes - de Volta à Ação? Sabemos de cor, e o segundo, dirigido por Joe Dante, é simplesmente sensacional. Poderia rever neste minuto.

Ficamos pai e filho bem felizes com a notícia de que uma nova série estava sendo produzida, The Looney Tunes Shows. Oba! Novos desenhos do Pernalonga! Gentilmente, o Cartoon Network me mandou um DVD com o primeiro episódio, antes do lançamento. Fiz o maior suspense e mostrei para o garoto: vamos ver antes da estreia! Apertamos o play.

Pernalonga e Patolino moram juntos. Estão assistindo TV, um game show. Passam sentados os primeiros minutos. Depois resolvem participar juntos do game show. Ficam plantados no palco respondendo mais perguntas um tempão. Dois esquilinhos intragáveis têm metade das falas e ficam zoando com nossos heróis. As piadas não emplacam. O movimento é zero.

Acabou? Não, nossa, ainda tem uma viagem de cruzeiro com os esquilinhos, e Pernalonga e Patolino ficam discutindo a relação, se são amigos de verdade, se não são, o que significa a amizade etc.

Vi outro episódio depois. Patolino joga uma lata de refrigerante no Grand Canyon. Vai a julgamento. Tenta botar a culpa em Pernalonga e Gaguinho. Segue-se um constrangedor videoclipe com Eufrazino Puxabriga cantando um rap em português. Não verei o terceiro. A série não é ruim - é insossa e inofensiva, tudo que Pernalonga não pode ser.

Não tem estúdio no planeta com o histórico da Warner em animação. O que aconteceu? Bem, o traço dos personagens não compromete - estão um pouco mais fofos que os originais, mas OK. Um problema é a desanimação da animação.

Outro: a pessoa certa no lugar errado. A produção executiva é de Sam Register, que tem currículo de sucesso, mas com desenhos de ação para meninos como Teen Titans, Batman - Os Bravos e Destemidos, Ben 10.

Este histórico não o preparou para lidar com o Coiote e o Ligeirinho. E a desafinada dublagem brasileira do Pernalonga não ajuda nada.

Um adulto pode me questionar: não seja chato, o desenho é para criança, não para você. Na-na-ni-na. Primeiro, os Looney Tunes nunca foram produzidos exclusivamente para criança. Segundo, sempre vi e curti desenho feito para criança, e mais ainda depois que nasceu meu filho.

Sou espectador do Cartoon Network desde o primeiro dia. E alguns desenhos recentes para criança são fantásticos - Os Padrinhos Mágicos, Kid x Kat, Phineas e Ferb, A Mansão Foster para Amigos Imaginários, Kick Buttowski...

A raiz do problema com o novo show dos Looney Tunes está na premissa: a decisão da produtora de fazer um seriadinho americano estilo sitcom com esse bando de alucinados. Pernalonga e Patolino em Two and a Half Men? Heresia.

Looney significa pirado. A graça dos Looney Tunes está em que são um bando de ególatras, com personalidades e apetites poderosos. Cada um vivendo em seu próprio mundo particular, pouco se lixando para os outros. E danem-se as regras do bom comportamento, da sociedade e até da física.

Os personagens da Warner nunca foram e nunca serão bonzinhos. Vou fazer de conta que The Looney Tunes Show nunca aconteceu. Pernalonga e Patolino discutindo a relação? Só se for usando bananas de dinamite, motoserras e bigornas.
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Publicado em 16/02/2011 às 06:00

Novos tempos, velhas novelas

Tem uns vinte anos ou mais. A televisão paga começou a ficar acessível no Brasil. Fui um dos primeiros da fila. Que coisa mágica, escapar da ditadura dos sete canais. E era 24 horas! Maravilha curativa para as madrugadas insones.

