leonardo barreto A próxima parada é a urna Leonardo Barreto*

A mais nova fase da campanha é o horário eleitoral de rádio e TV. e as estratégias de cada um são determinadas por aquilo que se conseguiu construir no período anterior da campanha. Por isso, o ritmo dos programas está sendo fortemente ditado pelos resultados das pesquisas de intenção de votos. E pelo que divulgaram Ibope, Datafolha e Vox Populi, Serra inicia o jogo rádio-televisivo em forte desvantagem.

As diferenças de 8 (Datafolha), 11 (Ibope) e 16 (Vox Populi) pontos em favor da petista não deixam muitas escolhas ao tucano. Após uma semana branda de apresentações e comparações suaves de biografias (programas certamente gravados antes das últimas pesquisas), o clima deverá esquentar muito rapidamente: para enfrentar a favorita, seu principal adversário  precisará fazer campanha negativa contra Dilma, ou seja, apontar seus pontos fracos para que seus eleitores mudem de idéia e passem para o lado do PSDB.

Fazer campanha negativa contra alguém é muito difícil, pois corre-se o risco de começar a ser encarado como antipático e de sofrer com o efeito boomerang. Mas, se o candidato acertar a mão, pode dar certo.

Outros dois fatores mostram a atenção que o comitê de Serra dá às pesquisas e à conjuntura política que o cerca. O primeiro é a abordagem positiva que Serra oferece a Lula, citando-o inclusive no seu jingle de campanha (não dá para deixar de notar o caráter no sense dessa peça). O segundo é a tentativa de popularizar sua imagem, mostrando-o sempre cercado de pessoas e simplificando seu nome para “Zé” (em 2006, tentou-se o mesmo com Alckmin, também mudando seu nome de campanha para “Geraldo”).

No caso de Dilma, a situação é bem mais tranqüila. Bastam muitas cenas com Lula, depoimentos de pessoas que mudaram de vida nos últimos oito anos, muitos indicadores estatísticos, promessa de continuidade e imagens bem trabalhadas e cuidadosamente selecionadas no melhor estilo “paz e amor”.

Por enquanto, Dilma faz o oposto de Serra. Ao invés de aparecer cercada de gente, mantém a postura de candidata de “laboratório”, bem protegida nos estúdios televisivos. Essa postura poderá ser mantida na medida em que o contraste entra ela e popularíssimo Lula não saltar aos olhos dos eleitores.

Por sua vez, o minúsculo tempo destinado a Marina Silva a obriga a abusar da criatividade. Entretanto, deve-se tomar cuidado para que ela não fique ainda mais caracterizada como uma candidata “alternativa”, alguém sem fortes pretensões (como são Zé Maria, Eymael, Fidélix, Pimenta e Gomes). Apesar de estar em terceiro lugar, ela não deverá fazer campanha negativa contra ninguém (a não ser que vá para um segundo turno), devendo deixar o “serviço sujo” para Serra e tentando se aproveitar dos estragos que a briga maior entre PT e PSDB irão produzir.

As cartas estão na mesa e as estratégias permanecem as mesmas até a próxima rodada de pesquisas. Estamos praticamente na reta final. Os programas serão complementados pelos debates e pelas informações que a imprensa produzir. A próxima parada é a urna.

*Leonardo Barreto é professor da Universidade de Brasília e da UDF Centro Universitário, cientista político e titular do blog www.casadepolitica.com.br