A presidente Dilma deve consumar hoje novas mudanças na equipe de ministros. Mas pelo menos uma delas tem tudo para novamente desagradar o PMDB - e piorar ainda mais as relações com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Dilma vai nomear o ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, no lugar de um afilhado de Calheiros, Vinícius Lages. A troca em nada contribui para melhorar o clima de desconfiança que vem ditando o comportamento de dois dos mais importantes caciques do PMDB, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que neste momento dominam o Legislativo.

"Henrique não é um gestor, ao passo que é um excelente negociador. Conhece o Congresso inteiro e tem trânsito em todos os partidos" - declara um senador pemedebista, reconhecido por ser hábil em tomar o pulso político do parlamento. "Mas Dilma vai errar de novo" - completa.

A chance de a tese prosperar, no entanto, é nula. Nomear Alves para o Ministério das Relações Institucionais significa entregar a sétima pasta ao PMDB - o que provocaria enorme grita entre os demais aliados, principalmente o PT, que considera o posto estratégico. Representa também mandar para casa o ministro Pepe Vargas, uma escolha pessoal da própria presidente.

Desta forma, a mexida "pontual", como Dilma prefere classificar as substituições no primeiro escalão, deve agregar pouco, politicamente. Isto é, Dilma muda, para ficar tudo igual.

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A presidente Dilma Rousseff ainda procura um ministro para a pasta da Educação, mas persiste na defesa do lema lançado no dia de sua posse para o segundo mandato: “Brasil, Pátria Educadora”. Em reunião ministerial nesta segunda, a presidente pediu a dez dos seus 39 ministros que estabelecessem a Educação como prioridade de suas pastas.

Sem se importar com o paradoxo da situação, segundo a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, Dilma deseja que “todos os ministérios foquem nessa questão e colaborem com o Ministério da Educação, para fazer valer o lema, e as pessoas possam sentir a diferença”. Considerada estratégica, a pasta continua comandada pelo secretário executivo, Luiz Cláudio Costa, desde a demissão de Cid Gomes, na última quarta.

O comando do PMDB nega que tenha defendido a indicação de Gabriel Chalita para a vaga. Deputado federal licenciado, Chalita é Secretário de Educação do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Fiel defensor de Dilma na campanha de 2010, atenderia também à tentativa de reduzir as resistências junto ao PMDB, que ganharia a sétima pasta na Esplanada.

Enquanto o lema “Patria Educadora” não emplaca, sem ministro efetivo, o MEC amarga um brutal corte de orçamento – por enquanto provisório – mas que deve se consumar nos próximos dias, com a publicação do decreto de programação orçamentária de 2015. São esses os números que vão realmente demonstrar se o lema do segundo mandato de Dilma é realmente para valer. Ou apenas um slogan a mais.

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Esta será a primeira segunda-feira do esforço por um novo governo Dilma. Depois da lição deixada por mais de um milhão e meio de manifestantes que foram às ruas neste domingo, a tentativa de recomeço inclui uma promessa de diálogo direto e ampliado com a sociedade e até com setores da oposição.

Enquanto parte do governo respirou com alívio ao final do domingo e concluiu que "podia ter sido pior", outros viram na imensa adesão aos protestos um enorme patrimônio em popularidade que se esvai, enquanto cresce e se fortalece vertiginosamente o anti-petismo, afetando até mesmo o próprio Lula.

Uma sombra de derrota se projeta sobre 2018. É que as perspectivas de recuperação da economia estão distantes demais para permitir a reversão deste cenário. E a crise política causada pelo escândalo Petrobras pode se arrastar pelos próximos anos, enquanto transcorrem investigação e julgamento. Por enquanto, a ira das classes média e alta e a frustração dos demais não serão aplacadas, impedindo que se dissipe a atmosfera de indignação e de divisão social.

A presidente Dilma, ao evitar o desgaste de uma aparição pública após um protesto que pede seu impeachment, mandou dois ministros de sua confiança para responder à Nação. E eles pareciam nocauteados.

Na tarefa, Eduardo Cardozo teve melhor desempenho. O ministro da Justiça cresce no papel de defensor do governo: é mais fluente que Dilma. Bom orador, lança mão do discurso politicamente correto, sem ser óbvio. Para isso combina habilidades de advogado e parlamentar. Rosseto, com seu discurso marcadamente ideológico, acerta menos porque acaba por agradar somente aos petistas.

O problema é que nenhum deles é Dilma. É a presidente quem está com a palavra. É ela quem terá de dizer como reinventar a confiança perdida num governo que está apenas começando.

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A presidente Dilma Rousseff enviou na noite desta quarta-feira o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, ao Senado para buscar trégua com o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB/AL). O senador teve um “papo reto” com o ministro, na base do “ou muda, ou racha” – como se comentou no plenário do Senado.

Mas antes da enésima conversa política sobre o mesmo assunto, Calheiros deixou claro com atitude eloqüentes que não aceitará medidas decididas e anunciadas sem a devida participação do sócio do poder, o PMDB. Não só deixará de defender tais medidas no parlamento, como tem poder para barrá-las – como acaba de fazê-lo.

