O senador alagoano Renan Calheiros sempre foi conhecido como homem afável no trato, mas mercurial quando se trata de uma idéia fixa. E uma dessas determinações pessoais acima de todas tem dominado o comportamento aparentemente imprevisível do presidente do Senado: a de resgatar a própria imagem perante a opinião pública.

O pemedebista não hesitou em confrontar seu colega da Câmara, Eduardo Cunha, ao se opor abertamente ao projeto que permite a terceirização de atividade fim. Chamou o texto de "retrocesso", "involução", reduz direitos individuais e coletivos, garantidos em Constituição e sinalizou que vai engavetá-lo por tempo indeterminado. A posição agrada o Ministro do Trabalho e o governo, mas engana-se quem pensa que Renan está finalmente agindo como aliado.

De olho em seu próprio projeto, o de auto-resgate perante à opinião pública, repetiu aos repórteres: "nós temos no Brasil doze milhões de terceirizados. Temos de regulamentar os existentes! Essa regulamentação não pode ser só a da atividade fim. Isso é uma inversão!" Um líder sindical não faria melhor.

O mesmo tom foi adotado na crítica ao ajuste fiscal, já na primeira hora, quando o governo tornou pública a intenção de mudar regras do seguro desemprego, abono, auxílio doença e pensões. Formulou duas ou três frases que passou a repetir, também para marcar de que lado do debate estava: "a população mais pobre não pode pagar a conta deste ajuste! O Estado tem de fazer o seu papel e mostrar onde vai cortar." Até hoje não mudou de posição.

Renan, afinal, está onde sempre esteve: do próprio lado. Só que agora tem mais pressa.

 

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Mergulhada na pior crise política e econômica de seu governo desde o primeiro mandato, a presidente Dilma manterá a agenda de viagens internacionais de maio. Ela embarca no dia 07 para uma visita à Itália, mas o destino de maior importância na missão diplomática é a Rússia.

Por diversas vezes o governo brasileiro se fez representar no país pelo vice, Michel Temer, que chegou a comandar uma negociação para a compra de mísseis antiaéreos russos. Desta vez, a sinalização é que Vladimir Putin deseja se encontrar com a própria Dilma.

A presidente deve chegar a Moscou no dia 9, para participar das comemorações pelo aniversário de setenta anos da vitória dos aliados na segunda Guerra Mundial. Parceiros nos Brics, Brasil e Rússia também se preparam para o próximo encontro do bloco, previsto para 9 e 10 de julho, na cidade russa de Ufa.

Dias antes, 30 de junho, Dilma viajará aos Estados Unidos, para uma reaproximação com Barack Obama, de acordo com o compromisso firmado durante a Cúpula das Américas, no Panamá.

A passagem pela Itália é apenas um desvio de rota. A presidente visitará, na cidade de Pistóia, na Toscana, um memorial que homenageia os 465 soldados brasileiros que integraram a Força Expedicionária Brasileira – os Pracinhas. Diplomatas italianos insistem num encontro formal entre Dilma e o presidente Sergio Mattarella, mas ainda não há sinalização positiva do lado brasileiro.

 

(Colaborou: CLÁUDIA GONÇALVES, da TV Record.)

 

 

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Poucas notícias recentes tiveram abalo tão grande no Partido dos Trabalhadores quanto da prisão do Secretário Nacional de Finanças, João Vaccari Neto. Embora fosse uma hipótese mais que provável, o comando da legenda e seus representantes mais graduados em Brasília reagiram como se não acreditassem que a ela um dia viria. A mesma perplexidade e inconformismo exibidos durante a ordem de prisão dos mensaleiros - que saíram embrulhados em bandeiras e dando socos no ar, numa bravata desesperada que maculou de forma triste e a importante história do partido.

Somente doze horas depois do decreto de prisão de Vaccari Neto, e de uma reunião de cúpula com a presença do ex-presidente Lula, o PT anunciou por nota o afastamento do tesoureiro - a pedido e por alegadas "razões práticas e legais". Isto é, que fique claro, Vaccari está sendo desligado da função não porque seja alvo de gravíssimas acusações, mas pela simples razão de que alguém que esteja preso não pode cuidar das contas da legenda.

