O fechamento da campanha eleitoral de 2014 teve desdobramentos supreendentes que renovam a face de um partido desgastado pelo execício do poder e falhas éticas. As disputas acirradas entre Dilma e Marina e, depois, entre a petista e Aécio Neves, tiveram o poder de reaproximar a cúpula do partido e a militância, que voltou às ruas na reta final do segundo turno.

A legenda também provou que ainda é a que se comunica de forma mais eficiente e alcança os resultados almejados, ainda que as armas utilizadas sejam discutíveis. Foi assim que a estratégia de desconstrução do adversário serviu tanto para Marina Silva quanto para Aécio Neves - um desmonte implacável que quebrou as pernas de ambos oponentes e recolou a candidata petista na dianteira.

Mas, nunca antes, nos últimos doze anos, o PT esteve tão próximo de ser apeado do poder. Desde o fatídico 13 de agosto, com a queda do avião que levava o então terceiro colocado, Eduardo Campos, até a última pesquisa eleitoral, de 25 de outubro, a gangorra da vontade do eleitor foi de tontear. Foram setenta dias de sobressalto e de redesenho diário de estratégias eleitorais.

Dilma Rousseff chega ao dia da eleição com margem pequena de vantagem sobre o adversário, historicamente menor que a das últimas disputas pela presidência - mas, ainda assim, um feito, para quem, por duas vezes, viu a derrota de perto.

Afinal, uma eleição real, sem cartas marcadas e com adversários competitivos, com boa chance de vitória, pode ter trazido ao PT aprendizado duplamente importante. Primeiro: o de que é preciso governar muito melhor e para uma fatia mais ampla da população. Segundo: o de que a identidade popular ainda é seu principal trunfo e não se pode descuidar disso.

Nos últimos dias da campanha, Dilma deu mostras de ter compreendido ambas as lições. Uma vez reeleita, como apontam as projeções, que se lembre delas pelos próximos longos quatro anos de poder que a esperam.

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"Não adianta ela falar que no passado se engavetava denúncia! Isso, agora, é o de menos! diz o taxista José de Alencar, mineiro de Contagem, enquanto me conduz até o aeroporto de Confins, horas depois da passagem da candidata Dilma Rousseff por sua cidade. Sem saber que sou jornalista e cubro a campanha pela Record, ele vai direto ao ponto: "será possível que com essa fama de brava que ela tem, ela não se zangou ao saber da roubalheira na Petrobrás? Isso é que eu não entendo!" - diz o aposentado dos Correios, enquanto guia seu Fiat 2014 por um desvio, para evitar o congestionamento a caminho do aeroporto, em plena tarde de sábado.

Faltou indignação à candidata e à presidente, diante das revelações do ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, que relata 3% de propina ao PT, PMDB e PP. Na passagem por Contagem, pelo terceiro dia consecutivo, Dilma voltou a se mostrar inconformada mais com o vazamento das declarações do delator e com a possível injustiça contra os suspeitos, que com os fatos que ganham vida e impacto, na voz do ex-funcionário de carreira da empresa.

Os petistas talvez subestimem a força da denúncia. Fazem pesquisas qualitativas, estudam a real penetração da história entre este ou aquele nicho de eleitores. Dilma seguirá brandindo a própria biografia contra acusações que no máximo alcançam figuras obscuras de seu partido - um certo Vaccari Neto - ou de legendas aliadas - um tal Sérgio Machado, ex-senador. Afinal, quem se lembra dele?

O taxista José de Alencar - homônimo ao mesmo tempo do Ilustre escritor romântico e do falecido vice de Lula, também mineiro - no entanto, faz perigosa analogia. "Sabe aquele tipo de candidato que rouba mas faz? Pois é! Eu é que não voto nele, de jeito nenhum!" - diz o motorista, sem olhar pelo retrovisor para ver minha reação, como quem pensa alto ou fala consigo mesmo.

