* colaboração de  LUCIANO DIAS, especial para este blog

Nesse início de semana, a pesquisa Datafolha divulgada no domingo já se transformou em notícia velha, devidamente analisada em dezenas de matérias publicadas em toda a mídia. O fato relevante nem chega a ser os ganhos do governador José Serra na região Sul, visíveis em pesquisas publicadas no estado do Rio Grande do Sul há vários dias, mas indicações mais sólidas de que a candidata do PT, Dilma Rousseff (PT-RS), tem dificuldades em avançar para além da base história de seu partido em eleições presidenciais. Pela primeira vez, ela teve uma oscilação negativa.

Essa realidade gera dúvidas adicionais sobre a eficácia eleitoral da popularidade do presidente Lula e torna urgente uma ação do governo concentrada nos estados do Nordeste. É nessa região que Dilma tem problemas em obter as margens expressivas que deram a Lula suas duas vitórias eleitorais.

Em termos práticos, a candidatura de Ciro Gomes (PSB-CE) ficou ainda mais perigosa para o governo, por dividir a base nos estados do Nordeste, e torna-se necessária, desde já, para Dilma, uma estratégia para atrair a atenção do eleitor não-petista.

Serra em Minas - Os números da pesquisa Datafolha, somados a outras indicações de sondagens, mostram também como a polêmica em torno da situação do governador José Serra em Minas Gerias era exagerada.

A margem de Serra sobre Dilma Rousseff nos estados do Sudeste (39% a 24%) só pode ser explicada por um bom desempenho em Minas Gerais, que compensa facilmente uma posição menos favorável no Rio de Janeiro. Os ganhos recentes de Serra no estado passaram ao largo da desistência formal de Aécio Neves em assumir a posição de vice na chapa do PSDB.

 

* LUCIANO DIAS é analista político, da CAC consultoria

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