A decisão que acaba de tomar o PSB de Eduardo Campos abate Ciro Gomes em pleno vôo e interrompe de maneira inimaginável até outro dia a carreira de 30 anos de um dos mais combativos políticos brasileiros, goste-se ou não de seu estilo impetuoso.

 O PSB não apenas negou a legenda à candidatura Ciro. Simplesmente o retirou da vida pública representativa, isto é, com mandato. Ciro Gomes não será nem candidato a presidente, nem ao governo de São Paulo, nem vice de Dilma, nem muito menos concorrerá ao Senado ou à Câmara. Vai para casa "ler, escrever e cuidar da mulher", como afirmou.

 Em artigo publicado em seu blog nesta terça, dia da provável maior de todas as suas derrotas, ele acusa o impacto do golpe: “É hora de controlar a tristeza de ver assim interrompida uma vida pública de mais de 30 anos dedicada ao Brasil e aos brasileiros e concentrar-me no que importa: o futuro de nosso País!” – declara.

Em outro artigo, publicado antes da decisão fatal do PSB, Ciro pergunta “a história acabou?” E segue, impertinente, como é bem de seu estilo, já anunciando o que supõe ser o verdadeiro projeto petista: “Oito [anos] de Lula, quatro de Dilma, mais oito de Lula é o melhor que podemos construir para o futuro de nosso Pais?” E provoca um de seus adversários preferidos, o PMDB: “E estas transas tenebrosas de PT com PMDB é o melhor que nossa política pode oferecer como exemplo de prática aos nossos jovens?”

 Derrotado, mas não morto. Abatido em vôo – ou em sonho -, mas não acabado. Aos 52 anos, Ciro ainda tem uma eternidade pela frente. E já se dirige ao eleitor, a quem agradece, mas sem se despedir: “minha lembrança mais grata vai para o simpatizante anônimo, para o brasileiro humilde, para a mulher trabalhadora, para os jovens, em nome de quem renovo meu compromisso de seguir lutando!"