Dilma pode até não merecer a comparação, mas precisa deixar isso claro a seus eleitores. A resposta, em Contagem, soou insuficiente. O revide ficou aquém da suspeita milionária de desvio, que, como o próprio taxista indicou, não combina com a imagem da presidente.

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Confrontada com a questão posta frequentemente por adversários de que a campanha petista cria um ambiente de conflito social e divide o país ao contrapôr ricos e pobres, a candidata Dilma Rousseff levou 24 horas para responder de forma específica. E acabou por sustentar: sim, o PT governará prioritariamente para os pobres. "Um governo que não olhar para quem é mais pobre não está fazendo seu trabalho direito".

Para isso, coletou dados da Fundação Getúlio Vargas e do IBGE para sustentar a tese de que durante os doze anos de governo petista houve uma modificação da estrutura de renda da população brasileira. Dilma garante que, no período, houve redução da parcela mais pobre da população e grande migração para a classe média.

Segundo seus dados, em 2002, 54% da população estava nas classes D e E, as de menor renda, e hoje, 73% estariam nas classe B e C - de poder aquisitivo médio e alto. "É isso que transformou o Brasil de forma pacífica e silenciosa, uma modificação na distribuição de renda que levou o país a ter um perfil diferenciado do que tinha" - afirmou.

Dilma sustenta que nos governos petistas "todos ganharam", mas os pobres ganharam mais e ampliaram a classe média, que agora pressiona "legitimamente" por mais e melhores serviços públicos.

A estratégia do segundo turno, de comparar as gestões petistas e tucana, repete a adotada por Lula na campanha de 2005. Desgastado pelo escândalo do mensalão, que abalou profundamente sua popularidade, Lula declarou que desejava uma "eleição plebiscitária", em que o povo avaliasse nas urnas os resultados de sua gestão. Desde domingo, Dilma propõe o mesmo tipo de comparação.

 

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Confrontada com a questão posta frequentemente por adversários de que a campanha petista cria um ambiente de conflito social e divide o país ao contrapôr ricos e pobres, a candidata Dilma Rousseff levou 24 horas para responder de forma específica. E acabou por sustentar: sim, o PT governará prioritariamente para os pobres. "Um governo que não olhar para quem é mais pobre não está fazendo seu trabalho direito".

Para isso, coletou dados da Fundação Getúlio Vargas e do IBGE para sustentar a tese de que durante os doze anos de governo petista houve uma modificação da estrutura de renda da população brasileira. Dilma garante que, no período, houve redução da parcela mais pobre da população e grande migração para a classe média.

Segundo seus dados, em 2002, 54% da população estava nas classes D e E, as de menor renda, e hoje, 73% estariam nas classe B e C - de poder aquisitivo médio e alto. "É isso que transformou o Brasil de forma pacífica e silenciosa, uma modificação na distribuição de renda que levou o país a ter um perfil diferenciado do que tinha" - afirmou.

Dilma sustenta que nos governos petistas "todos ganharam", mas os pobres ganharam mais e ampliaram a classe média, que agora pressiona "legitimamente" por mais e melhores serviços públicos.

A estratégia do segundo turno, de comparar as gestões petistas e tucana, repete a adotada por Lula na campanha de 2005. Desgastado pelo escândalo do mensalão, que abalou profundamente sua popularidade, Lula declarou que desejava uma "eleição plebiscitária", em que o povo avaliasse nas urnas os resultados de sua gestão. Desde domingo, Dilma propõe o mesmo tipo de comparação.

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Fechados os números do primeiro turno, a campanha petista já fazia neste domingo os cálculos políticos para atravessar o segundo turno. E a conclusão era clara: sem os votos de Marina, não há vitória possível sob Aécio Neves. A maior dificuldade, porém, será a superação das mágoas causadas na adversária pelo discurso duro de Dilma, que buscou descontruir a imagem pessebista, e coloborou para seu mergulho fulminante de cerca de doze pontos nas pesquisas.

