Não demorou 48 horas. O novo ministro da Educação assumiu a vaga de Fernando Haddad com carta branca para fazer mudanças em postos-chave e com a determinação da presidente Dilma de trocar o comando do Inep, por causa das falhas no Enem – o Exame Nacional do Ensino Médio. Duas demissões efetivadas nesta quinta mostram que a estratégia do Planalto foi evitar que o desgaste político com as trocas recaísse sobre o pré-candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.
Ao demitir Malvina Tuttman, a presidente do Inep - Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais - e a Secretária de Educação Básica, Maria do Pilar Lacerda – duas das mais importantes auxiliares de Haddad, Mercadante dá mostras de que imprimirá seu estilo à gestão de Educação: sai o moço discreto, de fala mansa e que jamais se irritava, e entra um dos tratores do PT, com pressa de apresentar resultados.
Campanha - No dia da posse, a última terça, Mercadante já avisava que faria mudanças na estrutura da pasta. O novo ministro – que detém eleitorado cativo e numeroso em São Paulo – também foi direto quando perguntado se faria campanha para Fernando Haddad. “Eu vou ser o ministro da Educação” – declarou.
O Enem, o problemático exame que substituiu o vestibular, foi enfaticamente defendido pela presidente Dilma Rousseff em duas ocasiões solenes esta semana. Para Dilma, o exame é garantia de democratização do acesso ao ensino superior. Esse deve ser um dos principais bordões da campanha de Haddad, no esforço para exorcizar o que os adversários consideram seu ponto fraco.
O próprio ex-ministro, ao deixar o cargo na terça-feira, alegou que o Enem não representaria problema, e sim trunfo, uma vez que, segundo ele, a maioria dos alunos de baixa renda aprovam este método de seleção.












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