Posts de outubro/2009

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31
out
12:47

“NÃO PERCA! NESTE DOMINGO VOU REVELAR DETALHES SOBRE A NOVA TEMPORADA DE A FAZENDA”

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Faltando poucos dias para a estréia, conto tudo (ou quase tudo) em dois programas da TV Record. A tarde, no “Tudo é Possível”, serei jurado do “Giro Musical”, novo e divertido quadro do programa da minha querida amiga Ana Hickmann. Entre um candidato e outro, vou responder perguntas sobre o reality. A Ana é curiosa...!     

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Mais tarde, no “Domingo Espetacular”, uma reportagem especial de Andrea Beron, gravada em Itu, vai mostrar os bastidores da fazenda, os preparativos para a grande estréia e uma entrevista comigo, onde revelo importantes detalhes sobre a nova temporada. 

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As fotos são apenas um aperitivo. E o convite está feito: Assista a programação da Record neste domingo para saber quais serão as novidades e já entrar no clima do nosso reality.

Leia mais

+ Dado Dolabella, Britto Jr. e Nathalia Guimarães participam da estreia do quadro Giro Musical

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28
out
11:33

CONVOCAÇÃO GERAL: ”A FAZENDA” TÁ CHEGANDO!

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DSC00787a3 300x224 CONVOCAÇÃO GERAL: ”A FAZENDA” TÁ CHEGANDO!

Eu sei que você está ansioso e vai querer me matar pelo fato de eu não poder revelar quem são os participantes antes da estréia, mas conto com a compreensão de todos.

Aliás, essa expectativa faz parte do show. e mais: no programa de estréia, diferentemente do que aconteceu na primeira temporada, os participantes não serão apenas revelados e apresentados. Eles já vão enfrentar fortes emoções. O bicho vai pegar já na estreia! Podem crer...

Outra novidade é que as provas serão inéditas.Todos os desafios semanais, aqueles que mandam um participante direto pra roça, correndo risco de eliminação, serão inteiramente novos e ainda mais emocionantes do que os da primeira temporada.

Eu, na condição de apresentador do programa, também estou vivendo essa expectativa e não vejo a hora de começar pra valer. Enquanto mais de 200 pessoas trabalham nas obras de reforma, decoração, preparação de novas provas e ajustes técnicos, eu venho gravando uma série de chamadas que estão no ar na programação da record. E, nesta semana, já estou estudando os participantes. Tenho em minhas mãos um relatório completo do que cada um deles fez e faz profissionalmente, seus gostos e preferências.

Na primeira temporada, isso foi importante para compreender as atitudes dos nossos peões. Confesso que, mesmo assim, muitos me surpreenderam durante o confinamento. Gente que tinha fama de encrenqueira que se segurou; e gente com fama de bonzinho ou boazinha que surtou logo de cara. É justamente essa imprevisibilidade, gerada pela pressão do confinamento, que faz o programa ser palpitante.

DSC00700a3 300x222 CONVOCAÇÃO GERAL: ”A FAZENDA” TÁ CHEGANDO!

Nas fotos, você vê a prova de roupas, ou seja, o momento em que experimentei o novo figurino da fazenda.

Na edição passada, várias vezes eu disse “chove e faz frio em Itu”... meio sem querer, virou uma espécie de marca registrada, não é mesmo? Bem, na próxima temporada, creio que será um pouco diferente. Devo repetir algumas vezes algo como “faz um calor daqueles em Itu”!

DSC00708a 300x225 CONVOCAÇÃO GERAL: ”A FAZENDA” TÁ CHEGANDO!

Verão no interior de São Paulo é assim mesmo, ou seja, “calor de rachar mamona”, como fala o pessoal.

Exatamente por este motivo, casacos, botas e cachecóis vão dar lugar a camisas pólo, jeans mais leves e sapatênis. Tenho certeza de que vou me sentir bem mais confortável na hora de apresentar “A Fazenda”.

A prova de roupas é sempre algo demorado, porque não basta experimentar tudo, também é preciso marcar as peças que precisam de ajuste. Para realizar esse trabalho, conto com uma equipe de figurinistas competente, que você vê nas fotos.

DSC00705a2 300x230 CONVOCAÇÃO GERAL: ”A FAZENDA” TÁ CHEGANDO!
Paulo Paranhos, Juliana Fontenelle, Lourdes Antequeira, eu e Roseli D'Água

Escolhidas as roupas, lá fui eu para o segundo tempo: sob as lentes do fotógrafo Edu Moraes, tirei as fotos que farão parte do material de divulgação, que a Record vai distribuir para a imprensa.

DSC00720a 300x238 CONVOCAÇÃO GERAL: ”A FAZENDA” TÁ CHEGANDO!

Cris Couto e eu posando para fotos.

Nos próximos dias, vou participar de outros programas da emissora: Melhor do Brasil, Tudo é Possível, Show do Tom, Hoje em Dia, Geraldo Brasil, Domingo Espetacular, entre outros, para contar mais algumas novidades sobre o nosso reality show.

Posso garantir que a segunda temporada será tão boa quanto a primeira. Ou até melhor. Neste período de férias, pude perceber que a ausência do programa deixou muitos telespectadores um tanto perdidos diante da tv. Ficou uma espécie de buraco no dia a dia e a maioria já está com saudades. Mas, agora, é só esperar, porque ... as porteiras já estão se abrindo para a segunda temporada de "A Fazenda"!

O bicho vai pegar!

Hilton Britto Jr.

Mais sobre "A Fazenda":

+ Confira a lista de possíveis participantes e novidades da nova temporada

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+ Os principais momentos da atriz Franciely Freduzeski em "A Fazenda"

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26
out
22:30

No Brasil, nos EUA ou em qualquer parte do mundo, é sempre ótimo sentir o carinho dos fãs

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Quando leio que algum artista tratou mal um fã, prefiro imaginar que aquela pessoa famosa não estava num bom dia, talvez atormentada por algum problema pessoal – e quem não os tem? – ou, simplesmente, tinha pressa e nem percebeu a gafe cometida.

