Foi de assustar. A escalada de declarações duras entre Estados Unidos e Brasil nesta quarta passou muito das delicadas fronteiras da boa diplomacia. Um degrau a mais e chega-se ao xingamento. Aliás, o primeiro-ministro turco, Recep Erdogan, já deu a largada, ao chamar de “invejosos” os países que criticam o acordo firmado por Brasil e Turquia com o Irã de Ahmadinejad.
A Secretária de Estado americana, Hillary Clinton, declarou em alto e bom som que o mundo ficou “mais perigoso, e não menos”, depois da iniciativa de Lula e Erdogan, e assumiu o conflito: “sem dúvida, temos sérias divergências com a política diplomática do Brasil em relação ao Irã”. Hillary ainda destila a frustração de não ter revertido a posição brasileira a seu favor na visita que fez a Brasília, em março.
Em compensação, Lula também elevou o tom, ultrapassando muito a oratória cautelosa de chefe de Estado quando se trata de tema tão delicado. Anunciou que no encontro do G-20, no final de junho, em Toronto, Canadá, vai bater pé a favor do Irã e do respeito ao acordo.
Abaixo, a escalada do termômetro verbal do presidente Lula nas declarações desta quinta, durante encontro com o primeiro ministro da Turquia, sócio do Brasil na empreitada persa.
“Não temos procuração de ninguém – e não queremos ter – para tratar da questão nuclear do Irã. (...) [O acordo] era tudo o que eles [EUA] queriam e foi tudo o que nós fizemos. Agora, é preciso que as pessoas digam claramente se querem construir possibilidade de paz ou querem construir possibilidade de conflito. A Turquia e o Brasil são pela paz.”
“Se no Conselho de Segurança da ONU, entre os membros permanentes, tivesse países que não têm armas nucleares, possivelmente a possibilidade de fazer acordo seria muito maior.”
“É preciso arejar a cabeça dos negociadores, é preciso que eles saiam de casa pensando na paz e não na guerra, que saiam de casa pensando no diálogo e não no confronto, que não façam apenas o diálogo daqueles que utilizam da sua prepotência para não negociar.”
“Nós fizemos o que eles estão tentando fazer há muitos anos, alguns países há 30 anos, nós conseguimos fazer, porque as pessoas precisam aprender que a política do século XXI exige mais parceria, mais transparência e mais diálogo. Com truculência a gente não resolve nem os problemas dentro da casa da gente, em família.” *
*Presidente Luís Ignácio Lula da Silva











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