Acontece hoje em São Paulo, no Auditório do Museu Afro Brasil, no Parque do Ibirapuera, o seminário “Sustentabilidade e Conservação da Mata Atlântica”. O evento servirá desta vez também para pedir aos candidatos às eleições deste ano que assumam compromissos explícitos para proteger o que restou da Mata Atlântica e tentar recuperar as áreas degradadas. As áreas bem conservadas e grandes o suficiente para garantir a sua biodiversidade no longo prazo não chegam a 8%, conforme dados da Fundação SOS Mata Atlântica/INPE.

Os defensores da Mata Atlântica querem que os candidatos assumam posição “firme, séria e consequente” no cumprimento das metas de criação de Unidades de Conservação e na recuperação de Áreas de Preservação Permanente – principalmente topos de morros e as margens dos rios - e das Reservas Legais dos imóveis rurais. Também chamam atenção para o fato de que este é o Ano Internacional da Biodiversidade, e que os remanescentes de vegetação nativa da Mata Atlântica, mesmo reduzidos e distribuídos em milhares de pequenos e médios fragmentos, ainda guardam altos índices de biodiversidade de fauna e flora.

Declaram preocupação com os impactos da destruição da floresta sobre a vida das 123 milhões de pessoas que vivem na área de domínio da Mata Atlântica em 3.410 municípios. Na opinião dos especialistas, os desastres decorrentes dos recentes deslizamentos, cheias e inundações no Sul e Sudeste do Brasil são apenas uma das consequências do excessivo desmatamento e das ocupações irregulares da Mata Atlântica.

Para o coordenador da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Renato Cunha o futuro da Mata Atlântica depende do fortalecimento da estratégia de criação, ampliação e consolidação das Unidades de Conservação e do arcabouço legal que protege a vegetação nativa. Segundo ele, há um sério risco de que o país perca importantes conquistas para a proteção da Mata Atlântica com a perspectiva de mudanças na legislação ambiental, principalmente no que se refere ao Código Florestal. Ao mesmo tempo, pondera que não bastam as leis. “É preciso que se tenha consciência da importância da floresta e seus serviços ambientais para a população. A Mata Atlântica é de interesse de todos os brasileiros”, afirma.

(Com  informações de JAIME GESISKY, jornalista, colaborador deste blog.)