Não vou ser hipócrita, pois eu também já errei com fãs. Pouquíssimas vezes é verdade, mas aconteceu, por algum destes motivos que citei. Por isso mesmo, insisto em acreditar que casos de pequenos desacertos entre fãs ávidos por autógrafos e artistas, jornalistas ou apresentadores pressionados por certas circunstâncias (que só o famoso entende) merecem bom desconto.

Não posso acreditar que alguém, detentor de fama, seja mal educado de propósito com seus fãs, já que eles são, em última análise, seus “clientes”, aqueles que compram o seu produto, por admirar o seu talento. Mas, de vez em quando, ouço histórias de fãs indignados com este ou aquele famoso. E sempre que as ouço, procuro estimular a pessoa a refazer seu conceito.

“Será que o seu ídolo não estava com pressa naquele momento? Você tem certeza que ele te viu, te ouviu e entendeu o teu pedido para tirar uma foto?”

E há casos de fãs que, sem “desconfiômetro”, invadem a privacidade do ídolo, interrompendo uma entrevista, um jantar, até mesmo uma cena de novela ou gravação de programa na busca frenética de uma foto. Aí o artista fecha a cara, reage com frieza ou repreende o intruso e é ele, o ídolo, mesmo coberto de razão, quem sai mal falado.

É bem verdade que, desde a época dos Beatles, quando o Fab Four era obrigado a correr de multidões de fãs ensandecidas, essa relação entre fã e ídolo nunca teve regras. Não há manual, nem código de ética. Tenta-se, às vezes inutilmente, usar a lei do bom senso, mas vá alguém tentar evitar o assédio desenfreado a celebridades como Angelina Jolie e Brad Pitt, por exemplo. Se não houver um pelotão de seguranças, correm o risco de ser devorados justamente pelos que mais os veneram... Sim, existe certa antropofagia em tudo isso.

Escrevi este preâmbulo só para não perder a oportunidade de explicar um pouco as raízes desta relação de muito, mas muito mais amor do que ódio entre fãs e seus ídolos. Mas, não é o meu caso.

Aliás, devo ser sincero e contar a vocês que consigo sair por ai, passear num shopping ou ir ao estádio de futebol sem grandes apuros. Os fãs me procuram, me cumprimentam, pedem fotos e autógrafos, mas tudo dentro da tranquilidade. Talvez pelo fato de que eu não canto, não danço, não sou ator, nem galã, apenas um bom apresentador. Um cara família, alguém que inspira confiança e simpatia, sem despertar desejos e atrações fatais.

E por isso mesmo, tenho tempo para tratar melhor os fãs que se aproximam de mim. Um aperto de mão, um abraço, um comentário sobre o programa, e até algum auxílio para aquele fã que não sabe usar direito a câmera do seu próprio celular. Já ajudei várias vezes, afinal, tenho consciência de que aquela simples foto será tratada como um verdadeiro troféu pelo fã.

Não dá para marcar um jantar com todas as pessoas que nos admiram, mas é preciso respeitá-las ao máximo. Afinal de contas, são estes fãs que garantem o nosso pão de cada dia. Ídolo sem fã não é ídolo, não é nada.

Nessa viagem que eu e minha família fizemos aos EUA, fiquei feliz e surpreso com o assédio dos fãs. Lá na Disney, dei muitos autógrafos e posei para muitas fotos ao lado de brasileiros que também estavam lá a passeio. Houve um momento curioso, quando fomos embarcar na jardineira que transporta os visitantes do parque para o estacionamento: um grupo de oito ou dez fãs me reconheceu e começou a gritar o meu nome. Fiquei envaidecido com aquela manifestação de carinho.

Nas fotos que ilustram esse post, você vê duas fãs brasileiras que souberam da minha presença em St. Augustine, primeira cidade americana, e foram até lá só para me encontrar e tirar umas fotos.

A de óculos escuros é Ângela Bisam Lunsford, paulista de Sorocaba e a que carrega o bebê é a Sandra Kuchler, catarinense de Blumenau, mãe do pequeno Lucas. São casadas com americanos e moram há muito tempo na região de Jacksonville/Flórida. Para aplacar a saudade do Brasil, elas assistem a programação da TV Record Internacional.

E eu ali, em pleno território americano, batendo um papo gostoso com fãs brasileiras. É este tipo de demonstração de carinho, mais do que qualquer outro motivo, que estimula a gente a trabalhar cada vez mais e melhor. E neste caso, não serão apenas Ângela e Sandra  a guardar as fotos como verdadeiros troféus. Eu também. E com o mesmo carinho!

Hilton britto jr.

DSC005281 300x225 No Brasil, nos EUA ou em qualquer parte do mundo, é sempre ótimo sentir o carinho dos fãs

Nos Eua Britto e duas fãs brasileiras

brito7 300x225 No Brasil, nos EUA ou em qualquer parte do mundo, é sempre ótimo sentir o carinho dos fãs

Angela, Britto, Sandra e Lucas

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22
out
13:17

Carta aberta aos amigos

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Ser um amigo de verdade não é fácil e por isso mesmo costuma-se dizer que a quantidade de amigos com quem podemos contar cabe na palma da mão. É a mais pura verdade e comigo não seria diferente, mesmo sendo eu um homem de TV, com o privilégio de contar com o carinho e a confiança de todos vocês.

