O ex-presidente Lula foi recebido em Brasília por petistas e pemedebistas como uma espécie de camisa 10 da política. A visita revestiu-se do caráter de intervenção branca na desastrosa articulação do Planalto, criticada por todos, e ocorreu em operação casada com uma brusca mudança na agenda da presidente Dilma.

Enquanto Lula agia para apaziguar aliados, aplacar mágoas e injetar ânimo na tropa petista, Dilma reassumiu o papel de gerente do governo – bem aceito pelos eleitores – e voltou a se comunicar com o mundo ao redor, através de discursos e entrevistas. Também os ministros foram liberados a falar com a imprensa, embora alguns ainda relutem.

O freio de arrumação proposto por Lula foi acertado diretamente com Dilma no encontro reservado que tiveram no último dia 12. Ficou acertado que a dobradinha entraria em campo logo depois do carnaval, quando o calendário político finalmente engrena.

A Lula, os pemedebistas disseram tudo o que não diriam a Dilma. Não aceitam mais o papel de figurantes, nem o de bombeiros na crise. Ganharam a eleição ao lado do PT para governar, e isso não significa apenas obter cargos, mas participar das decisões de governo.

Consideram inadmissível que o vice-presidente Michel Temer continue excluído do chamado “núcleo duro” – composto pelos ministros palacianos, mais próximos a Dilma.

Ainda não se sabe o que Lula realmente conseguirá mudar nos hábitos e práticas da presidente. Nem se terá carta branca para isso. Mas, em Brasília, a torcida é grande pelo gol do camisa 10.

 

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A presidente Dilma Rousseff foi telegráfica ao comentar o rebaixamento da Petrobras para "grau especulativo", no ranking de empresas que disputam investimentos estrangeiros. Dilma resumiu o episódio a "desconhecimento" da situação empresa, mas a palavra que mais se ouviu no governo foi "injustiça". E a maior preocupação: o eventual contágio da economia brasileira, que se coloca na linha de tiro para um futuro downgrade - um desastroso rebaixamento.

Estima-se que 10% de toda a riqueza produzida pelo país estejam vinculados à cadeia de produção da Petrobras. Um estremecimento neste desempenho pode ser o empurrão que falta para levar ao precipício uma economia que deve encolher neste ano.

O rebaixamento da nota do país seria um percalço grave, levando a um retrocesso que pode ter consequências políticas funestas para o PT. O Brasil passaria a entrar para o time de países pouco confiáveis, com alto risco de calote. A classificação tornaria tudo mais caro para os agentes econômicos, principalmente o acesso ao crédito. A fuga de investidores é certa, nestes casos.

O episódio antecede o momento da entrega pelo procurador-geral da República da denúncia contra os políticos enrolados nos desvios apurados pela Lava Jato. Na semana que vem, Rodrigo Janot dirá ao Supremo de quais crimes acusa cada um dos que saquearam a Petrobras. Em Brasília, é esperada uma hecatombe várias vezes maior que o mensalão.

Isto é, no caso Petrobras, o pior ainda está por vir.

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O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nem de longe se parece com aquele, apresentado pela presidente Dilma ainda em 2014, logo após a vitória eleitoral apertada que lhe deu o segundo mandato. O novo comandante da economia, que começou anunciando cortes duros e previu um ano tenebroso, adoçou a voz e foi à luta, reconquistar o apoio político perdido pela chefe.

No melhor estilo Antônio Palocci – o ministro da Fazenda de Lula que dobrava as platéias mais hostis – o novo Levy agora é direto sem ser duro, técnico sem ser frio, franco, mas suave.

Na posse da presidente da Caixa, Miriam Belchior, chegou a ser recebido com hostilidade por militantes sindicalistas presentes ao auditório. “Ajuste, não!” “A Caixa é do povo!” – gritavam, enquanto o ministro tentava iniciar o discurso de boas vindas à nova dirigente.

Levy moderou a voz e o discurso: exaltou o trabalho social da Caixa, mas lembrou que a instituição é um banco, e por isso “critérios de eficiência vão ser acompanhados”. A militância silenciou.

