O presidente Michel Temer passou o sábado dedicado a montar a resposta do governo à crise provocada pela Operação Carne Fraca. De dentro do Palácio do Jaburu, disparou telefonemas e convocou ministros para reuniões de emergência neste domingo. Blairo Maggi, da Agricultura, e Marcos Pereira, da Indústria, foram convocados.

O governo busca dados técnicos para reduzir o mega-estrago econômico provocado por mais uma operação da Polícia Federal, ao mesmo tempo que elabora uma estratégia de comunicação para explicar que o golpe descoberto pela PF limita-se apenas a determinadas unidades das empresas investigadas, que a carne contaminada está sendo rastreada e que o sistema de fiscalização é muito maior do que os "desvios pontuais" identificados pela polícia.

O episódio espalhou no governo a suspeita de que o verdadeiro alvo político da Operação era o novo ministro da Justiça, Osmar Serraglio. A cogitação causa enorme desconforto ao Planalto, porque coloca o próprio governo Temer na posição de refém da estrutura na prática autônoma e "fora de controle" da PF. Mas a instituição é vista como "intocável" neste momento. Qualquer mudança na equipe "pode piorar as coisas" - avalia-se.

 

 

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No grande turbilhão de reações que se sucedeu à entrega ao STF de 83 pedidos de inquérito contra políticos, o líder do governo no Congresso, deputado André Moura, fazia as contas, de olho no calendário. Concluiu que o governo tem 60 dias para dar certo. Este é o prazo para a aprovação da Reforma da Previdência na Câmara - resultado que se transformou numa espécie de salvo-conduto para o governo Temer.

Desde o fim do recesso, o discurso do Planalto tem sido: o governo não será pautado nem paralisado pela Lava-Jato. "Eles não vão mandar no país" - é comum ouvir de assessores, líderes e ministros. Mas nenhum deles ignora a grande instabilidade política que este último episódio representa.

Para minimizar o impacto da Lista de Janot, com os nomes e implicações dos acusados, a se tornar pública nos próximos dias, aliados repetem que tudo já está "precificado" - isto é, os políticos citados nas delações já esperam a inclusão no hall de investigados, e inclusive já estudaram a reação pública que adotarão. A torcida do governo é que, no momento seguinte, se concentrem nas votações. Mas, no Planalto, a contagem regressiva dos sessenta dias vitais já começou.

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O ministro Eliseu Padilha mostra abatimento físico. Só físico. Ausente da Casa Civil há mais vinte dias, após ser submetido a uma cirurgia para a retirada da próstata, o pemedebista garantiu ao presidente que está em plenas condições de retomar o trabalho e efetivamente assumiu o comando das negociações da Reforma da Previdência. Quanto às delações que o vinculam a desvios da Lava-Jato, declara que "não fala sobre o que não existe".

Temer queixou-se ao chefe da Casa Civil que em sua ausência assistiu a um retrocesso da proposta no Câmara, com aliados insuspeitos atacando pilares da Reforma. Padilha prometeu pôr um "freio de arrumação" nas negociações. Deve fixar as fronteiras para possíveis mudanças ao texto e afinar o discurso com líderes de governo, convocados por ele logo após reassumir o cargo nesta segunda.

Mas o pemedebista ouviu cobranças claras dos líderes Agnaldo Ribeiro e André Moura - ambos de partidos do chamado Centrão. Um deles lembrou a Padilha que o principal partido a atacar a reforma, inclusive propondo emendas, é o PMDB. A legenda de Temer e Padilha vive um racha, exposto de forma eloquente por ninguém menos que Renan Calheiros, que aponta eventual influência de Eduardo Cunha na desarticulação pemedebista.

Em poucas palavras, Padilha desqualificou denunciantes e evitou mais declarações sobre citações de seu nome na Lava-Jato, assim como  sua eventual inclusão na Lista de Janot. Em Brasília é dado como certo o pedido de inquérito contra o ministro, entre dezenas de outros políticos, após delações de ex-funcionários da empreiteira Odebrecht.

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Alvejado pela Lava Jato, o governo pemedebista de Michel Temer está cada vez mais tucano. O presidente perde seus auxiliares diretos em velocidade impressionante. Na mesma medida, é levado a instalar representantes do PSDB em postos chave. Já são cinco os interlocutores diretos de Temer no Planalto afastados ou inviabilizados politicamente.

A lista inclui os demitidos Geddel Vieira Lima e José Yunes; os nocauteados politicamente Eliseu Padilha e Moreira Franco - que embora mantenham seus cargos, já não os exercem de forma plena. E por último, até mesmo Rocha Loures, assessor especial da Presidência e amigo de Temer de longa data, deixará o Palácio para assumir na vaga de Osmar Serraglio na Câmara.

A situação tornou-se patente no retorno do feriado de Carnaval. Na quarta-feira de cinzas, Temer despachou apenas com o Secretário de Comunicação, Márcio Freitas. Não havia um único ministro no Palácio. No dia seguinte, apenas o tucano Antônio Imbassahy, ministro da Secretaria Geral da Presidência esteve no quarto andar.

