O presidente Lula fez há pouco no Itamaraty o discurso mais duro até aqui sobre a rejeiçao de parte da comunidade internacional ao acordo mediado por Brasil e Turquia há dez dias em Teerã envolvendo o programa nuclear iraniano. Para Lula é preciso mais diálogo e menos truculência nas negociações.
O primeiro ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, foi taxativo. Para ele, se o Irã mantiver o cumprimento do cronograma do acordo - o que até o momento vem se confirmando - não podem ser aplicadas sanções, como desejam os Estados Unidos.
"Com truculência não se resolve nem problema de família"- disse Lula, que nega temer perder prestígio em funçao do malogro do acordo: "não faço política atrás de prestígio. Sou daquele que prefere ser criticado pelo que fez, que por ter se omitido", afirmou.
Lula também mencionou a fábula da raposa e da uva para ilustrar a reação de certos atores internacionais. Ao mencionar que depois de não conseguir alcançar as uvas, a raposa desdenhou delas, Lula declarou: "o que aconteceu conosco foi a mesma coisa! Conseguimos fazer o que eles estão tentando [sem sucesso] há 30 anos", referindo-se ao fato de ter reaberto negociaçoes com o Irã.
A declaração do presidente brasileiro veio no contexto de um comentário sobre a troca de cartas entre os governos de EUA e Brasil, em que os americanos declaram concordar com os termos do acordo negociado em Teerã, embora, horas depois o tenham rejeitado.
"Os que criticam o processo são invejosos" - disparou o primeiro ministro turco, no encerramento do encontro, colaborando para o endurecimento no tom das declarações sobre o caso.











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