Eu via muita televisão. Morei sozinho a partir dos 17 anos. A TV era minha companheirona, Cultura, SBT, Globo, Record, Manchete, Gazeta e Bandeirantes, na ordem dos canais. Jantava vendo TV, acordava vendo TV, deixava a TV ligada quando conversava com a namorada, abaixava o som - não muito - quando tinha uma renca de amigos em casa, bebendo cerveja, comendo pizza, fumando sem parar, discutindo em altos brados - o quê?

Não importa. Dias felizes.

E então chegou a TV paga. Uns canais de filmes, um de variedades, outro de desenho e CNN. No início da Guerra do Golfo, 2 de agosto de 1990, estava com um camarada em casa, as bombas começaram a cair, ele - vamos ligar pra Ryad? Tenta daqui, tenta dali, daqui a pouco estava ele falando com um peão do outro lado do mundo, que comentava os barulhos que vinham do outro lado da cidade. Bem melhor repórter do que eu. E nós a dois quarteirões da Avenida Paulista, vendo aquele videogame noturno, os americanos bombardeando o Iraque.

Um dia tive o insight: sabe o que ia dar certo? Um canal que só passasse novela antiga. Tanta novela que já se fez e está lá mofando! Tem que fazer como os americanos, faturar com as velharias. Os anos se passaram.

Nada aconteceu. Concluí que minha ideia brilhante não era tão genial assim (o que, infelizmente, é bem comum).

Hoje são zilhões de canais, que uso pouquíssimo, e mais não sei quantos em HD - sem nem falar da variedade infinita de vídeo que encontramos na internet. É de atordoar. E do que meus contemporâneos falam sem parar?

Do canal Viva, que reprisa novelas e alguns velhos e novos programas da Globo, tipo Sítio do Pica-pau Amarelo e Malhação, e Vídeo Show e Ana Maria Braga.

Existe faz um tempinho, mas agora bombou de verdade com Vale Tudo. É a novela marco de quem tem quarenta e poucos anos. Foi a primeira novela das oito que tratava de um Brasil muito verdadeiro, que tocava em temas políticos com uma pegada contemporânea, sem deixar de ser folhetim. Gal Costa cantava Cazuza na abertura. Não a assisti na época - não curto novela, demora muito - mas não escapei dos debates apaixonados, já na redação da Folha. Meu primeiro emprego, pensei que ia conviver com um bando de cabeções na Ilustrada, a turma lá ligadona na Odete Roitman.

É nostalgia? Vai ver. Talvez menos nostalgia das novelas de antigamente, e mais saudade de um tempo em que todos falávamos das mesmas coisas, todos tínhamos referências e inimigos em comum; quando nossa atenção era menos pulverizada, e as maravilhas tecnológicas chegavam no pinga-pinga, não em maremotos.

Agora vi que o Viva vai reprisar a minissérie Sex-Appeal. Nunca tinha ouvido falar, mas considerando que vai passar à meia-noite e vendo as fotos de 1993 de Luana Piovani,  Camila Pitanga, Danielle Winitz e, puxa, Carolina Dieckmann, arrisca eu me converter.

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Publicado em 02/12/2010 às 09:54

Não entendo de TV, mas entendi A Fazenda

Eu não entendo nada de televisão. Não sei prever o que fará sucesso ou não. Não entendo por que o que faz sucesso faz. Não vejo jornal, futebol, programa de auditório. Ignoro o seriado cult da hora. Não rio do Casseta & Planeta. Não choro com a novela do momento.

Razão? Tempo. Faço muita coisa. Vejo no máximo de meia a uma hora de televisão por dia, antes de dormir (sem contar desenho com filho, que não vale). Acabo naqueles programas de culinária, no Discovery, na VH1, em nada que me faça prestar atenção.

Quinze minutos de Man X Food: um peão lá tentando deglutir um hambúrguer com quatro pimentas letais, suando como um leitão na grelha. Bom soninho.
Preconceito zero, atenção. Já vi TV para dez vidas. Morei sozinho anos.

