O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teve de responder há pouco a uma pergunta que jamais lhe seria feita por um jornalista venezuelano: “quando pretende passar o poder a seu sucessor?”
A atmosfera na Sala dos Tratados, do Itamaraty, ficou tão densa que se podia cortar com uma faca. O presidente Lula enrubesceu e sacou o lenço branco para enxugar o suor. Chávez, olhava ao redor, atônito. Alguns baixaram olhares enquanto o venezuelano entabulava um longo circunlóquio, passando ao largo da resposta.
Quando finalmente declarou: “Não tenho sucessor! Não está prevista sucessão a curto prazo na Venezuela.” E acrescentou que no seu caso não há descumprimento à Constituição – omitindo o detalhe de que ele mesmo promoveu a mudança na Carta.
Chávez foi lembrado de que Lula também poderia ter mudado a constituição para permanecer indefinidamente no poder. Chávez não se fez de rogado. Disse que segundo esta interpretação, na Europa não haveria democracia, mencionando a possibilidade de reeleição de mandatários europeus e até mesmo o poder monárquico como exemplo. E ainda completou que nos seus 11 anos de governo, já ocorreram 11 eleições, que uma décima segunda está prevista para breve.
O presidente da Venezuela encerrou informando que dentro de dois anos e meio haverá eleições presidenciais e que ainda não sabe se será candidato: “eu estarei aí se o povo venezuelano quiser que eu seja candidato” – afirmou.
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