Maus conselhos, cabeça quente e abuso de poder são a mistura explosiva que tem levado o senador Renan Calheiros a promover uma escalada na crise institucional e a alimentar a instabilidade política com gasolina. Nesta terça-feira, esse coquetel da insensatez pode ter sido fatal para o político alagoano, cujo "couro-duro" - como se diz em Brasília - isto é, a capacidade de enfrentar pressão, é tida como campeã.

Renan pode sair derrotado da sessão do Supremo desta quarta. Não é improvável que a liminar de Marco Aurélio Mello, que determina seu afastamento da presidência do Senado, seja mantida. De volta ao seu campo de batalha, o senador obrigará o plenário a ouvir sua defesa e a rejeitar seu afastamento - estendendo a crise que já ameaça gravemente as votações previstas para os últimos poucos dias úteis do Senado antes do recesso.

Numa demonstração de que não entregará o cargo sem longa e dolorosa batalha, Renan apresentou um terceiro recurso, já à noite. Agora pretende anular o julgamento que deu maioria à tese de que um réu não pode integrar a linha sucessória da Presidência da República.

Renan também jogou por terra o esforço diplomático do petista Jorge Viana, que foi pessoalmente ao Supremo tratar com seis dos onze ministros - os quais alertou para a gravidade e delicadeza da situação.

Renan fez e aconteceu: por duas vezes despachou o oficial de Justiça, sem assinar a notificação de seu afastamento. Sapateou na decisão de Marco Aurélio Melo que, segundo ele, "parece tremer na alma" toda vez que se fala em corte nos vencimentos - uma referência ao projeto patrocinado pelo pemedebista que promete enquadrar os super-salários no teto constitucional.

Ao fazê-lo, o senador reduz todas as atitudes, inclusive as suas, à uma irresponsável retaliação.

Nesta terça insana, Renan pode ter selado sua derrota, numa espécie de batalha derradeira, cujo desfecho o assemelha a outro pemedebista encalacrado: Eduardo Cunha

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A notícia já alcançou o Planalto na ressaca do desgaste político provocado pela malfadada participação de Temer na cerimônia de honras fúnebres aos jogadores da Chapecoense. O presidente presidia a reunião sobre reforma da Previdência, que começou com quase uma hora de atraso: "peço desculpas, é que estávamos esperando a chegada do senador Renan Calheiros" - esclareceu.

E Renan não chegou.  Naquela altura, Temer estava preocupado em fortalecer o pilar econômico de seu governo, Henrique Meirelles, cuja imagem começa a trincar, e anunciava as mudanças de regras na aposentadoria dos brasileiros com um ar ressabiado, de quem já sabe que a casa vai cair. Não imaginava que em minutos um outro pilar viria por terra ruidosamente: o senador que um dia já foi seu adversário político e se tornou uma espécie de guardião da estabilidade acabara de ser afastado do cargo por um peteleco do mais polêmico ministro do Supremo: Marco Aurélio Mello.

Ficou patente a extrema fragilidade da ordem constituída pós-impeachment. A primeira preocupação dos líderes que desciam pelo elevador ao segundo andar do Planalto e davam de cara com jornalistas era sustentar que o andamento das votações estava mantido. Como presidente do Senado, o poderoso Renan Calheiros era garantia de trâmite célere e sob controle.

Agora - suprema ironia -, a situação coloca no centro da cena um petista: assume a presidência do senado Jorge Viana. O acreano é dos mais moderados, tanto que o líder do governo no Congresso, Romero Jucá sustenta que o calendário das votações será mantido. Mas o PT já pressiona Viana a brecar o segundo turno da Pec do teto de gastos.

A notícia da decisão liminar contra Renan levou grande apreensão a uma equipe palaciana desfalcada e acentuou o isolamento de Temer, que ainda não se recuperou da perda de Geddel Vieira Lima, seu eficiente operador político. O núcleo duro de Temer agora conta com Eliseu Padilha alvejado e Meirelles sem chance de apresentar resultados imediatos que revertam o cenário adverso.

Ao sabor de uma hecatombe por semana, vai ficando difícil acreditar que o governo Temer atravesse de pé as tempestades anunciadas para 2017.