Foto0 Carta aberta aos amigos

André, Norberto (falecido), César e eu, em foto de 2004

Acontece que para chegar a essa condição, os verdadeiros amigos, tem que se enquadrar em alguns itens, muito além dos já conhecidos. Eis alguns deles:

- Ter jogado no mesmo time na escola;
- Ter estudado e, principalmente, preparado a cola juntos;
- Ter preferido ir ao estádio pra ver o time do coração em vez de passar a tarde de domingo com as namoradas (não todos os domingos, senão não seria amizade, e sim um “caso” entre os dois, bem entendido);
- Ter preparado pelo menos uma festa de despedida um para o outro;
- Ter ficado de mal por qualquer motivo e depois feito as pazes, sem arranhar a confiança mútua;
- Tomado um porre “daqueles”, juntos, e esperado passar o efeito, evitando até a morte que um tivesse que levar o outro para a casa dos pais (na adolescência, claro);
- Brigado com a turma rival, mesmo sem ter nenhuma razão;
- Freqüentado a casa um do outro e conquistado a admiração das famílias;
- Elogiado com entusiasmo, repreendido com vigor e aconselhado com convicção, mesmo sem tê-la muitas vezes;
- Reconhecido a colaboração um do outro após alguma conquista, seja em que área for (ai vale desde futebol até namoro, passando por estudo e trabalho);
- Torcido pelo sucesso do outro, sem se comparar a ele e sem nutrir o maldito sentimento de inveja, que, aliás, corrói tantos relacionamentos;
- Se reencontrado em cidades, estados ou países diferentes, após o inevitável distanciamento que a vida impõe e
- Compartilhado com esposas e filhos o sentimento de cumplicidade entre os velhos amigos.

Foto1 Carta aberta aos amigos

Bem, como dá para perceber, ser amigo de verdade não é pra qualquer um, não. E é dentro deste perfil que se encontram os meus mais queridos amigos, César Cemin, André Voltolini, Paulo Bertochi e José Gazola, além do Norberto Zorzi, que já partiu. Peço desculpas aos muitos que não citei e a quem tenho grande apreço, porém, foi este grupo seleto que conseguiu plantar a semente, regar, adubar e manter viva uma amizade que começou lá em Caxias do Sul/RS, nossa cidade natal e já dura mais de vinte e cinco anos. A nossa turma ganhou até um nome, é a “turma do Chaves”, depois que, há muito tempo, a mãe de um de nós achou que a gente se reunia para assistir o seriado na tv. Ledo engano, mas foi tão engraçado que resolvemos adotar o nome. Ai, pessoal, gostaram desta explicação?

Desde o começo dos anos 80, cada um de nós vive ou viveu em cidades diferentes, mas continuamos nos comunicando por telefone ou pela internet. E, sempre que possível, nos encontramos em algum lugar do mapa para relembrar os velhos tempos e trocar experiências. Isso faz parte da receita para manter uma verdadeira amizade.

Foto2 Carta aberta aos amigos

Parece tão simples, não é mesmo? Mas, creiam, não é. Acontece que neste tempo todo que passou, todos nós mudamos bastante. Para melhor e para pior.

Na luta pelo sucesso, vencemos, mas, por vezes, fomos obrigados a engolir fracassos. Na construção de nossas famílias, enfrentamos conflitos, medos, nos defrontamos com situações de crise. Tornamo-nos mais experientes e maduros, no entanto, também mantivemo-nos inflexíveis em muitos pontos, o que nos levou a cometer erros que não devíamos ter cometido. Adquirimos novos hábitos e, só para equilibrar, novos vícios. Colocamos a nossa ética a prova das tentações consumistas, mudamos algumas crenças e ideais, trocamos nossos meios de vida, trabalhamos demais, brigamos além da conta, criamos amigos, mas também fizemos inimizades.

E eu pergunto: será que os senhores de hoje ainda são as mesmas pessoas do álbum de recordações de vinte e poucos anos atrás? É claro que não! Mas, acreditem, meus queridos amigos, por mais que um esconda do outro detalhes ou capítulos que não valem a pena serem citados nas nossas conversas esporádicas, por mais que a vida nos tenha calejado, nós somos donos de um tesouro, que é a nossa amizade.

E, sempre que possível, devemos nos esforçar para continuar cultivando este sentimento bonito que nos une.

Foi o que aconteceu neste meu último período de férias. O André esteve na minha casa, em São Paulo, depois eu retribui a visita na casa dele, em Caxias do Sul. Em seguida, me encontrei com o Paulo, em Farroupilha, que, dias depois, veio me visitar em Sampa. E, na semana passada, foi a vez de eu ir ao encontro do César, que mora em Ponte Vedra, na região de Jacksonville, Flórida, Estados Unidos.

As fotos que você vê no blog foram tiradas lá. Creio que a maioria dos internautas não conhece o meu amigo, então, eu o apresento:

César Cemin, ex-zagueiro do time do colégio, consertava as bobagens que um certo meio-campista chamado Britto fazia lá na frente. Hoje, enquanto eu ataco como apresentador da TV Record, ele defende o pão de cada dia como empresário no ramo de importação e exportação de madeira. É até irônico, pois o Cemin lucra com a venda de cercas para os americanos, num país que quase não precisa delas. Ao contrário do Brasil, lá nos Estados Unidos não existe essa neurose com segurança. A maioria mora em casas e não há muros ou coisa parecida. As cercas de madeira que meu amigão vende pra eles serve mais para separar uma propriedade da outra.

Foto4 Carta aberta aos amigos

Os negócios vão muito bem para o Cemin, mas ele me contou que nem todos os americanos tiveram a mesma sorte em função da crise. Muitos empresários e comerciantes não conseguiram manter seus lucros, tem muita gente desempregada, uma enormidade de casas a venda (por preços cada vez menores) e, claro, muitos imigrantes voltando para seus países de origem. Brasileiros, inclusive. Mesmo assim, o país tem muita gordura pra queimar e, por conta disso, não houve grandes mudanças naquela tradicional paisagem que causa inveja a nós, tupiniquins. Falo de ruas e rodovias bem sinalizadas, de asfalto liso feito carpete (buraco, nem pra fazer chá!), por onde desfilam os carrões americanos. Isso não mudou nada, mas, como eu só fui ‘a Orlando e Jacksonville, não posso garantir que esteja tudo do mesmo jeito no resto do país. O Cemin mora numa casa maravilhosa, com a esposa, Mari, e as filhas Julia e Carolina. Ele também tem um filho de 21 anos, do primeiro casamento. Só que o Lucas vive em Curitiba.