Não que se imaginasse que o PT abandonaria o companheiro de jornada política. Seria desleal. O que se esperava mesmo era que o partido, que viveu o grande turbilhão do mensalão, tivesse aprendido algo e que jamais permitisse desvios como os que vão sendo comprovados nas investigações da Lava Jato.

Cada novo episódio desconstrói a duros golpes a longa, sofrida e histórica trajetória de um partido que mudou a face da política brasileira. Cada desdobramento da investigação fragiliza perigosamente o governo da presidente Dilma Rousseff, apesar do grande esforço de todos em separar governo e partido.

O PT recua e encolhe no espectro político, onde não se concebe espaço vazio. Ele começa a ser ocupado já, inclusive por forças conservadoras e ultra-conservadoras. Mete medo assistir ao que virá a seguir.

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Depois de uma sequência inacreditável de erros políticos que começou na própria composição do ministério, e culminou com a fritura de Pepe Vargas, a presidente Dilma surpreendeu nesta terça-feira ao lançar mão de um recurso óbvio, que sempre esteve nas suas mãos, mas que ela usou no momento certo: Michel Temer. Ao instalar o vice na articulação de governo, Dilma fornece aos rebeldes do PMDB um interlocutor à altura. Em resumo: faz o PMDB provar do próprio veneno.

No quinto ano ao lado de Dilma, Temer finalmente assume a parcela de poder que lhe cabe, por direito conquistado nas urnas. Seu principal problema estará em casa: o partido que preside. Foi justamente sua ascenção política que ajudou a vencer a crônica divisão interna da legenda. Ironicamente, a unidade do PMDB depende novamente de seu sucesso.

Com a nova tarefa atribuída ao vice, os insatisfeitos Renan Calheiros e Eduardo Cunha vêem atendida uma das suas principais reclamações: a de que o partido não tinha espaço nas decisões de governo.

Para completar, Dilma extinguiu a pasta das Relações Institucionais - um cargo capaz de fritar qualquer titular, seja qual for o seu perfil: do pacato Aldo Rebelo ao inexpressivo Luiz Sérgio. E instaurou uma espécie de parlamentarismo informal - o que foi imediatamente compreendido pela oposição, ao reconhecer em Michel Temer um tipo de primeiro-ministro.

Agora o time de Dilma baixou para 38 ministros. Só falta enxugar mais 18 vagas para atender a outra demanda defendida pelo PMDB. Inclusive pelo próprio Temer.

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O senador Renan Calheiros, presidente do Senado, recebeu na noite desta segunda o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, com um anúncio bomba: o PMDB passará a defender a autonomia do Banco Central. A idéia, que tem a oposição dos governos petistas desde Lula, está completamente fora da pauta do Planalto e da Fazenda, que correm contra o tempo para aprovar a ajuste fiscal. Um líder de oposição não teria feito melhor.

Renan explica que, segundo imagina propor, o mandato da diretoria do Banco Central seria diferente do da Presidência da República - como a candidata de oposição Marina Silva defendeu na última campanha, aquela em que o PMDB se elegeu ao lado do PT para governar o país. Os pemedebistas silenciaram sobre a questão no momento do debate, quando a eleição estava em jogo.

A autonomia da autoridade monetária do país é adotada em diversos países e agrada o mercado. Seria utilizada como sinalização de que o governo abre mão de interferir na gestão da moeda. Mas vai na direção oposta ao que Dilma deseja e ao que defendeu na campanha.

Uma vez formalizada, a proposta tem chance de prosperar no Congresso, principalmente se ao PMDB se juntarem as forças de oposição e aliados insatisfeitos. O PT  ficará isolado na defesa da manutenção das regras atuais. E o governo Dilma será posto à prova justamente no seu momento mais frágil. Se pretende promover um ajuste, porque não apoiar a sinalização maior de autonomia da gestão econômica?

