O presidente Lula já profetizou que se ninguém rasgar dinheiro, o Brasil vai se tornar a quinta potência econômica do mundo, antes de 2020. O otimismo presidencial nunca antes visto na história deste país não chega a ser contraditado por economistas importantes, a não ser por um problema: o Brasil vai ter de aprender a poupar, se quiser avançar.
“Os políticos têm obrigação de ser otimistas”, diz Carlos Eduardo de Freitas, consultor e Ex-diretor do Banco Central, que, no entanto, recomenda pé no chão: “há uma trajetória favorável de crescimento para a economia brasileira que poderá levar o país a um lugar de maior destaque. O problema é que o país tem uma taxa de poupança pequena e isso é subestimado”.
Freitas se refere ao recurso reservado para pavimentar o crescimento, que gera o “capital físico”, aquele que é aplicado em máquinas, equipamentos, construção civil, rodovias, ferrovias, portos. O investimento em “capital humano” conta como despesa corrente – um critério nem sempre justo. “A nossa capacidade de financiar capital físico é pequena – essa é a nossa grande diferença para as economias asiáticas e é o que nos faz depender de dinheiro que vem de fora, isto é, de poupança no exterior”.
Já Otávio de Barros, Diretor de Pesquisa e Estudos Econômicos do Bradesco, é mais direto: “não podemos nos iludir, o Brasil ainda não aprendeu a poupar”. Em comunicado aos correntistas, intitulado “O desafio brasileiro: lidar com o sucesso”, Barros escreve: “o setor público ‘despoupa’, e a mobilidade social não incentiva as famílias a pouparem. Barros não se permitiu o contágio com a euforia presidencial. E alerta: “não é demais lembrar que momentos mágicos são transitórios”.
Fica a meta para 2010: aprender a poupar. E criar juízo.











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