dilma roussef ag estado02 Não defendo o Estado mínimo, nem o Estado interventor. Defendo o Estado indutor

Continuação da entrevista com Dilma Rousseff.

R7 - As pessoas vão dizer que a senhora defende um a política estatizante.
Dilma
- Não, eu não sou estatizante. Não defendo o Estado mínimo, nem o Estado interventor. Nem um, nem outro. Eu defendo a necessidade de um país como o Brasil ter o Estado necessário para cumprir suas funções. Eu também não concordo que o Estado, diante dos problemas do setor privado, cruze os braços como se eles não estivessem ocorrendo. Eu defendo uma interlocução sistemática com o setor privado - ou não se re solvem os grandes gargalos deste país.

Vou te dar um exemplo recente: você acha que nós faríamos o Minha Casa Minha Vida sem a indústria da construção civil? Sem escutar deles onde é que eles viam os gargalos? Qual é o mal em você admitir que o setor privado conhece alguns problemas melhor que o governo? É a atividade dele. Então, dialogar e estruturar juntos é algo importante para governo e para o empresário. Não é possível a gente viver nesta oposição que quiseram nos jogar!

Eu vou te dar outro exemplo. Você sabe o que significa tirar o Estado de tudo? Significa que a Petrobrás ao invés de comprar plataforma, navio e sonda aqui, pode importar lá de Singapura ou da Coréia. E transferir o imenso potencial de crescimento dos grupos econômicos brasileiros para outras regiões! Nós somos a favor do Estado indutor!

É o governo que faz um metrô? Não. Quem faz as obras é a iniciativa privada. É impossível não ter mos essa relação com a iniciativa privada. E os empresários brasileiros estão cada vez mais conscientes disso. E sabe que em alguns momentos, se nós não agirmos em conjunto a roda pega!

R7- Qual foi a última vez que “a roda pegou”?
Dilma - Eu acho que, se a gente, naquele momento do início da crise em que o crédito sumiu, não tivesse chamado a Caixa e o Banco do Brasil e dissesse: “Vamos parar com isso! Nada de ficar cobrando spread nas nuvens e ficar segurando o crédito. Pelo contrário. Agora é outra hora.“... O presidente teve uma conduta nesta área impressionante. Porque a roda -ia pegar.

Até para a Petrobrás secou o crédito, lá por setembro e outubro de 2008. E a empresa não poderia manter a expansão pretendida. O presidente decidiu capitalizar o BNDES e dizer: nós bancamos crédito para vocês. Nós não piscamos! Diante da crise, nós não piscamos!

Antigamente se dizia: “O governo Lula é sortudo! É por isso que eles estão crescendo. É porque eles têm muita sorte. Não é porque fizeram as coisas certinhas, não! É que eles nunca pegaram uma crise pela proa!”.

Eu vou citar uma frase que o presidente Lula disse na ONU: “Esta não é só uma crise financeira, é uma crise de dogmas”. Tem este dogma de que o mercado resolve tudo, mas tem também este dogma aqui no Brasil de que a gente tinha só sorte. Graças a Deus que a gente tem sorte! Mas a gente alia a sorte a uma capacidade de trabalho inequívoca! E eu acho que a crise mostra isso.

Acho que quando o governo corresponde, o setor privado corresponde, o trabalhador corresponde. E não vamos esquecer quem é que segurou também e impediu que roda pegasse: esse povo nosso que foi capaz de manter seu padrão de consumo.

Recuperou-se primeiro o consumo da classe média e dos mais pobres, que acreditaram no Brasil. Aquele dia que o presidente foi para a telev isão dizer que o povo não devia adiar as decisões de compra... teve efeito e não deixou a roda pegar.

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