Caso Suzane: o fantasma que abalou Daniel Cravinhos

Neste espaço, Percival de Souza e Renato Lombardi, dois dos maiores repórteres investigativos da imprensa brasileira, vão mostrar grandes histórias de suas trajetórias. Eles darão detalhes de crimes famosos, bastidores, revelações e até contarão "causos" divertidos quer permearam suas carreiras. Para a estreia, Percival traz de volta o famoso caso Richthofen. Acompanhe:

Por Percival de Souza

Tudo foi feito para arquitetar o cenário do crime perfeito. A moça bonita estudava Direito na PUC-SP e já se julgava em condições de driblar as páginas do Código Penal. Até nos detalhes: os assassinos usariam luvas cirúrgicas e meias-calças femininas, para não deixar vestígios para captação genética pelo DNA. O álibi perfeito a ser usado eventualmente: o casal matador de namorados estaria no mesmo dia e hora num quarto de motel. Para não ficar nenhuma dúvida, pediram nota fiscal no esconderijo do amor. No início das investigações e suspeitas, foi este o fio da meada: nenhum Sherlock jamais vira coisa semelhante. A história do motel ruiu.

Suzane Von Richthofen sempre foi tratada com carinho pelos pais, o engenheiro Manfred e a psiquiatra Marísia. Família certinha, mas Suzane preferiu caminhos livremente tortuosos, com estímulos do namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Cristian. De olho na herança, o massacre aconteceu na noite de 31 de outubro de 2002, comemorado pelos assassinos com churrasco no domingo seguinte, na mesma casa do crime.

No dia da reconstituição do duplo assassinato, Suzane revelou tudo: subiu ao quarto dos pais, no andar superior, viu que eles estavam dormindo, retornou e parou no meio da escada, sussurrando para os Cravinhos: “Vamos! Agora!”. Os dois obedeceram a voz de comando. Chegou a vez de Daniel contar como foi: entrou no quarto, puxou o lençol que cobria o rosto do casal, e começou a bater violentamente na cabeça com um bastão metálico. Foi quando os policiais do Departamento de Homicídios acharam que tudo aquilo era insuportável: escolheram para fazer o papel de Manfred um investigador que era sósia perfeito do engenheiro. Quando Daniel puxou o lençol e, bastão nas mãos, viu o rosto, entrou em pânico: gritou apavorados, tremeu, precisou ser amparado. Arfante, tomou um copo d’água, exibindo ali, quase perdendo os sentidos, as contradições da alma humana. As de Suzane, nem a mãe psiquiatra conseguiu desvendar.