É uma família tipicamente brasileira que aprendeu a levar uma vida tipicamente americana, afinal, já são mais de dois anos nos EUA. Apesar da crise, eles souberam contornar todos os problemas e levam uma vida sossegada, numa parte do país que aprecia o sossego. Jacksonville tem mais de um milhão de habitantes, é a décima-quarta dos EUA em população e primeira em extensão territorial, mas é uma cidade pacata. Todo mundo dorme cedo, pois não se vê praticamente ninguém nos restaurantes após as 10 horas da noite. O César sempre gostou de praia e a casa deles fica a 400 metros do mar. Perto dali, demos uma esticada até St. Augustine, a primeira cidade americana, fundada pelos espanhóis em 1565. Lá, nós conhecemos a primeira escola dos EUA, onde o castigo para aluno bagunceiro era ficar trancado num buraco escuro, debaixo da escada. Se fosse hoje, hein... dava processo contra escola e professor!

Foto5 Carta aberta aos amigos

Fomos juntos a Orlando, passear na Disney, como eu havia prometido aqui no blog, lembram?! Para o César não era novidade, mas para o meu filho, Arthur, foi uma estreia. Ele curtiu todos os brinquedos possíveis para uma criança de 4 anos. E eu e Fernanda também!

Comemos uma daquelas enormes coxas de peru... é meio “animal”, mas delicioso!

Foto3 Carta aberta aos amigos

César nos levou para fazer compras, como não poderia deixar de ser, e saboreamos alguns “lanchinhos” comuns por lá. Não é de espantar que muitos americanos estejam tão roliços. Também pudera, eles comem essas bombas calóricas duas vezes por dia. Ou mais. Aliás, esse é um dos desafios da família Cemin. Mari nos disse que, no começo, todo mundo engordou um pouco. Foi ai que eles começaram a garimpar mercados e restaurantes brasileiros, e regular o cardápio de casa com uma alimentação mais saudável. Além disso, a família começou a fazer ginástica regularmente para queimar as inevitáveis calorias extras. Agora estão bem, mas tem que continuar resistindo ‘as tentações da culinária do tio Sam.

Foto6 Carta aberta aos amigos

Enfim, foi uma visita breve a que fizemos, mas o suficiente pra gente ter certeza de que a família Cemin está colhendo o que plantou, ou seja, depois de muitos desafios, de muito trabalho aqui no Brasil, chegou a hora da colheita. Eles são vencedores e com muitos méritos. Nada melhor do que a gente ter amigos realizados, de bem com a vida, não é mesmo? No momento oportuno, vou contar um pouco sobre a vida e a obra de meus outros amigos do peito.

No futuro, conhecendo o César como eu conheço, creio que eles vão voltar para cá. Ainda demora mais uns anos, mas é o objetivo que iguala todos os imigrantes: fazer o pé-de-meia e voltar para a terrinha, junto da família e dos grandes amigos.

E fazer amizades verdadeiras num país tão individualista como os EUA não é uma tarefa fácil. O César sabe bem e até me convidou para passar temporadas maiores por lá. Vamos ver. Tudo depende de como as coisas vão acontecer aqui, onde a família Britto cravou sua bandeira. E ainda temos muito o que construir. Mas, com certeza, nós faremos outras visitas como essa, afinal, já aprendemos o caminho.

Foto7 Carta aberta aos amigos

Na viagem de volta ao Brasil, a Britto’s family voou para SP enquanto o César voava para Curitiba. E lá, o Cemin vai encontrar o André, nosso outro amigão, neste fim-de-semana. Pena eu não poderei estar com eles, pois eu e minha mulher seremos padrinhos de casamento no interior de SP, no sábado. Mas, sei que os dois companheiros vão matar a saudade e comer um churrasquinho no capricho e isso é o que vale. Espero que tenham tempo para ler este texto, escrito com a alma e o coração.

Lembrem-se sempre: é muito difícil encontrar um bom amigo, mais difícil ainda deixá-lo e simplesmente impossível esquecê-lo, não importa a distância. E quero que saibam: eu me orgulho muito de tê-los como amigos.

Foto8 Carta aberta aos amigos

Aproveito para agradecer as centenas de mensagens que os fãs tem mandado para o blog. Este relacionamento virtual também tem um valor imenso e eu sou muito grato a todos, de verdade.

Hilton Britto jr.

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16
out
13:42

Festival de piadas do Tom Cavalcante

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Participei como jurado do Festival de Piadas do Tom, ao lado do apresentador Gilberto Barros e do ator André Di Biase. O programa só vai ao ar em 7 de novembro, mas adianto para vocês algumas fotos em primeira mão.

Ah, o Tom não sabia que eu estava de barba. Muito observador, já deu a entender que Kabritto Jr, na segunda temporada de O Curral, também estará de barba. O que será que ele vai inventar, hein?

painel Festival de piadas do Tom Cavalcante

plateia Festival de piadas do Tom Cavalcante

Plateia torcendo pelos concorrentes

britto2 Festival de piadas do Tom Cavalcante

Tom e os jurados - eu, Gilberto Barros e André Di Biase

britto1 Festival de piadas do Tom Cavalcante

Recebendo o carinho dos fãs

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14
out
09:00

Laura Finocchiaro e o sumiço de Belchior

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Já houve época em que os musicais arrasavam na televisão. Aliás, a Record costuma, de tempos em tempos, refrescar a nossa memória com a reprise de seus grandes festivais, hoje devidamente conservados em arquivo. Só que os anos passaram e o telespectador não parece mais tão receptivo a este gênero de programa. “Ídolos”  tem sido uma saborosa exceção. Até nos programas de auditório, onde se costuma ver de tudo, já não se vê mais cantores, compositores e músicos levantando plateias com tanta assiduidade. De vez em quando, uma dupla sertaneja, uma Ivete Sangallo... Mas é pouco.