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E o Dem chegou à Presidência da República - interina, isto é, Rodrigo Maia vira "o vice" de Michel Temer, uma vez que o presidente da Câmara é o terceiro na linha sucessória no comando do Executivo. O deputado eleito na noite desta quarta-feira para a cadeira de Eduardo Cunha já assumirá o comando interino do país na primeira semana de setembro, quando Temer viaja à China, para a reunião do G-20.

Naturalmente, tudo isso ocorrerá apenas se o Senado confirmar o impeachment de Dilma Rousseff em agosto - o que no atual é cenário é dado como certo.

A chegada do pequeno Democratas ao poder, mesmo que por vias tortas, é um impressionante sinal da onda conservadora que baniu os partidos de esquerda do centro da cena política. O partido - que foi protagonista por décadas - correu o risco de desaparecer do espectro de legendas por péssimo desempenho eleitoral ao longo da era Lula. Chegou a nanico, com a evasão de representantes. E acabou presidido por senador Agripino Maia (DEM/RN), por falta de líder que aceitasse a tarefa.

Agora Rodrigo Maia - um jovem parlamentar, considerada a média de idade dos integrantes do DEM, assume o comando dos próximos estratégicos seis meses da Câmara Federal e atravessará a Praça dos Três Poderes para governar o país em pelo menos três ocasiões até o final do ano. O giro internacional de Temer para "vender um novo Brasil" a investidores internacionais começa pela China, no dia 3 de setembro.

No final do mesmo mês, Maia volta à cadeira presidencial no Planalto, por ocasião da participação de Temer na reunião da Assembléia Geral da ONU em Nova Iorque. E ainda em meados de outubro, quando está prevista viagem do presidente à India, para reunião dos Brics, que ocorre nos dias 14 e 15.

 

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Com mais de uma dezena de candidatos à presidência, a disputa mais pulverizada que a Câmara já viu nos últimos tempos leva a um cálculo também inusitado: ganha a chance de disputar o segundo turno quem alcançar mais de 90 votos. Por isso, partidos com bancadas mais numerosas tentam se unir em torno de um determinado candidato para descarregar no escolhido o máximo de votos.

As horas que antecedem a ida às urnas são de cálculos frenéticos: alguns se lançam na esperança de minar candidaturas adversárias, outros recuam em troca de algum favor futuro ou simplesmente para evitar o fiasco de uma votação baixíssima.

O Planalto investe tudo para levar Rogério Rosso (PSD/DF) ou Rodrigo Maia (DEM/RJ) para o segundo turno e evitar que Marcelo Castro (PMDB/PI) chegue com chances de vitória na etapa decisiva. O pemedebista, ex-ministro de Dilma, tornou-se, na virada da terça para quarta, o candidato de oposição ao Planalto, que desistiu da aproximação e deslanchou uma operação para dizimar sua candidatura.

Além de conduzir a Câmara para a transição de uma das fases mais turbulentas da história da Casa até a eleição para o próximo biênio 2017-2018, o próximo presidente da Câmara é também o substituto de Michel Temer na presidência da República. O Planalto age para eleger um aliado confiável, que garanta a estabilidade política tanto nesta função, quanto na condução de votações urgentes da pauta econômica - prioritárias para o esforço do governo de conquistar a confiança do mercado.

São elementos que tornam esta eleição para o mandato tampão, em substituição a Eduardo Cunha, uma disputa estratégica para o Planalto, que tentará a todo custo evitar esfacelar sua base de sustentação parlamentar, obtida após o afastamento de Dilma Rousseff.

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A demissão do ministro do Turismo a apenas 50 dias dos Jogos Olímpicos é menos relevante por se tratar da terceira baixa no time de primeiro escalão do governo interino do que pelo que pretende sinalizar à equipe. Henrique Eduardo Alves não é apenas mais um ministro do PMDB alvejado pela Lava-Jato. É dos aliados mais leais e mais próximos ao presidente interino Michel Temer na última década.

O ex-deputado pelo Rio Grande do Norte já foi dos políticos com maior número de mandatos consecutivos na Câmara, Casa que presidiu, dando continuidade ao estilo Temer e com o patrocínio do então presidente do PMDB. Articulador direto da entrada de Temer na chapa de Dilma, ao lado do petista Vacarezza, ainda em 2009, foi o primeiro pemedebista a deixar o ministério quando a convivência entre o vice e a titular já não era possível.

