O Supremo Tribunal Federal é uma usina de surpresas. Nesta semana, quem acompanhou o julgamento do caso do mensalão assistiu a uma aparente contradição: o recém-empossado ministro José Antônio Dias Toffoli, homem ligado a Lula e ao PT, pediu vistas dos autos do caso do mensalão mineiro, dando fôlego ilimitado ao adversário tucano, o senador Eduardo Azeredo.
O ministro Joaquim Barbosa, o relator, já não estava num dos seus melhores dias. Com fortes dores na coluna, levanta-se e sentava-se a todo momento, trocava de cadeira, arfava diante da leitura, até que começou a perder páginas do voto que lia. Constrangimento geral. Os mais irritados, como Eros Grau, chegaram a abandonar o posto por instantes. Barbosa retomou seus argumentos a partir do trecho que já havia lido na véspera e resumiu, acatando a denúncia contra Azeredo também por lavagem de dinheiro, além de peculato.
Gerardo Grossi, advogado de senador, atacou, exaltado, a inclusão entre os autos de um recibo assinado por Azeredo, segundo ele, falsificado. Para Toffoli, o documento era a única vinculação material de Azeredo com as falcatruas de Marcos Valério e sua trupe. Logo, se havia dúvida sobre o documento, era o caso de parar tudo para novas análises.
Barbosa quase desfaleceu. O recibo - até ali, um descalabro - passou a ser tratado pelo ministro como fato periférico. E aí, Barbosa disse o que realmente pensava: o caso teria semelhança cabal com o mensalão petista, e em ambos teria havido corrupção política.
A aparente contradição se desfez. Azeredo alega não saber do mensalão, assim como Lula. Como é que o suposto desconhecimento pode isentar judicialmente alguém, mas não serve para inocentar outrem, que sustenta o mesmo desconhecimento? O próprio Azeredo havia bradado este argumento em entrevista à imprensa logo na manhã daquele dia. Toffoli acusou o golpe.











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