No final do dia, para se aconselhar sobre questões jurídicas, foi preciso o presidente decolar para São Paulo. Segundo fontes, foi encontrar-se com o amigo e advogado criminalista Cláudio Mariz. Antes, mandou anunciar mais um tucano no time de primeiro escalão: Aloysio Nunes Ferreira, no lugar de Serra, no Itamaraty.

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O surpreendente pedido de demissão de José Serra do Ministério das Relações Exteriores na noite desta quarta-feira expõe um quadro preocupante do já combalido primeiro escalão de governo. O agora ex-ministro é o quarto integrante do time sem condições de exercer plenamente sua função.

Esta semana, o Ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, teve de ser internado de urgência por causa de uma obstrução urinária. Deixou o Hospital do Exército em Brasília nesta quarta e viajou em seguida para Porto Alegre.  Padilha é considerado o ministro mais próximo a Temer. Com gabinete no quarto andar do Planalto, é o principal interlocutor do presidente em praticamente todas as questões de governo.

Desde que teve o exercício da função de ministro suspenso por liminares e depois restaurado pelo Supremo, o ministro Moreira Franco, da Secretaria Geral da Presidência, também submergiu. O pemedebista não tem feito aparições públicas nem dado declarações. Evita a todo custo qualquer tipo de exposição, consciente do desgaste que o episódio representou para o governo. E saiu fragilizado diante da perspectiva de um inevitável afastamento, caso seja alvo de denúncia na Lava-Jato.

Temer também não conta com outro auxiliar estratégico: o ministro da Justiça. O presidente vem há quinze dias fazendo sondagens para a substituição de Alexandre de Moraes, tendo recebido a recusa de Carlos Velloso para a vaga.

Diante do isolamento causado pela debilidade ou ausência de seus principais auxiliares políticos, o presidente se apoia cada vez mais na equipe econômica, que exibe os melhores resultados do governo.

Temer estaria extremamente satisfeito com o impacto positivo da liberação das contas inativas do FGTS, medida defendida por Dyogo Oliveira, cuja interinidade no Planejamento tornou-se permanente. Também são festejados pelo pemedebista os desempenhos do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, e do Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, com sucessivas reduções de juros e dos índices de inflação.

 

 

 

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O presidente Michel Temer avalia o nome da procuradora Maria Tereza Uille para a vaga de Alexandre de Moraes no Ministério da Justiça. Uma vez confirmada, Maria Tereza seria a primeira mulher a ocupar a função estratégica e um dos ministérios mais poderosos da Esplanada. Temer trabalha para anunciar o  novo ministro até esta quinta-feira.

O nome da procuradora, que ingressou recentemente no Conselho Nacional de Justiça, tem o apoio do ministro do Supremo, Gilmar Mendes, que vem se tornando um dos principais conselheiros de Temer, principalmente em questões jurídicas. Maria Tereza tem um trunfo no currículo: como procuradora de Justiça do Paraná conseguiu surpreendentes resultados na redução da população carcerária - um dos dramas atuais do país.

A bancada de deputados do PMDB tenta emplacar no cargo José Bonifácio Andrada, vice do Procurador Geral Rodrigo Janot. Mas vem encontrando resistência dos senadores do PMDB citados na Lava-Jato, que não querem se ver submetidos a um nome escolhido pelos deputados do partido.

 

 

 

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Após alta de onze pontos no índice de reprovação pessoal, segundo pesquisa CNT, o presidente Michel Temer está decidido a "solenizar" todas as ações de governo. O verbo acaba de ser inventado pelo pemedebista, que desde a semana passada o repete em discursos, acrescentando a informação de que as solenidades são úteis para chamar a atenção para as medidas governamentais.

O recurso era utilizado à exaustão pela ex-presidente Dilma Rousseff, que chegava a promover um grande evento público por dia, em busca de visibilidade pública. Nesta quarta, até mesmo a ampliação do estoque de milho da Conab, disponível a custos baixos, para abastecer a região Nordeste, foi devidamente "solenizada" - segundo reforçou o próprio pemedebista.

Também como os petistas, Temer adaptou a agenda de viagens para privilegiar a região Nordeste. Para rebater a crítica de que o governo "só sabe cortar", o presidente destaca com frequência que, apesar do ajuste fiscal, ações sociais não foram abandonadas. "Este é um governo que também está ao lado dos pobres do Nordeste e de todo o Brasil", declarou, nesta quarta. "Embora nós tenhamos como lema a responsabilidade fiscal, que visa à colocar as contas em dia - porque a casa que não tem contas em dia se desmanda -, nós não nos esquecemos daqueles mais carentes do nosso País", completou.