"Henrique chorou" para voltar para o Turismo - confidenciam pemedebistas, que o viram "desesperado" ao perder o foro privilegiado perante a Justiça. Agora deixa a pasta, assumindo o risco que tanto quis evitar, em momento muito mais grave: a delação de Sérgio Machado corrobora com indícios que se avolumam nas mãos dos procuradores da Lava Jato.

As circunstâncias e a carta de demissão de Henrique Alves funcionam como senha para novas baixas, liberando o presidente interino de relações perigosas, agora que ele próprio vira alvo do delator. Para bom entendedor, a carta de cinco parágrafos do dileto amigo de Temer é mais que expressiva. O desembarque voluntário é bem vindo.

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Diante dos pedidos de prisão de caciques pemedebistas, apresentados ao Supremo Tribunal Federal pelo Procurador Geral da República, o Planalto acredita que o Rodrigo Janot exagerou na dose, possivelmente levado pela ira. O chefe do Ministério Público é chamado de "mau caráter" em várias das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que fundamentam o pedido encaminhado ao STF.

Para o Planalto, o conteúdo das conversas gravadas não traz motivação técnica que leve o ministro Teori Zavascki a decidir pela prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá e muito menos José Sarney. Na avaliação de auxiliares do presidente Temer, Janot arrisca sair desacreditado, caso os pedidos de prisão sejam negados. "Nas mãos de Teori, estes assuntos tendem a voltar ao curso normal e racional, porque a análise é técnica" - acredita-se, no núcleo do governo.

O mesmo já não se afirma quanto ao caso de Eduardo Cunha. Avalia-se, no Planalto, que a atuação recente do deputado pode, a rigor, caracterizar tentativa de interferência e até afronta à decisão judicial que o afastou da presidência da Câmara. O pedido de prisão, portanto, pode ter consequência.

O governo guardará distância do julgamento de Cunha, seja no Conselho de Ética, seja no plenário da Câmara. A possibilidade de absolvição em plenário é tida como viável pelas seguintes razões: Cunha ainda conta com relevante número de parlamentares sob sua influência; muitos temem o poder de fogo do ex-presidente da Câmara. Por instinto de auto-preservação, tenderiam a evitar a cassação de Cunha. No máximo, seria aprovada uma pena alternativa, como a suspensão do mandato por período determinado.

Em todos os casos, a ordem no Planalto é manter distância dos episódios, para evitar ser "levado de roldão" pelos acontecimentos. "O presidente Temer não teme eventuais citações por qualquer dos personagens em questão, porque elas não passariam disso, simples citações" - afirma-se.

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A presidente afastada Dilma Rousseff  não cogita convocar eleições na hipótese de vencer a votação no senado que decidirá, em agosto, se ela deve ter o mandato interrompido e afastar-se em definitivo do Presidência da República. A possibilidade foi cogitada como forma de convencer senadores indecisos a votarem contra o impeachment de Dilma. Em tese, a petista precisa reverter poucos votos para barrar o placar que a afasta em definitivo (54 votos).

"Dilma não pensa em novas eleições. Se reassumir, vai trabalhar por reforma política" - diz um dos ex-ministros que a assessoram no Alvorada, onde a presidente afastada montou um bunker para monitorar as ações do governo interino de Michel Temer.

Reservadamente, auxiliares de Dilma também admitem que parte do próprio PT não vê com bons olhos a suposta "saída recivilizatória" para a barafunda política em que o país foi enredado. O PT não teria candidato competitivo, a não ser Lula - que teme ser alvo de um pedido de prisão, caso saia para a disputa.

O PT também não vê vantagem na estratégia, que muito provavelmente terminaria por dar a vitória à oposição, legitimando os adversários no poder, o que, de quebra, deixaria petistas e aliados sem o discurso do golpe.

A possibilidade de volta de Dilma ao Planalto por enquanto é remota, e segue ainda ao sabor dos desdobramentos da Lava-Jato.

