A discussão sobre a inclusão da Venezuela no Mercosul é um daqueles típicos casos em que todo mundo tem razão, mesmo que as opiniões sejam diametralmente opostas.
No senado, a maioria governista se impôs e abriu sinal verde para a entrada do país no bloco. A decisão ainda vai ao plenário. É praticamente certo que será aprovada.
No entanto, é impossível ignorar os argumentos da oposição. É verdade, a inclusão da Venezuela soa como respaldo ao regime de Chávez. E até como gesto de desdém diante do que se passa no país. “O Mercosul sem regras não existe” – diz o senador Tasso Jereissati, ao ressaltar as normas do bloco que exigem práticas democráticas das nações que o compõem. Aliás, constituem cláusulas pétreas do acordo.
Vê-se que até as pedras se dobram ao pragmatismo político. “Isolar a Venezuela não resolve o problema interno de democracia – pelo contrário, agudiza-o”, sustenta o mais pragmático de todos os líderes do governo, o senador Romero Jucá.
Um ponto de vista um pouco mais técnico, como o do professor Flávio Saraiva, da Universidade de Brasília, PhD em Relações Internacionais pela Universidade de Birmingham, na Inglaterra, ajuda a aplacar a polêmica: “não estamos fazendo nenhum endosso político ao presidente Chávez. Estamos aceitando um país chamado Venezuela dentro de um programa de integração política e econômica”. E adverte: "a Venezuela desgarrada pode estar exposta à influência de visões políticas que são um risco para a região". Melhor a Venezuela dentro que fora.











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