A demissão do ministro do Turismo a apenas 50 dias dos Jogos Olímpicos é menos relevante por se tratar da terceira baixa no time de primeiro escalão do governo interino do que pelo que pretende sinalizar à equipe. Henrique Eduardo Alves não é apenas mais um ministro do PMDB alvejado pela Lava-Jato. É dos aliados mais leais e mais próximos ao presidente interino Michel Temer na última década.

O ex-deputado pelo Rio Grande do Norte já foi dos políticos com maior número de mandatos consecutivos na Câmara, Casa que presidiu, dando continuidade ao estilo Temer e com o patrocínio do então presidente do PMDB. Articulador direto da entrada de Temer na chapa de Dilma, ao lado do petista Vacarezza, ainda em 2009, foi o primeiro pemedebista a deixar o ministério quando a convivência entre o vice e a titular já não era possível.

"Henrique chorou" para voltar para o Turismo - confidenciam pemedebistas, que o viram "desesperado" ao perder o foro privilegiado perante a Justiça. Agora deixa a pasta, assumindo o risco que tanto quis evitar, em momento muito mais grave: a delação de Sérgio Machado corrobora com indícios que se avolumam nas mãos dos procuradores da Lava Jato.

As circunstâncias e a carta de demissão de Henrique Alves funcionam como senha para novas baixas, liberando o presidente interino de relações perigosas, agora que ele próprio vira alvo do delator. Para bom entendedor, a carta de cinco parágrafos do dileto amigo de Temer é mais que expressiva. O desembarque voluntário é bem vindo.

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Diante dos pedidos de prisão de caciques pemedebistas, apresentados ao Supremo Tribunal Federal pelo Procurador Geral da República, o Planalto acredita que o Rodrigo Janot exagerou na dose, possivelmente levado pela ira. O chefe do Ministério Público é chamado de "mau caráter" em várias das gravações feitas por Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, que fundamentam o pedido encaminhado ao STF.

Para o Planalto, o conteúdo das conversas gravadas não traz motivação técnica que leve o ministro Teori Zavascki a decidir pela prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá e muito menos José Sarney. Na avaliação de auxiliares do presidente Temer, Janot arrisca sair desacreditado, caso os pedidos de prisão sejam negados. "Nas mãos de Teori, estes assuntos tendem a voltar ao curso normal e racional, porque a análise é técnica" - acredita-se, no núcleo do governo.

O mesmo já não se afirma quanto ao caso de Eduardo Cunha. Avalia-se, no Planalto, que a atuação recente do deputado pode, a rigor, caracterizar tentativa de interferência e até afronta à decisão judicial que o afastou da presidência da Câmara. O pedido de prisão, portanto, pode ter consequência.

O governo guardará distância do julgamento de Cunha, seja no Conselho de Ética, seja no plenário da Câmara. A possibilidade de absolvição em plenário é tida como viável pelas seguintes razões: Cunha ainda conta com relevante número de parlamentares sob sua influência; muitos temem o poder de fogo do ex-presidente da Câmara. Por instinto de auto-preservação, tenderiam a evitar a cassação de Cunha. No máximo, seria aprovada uma pena alternativa, como a suspensão do mandato por período determinado.

Em todos os casos, a ordem no Planalto é manter distância dos episódios, para evitar ser "levado de roldão" pelos acontecimentos. "O presidente Temer não teme eventuais citações por qualquer dos personagens em questão, porque elas não passariam disso, simples citações" - afirma-se.

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A presidente afastada Dilma Rousseff  não cogita convocar eleições na hipótese de vencer a votação no senado que decidirá, em agosto, se ela deve ter o mandato interrompido e afastar-se em definitivo do Presidência da República. A possibilidade foi cogitada como forma de convencer senadores indecisos a votarem contra o impeachment de Dilma. Em tese, a petista precisa reverter poucos votos para barrar o placar que a afasta em definitivo (54 votos).

"Dilma não pensa em novas eleições. Se reassumir, vai trabalhar por reforma política" - diz um dos ex-ministros que a assessoram no Alvorada, onde a presidente afastada montou um bunker para monitorar as ações do governo interino de Michel Temer.

