Quando veremos serem postas em confronto as propostas dos candidatos à Presidência para a segurança pública? O tema está no topo da lista de preocupações dos brasileiros e, como nenhum outro, espalha um sentimento de fragilidade e impotência a ponto de fazer depender apenas do acaso a condição de se estar vivo ou morto, como se não houvesse Estado mediando a brutalidade nas relações humanas.

Até aqui, os três principais candidatos vêm respondendo de forma quase banal às perguntas sobre o tema. José Serra, do PSDB, defende a criação de um ministério para segurança pública, para destacar a importância da atuação do governo federal. Para Marina Silva, do PV, não se combate a violência com ações isoladas de repressão. A candidata defende a ampliação das chamadas UPPs – Unidades de Polícia Pacificadora, implantadas pontualmente no Rio de Janeiro. Dilma Rousseff, do PT, critica a idéia de criação de ministério específico, e defende a manutenção de ações como o Pronasci e as UPPs.

Resumindo, nenhum dos três principais políticos que se propõem a governar o país tem uma proposta consistente, que se aproxime de resgatar a esperança e a crença na capacidade do Estado de reassumir o controle da situação.

Neste momento em que a população do país inteiro está petrificada diante da tv, ao acompanhar os relatos de mais um crime bárbaro e inexplicável, um certo torpor parece se abater sobre o cidadão, diante da espetacularização da violência e da crueldade. Esta realidade que choca mais do que qualquer obra de ficção parece, no entanto, não despertar em nossos candidatos a gestores públicos o senso de urgência que emudece cada um de nós.

É hora de mais seriedade com o que é realmente sério, de menos propaganda e superficialidade, de mais senso de responsabilidade com as funções do Estado.

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