O candidato do PSDB, José Serra, na sabatina da Confederação da Agricultura e Agropecuária do Brasil, encontrou cenário e público perfeitos para surfar sozinho. Sem Dilma e Marina, que se negaram a comparecer, o tucano chegou na hora que quis, falou praticamente à vontade, e colheu os aplausos de uma platéia simpática à sua candidatura.

Mas a sinfonia de circunstâncias a seu favor acabou por levar Serra a se exceder na autoconfiança. Não bastava mostrar preparo intelectual, experiência administrativa, e uma trajetória pessoal respeitável – era preciso ser simpático, espirituoso. E fazer graça. Aí, um escorregão fez o candidato tangenciar o risco.

Para divertir o público, Serra mencionou uma conversa que teve com o agora companheiro de chapa. “O Indio foi um namorador, não sei se continua... hoje ele só tem uma namorada. Ele me disse por telefone ‘não tenho amantes’. Eu disse ‘não precisa exagerar, mas tem que ser uma coisa discreta’. Não estou pregando aqui pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar” – declarou, diante de uma platéia, em parte, perplexa.

Inútil dizer que foi só uma brincadeira. O candidato flertou com a malandragem, o machismo e, no mínimo, com algo altamente reprovável pelo eleitorado feminino: a cafajestada. A esta altura, é impossível medir o impacto que a declaração terá e como será explorada por adversários. Pode não ter passado de um susto. E neste caso, deve servir de lição. São erros assim, típicos de alguém excessivamente autoconfiante e falante, que fulminam um projeto político, ou uma candidatura competitiva. Ciro Gomes que o diga.

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