O pré-candidato tucano José Serra terá de ampliar sua base eleitoral  para muito além do PSDB se quiser vencer a petista Dilma Rousseff. O tucano deve concentrar sua ação em regiões onde a margem de vantagem da ex-ministra é menor. As previsões são do analista político e consultor, Luciano Dias, da CAC Consultoria.

“Para que você vença uma eleição majoritária você tem de ser maior que o seu partido. Tem de agregar preferências eleitorais muito mais amplas do que sua própria base”, lembra Dias, que compara: “assim como o Lula foi maior que o PT, que tem 25% do voto do Brasil. O Lula tem o dobro disso”.

O raciocínio simples esconde o que pode ser o segredo da vitória: um discurso permeável a outras correntes políticas, capaz de agregar preferências e não desagregá-las.

Essa estratégia será melhor sucedida em regiões onde a preferência por Lula e o PT é historicamente menor, possibilitando margens mais amplas de diferença nos resultados das urnas.   “As vantagens absolutas produzidas a favor de Lula [em outras eleições] foram na Bahia e no Rio de Janeiro. São estes os estados que produzem margem significativa a favor de uma candidatura” – afirma Dias, para quem estes resultados fazem a real diferença no cômputo final da eleição

Segundo este raciocínio, o efeito positivo da eventual escolha de Aécio Neves para vice de Serra está superestimado. “Se observarmos a eleição passada, Lula venceu com uma vantagem de 7 mil votos em Minas. Se  Serra vencer em Minas com vantagem semelhante, também não vai fazer diferença no cômputo geral”, calcula o analista. “No Sudeste, o campo de batalha onde o governo teve a sua vitória, foi no Rio de Janeiro, não foi em Minas Gerais”.

Para Luciano Dias, Serra vencerá a eleição no Rio Grande do Sul com margem acima de 10% de vantagem, e no Mato Grosso do Sul. “A candidata do PT fazer propaganda lá é perda de tempo”, afirma, taxativo, lembrando que nestas localidades fará pouca diferença para Dilma ter palanque duplo.

Nos estados do nordeste, a situação se inverte. Ali, Serra terá muita dificuldade de avançar e Dilma já está na frente, mesmo sem ter sequer abocanhado toda a margem de votos que tradicionalmente vão para Lula na região. “Ainda há espaço para Dilma crescer mais 20% no nordeste”, estima Luciano. Daí o cálculo: ou Serra amplia sua base e avança no sudeste, ou pode não chegar ao segundo turno.

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