O assunto está em todas as rodas, desde que Dilma decolou nas pesquisas. Aqueles que se escandalizaram com a sede do PMDB na partilha de cargos de um eventual governo da petista - mesmo que ainda faltem 40 dias para o primeiro turno - é porque não imaginam como funcionam os balcões do poder, em Brasília.

Já que cobiçar é livre e especular, ainda mais, vale registrar as hipóteses e as aspirações que circulam pela corte brasiliense, principalmente entre petistas - que são mais discretos, mas cavam seus postos com afinco. A cotação dos nomes sobe e desce na bolsa de apostas, conforme a candidata lhes sorri.

Palocci - Assim, Antônio Palocci, coordenador e arrecadador da campanha de Dilma, é do tipo que se encaixa em qualquer posto desde que seja no topo da lista. Ex-ministro da Fazenda de Lula colhido pelo escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro, Palocci conta com a oportunidade para re-ascender ao primeiro escalão em grande estilo.

A depender da equação que Dilma elabore, Palocci pode assumir a articulação política do governo. O posto das Relações Institucionais é considerado crucial e a tarefa, sensível, já que a operação política será delicada num eventual governo Dilma, recém transformada em “animal político” pelo criador, Lula da Silva. Mas se Palocci achar pouco, vai poder escolher outra cadeira – claro, desde que em sintonia com o projeto petista de poder que ele próprio ajuda a construir.

José Eduardo Cardoso, outro general do QG de Dilma, é forte candidato a integrar o núcleo duro - isto é, o seleto grupo de quatro ou cinco ministros que co-habitam o poder, instalando-se imediatamente ao lado do gabinete presidencial. Mas o deputado gostaria mesmo é de se tornar Ministro da Justiça.

Fernando Pimentel, ex-prefeito de Belo Horizonte, apesar de ter sido arrolado no escândalo da última tentativa de dossiê, terá cadeira certa no ministério de Dilma. Em Minas, Pimentel está praticamente derrotado na disputa por uma vaga no Senado, mas não deve perder o sono por isso. Companheiro de Dilma Rousseff dos tempos da prisão, durante o regime militar, o ex-prefeito tem emprego garantido e de alta patente: cogita-se seu nome até para o ministério da Fazenda.

Paulo Bernardo, hoje no Planejamento, é nome forte para a vaga de gerente do governo, na Casa Civil, deixada pela própria Dilma Rousseff. O ministro é considerado muito eficaz na operação da chave do cofre, conhece as limitações e as possibilidades do caixa do governo e teria condições de apresentar à presidenta-eleita um quadro realista de cada  situação. Bernardo não saiu candidato mediante promessa de Lula de que seu emprego na Esplanada estaria garantido. Não precisará cobrar a dívida.

José Eduardo Dutra, como presidente do PT, terá tarefa das mais complicadas: controlar o partido, tendo Lula no banco de reserva. Mas é um quadro perfeito para o ministério de Minas e Energia – menina dos olhos de Dilma, ainda mais em tempos de preparativos para a exploração do Pré-sal.

Nos partidos aliados, até as pedras da rua e os pilares da Esplanada sabem que Moreira Franco, do PMDB, sonha com o ministério das Cidades – e espera não ser fritado antes mesmo da eleição. E não é impossível que Ciro Gomes, do PSB, seja convidado a integrar o time de primeira linha de Dilma.

A orientação geral é não repetir a equipe de Lula, na medida do possível. Afinal, a futura presidenta precisa se auto-afirmar. É claro que o assunto é tremendamente inconveniente para Dilma, que tem problema maior com que se preocupar até o dia de subir a rampa do Planalto.

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