Com a nova bomba, Renan leva o Planalto às cordas, num momento em que Dilma se recusa a mover as cadeiras do ministério na direção que interessa o PMDB. O partido almeja pastas de peso político e orçamentário, como a articulação política (Relações Institucionais) e Integração Nacional. Dilma faz ouvidos moucos. Pois agora é capaz de começar a ouvir.

 

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A presidente Dilma deve consumar hoje novas mudanças na equipe de ministros. Mas pelo menos uma delas tem tudo para novamente desagradar o PMDB - e piorar ainda mais as relações com o presidente do Senado, Renan Calheiros.

Dilma vai nomear o ex-presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, no lugar de um afilhado de Calheiros, Vinícius Lages. A troca em nada contribui para melhorar o clima de desconfiança que vem ditando o comportamento de dois dos mais importantes caciques do PMDB, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que neste momento dominam o Legislativo.

"Henrique não é um gestor, ao passo que é um excelente negociador. Conhece o Congresso inteiro e tem trânsito em todos os partidos" - declara um senador pemedebista, reconhecido por ser hábil em tomar o pulso político do parlamento. "Mas Dilma vai errar de novo" - completa.

A chance de a tese prosperar, no entanto, é nula. Nomear Alves para o Ministério das Relações Institucionais significa entregar a sétima pasta ao PMDB - o que provocaria enorme grita entre os demais aliados, principalmente o PT, que considera o posto estratégico. Representa também mandar para casa o ministro Pepe Vargas, uma escolha pessoal da própria presidente.

Desta forma, a mexida "pontual", como Dilma prefere classificar as substituições no primeiro escalão, deve agregar pouco, politicamente. Isto é, Dilma muda, para ficar tudo igual.

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A presidente Dilma Rousseff ainda procura um ministro para a pasta da Educação, mas persiste na defesa do lema lançado no dia de sua posse para o segundo mandato: “Brasil, Pátria Educadora”. Em reunião ministerial nesta segunda, a presidente pediu a dez dos seus 39 ministros que estabelecessem a Educação como prioridade de suas pastas.

Sem se importar com o paradoxo da situação, segundo a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, Dilma deseja que “todos os ministérios foquem nessa questão e colaborem com o Ministério da Educação, para fazer valer o lema, e as pessoas possam sentir a diferença”. Considerada estratégica, a pasta continua comandada pelo secretário executivo, Luiz Cláudio Costa, desde a demissão de Cid Gomes, na última quarta.

O comando do PMDB nega que tenha defendido a indicação de Gabriel Chalita para a vaga. Deputado federal licenciado, Chalita é Secretário de Educação do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. Fiel defensor de Dilma na campanha de 2010, atenderia também à tentativa de reduzir as resistências junto ao PMDB, que ganharia a sétima pasta na Esplanada.

Enquanto o lema “Patria Educadora” não emplaca, sem ministro efetivo, o MEC amarga um brutal corte de orçamento – por enquanto provisório – mas que deve se consumar nos próximos dias, com a publicação do decreto de programação orçamentária de 2015. São esses os números que vão realmente demonstrar se o lema do segundo mandato de Dilma é realmente para valer. Ou apenas um slogan a mais.

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Esta será a primeira segunda-feira do esforço por um novo governo Dilma. Depois da lição deixada por mais de um milhão e meio de manifestantes que foram às ruas neste domingo, a tentativa de recomeço inclui uma promessa de diálogo direto e ampliado com a sociedade e até com setores da oposição.

Enquanto parte do governo respirou com alívio ao final do domingo e concluiu que "podia ter sido pior", outros viram na imensa adesão aos protestos um enorme patrimônio em popularidade que se esvai, enquanto cresce e se fortalece vertiginosamente o anti-petismo, afetando até mesmo o próprio Lula.

Uma sombra de derrota se projeta sobre 2018. É que as perspectivas de recuperação da economia estão distantes demais para permitir a reversão deste cenário. E a crise política causada pelo escândalo Petrobras pode se arrastar pelos próximos anos, enquanto transcorrem investigação e julgamento. Por enquanto, a ira das classes média e alta e a frustração dos demais não serão aplacadas, impedindo que se dissipe a atmosfera de indignação e de divisão social.

