No final de semana, não se falou em outra coisa em Brasília. Das festas elegantes no Lago Sul, bairro nobre da cidade, aos botecos reles da periferia, não houve quem não risse da história de que o dinheiro recebido por Arruda, na cena divulgada pelas televisões em rede nacional, era para comprar panetone.

É fato que Arruda distribuía panetones a eleitores no final do ano. Mas a voz corrente é que a lavanderia italiana – ou será a padaria? – acaba de fechar. E que vai faltar panetone na periferia de Brasília este ano.

“O Durval surtou!” – comentava-se em tom de perplexidade nas rodas elegantes da capital, no final de semana - em alusão à espetacular e cinematográfica atuação de Durval Barbosa, o secretário de Relações Institucionais travestido de agente secreto que provocou a implosão do governo.

Caso espantoso, o deste Durval, que, aliás, é ex-delegado de polícia civil. Ele teria gravado e filmado o governador e colegas durante longo tempo, em diversas ocasiões. Tesoureiro de campanha de Arruda, na última fase da arapongagem, após firmar acordo para delação premiada, Durval até recusou o equipamento de espionagem oferecido pela Polícia Federal. Preferiu usar o seu próprio arsenal. E foi de um profissionalismo chocante. O material é farto e arrasador, a julgar pelas primeiras amostras.

 

Vão faltar panetones e explicações em Brasília.

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