Recebo e publico com satisfação a colaboração do analista político Luciano Dias, da CAC consultoria – uma análise fria e desapaixonada do desempenho da pré-candidata Dilma Rousseff nas últimas pesquisas.
Movimentos recentes de opinião pública
Após os ganhos recentes da candidatura Dilma Rousseff (PT-RS) nas simulações de primeiro turno, é natural a indagação sobre sua exata natureza e sua sustentação nas próximas pesquisas. Mudanças rápidas na opinião pública brasileira têm uma história recente que pode ajudar nessa avaliação.
Para começar, os ganhos de Dilma parecem ainda modestos na comparação com episódios registrados em ciclos eleitorais passados. Na série Datafolha, ela teria avançado cinco pontos percentuais em cerca de dois meses (18 de dezembro de 2009 a 25 de fevereiro de 2010), mas a recuperação do presidente Lula na passagem entre 2005 e 2006 foi bem mais intensa, em um período equivalente. Lula saiu de 29% no dia 13 de dezembro de 2005 a 39% em 21 de fevereiro de 2006. Na campanha de 2006, os ganhos posteriores de Lula, de 39% a 49%, foram espalhados de modo bem uniforme por oito meses.
Exemplos ainda mais dramáticos foram produzidos na campanha de 2002. Sempre nas séries do Datafolha, entre 9 de abril e 14 de maio de 2002, Lula saiu de 32% a 43%, aproveitando a desistência de Roseana Sarney. Foram 11 pontos em pouco mais de um mês. Ciro Gomes, na mesma campanha, ganhou 17 pontos em pouco menos de dois meses, entre 7 de junho e 30 de julho de 2002.
Dois aspectos, portanto, merecem menção. Em primeiro lugar, os ganhos recentes de Dilma não são comparáveis aos fenômenos mais dramáticos de processos eleitorais recentes. A candidatura oficial segue um ritmo ainda moderado de crescimento. Em segundo lugar, tanto a retomada de Lula em 2006, quanto a ascensão meteórica de Ciro Gomes em 2002 ocorreram antes da campanha eleitoral na televisão. O fator responsável pela mudança de patamar dos candidatos nas pesquisas tem sido a mídia, não a propaganda oficial.
Luciano Dias, analista político











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