A televisão ficava ligada dia e noite. Tomava café, almoçava e jantava na frente da TV. Assistia religiosamente Clube dos Esportistas, imagine, eu que não sei se bola é quadrada ou redonda - como chamava a anãzinha garçonete? Assistia religiosamente Jornal da Globo - tinha uma queda pelo estilinho dominatriz de Lilian Witte Fibe.

Assistia religiosamente seriados. Assistia religiosamente qualquer coisa. Mesmo antes de existir TV a cabo. Quanto fechei a programação do dia, quanto ouvi o hino nacional - momento do horror.

Desnecessário dizer que não vi um segundo de A Fazenda. Impossível escapar do mundo dos peões, mesmo assim. Trombo com eles aqui no R7, em outros portais, em comentários de amigos.

Hoje: Mulher Melancia na berlinda. É mesmo? Fui conferir aqui no R7 quem sobrou dos concorrentes iniciais. Surpresa total. Os mais famosos, todos, dançaram. Quem diria que o público ia dispensar Monique Evans, Sergio Mallandro, Geisy etc. para colocar perto do big prêmio ilustres desconhecidos?

Eu não entendo de televisão, mas acho que essa eu entendi. A Fazenda é um reality show. Espera-se um tico de realidade. Se uma celebridade ganha, está desfeita a ilusão. E é injustiça. Famoso já é famoso, e quem sabe rico, ou pelo menos mais rico que a média. O eleitor não vota pelo famoso na Fazenda, como não elege celebridade para cargos públicos.

Mallandro dançou pela mesma razão que os meninos lá do KLB não se elegeram deputados. As exceções confirmam a regra; e Tiririca não vale, porque é coisa totalmente diferente.

Quando vejo televisão hoje, fico besta como algumas coisas mudaram tanto e tantas não mudaram nada. Tomava uma com um amigo esses dias e tinha duas TVs ligadas. Em uma, Fernanda Montenegro fazia Fernanda Montenegro, em um diálogo mexicano com Reynaldo Gianecchini, que faz Francisco Cuoco (que trabalha na mesma novela!) parecer Sir John Gielgud.

No outro televisor, Galvão Bueno, com Parreira e outros esportivos que não identifiquei, recebia Daniela Mercury, simpática e deliciosa como sempre. Som desligado nas duas. É 1970, 80 ou 2010? Mais uma cerveja, por favor.

Preciso ver mais televisão. Afinal, ando fazendo umas participações no programa NBlogs, da Record News. Esta quinta estou lá. Fazendo o quê?

Batendo papo com Fabiana Panachão, ajudando a entrevistar uns convidados. Conheci gente fina lá - o fotógrafo Araquém Alcântara, a turma que fez o filme de skate Vida Sobre Rodas, arquitetos e tal.

Faço mal ou faço bem? Não sei, você me conta. Não me vi ainda. É ao vivo, às oito, reprise sexta, às oito e meia da manhã. E eu vou lá tirar meu filho da frente do desenho pra me assistir?

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Publicado em 22/09/2010 às 12:02

Você já reparou?

reproducao blog Você já reparou? 

Espero o amigo no bar de sempre, na mesa de fora, ô frio malvado. Do outro lado do vidro, a novela na TV, sem som. Assisto absorto.

Percebo que em novela:

- não tem bebê
- não tem preto
- não tem nordestino
- não tem japonês, chinês, coreano
- não tem caipira que fale como caipira
- não tem velho gagá de verdade
- não tem deficiente de verdade
- não tem jovem feio
- não tem ninguém que use aparelho
- ninguém reclama do emprego
- não tem gordo que não seja engraçado
- não tem a paradinha para ir ao banheiro
- não tem sexo, só tem beijo
- não tem pobre.

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Publicado em 10/08/2010 às 08:17

As paquidérmicas Panicats


Se estiver uma sexta à noite largado em casa, acabo sempre vendo pelo menos uns pedaços do Pânico. Adoro humor grosso, Christian Pior, Amaury Dumbo, Ceará etc.

Sabrina Sato é uma das humoristas mais finas que já vi em qualquer latitude, e linda e simpática para completar. Perdoo a moça qualquer coisa, inclusive namorar político e excesso de regime.

