Com voz embargada, depoimentos em tom confessional e música instrumental ao fundo, os dois principais candidatos à presidência apelaram ao coração dos brasileiros na estreia da propaganda eleitoral gratuita na tv.

Serra anunciou que lança-se na campanha “com olhos neste imenso Brasil, e com os brasileiros no coração”.  Ao fundo, uma melodia tocada ao piano acompanha as declarações.

Sem fazer discurso de oposição, Serra declara que o país está devendo na saúde, segurança e transporte.  E busca permanentemente identidade com a população mais simples. Aparece no programa sentado ao sofá ao lado de senhora operada de catarada, que se emociona com a conversa. O candidato a consola com um beijo na testa. Mais adiante visita jovens excepcionais, apresentados como exemplo de superação. “No meu projeto, o que importa são as pessoas” – reforça.

A busca de vinculação com a população mais pobre incluiu a imagem da “casinha” onde Serra nasceu, e o reforço enfático às “origens modestas” do candidato. O desempenho do tucano no ministério da Saúde ocupou boa parte do programa, que exibiu inclusive a imagem de Serra na ONU, ao receber o prêmio para o programa de combate à Aids.

O apelo emocional da propaganda tucana seguiu forte até o encerramento em que, num cenário montado para representar uma favela, moradores aparecem cantando um samba que diz: “Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá”. O candidato aparece na cena, rodeado de crianças pobres que agitam uma grande bandeira do Brasil.

“Estou pronta”, diz Dilma -  O programa da petista Dilma Rousseff seguiu na mesma linha do apelo emocional declarado, deixando a apresentação de propostas para outra ocasião. O programa concentrou-se na exposição e na afirmação da candidata. Logo na abertura, ouve-se a voz de Dilma, em off: “Ninguém faz as coisas quando não tem paixão, nem crença. O que permite realizar é a capacidade técnica, é verdade, mas o que te faz não esmorecer são seus compromissos” – afirma, em tom confessional.

O presidente Lula aparece menos que o esperado: apenas três vezes durante o programa. Num comício, afirma: “é gratificante entregar a faixa para uma companheira mulher”, e em duas ocasiões, em depoimento sobre como conheceu Dilma, e, mais adiante, creditando-lhe em parte o sucesso do governo.

Mas a opção da propaganda petista foi por reforçar a figura da própria Dilma, acentuando traços de sua personalidade. É o que fica claro no longo depoimento em tom auto-biográfico, em que Dilma, vestida numa camisa branca, com um jardim ao fundo, parece embargar a voz a cada frase. Com uma fala pausada, como quem expressa reflexões pessoais, o depoimento da candidata foi intercalando o programa, até alcançar os momentos finais, em que Dilma menciona seus compromissos políticos: “Para você querer mudar o seu país tem de ter uma relação afetiva com o seu povo. Tem de te incomodar afetivamente – não é só racionalmente -  a pobreza” – afirma.

A esta altura, reverencia o presidente Lula: “A mim, sempre me tocou muito a humildade do povo. O Lula deu a certeza para eles de que era obrigação do Estado fazer aquilo, não era esmola”  - ao referir-se aos programas sociais. E completa: “Isso é uma forma de respeito. Nós demonstramos através de práticas que respeitamos o povo brasileiro”, conclui Dilma, enquanto ao fundo uma melodia ao piano pontua suas palavras.

O esforço de afirmação de Dilma encerra o programa, buscando convencer o eleitor de que ela está pronta a exercer a tarefa de governar: “Estou muito preparada, muito tranquila. A minha vida me trouxe aqui” – declara ela. A candidata encerra a estréia na tv com a seguinte declaração:  “Eu tenho a chance de consolidar um processo de crescimento do Brasil e dos brasileiros. Quando se tem uma oportunidade dessas, você só pode achar que sua vida foi plena. Então eu acho a minha vida plena.”

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