O Senado é a prova de qualquer lição, principalmente a da moralidade pública. Depois de quase um ano mergulhado numa grave crise ética, que culminou com o célebre escândalo dos atos secretos - através dos quais se nomeavam funcionários e aumentavam salários na surdina -  os senadores estão prontos para aprovar em plenário um novo plano de cargos e salários para os funcionários da Casa – que estão entre os servidores públicos mais bem pagos do país. Estima-se que a generosidade dos senadores vá custar cerca de R$ 170 milhões à folha de pagamento da instituição.

A medida só não foi parar no plenário para votação porque a senadora petista Serys Slhessarenko (PT/MT), segunda-vice presidente, se recusou a assinar a resolução aprovada pela Mesa Diretora do Senado – para irritação do primeiro-secretário Heráclito Fortes (DEM/PI), que deseja dar mostras de “união” do comando da Casa na determinação da gastança.

Numa demonstração inequívoca de falta de transparência, o senado evitou olimpicamente divulgar a resolução da Mesa Diretora prevendo o aumento. Foi constrangedora a cena no gabinete da senadora Serys, que havia prometido aos jornalistas uma cópia do texto. “Onde está a resolução, gente?” – perguntava ela aos funcionários de seu gabinete. “Está na pasta”, respondeu um deles. Mas ninguém foi capaz de encontrar o texto.

Durante toda tarde, Serys circulou entre funcionários, inclusive seguranças, que exibiam ostensivamente etiquetas coladas na roupa, defendendo o aumento. A pressão sobre a senadora não funcionou. Por enquanto ela sustenta posição de não assinar o documento. Ainda assim, a medida deve ser levada à votação. E a aprovação é garantida. Afinal, os senadores aprovaram na semana passada o aumento para os funcionários da Câmara, que eleva salários para até R$22 mil. O acordo de cavalheiros prevê, é claro, que os deputados também aprovem o aumento dos servidores do Senado.

(Colaborou: ÂNGELA DE OLIVEIRA, TV Record)

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