“Se o partido radicalizar comigo, lá na frente eu também posso radicalizar com o partido” – foi com essa ameaça que o governador do Distrito Federal encerrou a reunião com seus pares, dos Democratas.

Para bom entendedor, do lado da legenda, “radicalizar” significa expulsão sumária. E a contrapartida também radical do governador seria associar o Dem diretamente ao escândalo. Quer dizer, demonstrar que parte do dinheiro do esquema financiou também democratas de outros estados.

Deu certo: o governador conseguiu adiar uma decisão altamente negativa, que poderia sair já nesta segunda, e isolou os que defendem a expulsão sumária: Demóstenes Torres, Ronaldo Caiado e Agripino Maia. A posição destes democratas foi claramente colocada a Arruda durante a reunião desta segunda feira. Embora minoritária no grupo, tem impacto.  

A promessa do Dem é definir hoje o destino de Arruda. Se o partido afinar, recomendando processo administrativo interno – e tudo indica que é o que acontecerá – é sinal claro de que o mensalão do DF realmente extrapolou as fronteiras do cerrado. Aí mesmo é que será preciso investigar.

O fato é que Arruda jogou bem. Só nova revelação tão forte quanto o vídeo do governador recebendo dinheiro pode fazer o Dem “radicalizar”.

*Clique sobre a foto de Christina Lemos para ler outros textos deste blog.

 

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