Reservadamente, auxiliares de Dilma também admitem que parte do próprio PT não vê com bons olhos a suposta "saída recivilizatória" para a barafunda política em que o país foi enredado. O PT não teria candidato competitivo, a não ser Lula - que teme ser alvo de um pedido de prisão, caso saia para a disputa.

O PT também não vê vantagem na estratégia, que muito provavelmente terminaria por dar a vitória à oposição, legitimando os adversários no poder, o que, de quebra, deixaria petistas e aliados sem o discurso do golpe.

A possibilidade de volta de Dilma ao Planalto por enquanto é remota, e segue ainda ao sabor dos desdobramentos da Lava-Jato.

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Faltando minutos para o pronunciamento do presidente em exercício, Michel Temer, sobre o pacote de medidas do governo para fazer frente à crise econômica, no quarto andar do Planalto, ministros abordados por este blog descartam a nomeação de José Serra para a vaga de Romero Jucá no Planejamento. "Não existe isso! Ponto final!" - diz o principal articulador político do presidente Temer, o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Perguntado sobre a mensagem central que a equipe econômica e o governo pretendem passar no dia de hoje para o mercado e para a população, Geddel foi breve: "Tem de acalmar! A pressa e o nível de ansiedade estão muito altos! Só temos 11 dias de governo. Tem de acalmar!"

Auxiliares diretos de ministros do núcleo central de governo admitem que a queda de Jucá causou um abalo inesperado e grave: "sem dúvida, queimamos a largada. Mas há tempo de corrigir." No Planalto prevalece a noção de que é preciso fazer todo o possível para evitar novas trocas. A ordem é estabilizar a situação dentro da própria equipe de governo.

Ministro das Relações Exteriores, Serra antecipou retorno da Argentina, causando especulações sobre suas intenções, ante a queda de Jucá. O tucano já comandou a pasta do Planejamento no primeiro mandato de Fernando Henrique Cardozo. A hipótese é, contudo, descartada no governo, já que desagradaria o chefe da equipe econômica. Henrique Meirelles terá a palavra final caso o presidente considere necessário substituir Diogo Oliveira, secretário-executivo, que assumiu o Planejamento nesta segunda.

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O bloco de treze partidos que acaba de ser formado na Câmara, se conseguir atuar de forma unificada, chega com poder de fogo suficiente para tornar-se força hegemônica, capaz de virar votações e condicionar decisões políticas. O grupo, excluído o PMDB, passa de 225 votos. A peculiaridade deste novo "centrão" é ser constituído por partidos médios e nanicos de baixa densidade ideológica e ética, de perfil conservador e quase sempre guiados por interesses cartoriais.

Com sucesso, essas legendas torceram e retorceram a equipe ministerial de Temer, que se viu obrigado a abrir mão de notáveis pela capacidade técnica e intelectual, por célebres na participação em escândalos e inquéritos. O presidente interino é muito mais permeável que Dilma a este tipo de pressão - característica até apresentada como trunfo.

Agora, o núcleo-duro do bloco, formado por PP, PR, PSD, PTB, SD, PRB, exibe sua força ao impor a nomeação de André Moura (PSC/SE), notório preposto de Eduardo Cunha, para a liderança do governo na Câmara. A função garante a ambos assento permanente em reuniões de governo e interlocução direta com o presidente da República e seus ministros políticos. Permite ao presidente afastado da Câmara exercer na plenitude sua influência sobre Temer.

O presidente interino talvez precise aplicar o ensinamento maquiavélico, que manda "dividir para governar", sob pena de se tornar refém do rolo compressor da nova força hegemônica da Câmara que o impeachment gestou.

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As mudanças promovidas pelo presidente interino Michel Temer em toda a equipe de governo, e particularmente na área econômica, tornam quase impossível politicamente a volta da presidente afastada Dilma Rousseff ao cargo. Ao dar posse na Fazenda, Banco Central e demais cargos fundamentais para a gestão da economia a uma corrente de especialistas cuja orientação ideológica é oposta à da presidente afastada, Temer criou um fato consumado difícil de ser revertido.

Aliados do governo petista, antevendo que essa situação consolidaria o impeachment mesmo antes do julgamento final pelo plenário do Senado, tentaram impedir no Supremo as substituições na esfera federal, alegando que a gestão de Temer era provisória, a rigor, para vigorar pelos 180 dias de afastamento da titular do cargo, mas o movimento foi rejeitado. Políticos mais realistas, como o senador Renan Calheiros - um dos últimos a retirar o apoio à gestão de Dilma -  já sinalizaram a interlocutores da presidente afastada que o caminho do impeachment é sem volta.