O ponto alto da agressividade de Dilma se deu quando ela acusou Marina de mentir. A petista alega que ex-senadora votou duas vezes contra a CPMF e hoje nega. Dilma chegou a caracterizar a atitude da adversária de "desvio de caráter". Aliados da petista sabem que será dificílima uma reaproximação de Marina, também duramente alvejada por Lula.

"Foram acidentes de campanha plenamente superáveis, quando está envolvido um bem maior" - diz Gilberto Carvalho, ex-ministro e integrante da campanha. "Vamos atrás desse eleitorado flutuante, que migrou de Marina para Aécio e que está em busca de um candidato" - adianta Carvalho. O problema é que tal eleitorado expressa um voto claramente de oposição - extremamente difícil de reverter.

Oponente de Marina desde os tempos de ministéro, Dilma dificilmente terá a complascência da adversária. E estará no lucro se obtiver um acordo pela neutralidade e o silêncio de Marina pelas próximas três semanas.

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Encerrada a contagem dos votos do primeiro turno, caso se confirme que o tucano Aécio Neves será o adversário de Dilma Rousseff no segundo turno, a artilharia petista contra o senador já está pronta. "Nós o deixamos solto até aqui" , diz presidente do PT, Rui Falcão, sinalizando que a fase do armestício e da cordialidade está prestes a terminar.

Dilma insistirá no discurso de que o adversário não tem projetos - principalmente na área social - e apenas promete dar continuidade aos programas do governo petista. "A troco de que alguém vai escolher quem nunca construiu, nunca fez quando teve a oportunidade, contra quem fez, construiu programas?" - declarou neste sábado, em Belo Horizonte.

Os petistas também estão prontos para travar a batalha dos argumentos ligados à gestão econômica. Dilma tentará vincular a receita proposta pelos tucanos, que prevê cortes de gastos públicos - o chamado "remédio amargo",  a fórmulas de combate à crise que levaram a Europa ao desemprego e à recessão.

Assessores petistas já estudaram números e resultados do governo de Aécio em Minas para usar contra o adversário, quando o assunto for promoção do crescimento e redução da desigualdade. E asseguram que o ex-governador fez bem menos do que propaga e que deixou flancos expostos em diversas áreas.

A disputa devolverá o PSDB à velha posição de antagonista do petismo, posto que ocupa há mais de vinte anos e que por breve período pareceu perder, com a ascenção súbita de Marina Silva, na primeira fase da campanha.

Passar ao segundo turno, para Aécio Neves, será um feito - capaz de resgatá-lo de um fracasso retumbante e de salvar o partido de um nefasto encolhimento político. O entusiasmo angariado a partir de tal resultado pode, sim, dar trabalho a Dilma. Nestas condições, mesmo uma eventual derrota do tucano no segundo turno torna-se para lá de honrosa.

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O comando do Partido dos Trabalhadores acha improvável a vitória definitiva de Dilma Rousseff no primeiro turno, apesar de considerar que haja uma chance. Mas já escolheu o adversário ideal: seria Marina Silva, do PSB, e não o tucano Aécio Neves.

Apesar de ter o arsenal pronto para enfrentar o tucano, uma das razões para preferir Marina está relacionada à boa fase da campanha do senador. "É melhor pegar Marina em trajetória de queda do que Aécio decolando" - comenta um importante integrante da cúpula petista.

O partido também considera que foi bem sucedida a operação de "desmonte" da imagem da ex-ministra, que incluiu explorar contradições do programa e da própria personagem.

Agenda pós-vitória - O partido pretende também reunir em Brasília, na terça-feira, 7, logo após o primeiro turno, a Executiva e os candidatos vitoriosos do PT. "Será uma espécie de pajelança", relata um dirigente partidário.

A própria Dilma, que acompanhará a apuração eletrônica no Palácio da Alvorada na companhia de correligionátios e apoiadores, fará pronunciamento assim que um resultado seguro a confirme no segundo turno.

