A reunião de secretariado marcada para esta segunda feira em Brasília pelo governador José Roberto Arruda foi uma hábil operação de marketing.

Arruda convocou o que restou de sua equipe de governo, os substitutos de 19 dos dirigentes que romperam com sua gestão, presidentes de empresas ou seus substitutos e simplesmente leu uma nota oficial que sem seguida apresentaria à imprensa.

“Eu ainda não estou com o pé no chão, mas o que menos dói é o pé” – afirmou o governador, fazendo uma referência simultânea à recente cirurgia no tendão do pé e às agruras da crise.

No exato momento em que eram lidos os números sobre o desemprego, o governador mandou chamar os cinegrafistas, que, claro, gravaram o áudio da declaração: “o menor índice de desemprego em 14 anos” – dizia o secretário.

A cena, montada com 80 pessoas, as declarações e a nota oficial – tudo foi cautelosamente preparado com a devida antecedência, para passar algumas mensagens: o governo não foi paralisado pelo escândalo, a equipe de governo está constituída e haverá solução de continuidade.

Até a expressão doída do governador pareceu de encomenda. Na cena, os secretários foram meros figurantes. Contribuíram para pequenas mudanças no texto da nota oficial, lida e relida dezenas de vezes ao longo das quase duas horas de reunião.

Todos ouviram um apelo para se dedicarem ao trabalho “porque o governo não pode parar”. Nova reunião deve acontecer na semana que vem.

(Colaborou: ALESSANDRO SATURNO, TV Record)

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