Começa hoje, formalmente, a campanha eleitoral que, na prática, já está em andamento há meses. A diferença é que agora vai ser permitido pedir voto, fazer corpo a corpo com eleitores, participar de eventos públicos abertos, como comícios, comparecer a debates, recolher doações de campanha, fazer propaganda de todas as formas, logo mais inclusive no rádio e na TV. O marco zero da campanha, determinado pela justiça eleitoral, serve de ponto de referência para quem vai contar esta história. E ela começa em aparente situação de empate entre as duas principais candidaturas. Senão, vejamos:

As últimas duas pesquisas dos institutos Ibope e Datafolha apontam que neste momento da largada da corrida eleitoral Dilma Rousseff e José Serra partem de patamares equivalentes, sendo acompanhados de longe pela terceira candidata, Marina Silva, do PV. No QG da campanha petista, no entanto, não são estes os números. Pesquisas contratadas pelo comitê da candidata dariam conta de que sua vantagem sobre o tucano é muito maior e permitiria até mesmo a vitória em primeiro turno. O método da sondagem que permite chegar a tal conclusão é que é um mistério.

De toda forma, considerados apenas os dados públicos dos dois institutos de pesquisa, é fácil estimar vantagens e desvantagens de cada um dos protagonistas desta polarização PT-PSDB. Dilma parte como candidata dos mais pobres, menos instruídos, nordestinos e nortistas, beneficiados pelos programas sociais do governo e entusiastas da gestão de Lula, com um amplo arco de apoio de dez partidos, e o dobro do tempo de TV do adversário. Serra parte como candidato dos ricos, dos mais instruídos, dos eleitores do Sul e do Sudeste, e da minoria que quer um projeto diferente do apresentado por Lula. Neste contexto, numericamente, seria até natural que Dilma tivesse maior apoio popular - o que torna supreendente que o empate ainda persista.

A partir de agora, Serra contará com a experiência, que lhe garante, em tese, mais segurança em debates e confrontos diante da TV e em público. Torcerá por um erro da adversária, que torne patente algum defeito, como o autoritarismo, a inexperiência ou a inabilidade política. Dilma seguirá confiando na aprovação e na popularidade de seu padrinho, apregoando a continuidade do projeto de governo do qual participou e desviando-se de riscos que lhe ameacem a dianteira.

São três longos meses para testar e re-testar todas as possibilidades. A metade deste tempo, 45 dias seguidos, de propaganda no rádio e na TV, a contar de 17 de agosto. E aí que vai se sentir o peso da imagem do presidente Lula e de sua capacidade de se comunicar.

A sorte está lançada. Que ela nos sorria, para o bem do povo brasileiro.

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