
O termômetro da política andou registrando temperatura crescente esta semana, que termina com "viés de alta", como se diz no Banco Central.
E quem deu o tom foi o ex-presidente FHC, com um artigo muitos decibéis acima do que lhe é habitual. Ao chamar a celebração popular em torno de Lula de "subperonismo", Fernando Henrique inaugurou uma fase nova: a da desobediência ao discurso politicamente correto.
Caetano Veloso ajudou a aumentar a temperatura. Quem inventou o slogan "é proibido proibir", quando isso até podia dar cadeia, não tem mesmo nenhum compromisso com discurso correto. Caetano pôs o dedo em outras feridas, as quais FHC não havia ousado tocar. Chamou Lula de "analfabeto", "grosseiro" e "cafona". Faz 48h que essas três palavrinhas que pouco visitam o universo semântico da política não param de ecoar em Brasília.
E, por fim, o ministro Joaquim Barbosa, do STF, de toga e dedo em riste, fechou a semana com duríssima manifestação. Deixou clara sua convicção de que os casos do mensalão mineiro e do mensalão petista são grossa corrupção. E que devem até ser julgados ao mesmo tempo.
Neste período, a ausência de Lula, que passou quatro dias em Londres, deixou um enorme silêncio no campo da defesa governista. O que prova que o presidente joga mesmo em diversas posições do seu próprio time. Principalmente na de atacante. Com Lula fora de campo, faltou gol.
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