“Só a justiça acreditou em mim! Só a justiça acreditou em mim!”, declarou o jornalista Edson Sombra entre lágrimas de desabafo, assim que soube da confirmação do pedido de prisão do STJ contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda e mais cinco envolvidos no caso de tentativa de coação de testemunha que ele denunciou.

No exato momento em que se tornou pública a decisão do Tribunal, eu entrevistava Sombra na varanda de sua casa na Asa Norte, um bairro de classe média em Brasília. Entre samambaias, cigarros e copos de café, o jornalista parecia apreensivo. Esperava a visita de pessoas muito próximas a Arruda ainda naquela tarde e temia pela segurança de seus familiares. Por isso chamou a reportagem à sua casa.

Sombra desabou diante da notícia, numa descarga de emoção e alívio, após mais de um mês sob pressão. “Não gosto de me sentir acuado, e há dois dias me sinto assim”, havia comentado minutos antes da chegada da informação. Já se passavam oito dias da prisão em flagrante do homem que havia sido emissário da tentativa de coação, e nada de novos desdobramentos do caso. O descrédito o ameaçava, juntamente com as acusações de “armação” ou “farsa” que lançavam sobre sua história.

A notícia de que o Procurador Geral da República e um tribunal superior haviam agido a partir de sua denúncia, retirou da solidão e da impotência o homem conhecido como Sombra. Ele resistiu a mais de um mês de pressão e nesta quinta finalmente respirou. 

O jornalista que botou Arruda na cadeia recebeu dezenas de telefonemas, respondeu a quase todas de maneira lacônica e recusou-se a comemorar. Desligou bruscamente uma ligação em que o interlocutor dizia: gol! Gol! Você conseguiu!

“Não vejo nenhuma rezão para comemorar nada. Posso apenas dizer que, como cidadão, passo a acreditar um pouco mais na justiça.” Consciente de que a prisão preventiva de Arruda pode ser revertida a qualquer momento e que o desfecho do episódio ainda está distante, Sombra evita fazer previsões: “não vou classificar nem julgar ninguém, apenas posso dizer que fiz a minha parte”.