O exemplo foi a devolução da medida provisória que aumenta o imposto sobre a folha de pagamentos, anunciada na última sexta pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, num tom cuja arrogância acabou reprovada pela própria presidente Dilma. A atitude do senador funcionou como uma espécie de tratamento de choque, capaz de devolver a audição a um governo que insiste no diálogo de surdos.

Pepe Vargas deixou o gabinete de Renan Calheiros falando fino. Repetiu o que ouviu de Renan, como um menino de escola:  medidas como a MP de Levy têm de ser apresentadas e negociadas com os aliados. E registrou o alerta do pemedebista: é altamente recomendável que o Planalto busque uma “alternativa negociada com as duas casas” para os próximos problemões que entrarão na pauta: o percentual de correção da tabela do Imposto de Renda e o orçamento de 2015.

Renan Calheiros sempre esteve falando sério. Mas o Planalto só entende depois de humilhado.

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O ex-presidente Lula foi recebido em Brasília por petistas e pemedebistas como uma espécie de camisa 10 da política. A visita revestiu-se do caráter de intervenção branca na desastrosa articulação do Planalto, criticada por todos, e ocorreu em operação casada com uma brusca mudança na agenda da presidente Dilma.

Enquanto Lula agia para apaziguar aliados, aplacar mágoas e injetar ânimo na tropa petista, Dilma reassumiu o papel de gerente do governo – bem aceito pelos eleitores – e voltou a se comunicar com o mundo ao redor, através de discursos e entrevistas. Também os ministros foram liberados a falar com a imprensa, embora alguns ainda relutem.

O freio de arrumação proposto por Lula foi acertado diretamente com Dilma no encontro reservado que tiveram no último dia 12. Ficou acertado que a dobradinha entraria em campo logo depois do carnaval, quando o calendário político finalmente engrena.

A Lula, os pemedebistas disseram tudo o que não diriam a Dilma. Não aceitam mais o papel de figurantes, nem o de bombeiros na crise. Ganharam a eleição ao lado do PT para governar, e isso não significa apenas obter cargos, mas participar das decisões de governo.

Consideram inadmissível que o vice-presidente Michel Temer continue excluído do chamado “núcleo duro” – composto pelos ministros palacianos, mais próximos a Dilma.

Ainda não se sabe o que Lula realmente conseguirá mudar nos hábitos e práticas da presidente. Nem se terá carta branca para isso. Mas, em Brasília, a torcida é grande pelo gol do camisa 10.

 

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A presidente Dilma Rousseff foi telegráfica ao comentar o rebaixamento da Petrobras para "grau especulativo", no ranking de empresas que disputam investimentos estrangeiros. Dilma resumiu o episódio a "desconhecimento" da situação empresa, mas a palavra que mais se ouviu no governo foi "injustiça". E a maior preocupação: o eventual contágio da economia brasileira, que se coloca na linha de tiro para um futuro downgrade - um desastroso rebaixamento.

Estima-se que 10% de toda a riqueza produzida pelo país estejam vinculados à cadeia de produção da Petrobras. Um estremecimento neste desempenho pode ser o empurrão que falta para levar ao precipício uma economia que deve encolher neste ano.

O rebaixamento da nota do país seria um percalço grave, levando a um retrocesso que pode ter consequências políticas funestas para o PT. O Brasil passaria a entrar para o time de países pouco confiáveis, com alto risco de calote. A classificação tornaria tudo mais caro para os agentes econômicos, principalmente o acesso ao crédito. A fuga de investidores é certa, nestes casos.

O episódio antecede o momento da entrega pelo procurador-geral da República da denúncia contra os políticos enrolados nos desvios apurados pela Lava Jato. Na semana que vem, Rodrigo Janot dirá ao Supremo de quais crimes acusa cada um dos que saquearam a Petrobras. Em Brasília, é esperada uma hecatombe várias vezes maior que o mensalão.

Isto é, no caso Petrobras, o pior ainda está por vir.

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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nem de longe se parece com aquele, apresentado pela presidente Dilma ainda em 2014, logo após a vitória eleitoral apertada que lhe deu o segundo mandato. O novo comandante da economia, que começou anunciando cortes duros e previu um ano tenebroso, adoçou a voz e foi à luta, reconquistar o apoio político perdido pela chefe.

No melhor estilo Antônio Palocci – o ministro da Fazenda de Lula que dobrava as platéias mais hostis – o novo Levy agora é direto sem ser duro, técnico sem ser frio, franco, mas suave.

Na posse da presidente da Caixa, Miriam Belchior, chegou a ser recebido com hostilidade por militantes sindicalistas presentes ao auditório. “Ajuste, não!” “A Caixa é do povo!” – gritavam, enquanto o ministro tentava iniciar o discurso de boas vindas à nova dirigente.

Levy moderou a voz e o discurso: exaltou o trabalho social da Caixa, mas lembrou que a instituição é um banco, e por isso “critérios de eficiência vão ser acompanhados”. A militância silenciou.