Dilma segue disciplinadamente a tarefa de monitorar o governo Temer e de manter o discurso de resistência ao afastamento. Além de criar uma equipe de mais de vinte auxiliares para dar combate aos ataques do time de Temer e contestar medidas - principalmente cortes em programas sociais - a serem adotadas pela nova gestão, Dilma também tenta se manter no cenário político. Nesta terça convidou para um jantar no Alvorada os vinte e dois senadores que votaram contra o impeachment. E tem aceitado convites, até mesmo os mais modestos, das "forças de resistência". Nos próximos dias, deve participar de encontro com blogueiros contrários ao impeachment, em Belo Horizonte.

 

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O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, segue exercendo o comando das principais decisões da Casa, que o carioca teleguia a partir da residência oficial que o cargo ainda lhe garante. Mesmo há 11 dias sem pôr os pés no Congresso, Cunha é consultado sobre indicações de nomes para funções vitais, como a liderança do governo na Câmara, a Comissão de Orçamento, e a própria sucessão na presidência da Câmara.

Para uma das mais importantes funções do Congresso, que é apreciar os planos do governo para a aplicação do dinheiro arrecadado pelo país, Cunha prefere Arthur Lira, do PP de Alagoas - que recentemente, ao lado do pai, senador Benedito de Lira, teve bens da ordem de mais de quatro milhões de reais sequestrados por ordem do Supremo, por envolvimentos com desvios apurados pela Operação Lava Jato.

Para líder do governo da Câmara, Cunha também já fez sua indicação - é mais um fiel escudeiro do presidente afastado: André Moura, acusado até de assassinato em seu estado, o Sergipe. O Planalto titubeia em se negar a atender qualquer desejo do deputado - temido por todos pelo poder de fogo.

O precário Waldir Maranhão só persiste na cadeira de Cunha na presidência da Câmara porque convém ao peemedebista. O afastamento do tresloucado autor da tentativa de anulação do impeachment de Dilma e seu subsequente cancelamento levaria à inevitável realização de nova eleição para o cargo, chancelando em definitivo o afastamento de Cunha.

"É inaceitável que Eduardo Cunha continue mandando aqui. Mas isso só dura até junho" - diz o líder do DEM, Pauderney Avelino (AM). É uma referência à provável data de votação no Conselho de Ética da Câmara do processo de cassação de mandato do peemedebista. Cunha tenta convencer seus pares a adotarem a aplicação de uma pena alternativa, como a suspensão temporária do mandato, por 60 dias. Já no plenário, o cenário para o deputado é desfavorável e aponta para a cassação.

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O presidente afastado da Câmara parece conformado com a impossibilidade de voltar a comandar a Casa e tenta um acordo para pelo menos manter o mandato de deputado federal, fundamental para lhe garantir foro privilegiado perante a Justiça e evitar  ser preso pelo do juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato. A chegada do também pemedebista Michel Temer à presidência da República cria o ambiente favorável à costura do acordo.

Se conseguir voltar à presidência da Câmara, Cunha estaria disposto a renunciar ao cargo e abrir caminho para novas eleições. Até lá, Waldir Maranhão seguiria no comando da Casa, devidamente tutelado por outros membros da Mesa Diretora, mais experientes e afinados com o presidente afastado. A estratégia tem a benção de Michel Temer, que telefonou para Maranhão nesta sexta e prometeu que não haveria interferência direta do Planalto na polêmica sucessão de Cunha. Em contrapartida, deputado do PP se comprometeu a não criar dificuldades para a pauta de projetos de Temer

Com a ajuda de aliados da Mesa Diretora da Câmara e contando com o interesse do Planalto em desobstruir o quanto antes a votação de projetos importantes para o sucesso do governo, Cunha tenta aprovar no Conselho de Ética punição mais branda do que a cassação do mandato, como a censura verbal ou escrita, a suspensão de prerrogativas regimentais ou até a suspensão temporária do exercício do mandato. O pemedebista responde a processo por quebra de decoro parlamentar por ter supostamente mentido a seus pares ao negar ter contas no exterior.