Pânico não é exatamente para assistir fielmente. Pulo uns pedaços, vou e volto. Fico meses sem lembrar. Se trombar, dou no mínimo uma paradinha, tipo cavalo de pinguço.

Meu chapa que trabalha na TV garante que este e aquele quadro são chupados deste e daquele quadro gringos. Acredito no amigo.

Nossa moda é clonada dos gringos, nossos restaurantes têm a iluminação igual a dos gringos, nossos marketeiros reciclam o papo dos gringos, e nossos governos beneficiam bancos e empresas acima de tudo, como os gringos.

Por que programas de zoação iam ser diferentes? Quesito originalidade é pra desfile de escola de samba. Em televisão nada se cria, tudo se copia, dizia o Velho Guerreiro, padroeiro de Surita e companhia.

Sexta passada estava lá eu, atirado no sofá, digerindo o jantar com uns traguinhos e caio no Pânico. Desafio: um magricelo neozelandês que anda sobre a água. Veio para o Brasil para provar. E andou mesmo.

É um esporte, acredite, e vi os vídeos dos amigos dele lá em Auckland ou que o valha, caminhando sobre o lago como se fossem Jesus. Mais que sensacional. Agora, tinha umas seis Panicats junto com ele, e foram desafiadas pelo Bola a andar sobre a água também. Choque: as Panicats não são gostosas.

No programa normalmente elas são filmadas rebolando, com a câmera em movimento, passeando por sorrisos, bundas e tal. Em foto, mesmo de jornal, sempre rola um Photoshop.

No desafio do açude, elas estavam todas ali de pé no gramadinho, enregeladas, esperando o peão lá fazer seu milagre. Depois, uma por uma foi pagar seu mico chafurdando na água congelante. Naturalmente estavam todas tão peladas quanto possível.

Então, deu pra ver que todas elas estão fazendo musculação demais da conta. Estão bombadíssimas, com panturrilhas e peitorais de fazer inveja a Conan, o Bárbaro.

Uns pescoções, uns coxões e uns peitões, tudo igual, o que sugere o mesmo cirurgião plástico, os mesmos mililitros excessivos de silicone, e permuta com a mesma academia, onde o mesmo personal trainer convenceu as moças de que elas precisam ter músculos até na testa.

Dei uma internetada e descobri que não estou sozinho no meu susto, e tem um texto muito engraçado falando sobre a “rinocerontização” das Panicats, aqui.

Antes que comecem os comentários engraçadinhos sobre minha potencial homoafetividade, vou dizendo que sou muito macho.

E para homem que é homem mulher bonita é bonita e não importam os detalhes - pode ser altona, gordinha, negraça, amarelenta, talvez até banguela (mas não vesga), e qualquer idade entre os 13 e os, hmm, 80?

E é possível e comum um cara se apaixonar por uma mulher bem feia - já vi isso acontecer e não foi uma vez.

Mas feiúra de propósito não tem perdão. Por que o padrão esqueletudo dos editoriais de moda é abominável?

Porque percebemos que os jovens cadáveres despencando nas passarelas poderiam ser belas moças, e nem mulher parecem.

As Panicats daqui a pouco também não. Podiam ser deliciosas, mas tanta malhação faz elas lembrarem, na frase clássica de Martin Amis sobre Arnold Schwarzenegger, “uma camisinha recheada de nozes”.

Pelo menos elas são jovens. Dá tempo de consertar. Pra ioga, gatas.

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Publicado em 30/06/2010 às 11:15

Nas garras do Cometa Império

Muitas experiências nos amadurecem. Algumas nos rejuvenescem, ou pelo menos congelam nosso desenvolvimento. Quando eu tinha 12 anos, o lançamento do Falcon me manteve criança por pelo menos um ano mais.

Quando eu tinha dezessete, recém-entrado na faculdade, recém-mudado para São Paulo, um desenho animado manteve um pé meu na adolescência. Era Patrulha Estelar, uma saga especial japonesa, daquelas que não acabavam nunca.

