Esta quarta feira foi um dia de cão para o comando da campanha do PSDB. Sem um vice para compor a chapa e sem o apoio do PP, os correligionários de José Serra amargaram a antecipação da divulgação da pesquisa CNI-Ibope, cujos resultados são de arrasar. A vantagem de Dilma Rousseff ultrapassou a margem de erro e já não é mais contestável.

Num primeiro turno, a petista abriu cinco pontos à frente do adversário e já não se pode mais argumentar que seu crescimento vem em decorrência da exposição na tv, como se alegou da última vez, quando a sondagem aconteceu logo após a veiculação do programa do PT. Ao contrário, agora a pesquisa abarcou um período de especial exposição de José Serra, cuja imagem dominou a propaganda do PSDB e do DEM na televisão.

Por isso mesmo, o aumento da rejeição a Serra tornou-se a grande preocupação do comitê tucano. Enquanto a rejeição a Dilma caiu de 27% para 23%, a de Serra subiu de 25% para 30% - isso, no auge da propaganda tucana e após os discursos mais duros do candidato contra o governo, inclusive o proferido na convenção do partido que oficializou sua candidatura.

Assim, dentro de onze dias, quando começa oficialmente a campanha e os candidatos poderão participar de eventos públicos abertos e sairão às ruas para pedir votos, o cenário de largada é o pior possível para os tucanos: perderam a dianteira de maneira incontestável e ainda galgaram degraus no mais danoso dos índices: o da rejeição – o terror dos candidatos, por causa da dificuldade de reversão.

A aposta tucana é que Dilma não resista ao teste das ruas e do corpo a corpo e cometa erros, mostrando fragilidade ao invés de autoconfiança.

Dos dois lados em disputa, os mais experientes sabem: é cedo para comemorar ou para lamentar. O caminho até as urnas é tortuoso. E ainda há mais de três longos meses até lá – praticamente, uma eternidade.