Por SÍLVIA CAETANO DE BARROS, de Lisboa, Portugal, especial para este blog
Cada uma à sua maneira, três das mais importantes empresas brasileiras, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), a Camargo Correia e o Grupo Votorantim, disputam a compra da principal empresa produtora de cimento de Portugal, a Cimpor. Mais agressivo, presidente da CSN, Benjamim Steinbruch, já concretizou sua Oferta Pública de Aquisição (OPA) na Comissão de Valores Mobiliários(CMVM): proposta de 4 mil milhões de euros, quantia inédita para Portugal.
Steinbruch quer comprar 100% a Cimpor, com dinheiro. Seria uma oportunidade para internacionalizar a CSN, utilizando a estrutura que a Cimpor possui em 13 países, pois esforços anteriores nesse sentido com relação ao aço não foram bem sucedidos. Sua proposta é de cunho especulativo, de curto prazo e de diversificação, traduzindo-se na oferta de 5,75 euros por ação, e é válida até 17 de fevereiro.
Com tradição cimenteira e buscando na vertente internacional uma saída para sua expansão, a Camargo Correia adotou estratégia mais leve, respeitando os outros acionistas. Seu objetivo parece ser alinhar seus ativos internacionais, ao invés de procurar os lucros da aquisição da Cimpor. Para isso,entrou na disputa propondo uma fusão com a empresa portuguesa.
Por sua vez, o Grupo Votorantim quer apenas uma posição minoritária na Cimpor . Como possui cerca de 40% do mercado do cimento no Brasil, poderia ter alguns problemas com a concorrência se passasse a controlar a empresa portuguesa. Sua posição parece mais voltada para conseguir uma cadeira no Conselho da Cimpor do que para tornar-se seu dono.
É a primeira vez que uma empresa portuguesa é disputada, ao mesmo tempo, por três dos mais importantes grupos brasileiros, todos já internacionalizados. Em comum,buscam reforçar sua presença no mercado europeu, tendo a seu favor a valorização do real e as dificuldades enfrentadas pela Cimpor.
A disputa é acirrada e a Camargo Correia já decidiu retirar sua proposta de fusão e poderá apresentar uma OPA em conjunto com portugueses. Não quer ser acusada de perturbar o normal funcionamento do mercado. Ambos os líderes das duas empresas, Steinbruch e José Edison, já estiveram em Portugal, onde mantiveram contatos importantes e intensos. Já a Votarantim, parece a menos disposta a grandes lances. A CSN saiu na frente e com a maior e mais sedutora proposta. Para atingir seus objetivos,é possível que aumente sua oferta da OPA. Até a quarta feira de cinzas,do carnaval brasileiro, saberemos quem brincou na fantasia e quem levou a melhor.











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