A convenção do PMDB que acontece hoje seria um completo jogo de cartas marcadas não fosse pela disputa entre alas do partido em torno da composição da Executiva.

A precária união que chancelará a reeleição de Temer hoje, salvo nova chicana jurídica, estremeceu por causa da disputa pela vice presidência da legenda. É que o posto se reveste de particular importância, uma vez que Temer tem grandes chances de se licenciar do cargo, entregrando o comando para o substituto, seja para ser vice de Dilma, seja para continuar à frente da presidência da Câmara.

O deputado Eunício Oliveira a duras penas foi convencido a não disputar o posto. O ensaio de crise no círculo mais próximo a Temer foi abortado quando o próprio presidente ameaçou desistir de se candidatar para evitar o conflito. A condição imposta pelo PMDB do senado para apoiar Temer foi ficar com a vice.

Com a desistência a contragosto de Eunício, o nome engatilhado para a vice de Temer seria o do senador Romero Jucá, do agrado de Lula, não fosse pela franca oposição de Renan Calheiros. O senador alagoano quer o posto estratégico para seu fiel aliado, o senador Valdir Raupp. E acaba de fechar um acordo para consumar seus planos.

Raupp na vice, é Renan e seu grupo no comando do maior partido do país e mais importante integrante da coligação de partidos que apoiará um futuro governo do PT. Foi o acordo possível para fazer de Temer o presidente da legenda pela quarta vez consecutiva.

Romero Jucá ficará com a terceira vice-presidência, Íris Arújo com a segunda-vice, o deputado Mauro Lopes segue na Secretaria Geral, e Eunício Oliveira assume como Tesoureiro, posto ocupado formalmente por sua mulher até então. Esta é por enquanto a configuração da nova cúpula do PMDB, salvo novas turbulências.

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