Diante de deputados, não tem sido diferente. Ele costuma surpreender aqueles que esperam um tom arrogante e inflexível do titular da Fazenda. O ministro embala a mensagem dura do ajuste necessário em números e argumentos técnicos, mas também lembra, em tom suave, como quem pede prudência, que o pior dos mundos será o retrocesso nas conquistas sociais. Esse sim pode envenenar de vez o ambiente.

Com a iniciativa, o governo Dilma faz finalmente o que relutou por anos: promover o diálogo direto e dar aos parlamentares o status e a atenção que sempre exigiram. Carinho é bom e deputado gosta.

 

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Cinco ministros da presidente Dilma iniciam na semana que vem uma força-tarefa para convencer líderes aliados ao Planalto a defender o pacote de medidas baixado pelo governo, com o qual se pretende alcançar uma economia de R$ 18 bilhões. Está previsto para a terça-feira um almoço, no qual os integrantes da equipe de Dilma reforçarão junto aos deputados que as duas medidas provisórias – ao contrário do que se interpreta - buscam corrigir distorções e preservar direitos.

Estão escalados os ministros diretamente envolvidos na formulação e no impacto das mudanças: Nelson Barbosa, do Planejamento, Manoel Dias, do Trabalho, Carlos Gabas, da Previdência. Para atuar nas negociações, foram convocados ainda Pepe Vargas, das Relações Institucionais, e Miguel Rosseto, da Secretaria-Geral da Presidência. As mudanças afetam pensões, seguro-desemprego e seguro-defeso.

O líder do governo no Congresso, José Guimarães, organiza o mutirão. O reforço tornou-se necessário, depois que ficou claro que o pacote não sobreviveria às mais de 600 emendas apresentadas e ao forte bombardeio das centrais sindicais. O próprio líder do PT na Câmara, Sibá Machado, admite que será impossível aprovar as medidas provisórias sem alteração.

O Planalto já se prepara para negociar pontos do pacote e estaria disposto a amenizar, por exemplo, a regra que dilata o prazo para a requisição do seguro-desemprego.  A ordem é tentar ao máximo preservar a expectativa de economia estimada pelo Planejamento – importante na composição do ajuste fiscal proposto pela equipe econômica.

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O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMBD/RJ) está apenas começando.  A seleção de pautas incômodas para o Planalto e a celeridade nas votações, que mal deixa tempo para qualquer reação governista, já fizeram estrago em menos de duas semanas de gestão. Mas é depois do Carnaval, isto é, a partir de 24 de fevereiro, que a pauta da Câmara terá de fato a marca do pemedebista.

Além de ativar o debate em torno de propostas ultra-conservadoras, como o Estatuto da Família – que tem tudo para tocar fogo na Câmara, o novo presidente também planeja utilizar as manhãs das quartas-feiras para transformar o plenário da Casa em palco para sabatina de ministros. E já escolheu o primeiro a ser jogado aos leões: seu colega de partido, Eduardo Braga, de Minas e Energia, às voltas com apagões e crise hídrica.

Se todos atenderem aos convites, e no que depender de Cunha, serão chamados os 39 ministros, um por semana – o que forneceria farto material de artilharia para a oposição, suficiente para atravessar o ano.

Os movimentos do pemedebista, que corre solto, fora do alcance de qualquer controle político, muito menos de Michel Temer, alarmam o ex-presidente Lula. O petista deslanchou uma operação para reconciliar Dilma e Cunha e saiu em campo em busca de aliados para a tarefa. No bloco do deixa-disso estariam os pemedebistas Luís Fernando Pezão, governador do Rio, Eduardo Paes, prefeito do Rio, e Antônio Andrade, vice-governador de Minas.

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O governo encerrou a semana tão mal, ou pior do que começou. A presidente Dilma, que julgava ter o controle sobre uma eventual intervenção na Petrobrás, deu de cara com o limite de sua autoridade: colheu a inesperada demissão da maior parte da diretoria da empresa. E se viu compelida a fazer uma escolha, para a presidência da empresa, bem distante da ideal.