Diante de deputados, não tem sido diferente. Ele costuma surpreender aqueles que esperam um tom arrogante e inflexível do titular da Fazenda. O ministro embala a mensagem dura do ajuste necessário em números e argumentos técnicos, mas também lembra, em tom suave, como quem pede prudência, que o pior dos mundos será o retrocesso nas conquistas sociais. Esse sim pode envenenar de vez o ambiente.

Com a iniciativa, o governo Dilma faz finalmente o que relutou por anos: promover o diálogo direto e dar aos parlamentares o status e a atenção que sempre exigiram. Carinho é bom e deputado gosta.

 

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Cinco ministros da presidente Dilma iniciam na semana que vem uma força-tarefa para convencer líderes aliados ao Planalto a defender o pacote de medidas baixado pelo governo, com o qual se pretende alcançar uma economia de R$ 18 bilhões. Está previsto para a terça-feira um almoço, no qual os integrantes da equipe de Dilma reforçarão junto aos deputados que as duas medidas provisórias – ao contrário do que se interpreta - buscam corrigir distorções e preservar direitos.

Estão escalados os ministros diretamente envolvidos na formulação e no impacto das mudanças: Nelson Barbosa, do Planejamento, Manoel Dias, do Trabalho, Carlos Gabas, da Previdência. Para atuar nas negociações, foram convocados ainda Pepe Vargas, das Relações Institucionais, e Miguel Rosseto, da Secretaria-Geral da Presidência. As mudanças afetam pensões, seguro-desemprego e seguro-defeso.

O líder do governo no Congresso, José Guimarães, organiza o mutirão. O reforço tornou-se necessário, depois que ficou claro que o pacote não sobreviveria às mais de 600 emendas apresentadas e ao forte bombardeio das centrais sindicais. O próprio líder do PT na Câmara, Sibá Machado, admite que será impossível aprovar as medidas provisórias sem alteração.

O Planalto já se prepara para negociar pontos do pacote e estaria disposto a amenizar, por exemplo, a regra que dilata o prazo para a requisição do seguro-desemprego.  A ordem é tentar ao máximo preservar a expectativa de economia estimada pelo Planejamento – importante na composição do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica.

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O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMBD/RJ) está apenas começando.  A seleção de pautas incômodas para o Planalto e a celeridade nas votações, que mal deixa tempo para qualquer reação governista, já fizeram estrago em menos de duas semanas de gestão. Mas é depois do Carnaval, isto é, a partir de 24 de fevereiro, que a pauta da Câmara terá de fato a marca do pemedebista.

Além de ativar o debate em torno de propostas ultra-conservadoras, como o Estatuto da Família – que tem tudo para tocar fogo na Câmara, o novo presidente também planeja utilizar as manhãs das quartas-feiras para transformar o plenário da Casa em palco para sabatina de ministros. E já escolheu o primeiro a ser jogado aos leões: seu colega de partido, Eduardo Braga, de Minas e Energia, às voltas com apagões e crise hídrica.

Se todos atenderem aos convites, e no que depender de Cunha, serão chamados os 39 ministros, um por semana – o que forneceria farto material de artilharia para a oposição, suficiente para atravessar o ano.

Os movimentos do pemedebista, que corre solto, fora do alcance de qualquer controle político, muito menos de Michel Temer, alarmam o ex-presidente Lula. O petista deslanchou uma operação para reconciliar Dilma e Cunha e saiu em campo em busca de aliados para a tarefa. No bloco do deixa-disso estariam os pemedebistas Luís Fernando Pezão, governador do Rio, Eduardo Paes, prefeito do Rio, e Antônio Andrade, vice-governador de Minas.

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O governo encerrou a semana tão mal, ou pior do que começou. A presidente Dilma, que julgava ter o controle sobre uma eventual intervenção na Petrobrás, deu de cara com o limite de sua autoridade: colheu a inesperada demissão da maior parte da diretoria da empresa. E se viu compelida a fazer uma escolha, para a presidência da empresa, bem distante da ideal.

Na sexta-feira, em Brasília, a indicação de Aldemir Bendine para o comando da petroleira, foi percebida como um misto de falta de opção e de teimosia de Dilma. O presidente do Banco Brasil é um funcionário de carreira da instituição, sem qualquer conhecimento sobre a área de petróleo e gás. A escolha foi na direção contrária à expectativa do mercado, que desejava um nome com alguma autonomia política e excelência técnica.

A indicação tampouco não cumpre o principal papel almejado pela troca de comando: dar à empresa uma injeção de credibilidade, capaz de gerar a necessária expectativa positiva entre investidores e a retomada da confiança numa correção de rumos.

A péssima reação do mercado, quantificada pela queda das ações da empresa na bolsa, causou outra vez mais prejuízo para à Petrobrás e deixa um sinal claro de que o fim da crise pode estar distante.

O Planalto deixou o anúncio da escolha de Bendine e do diretor financeiro Ivan Monteiro, que também sai do Banco do Brasil, para uma nota do Conselho da Petrobrás, enquanto Dilma decolava para Belo Horizonte, para a comemoração dos 35 anos do PT.

Em defesa da escolha, assessores palacianos alegam que Bendine tem tanto “visão de mercado quanto do setor público” e teria obtido “excelentes resultados” à frente do Banco do Brasil.

 

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