A  manifestação será num hotel próximo ao Alvorada. Mas a campanha pretende evitar o "clima de velório" de 2010, quando a frustração da vitória em primeiro turno foi recebida como derrota. Para isso, a militância está convocada para fazer a festa diante do hotel.

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"É absurdo que o governo seja atacado e eu não possa responder!" A reação indignada da presidente e candidata Dilma Rousseff foi logo no primeiro bloco do debate promovido pela TV Record, na noite deste domingo, e pontuou todo o confronto. Inconformada, a petista pediu quatro vezes direito de resposta, mas só obteve um - após usar o argumento de que havia sido citada nominalmente.

A regra, discutida e acordada com as equipes de campanha e comum à maioria dos debates em televisão, prevê que o direito de resposta seja concedido apenas em casos de ofensas pessoais.

Com uma vantagem de 13 pontos sobre a segunda colocada no primeiro turno, Dilma e o governo tornaram-se o principal alvo dos adversários, que a atacavam inclusive quando não era ela a sabatinada. A situação deixou exasperados os assessores de campanha. "O formato é muito ruim, com apenas 30 segundos para réplica e tréplica" - reclamavam.

Erros táticos - Visivelmente contrariada, acabou errando no contra-ataque. Ao buscar o confronto com Aécio Neves, introduziu no debate o tema Petrobrás - um flanco exposto de seu governo, com denúncias de desvios milionários que lançam suspeitas inclusive sobre o financiamento de sua primeira campanha. O tucano decolou nos ataques à adversária e transformou a acusação de que pretenda privatizar a Petrobrás em trunfo contra a petista.

Preocupada em dar resposta às múltiplas críticas - da falta de verbas para os militares às distorções do Mais Médicos - Dilma acabou consumindo o tempo de fala sem responder a uma dura colocação de Marina Silva, que se referia às demissões e fechamento de empresas ligadas à produção de álcool e etanol. A petista deixou passar a oportunidade de explorar um dos principais pontos fracos da adversária, ex-ministra do Meio Ambiente: a aversão que têm por ela os representantes do agronegócio, inclusive os próprios produtores de cana-de-açúcar.

Foram poucos os momentos de descontração da candidata do PT. Num dos intervalos, Dilma riu e comentou discretamente com o marqueteiro da campanha, João Santana, as respostas do candidato Levy Fidelix sobre o casamento entre homossexuais - que levaram a platéia a gargalhar.

Ao deixar a emissora, no entanto, a petista já parecia menos tensa. Parou pelos corredores para cumprimentar funcionários e demonstrou boa vontade ao atender a pedidos para tirar fotos, apesar do avançado da hora. Seguida por um séquito de dezenas de assessores e seguranças, ela deixou a emissora pouco antes da uma da manhã.

 

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Depois de passar blindada por Belo Horizonte, Campinas, Rio, pela primeira vez na campanha de rua de Dilma Rousseff, o povo teve acesso próximo à candidata. Em Feira de Santana, Bahia, a multidão de militantes e populares rompeu as grades e cordões de isolamento que protegiam a passagem de Dilma em carro aberto e se aproximou da candidata de forma inédita até aqui. A situação causou grande nervosismo entre assessores e seguranças, mas não chegou a provocar incidentes.

"O povo invadiu! O povo invadiu!" - gritavam, atônitos, os assessores da campanha, enquanto a multidão cercava o carro, em algazarra. A própria Dilma parecia alheia a qualquer risco. Seguiu cumprimentando e acenando, enquanto o cortejo alcançava grupos de batucadas e até uma ala de baianas, com seus trajes típicos. Numa das esquinas do trajeto, sobre um carro de som, um manifestante gay vestido de Mulher Maravilha também dançava e acenava para a candidata.

"O sistema é bruto! E eu quero é mais!" - gritava uma das sambistas, em gargalhada, confirmando a percepção de que tudo na Bahia termina em carnaval. "Tudo isso, por causa de Dilma!" - concluiu o garoto negro de onze anos, agarrado à carroceria da caminhonete apinhada de fotógrafos.