O brasileiro teria perdido o interesse pela música? Os estilos mais populares  teriam se esgotado? Enquanto procuramos respostas que possam indicar um novo caminho para os produtores de TV, quero chamar a atenção para a trilha sonora de A Fazenda.

Uma das conquistas subliminares do nosso reality show, sem dúvida, foi a trilha, preparada por Laura Finocchiaro. Esta mulher tem música nas veias e com o seu extraordinário talento, ela conseguiu fugir do convencional, criando uma textura sonora incrível para todos os momentos do programa. Várias vezes eu comentei, inclusive com ela mesma, que não há, nem nunca houve na TV aberta brasileira nestas últimas décadas, nenhum programa que tenha registrado em sua trilha pérolas e clássicos de Led Zeppelin, The Beatles, Rolling Stones, só pra ficar em alguns roqueiros de que eu, pessoalmente, gosto muito. Até Pink Floyd tocou!

Eu conheci o trabalho de Laura Finocchiaro lá pelos anos 80, quando ainda morava no Rio Grande do Sul. Ela, por sinal, é minha conterrânea. Lançou muitos discos, criou sucessos e veio parar na fazenda, a convite do diretor do programa, Rodrigo Carelli.

E engana-se quem acha que a Laura não gosta de música caipira. Pelo contrário. Ela curte todos os gêneros, mas não caiu na tentação fácil de construir uma trilha sonora sertaneja para uma atração de nome e cenário rural. Até porque trata-se de um reality e não de um programa sobre o meio rural.

Na segunda temporada, que vem aí, vai dar Laura na cabeça de novo. Que talento tem esta mulher... É afinada até no nome... Laura “Fino”cchiaro!

E você deve estar se perguntando o que tem Laura Finocchiaro a ver com o sumiço de Belchior?

E eu respondo: tudo e nada ao mesmo tempo. Acontece que Belchior lançou um novo tipo de protesto. É o sumiço de protesto. Percebi isso na entrevista que ele deu a emissora que, supostamente, o encontrou lá num vilarejo do Uruguai. No meio da entrevista, Belchior comenta que vai voltar logo ao Brasil, principalmente agora que “descobriu ser ainda amado” pelas pessoas. É isso! Belchior, como tantas outras vítimas do esquecimento da mídia, que só dá espaço para modismos e sucessos que vendem, foi relegado a terceiro plano. E pensar que até o início dos anos 80, a gente ouvia Belchior, Chico Buarque, Gal Costa, Milton Nascimento, João Gilberto, Ivan Lins, Beto Guedes... Enfim, só ouvia artista que tinha o que dizer no rádio e na tv. Até que começou a invasão sertaneja... Mas não quero parecer preconceituoso. Tem muito sertanejo de qualidade. Agora, alguém sabe onde foram parar os grandes compositores e intérpretes da música popular brasileira?

Belchior sumiu para chamar a atenção da mídia, mas, principalmente, para saber se as pessoas se importariam com o sumiço dele. Eu me importei, até porque sou fã incondicional e tenho todos os discos dele.

Sumiço de protesto. E onde a Laura Finocchiaro entra nessa história? Ela não teve a intenção, claro, mas, ao emplacar a trilha de A Fazenda, Laura acabou criando uma espécie de “trilha sonora de protesto”.

É como se a Laura estivesse gritando: abaixo o óbvio! Viva o bom gosto! Viva a boa música!

Trilha sonora de protesto... E eu grito:  viva a Laura Finocchiaro! Viva o Belchior... Por falar nele, cadê o Belchior, gente? Será que ele sumiu de novo? Volta, Belchior!

Hilton Britto Jr.

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12
out
16:20

Eu sei quem matou Michael Jackson

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Não dá mais para dizer que só no Brasil não se faz justiça ou que a justiça é lenta ou que ela é falha ou que, por vezes, a justiça é injusta. O assassinato de Michael Jackson foi obra de um algoz que começou a persegui-lo ainda nos tempos do Jackson 5. E seu assassino, que nunca teve cara, identidade e muito menos coração, continua livre, pronto para fazer novas vítimas.

O crime fatal contra Jack começou a se configurar no longínquo dia em que ele e os irmãos apareceram na TV. O mundo aplaudia os Jackson 5, mas o deslumbramento coletivo era mesmo com o caçula, o “fedelho” (para usar uma expressão da época) que cantava e dançava como nenhum outro daquela tenra idade.

Veio a fama, veio o dinheiro e vieram os problemas. Estes, abafados ao máximo, até porque, naquele tempo pouco se sabia e menos ainda se falava sobre os bastidores do show business. Coluna social era o máximo da ousadia. Tablóide, por aqui, era uma palavra a se procurar o significado em dicionário. E olhe lá.

Considerando a máxima de que criança não trabalha, criança dá trabalho, Michael nunca teve infância. Sob o chicote psicológico do próprio pai, dedicou todo o seu tempo para ensaios e viagens exaustivas.

De repente, se tornou homem, declarou independência familiar, separando-se dos irmãos e do pai graças a um talento fora do comum. Ele era mesmo fora de série, na verdadeira acepção da palavra. Muitos, milhares, o imitam, mas ninguém é capaz de fazer o que ele fez.

Um sucesso atrás do outro, Michael chegou ao topo com “Thriller”. Nem os Beatles venderam tantos discos. Faço um parêntese para dizer que o meu exemplar, comprado naquele ano, não vendo por dinheiro nenhum. Não adianta insistir. E olha que é vinil.