A presidente Dilma, ao evitar o desgaste de uma aparição pública após um protesto que pede seu impeachment, mandou dois ministros de sua confiança para responder à Nação. E eles pareciam nocauteados.

Na tarefa, Eduardo Cardozo teve melhor desempenho. O ministro da Justiça cresce no papel de defensor do governo: é mais fluente que Dilma. Bom orador, lança mão do discurso politicamente correto, sem ser óbvio. Para isso combina habilidades de advogado e parlamentar. Rosseto, com seu discurso marcadamente ideológico, acerta menos porque acaba por agradar somente aos petistas.

O problema é que nenhum deles é Dilma. É a presidente quem está com a palavra. É ela quem terá de dizer como reinventar a confiança perdida num governo que está apenas começando.

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A presidente Dilma Rousseff enviou na noite desta quarta-feira o ministro das Relações Institucionais, Pepe Vargas, ao Senado para buscar trégua com o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB/AL). O senador teve um “papo reto” com o ministro, na base do “ou muda, ou racha” – como se comentou no plenário do Senado.

Mas antes da enésima conversa política sobre o mesmo assunto, Calheiros deixou claro com atitude eloqüentes que não aceitará medidas decididas e anunciadas sem a devida participação do sócio do poder, o PMDB. Não só deixará de defender tais medidas no parlamento, como tem poder para barrá-las – como acaba de fazê-lo.

O exemplo foi a devolução da medida provisória que aumenta o imposto sobre a folha de pagamentos, anunciada na última sexta pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, num tom cuja arrogância acabou reprovada pela própria presidente Dilma. A atitude do senador funcionou como uma espécie de tratamento de choque, capaz de devolver a audição a um governo que insiste no diálogo de surdos.

Pepe Vargas deixou o gabinete de Renan Calheiros falando fino. Repetiu o que ouviu de Renan, como um menino de escola:  medidas como a MP de Levy têm de ser apresentadas e negociadas com os aliados. E registrou o alerta do pemedebista: é altamente recomendável que o Planalto busque uma “alternativa negociada com as duas casas” para os próximos problemões que entrarão na pauta: o percentual de correção da tabela do Imposto de Renda e o orçamento de 2015.

Renan Calheiros sempre esteve falando sério. Mas o Planalto só entende depois de humilhado.

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O ex-presidente Lula foi recebido em Brasília por petistas e pemedebistas como uma espécie de camisa 10 da política. A visita revestiu-se do caráter de intervenção branca na desastrosa articulação do Planalto, criticada por todos, e ocorreu em operação casada com uma brusca mudança na agenda da presidente Dilma.

Enquanto Lula agia para apaziguar aliados, aplacar mágoas e injetar ânimo na tropa petista, Dilma reassumiu o papel de gerente do governo – bem aceito pelos eleitores – e voltou a se comunicar com o mundo ao redor, através de discursos e entrevistas. Também os ministros foram liberados a falar com a imprensa, embora alguns ainda relutem.

O freio de arrumação proposto por Lula foi acertado diretamente com Dilma no encontro reservado que tiveram no último dia 12. Ficou acertado que a dobradinha entraria em campo logo depois do carnaval, quando o calendário político finalmente engrena.

A Lula, os pemedebistas disseram tudo o que não diriam a Dilma. Não aceitam mais o papel de figurantes, nem o de bombeiros na crise. Ganharam a eleição ao lado do PT para governar, e isso não significa apenas obter cargos, mas participar das decisões de governo.

Consideram inadmissível que o vice-presidente Michel Temer continue excluído do chamado “núcleo duro” – composto pelos ministros palacianos, mais próximos a Dilma.

Ainda não se sabe o que Lula realmente conseguirá mudar nos hábitos e práticas da presidente. Nem se terá carta branca para isso. Mas, em Brasília, a torcida é grande pelo gol do camisa 10.

 

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