O governador cassado do DF, José Roberto Arruda, deu nesta segunda feira uma ampla demonstração de senso de auto-defesa e de saúde mental – da qual se suspeitou recentemente. Quem esperava por rompantes de vingança, vindos de um político magoado e em crise de depressão, assistiu a um ato de obediência racional à orientação dos advogados, que entraram com o terceiro pedido de relaxamento da prisão preventiva no Superior Tribunal de Justiça.

A alegação da defesa para impor o silêncio a Arruda é de que não teve acesso a vídeos e aos resultados das perícias que compõem o inquérito.

A Polícia Federal agendou para a tarde desta segunda 11 depoimentos de envolvidos, citados e enrolados no escândalo do mensalão do DEM. Os advogados chegaram a formar fila na porta da PF. E ainda faltam 31 pessoas a serem ouvidas, segundo determinação da Procuradoria Geral da República, que agora tem pressa. Tudo caminha para a libertação de Arruda, após esta etapa da investigação.

Os deputados que integram na Câmara Legislativa do DF a CPI da Corrupção ouvem a partir das dez da manhã  Durval Barbosa, o denunciante do esquema. O depoimento acontece nas dependências da PF e será aberto ao público, como qualquer sessão de CPI. No entanto, Durval Barbosa já obteve do Tribunal de Justiça do DF liminar para comparecer acompanhado de advogado e de permanecer em silêncio.

O caso começa a entrar na zona cinzenta do trâmite jurídico, pouco atraente à atenção da opinião pública, que foi fundamental até aqui ao pressionar pelo avanço das investigações.

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