Recebo com alegria e publico a colaboraçao do analista político André César, da CAC Consultoria, sobre o novo momento da pré-campanha eleitoral, a partir do fim do prazo para a desincompatibilizaçao.
O novo ministério e a campanha sucessória
* André César. analista político
A partir dos próximos dias, o governo Lula terá uma nova configuração. Em atendimento ao que determina a legislação eleitoral, muitos dos atuais ministros deixarão seus cargos até 3 de abril. Esse movimento foi iniciado já em 10 de fevereiro último, quando o então ministro da Justiça, Tarso Genro, deixou o posto para se dedicar ao processo sucessório no Rio Grande do Sul, mas terá seu ponto alto com a desincompatibilização da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata à presidência da República. No total, algo em torno de dez ministros deixarão os cargos para tratar de suas campanhas.
Na prática, porém, pouco será mudado. Os substitutos, em sua grande maioria, estão praticamente definidos – serão os atuais secretários-executivos das pastas. Trata-se de uma solução de continuidade, repetindo o modelo adotado pelo governo Lula em abril de 2006, quando seu primeiro mandato entrava na reta final. O ministério perderá um pouco de seu componente político e possivelmente se tornará mais “técnico”, mas as linhas gerais de ação serão as mesmas.
Os novos titulares das pastas terão dois desafios que se relacionam diretamente. Em primeiro lugar, será preciso dar seqüência aos programas de governo já implementados pelo governo Lula e aprofundar o debate em torno dos projetos em gestação. O Programa de Aceleração do Crescimento (cuja segunda edição está prestes a ser lançada), é claro, continuará a ser o carro-chefe e a principal bandeira governista. Espera-se um grau de eficiência mínimo por parte dos novos ministros e de suas equipes, para que fique claro aos eleitorados que o Executivo segue trabalhando a contento. Dada a experiência dos novos titulares, é altamente provável que esse padrão mínimo de eficiência seja alcançado.
Chega-se aqui ao segundo, e mais importante, desafio do novo ministério, o de impulsionar e dar suporte à candidatura Dilma. É mais do que evidente que muito da ação do governo Lula já está voltada para o processo sucessório e, com o início efetivo da campanha eleitoral e a proximidade da data fatal de outubro, isso ficará ainda mais explícito. Os ministros terão papel crucial para a candidata Dilma. O êxito de suas gestões será capitalizado por ela. Eventuais erros ou falhas, por outro lado, cobrarão seu preço.
A mais recente pesquisa Datafolha, cujos resultados foram dados a conhecer no último sábado, deixa claro o grau de dificuldade que o governo enfrentará ao longo da campanha. Apesar das aparentes divisões no seio da oposição e da relativamente pequena exposição da pré-candidatura de José Serra até o presente momento, o tucano continua a ser um nome forte na disputa. O pleito, que caminha a passos largos para uma polarização Dilma-Serra, não terá um franco favorito e o resultado final é absolutamente imprevisível. Ao governo, interessa uma campanha forte e de qualidade. O novo ministério terá papel de grande relevo nesse cenário.











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