O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse há pouco no senado que o Brasil “ofereceu” ao mundo a oportunidade de acordo com o Irã na questão nuclear, mas que ela pode ser desperdiçada, independentemente da vontade dos iranianos: “nos praticamente oferecemos, criamos uma oportunidade, pode ser que não queiram aproveitá-la. O Irã quer, tem interesse” – sustenta o ministro.

As grandes potências ainda não responderam se aceitam os termos da Declaração de Teerã, que prevê o enriquecimento de urânio fora do Irã.

Amorim levanta dúvida sobre as relações entre as nações que integram o Conselho de Segurança da ONU: “O que diminui a importância do Conselho de Segurança da ONU é que as cinco potências nucleares têm direito a voto e a veto, negociam entre si. Não sabemos o que se passa, se há favores que estão sendo trocados, se há outros aspectos estranhos à questão que estão sendo envolvidos. A gente só sabe o que vê nos jornais”, declarou o ministro.

Para o chanceler brasileiro, o Irã aceitou o acordo justamente por ter sido proposto por nações neutras: “por que o Irã aceitou? Justamente porque [Brasil e Turquia] não são potencias nucleares, e não falam do alto de sua arrogância, mas em pé de igualdade”, afirmou.

O ministro Amorim também foi duro ao comentar a posição do governo americano sobre o acordo, principalmente no que diz respeito à contradição à carta enviada pelo presidente Obama ao governo brasileiro às vésperas da assinatura do acordo com o Irã. “A declaração de Teerã cobre todos os pontos da carta de Obama. Para mim cartas de presidentes não são contextualizáveis, uma carta enviada apenas 20 dias antes da visita [de Lula à Teerã]. O que não estava na carta ou era secundário ou poderia ser tratado depois” – declarou o ministro.

Até o momento, seis senadores já sabatinaram Amorim na comissão de Relações Exteriores. O ministro vem sendo tratado com cordialidade inclusive pela oposição, que não tem contestado a atuação diplomática do Brasil no episódio.