Bem, mas depois que alguém chega ao lugar mais alto, é de se imaginar que o próximo passo seja no caminho inverso. Poucos conseguem se manter no rarefeito “Olimpo” da fama. E a descida de MJ foi em queda livre, acelerada pelas acusações de pedofilia e todo o impacto que elas poderiam causar na vida de um artista deste porte. Os tablóides se esbaldaram.

Vieram os tribunais, os acordos milionários, as sentenças duvidosas, e a reclusão. Cercado por todos os lados, Michael Jackson se auto-exilou em seu próprio lar e na sua própria excentricidade. E ele, que teve o mundo a seus pés, a indústria do entretenimento a seu dispor e os jornalistas e críticos como parceiros, de repente, se vê sozinho e abandonado no meio do caminho.

Tente imaginar as pressões que MJ sofreu. O mundo esperando um novo sucesso, um novo lance de genialidade, seus produtores e a própria família sobrevoando-lhe a cabeça, feito abutres. E a imprensa duvidando da capacidade dele para administrar tudo isso.

Está certo que o mundo é dos fortes e que aos fracos abate, mas a imagem de MJ sempre foi de fragilidade, tanto física quanto psicológica. Dava-me a impressão de que toda a indispensável estrutura de caráter e personalidade que forja os seres humanos, no caso dele, foi construída sobre um vazio. MJ era, por assim dizer, uma jóia oca, sem recheio.

Mesmo assim, Michael se prepara para retornar em grande estilo. Ninguém vê, mas ele está lá, ensaiando para 50 derradeiros shows. Até porque ele precisa de dinheiro para aplacar a iminente falência que se avizinha, e que, talvez nem ele próprio tenha percebido, contribuiu para liquidá-lo.

Neste momento, percebe-se o quanto os jornais sensacionalistas podem ser cruéis, já que espalham aos quatro cantos que Jackson está muito doente, e que por este motivo dificilmente subirá ao palco para realizar sequer o primeiro da tão esperada série de shows. Os ingressos já estão vendidos. E ele terá que devolver o dinheiro. Ao mesmo tempo (eu li, ninguém me disse), insinuações dão conta de que o astro esta a beira da morte. Definhando.

Mas, afinal, que doença é essa? Ou melhor, que invenção foi aquela, segundo a qual MJ já estava com o pé na cova? Quem foi o maldoso que espalhou este boato? E com que propósito?

É claro que, agora, se sabe que nada disso era verdade. Vídeos dos ensaios nos revelam um MJ exatamente como todos o conheceram: cheio de vida, de talento, transpirando o desejo de retornar aos palcos e reencontrar seus fãs.

Muito bem, chegou a hora de dizer quem matou Michael Jackson. Aquele que roubou-lhe a infância, que o transformou num astro, e que depois decretou a sua queda livre, amplificou o comportamento duvidoso de sua vida particular, e que também se encarregou de mentir que ele estaria definhando, aquele mesmo... foi “ele” o responsável pela morte prematura do maior ídolo pop da história.

“Mas, quem... quem? Fala logo quem foi este crápula! Revele-nos de uma vez por todas! Quem, afinal, seria capaz de construir um astro para, anos depois, ter o sarcástico prazer de aniquilá-lo para sempre?”

Eu digo com todas as letras: quem matou Michael Jackson foi a “mídia”! Quando digo mídia, falo de todos os atores que formam a indústria (ou seria o circo?) do entretenimento, tais como agentes, produtores executivos, empresários, donos de gravadoras, assessores, advogados, jornalistas, enfim, todos os que se empenharam em construir uma máquina de fazer dinheiro, sem levar em conta que aquele mega-astro era um homem, um ser humano com suas fragilidades, precisando de carinho, de compreensão, de descanso e de outros tantos afagos. E aqui chamo a atenção em especial para os tablóides, que na ânsia de produzir artigos sensacionalistas para vender mais e mais jornais, abusaram da liberdade de expressão, com suas “invencionices”, capazes tanto de turbinar para o bem quanto para o mal a carreira de qualquer um, até do maior astro pop de todos os tempos.

Sim, amigos, Michael Jackson foi uma vítima da mídia. Podem continuar procurando nos lençóis, no tapete do quarto, nos frascos de analgésicos, entre os empregados da mansão ou nas janelas escancaradas para supostos invasores. O culpado pelo fim trágico de um homem único na sua obra, trajetória e legado não tem cara porque é uma instituição. Quem matou Michael Jackson está, neste exato momento, preocupado em garimpar outro que o substitua, porque o show nunca pode parar, não é mesmo?

E, para meu espanto, acabo de ouvir uma música nova de Michael Jackson. Está tocando na internet, nas rádios. É inédita! Não me peçam para explicar, mas é isso. Todos nós vamos dançar ao som do derradeiro sucesso do astro falecido. E, muito provavelmente, haja algum produtor concluindo: acho que matamos a galinha dos ovos de ouro!

É meus amigos, assim como a mídia tem o poder de construir astros e depois desconstruí-los, ela também é capaz de ressuscitar quem já morreu.

This is it.

Hilton Britto Jr.

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08
out
12:59

Objetos de desejo

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Autorama pista Objetos de desejo

Comprei um carro. Sim, e daí? Você deve estar se perguntando qual é a novidade nisso? Com seis milhões de automóveis duelando por espaço na cidade de São Paulo, o novo do Britto vai ser mais um a entrar nessa briga insana de todos os dias. E nada mais do que isso.

É verdade. Não há mais nenhum charme, nenhuma novidade no ato de alguém comprar um carro nos dias de hoje. A menos que o carro seja uma Ferrari, que não é o caso do que acabo de comprar. E este, um 2.0 normal, tem muitos irmãos rodando por ai. Aliás, eu só comprei porque já era hora de trocar o velho por um novo.