Na sexta-feira, em Brasília, a indicação de Aldemir Bendine para o comando da petroleira, foi percebida como um misto de falta de opção e de teimosia de Dilma. O presidente do Banco Brasil é um funcionário de carreira da instituição, sem qualquer conhecimento sobre a área de petróleo e gás. A escolha foi na direção contrária à expectativa do mercado, que desejava um nome com alguma autonomia política e excelência técnica.

A indicação tampouco não cumpre o principal papel almejado pela troca de comando: dar à empresa uma injeção de credibilidade, capaz de gerar a necessária expectativa positiva entre investidores e a retomada da confiança numa correção de rumos.

A péssima reação do mercado, quantificada pela queda das ações da empresa na bolsa, causou outra vez mais prejuízo para à Petrobrás e deixa um sinal claro de que o fim da crise pode estar distante.

O Planalto deixou o anúncio da escolha de Bendine e do diretor financeiro Ivan Monteiro, que também sai do Banco do Brasil, para uma nota do Conselho da Petrobrás, enquanto Dilma decolava para Belo Horizonte, para a comemoração dos 35 anos do PT.

Em defesa da escolha, assessores palacianos alegam que Bendine tem tanto “visão de mercado quanto do setor público” e teria obtido “excelentes resultados” à frente do Banco do Brasil.

 

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O cenário atordoa governistas. Com menos de setenta e duas horas de abertura do Congresso Nacional, o Planalto já enfrenta novo pedido de CPI da Petrobrás. E pior: sem perspectivas técnicas ou políticas de reversão. A investigação afeta o flanco mais exposto do governo federal, e é confirmada justamente no dia em que presidente e diretoria da Petrobrás renunciam aos cargos.

"O senado já fez umas dez CPIs da Petrobrás e elas não levaram a nada! Ora! Vamos ser sérios!" - reagiu o recém-indicado líder do governo na Câmara, José Guimarães, ele mesmo alvo de forte bombardeio político. O petista sinaliza que não há o que fazer para evitar a CPI e reagiu às perguntas dos jornalistas: "Vocês precisam virar a página! Sem stress!"

Simultaneamente, na antesala do plenário da Câmara, o Salão Verde, o novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, profetizava: "Vai acontecer!" - sobre instalação da CPI. "É um assunto que tem de ser passado a limpo, seja na Câmara, seja no Senadro, seja mista."

Ataque de nervos - O ambiente no plenário da Câmara é tão tenso que já no segundo encontro do ano dos deputados em plenário, o processo de votação foi interrompido porque tucanos e petistas partiram para troca de insultos.

Tudo começou a partir da iniciativa do tucano Bruno Araújo, que, pela segunda vez, reproduziu em plenário, a partir de um celular, a voz da presidente Dilma, anunciando a redução no custo da conta de luz. O deputado foi aplaudido por seus pares ao atacar a presidente, que teria "enganado a nação".

O petista Arlindo Chinaglia protestou contra o uso da gravação: "não dá para terceirizar o mandato". O líder tucano, Carlos Sampaio, correu ao microfone para defender Araújo e chamou a presidente Dilma de "mentirosa". Em seguida, outro petista, o líder do governo na Câmara, subiu à tribuna para contra-atacar e avisou: "a partir de hoje não vamos mais levar desaforo para casa!"

Alheio aos ataques de nervos de parte à parte, o presidente Eduardo Cunha reagiu friamente ao bate-boca. Permitiu o confronto verbal, mas apenas dentro dos limites do regimento. E retomou a votação, anunciando inclusive o cronograma de trabalho na Câmara nos dias que antecedem o Carnaval.

 

 

 

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O novo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, foi o centro das atenções na solenidade de reabertura dos trabalhos do Congresso. O pemedebista, conhecido desafeto da presidente Dilma Rousseff e protagonista de fortes dores de cabeça presidenciais, passou ao largo da prioridade do Planalto: a aprovação das medidas econômicas que enquadram os gastos públicos e buscam mais arredação. E apresentou a própria pauta.

Num discurso breve, de boas vindas a seus pares, que lhe garantiram acachapante vitória sobre o PT e sobre o governo no domingo, Cunha anunciou que dará prioridade à reforma política, a mudanças na legislação eleitoral, e, principalmente, ao que chamou de "modernização do pacto federativo". E justificou: "de nada adianta modificar a divisão de tributos, sem tratar de obrigações e direitos".

