Enquanto esta nota era escrita, na noite desta quinta-feira, permaneciam desaparecidos os sete agentes de saúde da Funasa e os três tripulantes da Aeronáutica, que estavam no avião C-98 Caravan da Força Aérea que sumiu esta manhã na Região Amazônica. As buscas prosseguiam, com 3 aeronaves e 35 militares em ação. Os tripulantes do avião são funcionários públicos que chegam de helicóptero, barco e aviões militares a comunidades isoladas, levando doses de vacina do calendário básico nacional.  Arriscaram a vida a trabalho para levar saúde a outros brasileiros.

Fato lamentável o acidente, sem dúvida. Mas é impressionante a reação dos órgãos oficiais e da imprensa diante de um acidente aéreo - seja ele de qualquer proporção. A notícia do sumiço do Caravan, com onze pessoas à bordo, deixou desorientados assessores de três órgãos federais: Aeronáutica, Ministério da Saúde e Funasa.

Juntas de assessores foram formadas para soltar notas oficiais de quatro linhas, que sonegavam informações elementares, enquanto jornalistas em polvorosa já se preparavam para outra grande tragédia.

É uma espécie de trauma nacional, resultado da sequência de três desastres aéreos de grandes proporções nos céus, terra e mar do Brasil em tão pouco tempo. No intervalo de três anos, Gol, Tam e Airfrance povoaram os pesadelos dos brasileiros. Dramas relatados em detalhes de hora em hora pelas tevês, de minuto em minuto pela internet.

Ao todo foram 581 vítimas fatais - razão mais que suficiente para traumas. Mas seria de se esperar mais racionalidade no trato de informação tão séria.

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