Mas, como sobrou pouquíssima coisa nesta vida atual que alguém com mais de quarenta anos não tenha visto ainda, são as reações das pessoas aos fatos que merecem atenção e, às vezes, provocam surpresa. Aconteceu na saída da concessionária. Após o negócio fechado, minha mulher fez o seguinte comentário: "nossa, nem parece que acabamos de comprar um carro novo. Não teve aquele entusiasmo, aquela comemoração... foi como se tivéssemos comprado um par de tênis, uma roupa. Nada mais do que isso!".

E logo me veio à mente uma série de objetos do desejo comprados ao longo da vida. Conquistados seria o termo correto, dadas as comemorações que se seguiram ao "negócio fechado".

Lembro-me de quando tinha meus 17, 18 anos e só andava de ônibus. Ou a pé. Não tinha sequer interesse em aprender a dirigir, pois não imaginava a possibilidade de vir a ser dono de um carro. Mas ai ganhei uma moto do meu pai. Foi uma festa tremenda.

Alguns anos depois, já vivendo em São Paulo, pude comprar meu primeiro carro. Era um Ford Corcel usado, já com seus 7 anos de serviços prestados ao antigo dono. Foi um dia inesquecível.

E no dia em que comprei meu primeiro carro 0 km, então? Foi uma conquista tão grande que levei um mês para ter coragem de tirar o carro novinho da garagem. Com tanto motorista maluco por ai, vai que bate!

E sigo saboreando meus arquivos com outras conquistas materiais memoráveis. Como a primeira TV em cores que meu pai comprou e mandou entregar em casa, sem que a família soubesse. O caminhão da loja parou ali, no portão, e o entregador, com a nota fiscal na mão, lançou a pergunta: "é aqui que mora o seu Hilton Britto?".

Eu e a molecada, que brincávamos na rua, olhamos incrédulos. Logo pensei que devia haver um engano. Mas não. Era ali mesmo. Cinco minutos depois de ser instalada na sala, a televisão já estava cercada por vários meninos da vizinhança, embasbacados em assistir ao "Scooby-Doo" em cores. Tão embasbacados, que demorou dias para gente perceber que o fato de todo mundo aparecer verde era um defeito do aparelho, que precisou ser trocado.

E no dia em que meus pais me presentearam com uma novíssima Olivetti portátil? Ah, desculpe-me... você já nasceu na era dos computadores e não sabe o que é ou o que foi uma Olivetti portátil... Eu explico: era uma máquina de escrever que, diferentemente das outras, podia ser transportada pra lá e pra cá dentro de um estojo em couro. Mal comparando, digamos que aquilo foi uma espécie de notebook pré-histórico, do tempo em que computador nem existia. Que presente eu ganhei! E durante muito tempo, fiz questão de escrever meus trabalhos de escola em vários cômodos da casa, até sentado no banheiro, afinal, a Olivetti era portátil.

Sim, primeiro a sociedade de consumo e se encantou com a "portabilidade" das coisas. Todos aqueles "monstrengos" começaram a ficar menores e passaram a desfilar nas ruas, a bordo de seus orgulhosos proprietários. Hoje, quem faz caminhada com um iPod pendurado na cintura, não sabe como já foi chique fazer "cooper" ouvindo um som no "walkman". Aliás, a outrora requisitadíssima fita-cassete já não faz o menor sentido.

Bem, voltando aos antigos objetos do desejo que provocavam furor. Você seria capaz de carregar um tijolo na cintura? não, né. Pois saiba que os primeiros celulares eram um trambolho. Mas, todo mundo sonhava em carregar aquele tijolo falante e que custava o olho da cara. Algo como dois mil dólares. Nos anos 80, não havia linhas disponíveis para tantos candidatos. Só recorrendo ao mercado negro e, por isso mesmo, custava tão caro. Mas eu comprei o meu e valeu a pena. Todo mundo invejava o meu Startek. Agora, se formos comparar com os dias de hoje... dois mil dólares por um celular? Só se ele for folheado a ouro!

É, a revolução tecnológica destes últimos 30 anos mexeu muito com as relações humanas. Antes, a gente só dava autógrafo. Hoje, tem que dar autógrafo e tirar foto. Foto de celular. Eu não me importo. Atendo todo mundo. E cada vez que alguém me aponta um celular, volto ao passado, quando o álbum de recordações era obra exclusiva de um fotógrafo profissional. Sim, ele tinha que ser contratado para a festa, demorava pra revelar, nem sempre ficava bom, mas era tudo com ele.

Hoje, se você conhece alguém que não gosta de celular que tira foto, iPod e notebook, ah, pode parar! Não vale a pena cultivar amizade com gente que parou no tempo. Não tem futuro. Só passado.

Lembrei de outra: toca-fitas no carro. Isso, quando eu era menino, só os muito descolados podiam se dar ao luxo de ter. Até que um dia, brotou no painel do carro do meu pai um "TKR". Não era "TDK", não. TDK era a fita. TKR era o toca-fitas mega-ultramoderno, que só se podia comprar no longínquo Paraguai.

Ok, se você não sabe o que foi uma Olivetti portátil, não pode saber o que era o poder, a modernidade, o luxo de um toca-fitas TKR. Acontece que foi o primeiro toca-fitas automotivo que tinha a função "autoreverse". Ou seja, quando terminava o lado A, o próprio aparelho tratava de mudar para o lado B da fita, automaticamente. A gente só prestava atenção na última música, para poder ver o momento mágico acontecer, a troca de lado. Fazia um barulho: tátátátá... e, em questão de segundos, começava a tocar o outro lado. Que coisa incrível! Eu e meus amigos de infância cansamos de ficar ali, dentro do carro, curtindo tudo isso. Com o carro parado, na garagem, claro.

E, então, depois destas lembranças todas, eis que eu acordo. De volta ao futuro, respondo a minha mulher que ela tem toda a razão. Não se pode comprar um carro como se fosse a compra de um par de tênis ou uma camisa, sei lá... A festa vai ser no Dia das Crianças, quando vamos comemorar não só a compra do carro novo, mas também a aquisição de um autorama.