Traduzindo: Eduardo Cunha acena que abrirá caminho para propostas de mudanças nas relações de partilha de arrecadação entre União, estados e municípios. É tema explosivo para o Planalto, já que prefeitos e governadores não disfarçam o ímpeto de avançar sobre a parte da União, tradicionalmente dona da maior fatia do bolo.

Na Mensagem Presidencial ao Congresso - cuja leitura consumiu  uma hora e dezessete minutos - Dilma definiu o ajuste fiscal como vital para a recuperação da economica e prometeu que "não haverá recessão nem retrocesso". O pemedebista discursou logo em seguida e passou ao largo do tema.

Muita gente só voltou a prestar atenção à mensagem presidencial quando se ouviu a palavra "Petrobrás". A sequência de números positivos e previsões otimistas deixou a impressão de que o discurso havia sigo escrito noutra época. E provocou gritos de protesto do plenário.

O presidente da Câmara seguiu indiferente para seu novo gabinete, enquanto, do lado de fora, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, tentava convencer os repórteres de que o pemedebista, que definiu como "um parlamentar destacado", "não será um presidente de oposição".

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A presidente Dilma Rousseff completa amanhã um mês sem falar com a imprensa e vinte dias sem aparecer em público, seja em solenidades, viagens ou eventos. O silêncio das primeiras semanas do novo mandato contrasta com a fase de extrema visibilidade do período eleitoral, em que Dilma falava diariamente com a imprensa, além de estrelar os spots da propaganda gratuita.

O recolhimento coincide com um esforço de arrumação das finanças públicas, dos rumos da economia e da gestão. Mas também ocorre num período de concentração de notícias negativas na política e na economia. Dilma se calou ante a estrepitosa entrevista de Marta Suplicy, que a atacou sem rodeios, enquanto plantou a desconfiança em sua relação com Lula.

Tampouco se viu ou se ouviu a presidente  seja no recente episódio de apagão, muito menos nos últimos desdobramentos policiais da crise na Petrobrás.

A presidente sai de cena e abre espaço para o novo comando da economia, que vem mantendo a média de uma bomba por semana: corte radical do orçamento federal, aumento na conta de luz, nos impostos, na gasolina, na taxa de juros.

A equipe executa, dia após dia, desde a estréia do segundo mandato, o receituário que a presidente candidata negou que aplicaria – embora admitisse que “ajustes” eram necessários. O sumiço de Dilma, ocupada com a tarefa de arrumar a casa, também a poupa da óbvia cobrança por coerência.

Como não há terceiro turno nas eleições presidenciais do Brasil, a presidente faz o que é preciso e inescapável. Espera colher os frutos amanhã pelo sacrifício de hoje. E jamais admitirá que está aplicando a receita do adversário. A diferença talvez esteja apenas no tamanho da dose.

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O ministro Joaquim Levy, da Fazenda, fala a verdade e aplica remédios amargos sem nenhum rodeio: vem aí aumento na conta de luz e quem vai pagar a conta é quem consome, e não o contribuinte. E a Petrobrás vai passar a agir como empresa, isto é, mexer no preço do combustível visando lucro, competitividade e saúde financeira.

Com desenvoltura inédita para um ministro da Fazenda na era do Real, Levy faz e desfaz das promessas de campanha da presidente Dilma, com a autorização da chefe, naturalmente. Pouco importa o que ela tenha declarado ao ser questionada a cada debate e a cada entrevista sobre o que faria com os preços represados das tarifas.

A candidata negou sistematicamente o “tarifaço” pós eleição. Era o discurso politicamente possível naquele momento. Confessar a necessidade do aumento seria o mesmo que praticar suicídio eleitoral – impensável sob todos os ângulos. É como se as circunstâncias e o contexto político lhe dessem licença para negar a realidade.

Conquistada a vitória, o teatro eleitoral fica para trás e o “realismo tarifário” de Levy – e de Dilma, claro – se impõem. Difícil é para o eleitor, agora cidadão comum, compreender as regras deste jogo – de cena – sem se sentir ludibriado.

 

 

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