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A constrangedora escolha do senador Edson Lobão para presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado desmente aqueles que julgavam que Renan Calheiros encolheria após deixar a presidência da Casa. Investigado em dois inquéritos da Lava-Jato, Lobão comandará a sabatina do indicado por Temer para o Supremo, Alexandre de Moraes. Nenhuma instância corregedora dentro ou fora do senado impedirá a aberração.

Renan foi o artífice direto da escolha, retirando do páreo outros pemedebistas, como Marta Suplicy e Raimundo Lira, que saiu magoado com a interferência de Sarney, eterno padrinho de Lobão. O episódio também reforça o triunvirato Renan-Eunício-Jucá. Mais do que nunca, os caciques pemedebistas agem em perfeita sintonia e estão ainda mais poderosos, agora que a bancada de senadores do partido já alcança 27% do total de 81 parlamentares.

Trata-se também de uma mudança de atitude da ala governista, decidida a não se deixar pautar pelo temor à Lava-Jato. No Planalto se diz que citações nos inquéritos não podem bloquear nomeações, nem engessar as ações de governo. Mas também se admite que não é possível se preparar para uma eventual nova "lista de Janot" - como vem sendo chamado o esperado hall de políticos a serem denunciados pelo procurador geral ao STF, a partir das delações da Odebrecht.

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O presidente Michel Temer rejeitou hoje pressões políticas e mandou um recado direto àqueles que esperam emplacar um nome no ministério da Justiça: "a escolha será minha, não partidária, nem de bancada" - declarou a este blog, durante intervalo que antecedeu a sobremesa - três docinhos típicos brasileiros, servidos no almoço do Itamaraty em homenagem ao presidente argentino, Maurício Macri.

Ministros presentes ao almoço revelam reservadamente que as principais pressões para emplacar um nome no lugar de Alexandre de Moraes no ministério da Justiça vêm da bancada do PMDB da Câmara. "É um erro. Tem de deixar o presidente à vontade. Nessa área, jurídica, ele é especialista e tem muitos contatos".

Temer também deixou claro que não tem pressa. "Vou escolher com calma. Não antes de dez dias. É um posto estratégico." Este blog ponderou ao presidente: "mas aí a pressão vai aumentar!". O pemedebista sorriu e respondeu: "não faz mal. Estou acostumado!" Mas não deixou pistas se optará por um jurista de carreira ou por um nome de São Paulo, onde ele próprio fez carreira como constitucionalista.

O presidente comentou os fatores decisivos que o levaram a escolher Alexandre de Moraes para a vaga de Teori Zavascki no STF. "Ele é um jurista completo, respeitado até dentro do STF. Aliás o apoio dos ministros da Corte foi fundamental [para a indicação]." Entre os magistrados do Supremo que apoiaram o nome de Moraes estão: o decano, Celso de Melo, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, considerado conselheiro do presidente.

Mendes estava presente ao almoço, mas não teve acento à mesa principal, onde estavam, além de Temer e Macri, os ex-presidentes Sarney e Collor, e o recém-eleito presidente do Senado, Euníocio Oliveira. Gilmar Mendes deixou o Itamaraty antes de ser servida a sobremesa.

Moraes tirou licença de 30 dias cargo de ministro da Justiça para se dedicar à sabatina do Senado que antecede sua confirmação como novo ministro do Supremo. Também entregou hoje ao senador Aécio Neves, presidente do PSDB, ofício pedindo desfiliação do partido.

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A escolha, por sorteio, do ministro Luiz Edson Fachin trará neutralidade ao andamento da Lava Jato na Suprema Corte. Por ser o mais recente ministro do Supremo e por não ter integrado, até agora, a segunda turma, Fachin não tem posição marcada em relação à operação, já que só participou das discussões que chegaram ao pleno do STF.

Na segunda turma, que julgava os processos da Lava Jato, os demais ministros tinham posições mais claras, ao votar pró ou contra o relator nas questões relacionadas às dezenas de inquéritos. Gilmar Mendes e Dias Toffoli já haviam proferido decisões contrárias a Teori Zavascki em diversas ocasiões. Lewandowski e Celso de Mello, quase sempre acompanhavam o relator nas questões cruciais.
A escolha de Fachin, feita por meio de sorteio eletrônico, caiu como uma luva para a corte. Para rebater possíveis especulações quanto à falta de isenção do sorteio, a assessoria de imprensa do Supremo providenciou ontem uma explicação técnica, dada por três funcionários de alto escalão do tribunal de alto escalão, responsáveis diretos pelo sistema.
Reunidos com os jornalistas, procuraram demostrar que o mecanismo é isento de interferência, auditável e aleatório.
Fachin agora terá pela frente uma tarefa hercúlea: a de se inteirar dos inquéritos da Lava Jato, formar uma nova equipe de juízes assistentes — já que a de Teori foi desfalcada com a saída do seu braço direito, o juiz Márcio Schiefler — e receber os novos inquéritos que certamente chegarão após as 77 delações da Odebrecht.
A definição do relator da Lava Jato libera agora o presidente Temer a escolher o novo ministro do supremo, o que deve acontecer nos próximos dias.
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