Eu explico: uma das maiores frustrações da minha infância foi o fato de nunca ter ganhado um autorama. Custava muito caro e meus pais não puderam me dar. Mas, agora que faço parte deste mundo hiper-consumista, chegou o dia!

Vou comprar um autorama digital, com pista de 10 metros de comprimento, com miniaturas de Porsche, Mercedes e Audi... Vai ser um dia da criança inesquecível.

Eu só tenho uma dúvida: e pro meu filho, de 4 anos, o que eu vou dar de presente? Acho que pra ele eu vou dar uma bola.

Sim, porque o autorama é meu, ora bolas!

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05
out
14:20

Vídeos exclusivos da final de A Fazenda

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Que tal relembrar a final de A Fazenda com três vídeos exclusivos dos bastidores? Vejam:

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02
out
18:46

Che Guevara não morreu!

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che brito 450 Che Guevara não morreu!

A minha barba não tem nada a ver com isso. Eu não sou neo-hippie, nem herói da resistência comunista, nem morro de amores por Fidel Castro Mmas, por mera coincidência, justamente agora, que resolvi mudar o visual, cultivando uma ainda rala barbicha, está em cartaz nos cinemas (poucas salas, é verdade) o filme sobre Che Guevara, o barbudo da Revolução Cubana.

E, ontem à noite, eu e minha mulher decidimos assistir ao filme. Chegamos ao cinema uma hora e meia antes da sessão, imaginando que só assim poderíamos garantir os melhores lugares.

Saco de pipoca e refrigerante em mãos, lá fomos nós. E, para nosso espanto, o que encontramos lá dentro?

Uma multidão de barbudos? Fãs do Che vestidos a caráter? O presidente Lula e outros discípulos da igualdade social? Não, nada disso. Aliás, “nada” é a melhor resposta.

Para nossa surpresa, o cinema estava simplesmente vazio. E só não ficou completamente vazio até o fim do filme, porque eu e Fernanda ocupamos dois dos 278 lugares disponíveis.

O filme não é nenhuma obra-prima, mas a atuação de Benicio Del Toro é, como sempre, brilhante. O que eu há muito desejava era ver materializadas as várias biografias do Che, já que os livros produziram em minha mente apenas a imagem de um revolucionário de papel, um herói da literatura. E esse objetivo o filme alcança. Graças à atuação de Benicio, que encarnou o libertário latino de forma mais do que convincente.

Mas não quero me prender ao filme, nem à história de Ernesto Che Guevara, pois imagino que a maioria dos internautas saiba o que ele representa.

Sentado naquele cinema, cercado de poltronas vazias por todos os lados e tendo diante de mim um quase documentário sobre um personagem tão rico (sem ironias) e que doou a própria vida por uma causa do povo, me coloquei a pensar: será que os ideais libertários e de igualdade de ernesto Che Guevara já não sensibilizam ninguém? Será que a luta dele foi em vão? Será que o fato dele ter abdicado do poder já conquistado em Cuba para começar outras guerrilhas em nome de outros povos oprimidos não desperta o interesse das pessoas do século XXI?

E mais: estaria eu andando na contramão das tendências, já que ainda me comovo com tudo isso?

A minha mulher tratou de enterrar minhas convicções ao comentar que o comunismo praticamente não existe mais, e onde existe não funciona.

Mas aí me veio a resposta para todos estes questionamentos. E o que eu disse à ela vou compartilhar com os blogonautas.

Antes, quero recorrer a uma cena do filme, quase no final, quando Guevara já está preso, prestes a ser executado pelos militares bolivianos (apoiados por americanos).

É quando um oficial do exército faz de tudo para humilhar não só o farrapo humano em que Che foi transformado, mas também as convicções que ele ainda insiste em carregar na mente. O oficial, sarcasticamente, pergunta a Che:
- Por que tentou fazer aqui o mesmo que fez em Cuba?
- Por que o governo daqui não se importa com o povo.
- Então, por que será que foi o povo que o delatou para nós?
- Por que o povo tem medo. Mas, talvez, o meu fracasso faça o povo despertar!

Essa é a frase capaz de manter acesa dentro de mim a chama da esperança em dias mais justos para todos. E que inspirou a minha resposta:

Concordo que o comunismo foi engolido pelo capitalismo, pela idéia de que a igualdade não é possível. Pelo menos não desta forma, através da imposição. Mas a revolução é necessária, sim. Só que a revolução que precisa acontecer, e que seria capaz de mudar as coisas, não é a das armas, do confronto entre guerrilheiros e militares. É a revolução interior, a ser travada dentro de cada um de nós, na consciência dos homens. É o único caminho possível para acabarmos com a fome, com o desemprego, com a pobreza e a violência gerada pela desigualdade social.

Eu sei que você deve estar me achando um sonhador, um visionário ultrapassado, mas eu insisto em ter esperança, em acreditar nos homens.

Todos nós sabemos o que fazer e, portanto, que há solução. O que emperra é o individualismo excessivo, o desejo de obter dinheiro e poder de forma ilimitada, como se vivêssemos numa eterna competição, em que só os mais ambiciosos sobreviverão.

Nada disso faz o menor sentido. Só que esse comportamento cegou a sociedade, que, infelizmente, prefere não refletir sobre o assunto.

Também nas telas de cinema, tenho visto muitos filmes sobre catástrofes que assolam o planeta. E, em todos eles, a solução que o enredo sugere é a união dos povos e a mudança radical de comportamento da humanidade.

Se os personagens reais do passado já não têm a mesma força, quem sabe os cineastas, com suas catástrofes de ficção, sejam capazes de plantar uma semente de esperança? Ou seria de medo?

É como, um dia, Che Guevara disse: “Deixe o mundo mudar você e você poderá mudar o mundo”.

Só que tem que ser rápido, antes que o mundo acabe. Não é mesmo?

Hilton Britto Jr.

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