Cunha acredita que a aprovação de um parecer no Conselho de Ética que estabeleça uma pena deste tipo amplia suas chances no plenário, onde sua cassação hoje é dada como certa, principalmente por causa da pressão da opinião pública. Recentemente, o plenário do Senado foi fulminante ao cassar o mandato de Delcídio do Amaral. O ex-petista não conseguiu um único voto pela absolvição.

A estratégia não tem garantia de sucesso, mas mantém Cunha ocupado e permite ao Planalto, comandado por  Temer, evitar o confronto com o difícil aliado. Pode surtir efeito no plenário a noção de que Cunha, uma vez preso, torna-se um delator em potencial e uma ameaça para todos os que fizeram acordos "pouco republicanos" como o pemedebista.

 

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O presidente interino da República, Michel Temer, no ato inaugural de seu governo nesta quinta-feira, tentou de tudo para marcar as diferenças entre o que espera de sua gestão e a recém-suspensa, de Dilma Rousseff. Mas ao anunciar sua equipe de ministros, ficou claro que o pemedebista repetiu 70% das alianças partidárias da presidente afastada e ainda turbinou o modelo de coalizão fisiológica, baseado na troca de cargos e favores, responsável em parte pelo insucesso do segundo mandato da petista.

Dos dez partidos que compõem a aliança do governo agora comandado pelo PMDB, apenas três não estavam no ministério de Dilma: PSDB, DEM e PPS. A novidade na equipe é catapultar ao poder justamente as legendas que tiveram seu projeto de governo e seus líderes derrotados nas urnas pela chapa Dilma-Temer na campanha de 2014. O impeachment da petista, que não afetou seu vice até aqui, levou à mais radical e fulminante guinada política de que se tenha notícia na história recente, sem uma ida às urnas.

Num intervalo de três horas, deixaram os gabinetes e salões do Planalto os ocupantes que lá estiveram, alguns por mais de uma década, para serem trocados por seus adversários figadais. Os principais líderes tucanos e democratas assumiram em festa seus lugares no pequeno salão leste do Palácio do Planalto, acotovelando-se para conseguir o melhor ângulo em fotos rapidamente distribuídas na internet - de carona na grande arca pemedebista, que a todos acolhe.

A cena foi equivalente a uma entusiasmada ocupação do território inimigo - apesar do discurso pacificador do novo presidente. Ali compareceram personagens impensáveis pelo representam em matéria de atraso e fisiologia, como Alberto Fraga, Ônix Lorenzoni, Marco Feliciano - para ficar apenas entre os mais notórios e excitados.

Ao triplicar o número de congressistas em sua equipe, Temer repete o único modelo que conhece, forjado em 40 anos de carreira parlamentar, com a desculpa de sempre: conquistar condições de governabilidade. Sem experiência na tarefa de governar, o legislador e constitucionalista Michel Temer entregou a economia nas mãos de Henrique Meirelles. E a gestão na dos colegas do parlamento. A foto oficial da equipe do novo governo é o retrato de onde as corroídas regras e práticas da política brasileira nos levaram.

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O presidente interino da República Michel Temer assume hoje com uma tarefa urgente no Congresso: aprovar até o dia 22 a mudança na meta fiscal - a promessa de economia que o governo fará, que foi drasticamente reduzida pela equipe econômica de Dilma Rousseff. A não votação do tema pode levar à interrupção do pagamento das despesas mais elementares para o funcionamento rotineiro da máquina pública.

Temer deve despachar emissários ao Congresso já a partir da semana que vem para a missão de fazer deslanchar o processo legislativo em torno do tema, entre eles, o virtual novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. O primeiro problema a retirar do caminho é a indefinição em torno da presidência da Câmara. O ocupante do cargo tem a atribuição crucial para o novo governo: a definição da pauta de votações. Com o afastamento de Eduardo Cunha, por determinação do Supremo, na semana passada, Temer perdeu seu operador no plenário.

Na cúpula do governo, Temer conta com alguns dos políticos que mais se especializaram no mapeamento de votos e na negociação com parlamentares - principalmente na Câmara. São ex-congressistas os três virtuais ministros palacianos: Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima, além de Henrique Eduardo Alves, ex-presidente da Câmara, que volta ao Turismo.

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