19 jan
15:43
Não é justo pagar pelo erro dos outros
Acabo de receber uma multa de trânsito por ter, supostamente, furado o rodízio de veículos. A multa está em meu nome, embora naquele dia e horário eu estivesse ainda dormindo. E o mais interessante é que os dados que constam ali são do meu carro, mas a foto estampada no papel é de outro. Modelo, marca e placa diferentes.
Dias antes, recebi o boleto do IPVA e também deu reboliço. Além do valor a ser pago este ano, o documento traz o indicativo de que há um débito referente ao IPVA do ano passado. Como assim? Minha mulher acredita que quem guarda o que não presta, tem sempre o que precisa. Ela tem todos os recibos de tudo. E, documentada, confirmou: está mesmo tudo pago. Daí em diante, corre-corre pra saber onde está o erro e corrigi-lo. A investigação particular mobiliza concessionária, despachantes e advogado. Vamos ver no que vai dar.
Estes casos ilustram o quanto estes erros dos órgãos públicos podem gerar estresse. Trabalho extra e desperdício de energia por conta do erro cometido por outras pessoas. Quase uma punição para aqueles que fazem questão de estar em dia com todas as suas obrigações. É alimento da certeza de corruptos e corruptores de que, aqui, só mesmo dando um" jeitinho" para as coisas funcionarem. A malandragem neste país é uma onda que vem de cima, e não de baixo.
É só ver o que acontece quando alguém tenta devolver algo de valor que achou e que não lhe pertence. Dinheiro, principalmente. Vira reportagem de capa. A imensa maioria das pessoas adoraria poder oferecer um “cafezinho” sem medo de ofender os outros. Dependendo de lugar e pra quem se oferece o café, a gente pode ser mal interpretado: “eu não sou disso, meu amigo. Porque o senhor me acusa?”
Da índia, vem a notícia de que um professor quase caiu de costas ao verificar seu saldo bancário: 17 bilhões de reais na conta. Ele demonstra receio do que possa lhe acontecer. Lá, como aqui, pode-se esperar qualquer consequência para um engano como este. Menos, é claro, a de transformar um humilde trabalhador em milionário do dia para a noite. Tomara que o professor indiano não seja condenado a pagar impostos sobre o tempo em que manteve na conta a fortuna que não lhe pertence, mas alguém duvida de que isso possa acontecer? Mesmo assim, eu insisto que ser honesto faz bem para consciência e alma. Me sinto mais leve... opa, cadê a minha carteira?
Britto Jr.













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