11 jan
15:57
“VENEZAS”
Em Veneza não existe automóvel. Ou se passeia de gôndola ou a pé. É um dos detalhes que mais fascinam os turistas. Todos que por lá se perdem nas vielas tem a certeza de estar passando férias num lugar único, quase outro planeta. Mas, sem a mesma magia, o Brasil também tem sua Veneza. Aliás, temos várias Venezas por aqui, que a gente vê todo dia na televisão. “O drama das chuvas”, anunciam repetidamente os âncoras. Repórteres nadam de braçada nas enchentes. É pauta obrigatória para jornalistas tanto quanto é problema sem solução para as autoridades. As pessoas já se acostumaram.
E como ninguém resolve mesmo, acho que a solução pode ser o turismo. Em vez de esperar que o poder público dê um jeito, com obras monumentais que nunca saem do papel, que tal a gente inverter a expectativa? Deixa chover bastante, põe rolha no ralo pra água não sair mais e capricha na propaganda:
“Venha conhecer a Veneza Paulista” / “Esqueça o trânsito, navegando de gôndola nas ruas do Rio de Janeiro”/ E por ai vai... Como é mais fácil a gente se adaptar do que consertar o que está errado, talvez seja uma boa solução.
A exploração do turismo-tragédia não seria algo tão novo. No RJ, turistas de várias partes do mundo pagam pra subir o morro, dispostos a decifrar aquela arquitetura do improviso e ver de perto como é a vida dos que moram em barracos.
Nas Venezas brasileiras, os gringos ficariam igualmente boquiabertos com as comportas caseiras, a mobília amarrada e suspensa dentro das casas, os moradores se locomovendo de barco pelas ruas inundadas e, no meio de tudo... as crianças nadando na água suja.
Se não dá pra resolver, a gente improvisa!
Britto Jr.













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