O governador do estado, Jacques Wagner, requebrava ao lado da presidente, que batucava no capô da caminhonete. O grupo alcançou a praça do palanque preparada para o mini-comício, cercada por grades e mais seguranças.

Dilma subiu ao palco, diante do qual havia meia dúzia de militantes. O povo havia sido contido por grades a duzentos metros de distância, até que, do microfone, o locutor anunciou: "a presidente quer o povo aqui perto! Libera o povo! Libera o povo!"

O anúncio causou um princípio de tumulto, com a abertura das grades e grande correria até o palanque. Dilma discursou em tom emotivo, pediu água para continuar, votos para vencer e terminou jogando para a multidão a única rosa que tinha nas mãos.

Foi preciso a Bahia para ensinar à campanha que um banho de povo faz bem à alma de qualquer governante.

 

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A presidente Dilma Rousseff tem se dedicado quase exclusivamente à campanha eleitoral nas últimas quatro semanas. Uma rotina exaustiva, mas que em raras ocasiões permitiu que a candidata saísse da zona de conforto. Até aqui, Dilma esteve cem por cento do tempo cercada pela segurança da campanha e do Planalto, por ministros e assessores do comitê, mas, acima de tudo, por um cinturão de militantes petistas.

Os atos públicos, chamados de "caminhada" pelo comitê de campanha, na verdade se traduzem numa espécie de breve desfile em carro aberto. Da carroceria de uma caminhonete, acompanhada por candidatos locais, Dilma acena para eleitores nas janelas dos prédios e tenta um aperto de mão aqui e acolá, em meio a grande tumulto e empurra-empurra.

O trajeto do carro é cercado por militantes do PT, com suas bandeiras, carros de som, e por uma corrente humana de seguranças musculosos, normalmente contratados pelo PT local, que impedem a proximidade entre candidata e eleitor.

A atividade culmina com uma espécie de mini-comício, em que Dilma discursa para um pequeno número de eleitores incidentais, misturados a um grande conjunto de militantes  - que a ovacionam a cada declaração.

Este formato de agenda é às vezes combinado com um encontro com alguma cooporação ou entidade aliada - ocasiões em que a candidata-presidente é raramente contestada ou submetida a alguma cobrança mais dura. Constrangimentos são imediatamente contidos pelos anfitriões, pela equipe de campanha ou mesmo pelos seguranças.

Em Esteio, por exemplo, no Rio Grande do Sul, um pequeno grupo de manifestantes do Judiciário Federal foi tolerado com dificuldade, e combatido de forma eficaz por militantes do PT, que gritavam e aplaudiam Dilma, para encobrir o protesto. No Rio de Janeiro, na favela da Maré, a campanha blindada foi surpreendida por uma horda incontrolável de crianças miseráveis, dos quatro aos 12 anos de idade, que invadiram a área "protegida" - o que levou ao brusco encerramento da agenda.

Em Campinas, uma estudante solitária gritou palavras de ordem diante da sede da Associação Comercial e industrial, onde a candidata foi recebida, para espanto geral de seus apoiadores. Na mesma Campinas, outro jovem ousou entregar um bilhete à candidata, cobrando a promessa do trem bala. De tão raro, o gesto rendeu até notícia de jornal.

Em escassas ocasiões, Dilma falou para um público que não fosse integrado exclusivamente por simpatizantes, ou circulou num ambiente real de campanha. Tal artificialismo cria um falso clima de unanimidade que está longe de corresponder aos resultados apontados pelas pesquisas.

A campanha de rua blindada também tem um efeito nefasto: coopera para afastar a candidata da realidade e transforma o esforço em um precário monólogo. Nem Dilma é ouvida pelos que precisam conhecer os resultados de seu governo e suas propostas, nem é confrontada com as  angústias de quem não está exatamente satisfeito. Triste desperdício de uma oportunidade de ouro para o diálogo real entre governante e governados.

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