Passava na hora H, uma e meia da tarde, horário perfeito para quem estudava de manhã e tinha que voltar da USP de ônibus, ou, vamos ser sinceros, para quem foi dormir às cinco da manhã e tinha acabado de acordar. Café, cigarros e Patrulha Estelar - o café da manhã dos campeões.

Meu primeiro ano em São Paulo foi estranho. Me peguei voltando a seguir séries, algumas bem bestas, o que tinha abandonado no colegial - Super Máquina etc. Mas Patrulha Estelar era bacana, minha favorita de longe, minha novelinha diária. Era 2199, a Terra estava sendo atacada pelos Gamilons, pelo Cometa Império, e lá ia a Argo, liderada por Derek Wildstar, salvar a todos nós.

O argumento ia e vinha e voltava, lealdades eram testadas, o drama era dramático, um vilão carismático se provava finalmente um herói - Deslock. E a nave! Um encouraçado afundado, transformado em nave espacial!

Era a típica animação japonesa moderna, como nunca tínhamos visto, no ocidente ou no Brasil. Mesmo que Patrulha Estelar, Star Blazers, já fosse uma edição americana do desenho original. Um tanto esterilizada, portanto, mais “segura” para as crianças. Foi suficiente. Fez escola. Seu sucesso no mercado norte-americano abriu portas para muitos outros animes.

Em 1983, eu não fazia ideia de que muita gente assistia Patrulha Estelar, muito menos “marmanjos” de 17 anos como eu, e não estava nem aí. Assisti tudo. E reprises. Senti falta quando acabou. Ignorei o culto à série até meus primeiros dias da revista Herói, quando conheci gente que era criança no início dos 80 e conhecia de cor cada reentrância de Patrulha Estelar - ou, como dizem os fãs sérios, Space Battleship Yamato, título original.

Uns anos atrás, fãs americanos da série festejaram a compra dos direitos para uma adaptação de grande orçamento, para a Disney. Eu não.

Adaptações infelizes de amores infanto juvenis doem de maneira desproporcional. A infidelidade aos originais é regra - por mim o responsável pelo recente Thunderbirds morria de catapora.

Mas festejo a chegada da velha Patrulha Estelar ao cinema por mãos japonesas. Yamato no Japão é mito. Fidelidade à criação original é lei, e aos desejos do criador, religião. O trailer me enche de esperança. Só a satisfação de desejos de moleque traz a verdadeira felicidade.

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Publicado em 04/06/2010 às 06:00

Águia de Fogo e o mistério do voo 93

Strinfellow Hawke, manja? Águia de Fogo. Um pouco mais para trás: Trovão Azul, o filme, John Badham empacotando um facho de paranoia urbana em um filme de ação emocionante, com um helicóptero da pesada, Roy Scheider e Alec MacDowell.

Águia de Fogo era a mesma coisa: seriado para vender brinquedo, reprodução do helicóptero militar Bell 222A.
 
Eu já era bem grandinho em 1984, mas gostava de Águia de Fogo. Porque String era vivido por Jan-Michael Vincent, meu ídolo infantil de Banana Split, Ilha do Perigo, e de muitas Sessão Coruja. Buster e Billie, viu?

Os moleques da roça estupram a namoradinha caipira dele, ele vai lá e arrebenta os caras no bilhar. As meninas eram loucas por Jan. Nós também.
 
Depois ele fez um milhão de filmes ruins, quebrou a cara em acidentes, foi alcoólatra uns trinta anos, se aposentou. Restou um caco. Dá tristeza de ver.
 
Jan-Michael era bonito demais para durar. Mas em 84 ele era um herói legal. A primeira temporada de Águia de Fogo era alta espionagem, bem emocionante, linha 007/Nick Fury/Super Máquina.

O helicóptero era supersônico. E tinha o Ernest Borgnine. Eu assisto qualquer coisa com Ernest Borgnine.
 
