Sequestro de Patrícia Abravanel e revólver na cabeça de Silvio Santos causou comoção em 2001

Silvio e Patrícia Abravanel falam com jornalistas após o fim do sequestro (Foto: Caio Guatelli/Folhapress)

Por Renato Lombardi
Fernando Dutra Pinto tinha 22 anos quando sequestrou Patrícia Abravanel, de 24 anos, matou na sequência dois investigadores da Polícia Civil, feriu um outro policial e manteve o pai de Patrícia, o apresentador Silvio Santos, na mira de uma arma automática durante cinco horas. Ele tinha muitos planos. Queria ser engenheiro.

Mas a vida tomou outro rumo e ele acabou montando um esquema para sequestrar Patrícia. Chamou o irmão, um amigo, a namorada e a namorada do irmão para ajudá-lo.  O crime, aconteceu em agosto de 2001. Patrícia foi libertada após sete dias no cativeiro, quando o resgate foi pago. Menos de 48 horas após a libertação, Fernando voltou à casa de Silvio Santos e, desta vez, manteve o apresentador sob a mira da arma por sete horas. Queria garantia de vida. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin foi pessoalmente à casa de Silvio e garantiu a segurança do sequestrador, que se entregou.

Segundo a polícia, Fernando fora o autor dos tiros que mataram os policiais Paulo Tamotsu Tamaki e Marcos Amorim Bezerra e feriram o investigador Reginaldo Guatura Nardes em um flat, em Barueri, na Grande São Paulo, onde estava hospedado. Fernando negava. Os policiais não eram os responsáveis pela investigação do sequestro e, segundo a versão oficial, eles tinham recebido a informação de onde estava o sequestrador que fugiu escorregando pelas paredes do flat após tiroteio.

Fernando não chegou a ser condenado. Morreu em janeiro de 2002, depois de sofrer uma parada cardio-respiratória provocada por infecção generalizada. Após a morte de Fernando, o irmão afirmou na Justiça que estava sendo ameaçado por funcionários do presídio. A denúncia de que Fernando fora agredido no Centro de Detenção Provisória do Belém, onde estava recolhido, provocou o afastamento do diretor da cadeia. A família dele acusou a direção de não socorrê-lo e quando o fez ele já estava morrendo a caminho do hospital.

Os cúmplices de Fernando, o irmão Esdra Dutra Pinto, foi condenado, a 19 anos e seis meses e o amigo, Marcelo Batista Santos, Luciana Santos Sousa e Tatiane Pereira foram condenados a 15 anos. O crime, aconteceu em 21 de agosto de 2001. Patrícia foi libertada após sete dias no cativeiro, quando o resgate foi pago. A hoje apresentadora de TV fora dominada na garagem de casa, no bairro do Morumbi, e levada pelos sequestradores no próprio carro. Na madrugada do dia 28, foi libertada e chegou em casa guiando o carro em que fora levada.No dia seguinte, a polícia descobriu que o mentor do sequestro fora Fernando e que ele estava hospedado com nome falso no flat de Barueri, na Grande São Paulo. Localizou a casa que fora usada como cativeiro. Fernando fugiu do cerco dos policiais sem o dinheiro do resgate que ficou embaixo da cama do flat. Na manhã do dia 30, temendo ser morto pela caçada da polícia, Fernando voltou à casa de Silvio Santos. Dominou o apresentador que fazia ginástica, libertou a mulher e as filhas e pediu garantia de vida. Silvio ligou para o governador Geraldo Alckmin que, junto com o então secretário da Segurança Pública Marco Vinício Petrelluzzi, foi para a casa. Depois de uma longa negociação o sequestrador entregou a arma ao secretário.

 Sequestro de Patrícia Abravanel e revólver na cabeça de Silvio Santos causou comoção em 2001

O sequestrador Fernando Dutra (de camisa listrada) (Foto: Juca Varella/Folhapress)

Fui o único jornalista a conversar rapidamente com Fernando na porta da casa de Silvio. Um cerco fora montado pela polícia. De um lado estavam todos os jornalistas e do outro, vizinhos do apresentador. Quando cheguei, Fernando estava pronto para sair e ser colocado num carro da polícia. Paletó e gravata, caminhei na direção da casa, pelo lado dos vizinhos,  e os policiais militares que faziam a segurança perguntaram onde eu ia. Disse que morava adiante e apontei a casa vizinha à de Silvio, onde três empregadas com uniformes conversavam. Parei para conversar com as três para que os policiais não desconfiassem e em seguida caminhei firme na direção da casa do apresentador.

Os helicópteros das emissoras de TV estavam mostrando ao vivo. Chico Pinheiro, da Globo, estava entre os jornalistas e pelas imagens foi avisado que eu estava na porta da casa. Outros jornalistas também souberam pelas suas redações e começaram a reclamar. Ao sair, fui falar com Fernando. Perguntei se se sentia seguro e ele me disse que tinha a palavra do governador Alckmin. Não consegui fazer outras perguntas porque Petrelluzi ao me vir perguntou: "O que você está fazendo aqui?". Eu respondi. "Vim conhecer a casa do Silvio Santos". O secretário ficou nervoso. Disse que minha presença ali iria complicar a vida dele com o resto da imprensa. Não consegui fazer perguntas ao governador e ao Silvio. O secretário me obrigou a acompanhá-lo até onde estavam os repórteres, fotógrafos, e cinegrafistas para que eu dissesse a eles que não fora autorizado por nenhuma autoridade a entrar na casa. Todos reclamaram e o secretário justificou. "Eu não autorizei. Ele apareceu, não tenho nada com isso."

Tentei nos dias e semanas seguintes uma entrevista com Fernando. Queria ouvir dele a história do tiroteio no flat. Não consegui. Fernando levou com ele a verdade.