Um trilhão e meio de reais para aplicar até 2020 – com essa promessa, o presidente Lula fincou sua bandeira vermelha no futuro. O petista tem apenas mais nove meses de mandato, mas já lança planos e metas suficientes para ocupar os próximos dois governantes.

Lula diz onde e quanto quer gastar, planeja e anuncia projetos como se sua execução fosse algo líquido e certo, de preferência com grande entusiasmo e convicção.

Sem cerimônia, o presidente põe no papel – que tudo aceita – seu projeto para o Brasil para muito além de seu mandato, aliás, para até dez anos depois dele. Planejar é preciso, é verdade. Mas comemorar como grandes feitos o que não passa de plano é arriscado. Pode lançar o projetista ao descrédito, e criar uma ilusória impressão de sucesso, quando ainda há tanto a ser arduamente construído.

Está certo o presidente em planejar, em se entusiasmar com seu projeto, em contá-lo para todos com eloqüência. Mas caberia um pouco de juízo no anúncio de cifras com tantos zeros, que até soam ridiculamente sem sentido; além de um pouco de moderação na festa do que sequer existe, para que o discurso não se esvazie lá na frente.

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