É o escárnio completo e a expressão cabal do desprezo pela opinião pública. Na virada deste ano de 2009, quando Brasília está praticamente às moscas, o Diário Oficial da Câmara Legislativa do Distrito Federal publica que, quando forem retomados os trabalhos, em 11 de janeiro, a Casa volta a ser presidida por Leonardo Prudente – aquele que aparece nos vídeos da Operação Pandora, da Polícia Federal, acomodando maços de dinheiro nas meias.

A imagem correu o país, juntamente com outras tão ou mais graves, escandalizando quem as visse. O deputado saiu-se com uma singela explicação de que guardou o dinheiro “nas vestimentas” porque não usa pasta.

Prudente se licenciou da presidência da Câmara e para isso alegou estar sob “tratamento médico”. A licença significou um afastamento voluntário, que como é típico, estaria sujeito à iniciativa unilateral do deputado de reassumir o posto. Assim, como se nada fosse. E foi justamente o que fez o imprudente deputado Prudente, ao mandar publicar seu memorando anunciando a volta por cima.

Agora, o homem das meias recheadas poderá em tese assumir o comando das investigações dos deputados envolvidos no escândalo, todos da sua turma, e do processo de impeachment do governador José Roberto Arruda.

Um Legislativo completamente apartado do cidadão, e um cidadão totalmente descrente da sua possibilidade de interferir na bárbara Câmara Legislativa do DF – é esse o desalentado quadro político em Brasília, justamente a capital do país. Começa mal 2010, para o brasiliense.

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