Depois despencou, mas durou vários anos ainda, e fez muito sucesso mundo afora. Os 80 eram assim: a gente gostava de armamento pesado, caras durões, trilhas roqueiras baba, e garotas com laquê demais no cabelo.
 
Hoje de manhã no canal TCM, reencontro Águia de Fogo, décadas depois. Episódio: Flight # 093 is Missing. O argumento: terroristas sequestram avião que cai no mar. String vai lá resgatar o povo no Águia de Fogo.

Dúvida: os terroristas da Al-Qaeda que sequestraram aquele avião que caiu no 9/11 - o Voo 93, veja o filme de Paul Greengrass - escolheram exatamente este voo porque eram fãs de Águia de Fogo, ou é uma dessas
coincidências bizarras que alimentam Teorias de Conspiração?
 
Eu acho que os malucos eram fãs de String. Eles achavam que eram heróis. Eles escolheram de propósito. Eu sei a música que estava tocando na cabeça do carinha da Al-Qaeda quando o avião espatifou no chão.

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Publicado em 14/04/2010 às 06:00

Por que torço pelo sucesso de Legendários

legendarios estreia blog Por que torço pelo sucesso de <i>Legendários</i>

Não vi e não verei Legendários. Não assisto televisão. Muito menos sábado à noite. Não assisto novela, futebol, jornal, documentários, seriados, programa de auditório, de fofoca, de humor. Estou mais por fora que umbigo de vedete, como diziam quando existiam vedetes.

Quando vejo é de relance, de fianco, uns minutinhos roubados aqui e outros acolá. Controle remoto na minha casa estraga rápido - é zap a cada 30 segundos. E desconheço os anúncios do momento. Lembro que o povo falava sobre o tal cara do anúncio das Casas Bahia. Levei um ano para saber quem era.

Mesmo o pouco que vejo de televisão é, inevitavelmente, TV paga, e gelada. Quero lá eu saber das notícias? Estou mais para uns quinze minutos de Tony Bourdain e VH1 depois da meia-noite de uma quarta-feira qualquer, sonolento, acabando o vinho, que para jornal da noite.

Por que? Porque sim. A vida é curta. Trabalho paca. Os afazeres são muitos e os prazeres variados. Não importa. O ponto aqui não sou eu - ô, diabo, sempre esse cara me atazanando, pensa que não tem outro assunto - mas sim Legendários.

Marcos Mion não é da minha turma nem geração. Fácil, fácil implicar com ele. Ainda mais com esse figurino, chapéuzinho, colete e tal...

O que ouvi de Legendários até agora: que teve bom Ibope na estreia. Que é primo do Pânico, mais light. E - palavras do Maurício Stycer, que respeito - que não tem graça. Bem, eu torço para que Legendários seja muito engraçado, muito provocativo, e faça muito sucesso. Por duas razões.

Primeira: 70% da população brasileira tem como canal fundamental de informação e entretenimento a TV aberta. Espero que isso mude rápido e está mudando, para melhor, com internet, e mais ainda quando a internet e a TV digital e o celular se misturarem, em - digamos - uns cinco anos.

Mas agora, o que pauta mesmo o Brasil é a televisão. E a TV aberta é conservadora demais, careta demais, em todo lugar e aqui também.

Se Mion, João Gordo, Solari, Hermes & Renato etc. levarem alguma anarquia para o sábado à noite da família brasileira, como o Pânico fez com o domingo, já saem ganhando ponto comigo. Pânico é a melhor coisa da TV brasileira desde o Chacrinha. O único programa que me mantém no sofá uns vinte minutos seguidos.

E a saída desta horda convidou a MTV a experimentar mais, abrir espaço pra gente nova e esquisita, o que é igualmente positivo. Tipo aquele Ronald Rios, do Badalhoca. Já viu ele seduzindo uma cachorrinha, dizendo “você é a maior gata?”.

