
O sábado será dramático para o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Brasília hoje é uma gincana só – todos à caça das gravações que teriam registrado o pagamento de propina a deputados da Câmara Distrital.
Por enquanto a orientação da cúpula dos Democratas – que veem seu único governador enrolado até o pescoço num escândalo de grandes proporções – é evitar declarações públicas até o mínimo conhecimento do que trazem as gravações. O motivo é muito simples: qualquer manifestação pode ser desmentida pelo grampo e complicar de vez o quadro político.
Mas a iniciativa tem vôo curto. A força dos fatos já revelados é avassaladora. Principalmente por causa dos antecedentes históricos. Depois dos mensalões petista e tucano, o brasileiro e o brasiliense estão completamente escolados por casos de pagamentos a parlamentares, seus desdobramentos, desmentidos, etc.
O caso tem ingredientes de cinema, com um funcionário de governo infiltrado pela Polícia Federal, no papel de agente, com microfones na roupa, gravando colegas de alta patente. É incrível, e está pegando fogo.
A divulgação da fotografia do dinheiro da propina, recém-divulgada pela PF, é gasolina nesta fogueira. Remonta ao caso Lunus, quando foto semelhante varreu do mapa a candidatura de Roseana Sarney à presidência, causando enorme crise entre o governo FHC e seu aliado Sarney.
Agora, o DEM vai gritar aos quatro ventos que estão usando a força do Estado para destruir as chances eleitorais de Arruda e desestabilizar o governo do DF. Acabou a lua de mel entre o democrata e o Planalto. Até outro dia, Arruda estava lotando ginásios para fazer promover ações federais e dar palco a Lula e Dilma. Nesta hora, o telefone do presidente deve estar tocando...
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