Está de volta a polêmica criada em torno do Plano Nacional dos Direitos Humanos, que animou o início do ano e provocou crise interna no governo, com ameaça de demissão dos comandantes militares, entre outras reações. A oposição resolveu voltar a carga e investir no potencial explosivo do problema.

Estão chamados para depor no senado os ministros: Dilma Rousseff, na Comissão de Constituição e Justiça, e Paulo Vanucci, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos e Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, na Comissão de Ciência e Tecnologia. É artilharia suficiente para manter o assunto e o governo sob fogo por longo tempo.

A convocação de Dilma Rousseff causou grande stress entre líderes governistas e Planalto. Já não é a primeira vez que os aliados cochilam e enfrentam problemas na crucial Comissão de Constituição e Justiça, comanda pelo senador democrata Demóstenes Torres. Será difícil reverter a convocação da ministra, proposta por Kátia Abreu (DEM/GO), ruralista e opositora feroz do Plano.

O presidente Lula chegou a amenizar o texto do Plano Nacional de Direitos Humanos para acalmar os militares, mas a questão ficou mal resolvida e a discussão continua no governo. Nesta quarta, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, exonerou do cargo o general Maynard Marques Santa Rosa, chefe do Departamento Geral do Pessoal do Exército.

Com o gesto, Jobim pretende dar um basta nas manifestações de insatisfação,  deixando claro que a partir de agora elas serão punidas como ato de indisciplina, uma vez que a palavra final já foi dada pelo presidente ao modificar o texto para atender aos militares. O general afirmou que o governo está criando “comissão da calúnia” – e não a Comissão da Verdade, como determina o Plano – para investigar crimes do regime militar.  Disse ainda que o colegiado seria composto por "fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o sequestro de inocentes e o assalto a bancos como meio de combate ao regime para alcançar o poder".

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