Segunda razão e mais importante: coleguismo - os caras estão aqui do lado deste blog, meu. Também torço pela fama e fortuna da Rosana, do Marini, da Fabíola e toda a turma, inclusive os que não conheço. Sou de Piracicaba e caipira é assim: o sucesso dos vizinhos também é o nosso.

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Publicado em 14/02/2010 às 08:00

Uma garota para o domingo de Carnaval

Minha estrela do rock favorita de todos os tempos. Todo mundo roubou dela. Madonna mais que qualquer outra. Mas ninguém chega perto.

Uma garota que peitava qualquer cara, nas ruas mais perigosas de uma Nova York que não existe mais. Quando os Ramones eram uns meninos, ela mandava no CBGB.

Sem macheza, com humor, chique e street. Se eu tivesse uma máquina do tempo, uns anos a menos e bem mais lábia do que tenho, queria voltar para 1979 e namorar Debbie Harry por um fim de semana.

Beber sangria no parque em um domingo perfeito. Sonhar é grátis.

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Publicado em 04/02/2010 às 10:02

Quem tem medo de Tessália?

Impressionante a reação contra Tessália, a mocinha do Big Brother Brasil. Impressionante e repulsiva.

Escrotos de todos os calibres - de jornal popularesco a espertos da geração 2.0 - caíram de pau na moça, “vagabunda” etc.

Uma manchete resume bem o espírito.

tessalia meia hora3 Quem tem medo de Tessália?

Foto: Reprodução/Meia Hora

Pouco me importa o BBB. Não assisto e não recomendo. Leia aqui. Aliás, essa busca pela audiência e pela repercussão a qualquer preço me enche as pacovinas.

Mas não consigo, ninguém consegue escapar do impacto do BBB na cultura pop brazuca. Por isso, muito me importa o que essa reação à moçoila diz sobre o Brasil.

Tessália, como explicou bem o mestre Maurício Stycer, virou a Geni da internet. Todo mundo jogando bosta.

E muitos comparando com Geisy Arruda. Mas Geisy nunca teve o que dizer.

Tessália é a anti-Geisy. Geisy é uma Grazi pré-banho de loja e aula de etiqueta. Leia aqui.

montagem blog Quem tem medo de Tessália?

Tessália é dona do próprio nariz. Aliás, nariz sem cirurgia plástica, narigão com personalidade.

tessalia blog Quem tem medo de Tessália?

Não fingiu de burra.

Não gosta de apanhar, como a policial lá. Não parece estar em busca de um macho que a sustente.

Foi chegando, falando o que queria, namorando com o cara lá, sem culpa. Um pouco perigosa. Um pouco predadora. Um pouco direta demais. Atributos de homem.

É, portanto, inaceitável para o mulherio, justamente o tipo de mulher que mais causa ressentimentos na categoria.

Dor de cotovelo? Rancor? Medo de assustar os homens? Burrice? Sei lá. E, claro, realidade inaceitável para os machos, a não ser como objeto de fantasias de dominação sexual.

O homem ainda sonha com a mulher recatada da porta pra fora e vadia só pra ele. Como se fosse possível.

O macho brasileiro é muito inseguro. Tem medo de comparação.

A reação a esta menina indica que ainda, em 2010, estamos num Brasil em que a maioria dos homens têm medo das mulheres independentes - e a maioria esmagadora das mulheres, mais ainda.

A esta altura do campeonato, já devia estar claro que uma relação entre iguais é muito mais interessante.

A bunda - fetiche número um nas câmeras dos reality shows - é a preferência nacional porque é sinônimo de passividade e submissão ao sinhô.

Americano, que gosta de fartura, prefere um peitão. Na vida real, longe das câmeras, Tessália pode ser isso ou aquilo. No BBB, ela foi bem mais que um rabinho empinado.

Desconfio que a moça tem futuro.

E já que a supertrônica mulata biônica Beyoncé aterrissa no Brasil, dedico às mulheres independentes minha música favorita do Destiny's Child. Clique aqui.

Vocês podem não ser uns anjos, mas homem que é homem prefere panteras...

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