Quando os adversários pensavam que ela estava fora da disputa, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, ressurge das cinzas, dizendo-se pronta para a guerra – que é o que parece que vai acontecer nos pampas. Com surpreendentes 10% de intenções de voto e crescendo nas pesquisas, mesmo após de uma sequência recorde de denúncias e ameaças de impeachment, Yeda entra em campo e já escolheu as armas e o adversário: vai para o confronto com o PT de Tarso Genro e seus aliados.

No campo de batalha que vai virar o Rio Grande do Sul, PT e PMDB, aliados na esfera federal, ameaçam ferir os acordos que sustentam o apoio a Dilma Rousseff na disputa pelo Planalto. Não bastasse o confronto entre Tarso Genro e José Fogaça, para tornar o cenário ainda mais interessante, surge a governadora tucana, que pretende transformar a tentativa de reeleição numa espécie de julgamento final de sua gestão. Com o esforço, Yeda Crusius deseja resgatar a própria imagem.

“Essa será a batalha de uma mulher que, no embate eleitoral, quer poder dizer que continua a mesma”, diz ela, que explica o que a encoraja a enfrentar o desgastante processo eleitoral, que certamente ressuscitará as acusações que convulsionaram seu governo. “Essa tentativa de quebrar a minha honra me dá um estímulo maior, que é o de poder dizer ao povo que tem confiança em mim que tudo isso foi um jogo bastante feio, que sujou o nome Rio Grande do Sul”.

A governadora pretende contrapor às acusações os resultados de seu governo, alguns bastante respeitáveis. A tucana colocou ordem nas contas do Estado, devedor há 40 anos. A redução da dívida, pelo balanço geral de 2009, foi de quase R$ 1 bilhão. O aumento da arrecadação a partir do IMCS bateu em R$ 3,2 bi em 2008. Em março último, o Rio Grande do Sul teve o maior índice de geração de empregos do Brasil, resultado que também se repetiu em meses anteriores.

Os bons frutos na área econômica estariam na base do ensaio de resgate do governo de Yeda Crusius, que pretende correr por fora, enquanto Genro e Fogaça se enfrentam.

Mas a governadora vai para o ataque se virar alvo de ataques. “Eu vou mostrar que houve um conjunto sequencial de dossiês falsos a meu respeito. E a história do Brasil mostra que tem uma prática de aloprados que inventam dossiês para acabar com a moral e com a imagem de pessoas que estão atrapalhando o caminho deles. Então, eu vou responsabilizar quem fez isso”, ameaça.

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