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Faltando minutos para o pronunciamento do presidente em exercício, Michel Temer, sobre o pacote de medidas do governo para fazer frente à crise econômica, no quarto andar do Planalto, ministros abordados por este blog descartam a nomeação de José Serra para a vaga de Romero Jucá no Planejamento. "Não existe isso! Ponto final!" - diz o principal articulador político do presidente Temer, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Perguntado sobre a mensagem central que a equipe econômica e o governo pretendem passar no dia de hoje para o mercado e para a população, Geddel foi breve: "Tem de acalmar! A pressa e o nível de ansiedade estão muito altos! Só temos 11 dias de governo. Tem de acalmar!"

Auxiliares diretos de ministros do núcleo central de governo admitem que a queda de Jucá causou um abalo inesperado e grave: "sem dúvida, queimamos a largada. Mas há tempo de corrigir." No Planalto prevalece a noção de que é preciso fazer todo o possível para evitar novas trocas. A ordem é estabilizar a situação dentro da própria equipe de governo.

Ministro das Relações Exteriores, Serra antecipou retorno da Argentina, causando especulações sobre suas intenções, ante a queda de Jucá. O tucano já comandou a pasta do Planejamento no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardozo. A hipótese é, contudo, descartada no governo, já que desagradaria o chefe da equipe econômica. Henrique Meirelles terá a palavra final caso o presidente considere necessário substituir Diogo Oliveira, secretário-executivo, que assumiu o Planejamento nesta segunda.

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O bloco de treze partidos que acaba de ser formado na Câmara, se conseguir atuar de forma unificada, chega com poder de fogo suficiente para tornar-se força hegemônica, capaz de virar votações e condicionar decisões políticas. O grupo, excluído o PMDB, passa de 225 votos. A peculiaridade deste novo "centrão" é ser constituído por partidos médios e nanicos de baixa densidade ideológica e ética, de perfil conservador e quase sempre guiados por interesses cartoriais.

Com sucesso, essas legendas torceram e retorceram a equipe ministerial de Temer, que se viu obrigado a abrir mão de notáveis pela capacidade técnica e intelectual, por célebres na participação em escândalos e inquéritos. O presidente interino é muito mais permeável que Dilma a este tipo de pressão - característica até apresentada como trunfo.

Agora, o núcleo-duro do bloco, formado por PP, PR, PSD, PTB, SD, PRB, exibe sua força ao impor a nomeação de André Moura (PSC/SE), notório preposto de Eduardo Cunha, para a liderança do governo na Câmara. A função garante a ambos assento permanente em reuniões de governo e interlocução direta com o presidente da República e seus ministros políticos. Permite ao presidente afastado da Câmara exercer na plenitude sua influência sobre Temer.

O presidente interino talvez precise aplicar o ensinamento maquiavélico, que manda "dividir para governar", sob pena de se tornar refém do rolo compressor da nova força hegemônica da Câmara que o impeachment gestou.

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As mudanças promovidas pelo presidente interino Michel Temer em toda a equipe de governo, e particularmente na área econômica, tornam quase impossível politicamente a volta da presidente afastada Dilma Rousseff ao cargo. Ao dar posse na Fazenda, Banco Central e demais cargos fundamentais para a gestão da economia a uma corrente de especialistas cuja orientação ideológica é oposta à da presidente afastada, Temer criou um fato consumado difícil de ser revertido.

Aliados do governo petista, antevendo que essa situação consolidaria o impeachment mesmo antes do julgamento final pelo plenário do Senado, tentaram impedir no Supremo as substituições na esfera federal, alegando que a gestão de Temer era provisória, a rigor, para vigorar pelos 180 dias de afastamento da titular do cargo, mas o movimento foi rejeitado. Políticos mais realistas, como o senador Renan Calheiros - um dos últimos a retirar o apoio à gestão de Dilma -  já sinalizaram a interlocutores da presidente afastada que o caminho do impeachment é sem volta.

Dilma segue disciplinadamente a tarefa de monitorar o governo Temer e de manter o discurso de resistência ao afastamento. Além de criar uma equipe de mais de vinte auxiliares para dar combate aos ataques do time de Temer e contestar medidas - principalmente cortes em programas sociais - a serem adotadas pela nova gestão, Dilma também tenta se manter no cenário político. Nesta terça convidou para um jantar no Alvorada os vinte e dois senadores que votaram contra o impeachment. E tem aceitado convites, até mesmo os mais modestos, das "forças de resistência". Nos próximos dias, deve participar de encontro com blogueiros contrários ao impeachment, em Belo Horizonte.

 

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