Na sabatina promovida nesta terça pela Confederação Nacional da Indústria, o tucano José Serra, recolhido a uma sala em separado, não se continha na cadeira ao ouvir Dilma Rousseff discursar e prometer o que, segundo ele, não cumpriu em oito anos de governo, como a Reforma Tributária. Resultado, entrou para o auditório da sabatina soltando fumaça pelas ventas e pedindo debate já.
O efeito de ter de ouvir calado aos aplausos para o desempenho de Dilma foi revelador do que realmente pensa o candidato tucano, que tanto reluta em exercer o papel de oposição. Quando Serra finalmente pôde falar, desfiou a mais dura lista de críticas ao governo Lula, sem, todavia, citar seu nome. Atacou os juros altos, a falta de investimento em infraestrutura, o loteamento político dos cargos públicos, a falta de planejamento, os erros no sistema de tributação. O tucano acionou a metralhadora giratória sem dó, deixando de lado a apresentação das próprias propostas. E depois reclamou: “é tudo culpa do Tasso [Jereissati], que me mandou improvisar”.
Passado o primeiro momento de ansiedade, Serra foi recobrando um inédito bom humor, que o levou até a fazer piadas – num estilo que mais fez lembrar Fernando Henrique. Depois, perguntado pelos jornalistas sobre a mudança tão súbita de comportamento, disse que resolveu ser mais relaxado e menos formal – o que, segundo ele, combinaria com sua natureza e lhe custaria menos esforço. Resta saber se tanta informalidade e relaxamento resistem a possíveis novas alterações nos humores das pesquisas de intenção de voto.











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