O ex-governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, amargou na noite desta terça mais uma derrota no TSE, que manteve a decisão de impugnar sua candidatura ao governo do DF. Enquanto os ministros do Tribunal decidiam seu destino político, Roriz recebeu em casa a repórter Fernanda Muylaert para uma entrevista exclusiva. Durante a conversa, prometeu que, se derrotado também no Sumpremo, deixará a política, no que será seguido por seus parentes. Se o STF confirmar a validade da aplicação da Lei da Ficha Limpa, Roriz está inelegível até 2023.

Fernanda Muylaert, RecordNews

Depois de perder mais uma batalha contra a Lei da Ficha Limpa, o candidato ao governo do Distrito Federal, Joaquim Roriz, vai precisar enfrentar outra Corte. Está nas mãos do Supremo Tribunal Federal decidir se ele terá o registro impugnado. Por seis votos a um, o Tribunal Superior Eleitoral entendeu nesta terça-feira que o político não deve concorrer às eleições de outubro e deve permanecer inelegível até 2022.

O argumento é o mesmo utilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral, que no último dia 04, indeferiu a candidatura: a renúncia ao cargo de senador em 2007, para escapar de um processo por quebra de decoro parlamentar. À época, o político foi acusado de desviar recursos do BRB, o Banco Regional de Brasília, e deixou o cargo para não ser cassado. Joaquim Roriz acompanhou,recolhido, o julgamento do caso, que durou mais de quatro horas.

Momentos antes do início da votação, o entra e sai de amigos e familiares foi constante na residência dele, no Park Way, bairro nobre da capital federal. Sentado no sofá da sala, ele recebeu a equipe da TV Record com exclusividade. Aparentemente sereno, disse estar preparado para qualquer decisão e garantiu que irá até as últimas conseqüências para conseguir manter a candidatura. “Eu vou recorrer e posso garantir com toda a segurança, com absoluta certeza, que eu sou candidato ao governo do Distrito Federal porque a Constituição me garante isso".

Para o candidato, a Lei da Ficha Limpa é inconstitucional, à medida que prejudica diretamente quem cometeu erros políticos de qualquer natureza no passado. “Isso não existe na Constituição Brasileira. Você não pode retroagir para prejudicar”, contou. “Eu renunciei mesmo, mas na época não tinha lei, na época não tinha crime. Agora então fazem uma lei retroagindo?”, argumenta.

Pensamento semelhante teve o ministro Marco Aurélio Mello, único a votar favoravelmente ao recurso apresentado pelo candidato. "O recorrente renunciou ao mandato de Senador da República. Como surge a inelegibilidade quanto a ele? Surge, sem dúvida alguma, como sanção. Como uma consequência do ato de vontade que foi o ato de renúncia. Mas indaga-se: a lei nova pode apanhar um fenômeno ocorrido anteriormente?", questionou o ministro ao dizer que não se pode "potencializar a ânsia de se consertar o Brasil" retroagindo a aplicação da lei, aprovada este ano como parte integrante da minirreforma eleitoral.

Ainda segundo Roriz, a batalha só terminará quando o STF julgar a questão. “Cada um tem uma filosofia, cada ministro tem uma divergência. A única coisa que posso fazer (se a candidatura for indeferida)  é me recolher e dizer: missão cumprida”. Um resultado como este tiraria não só Roriz, como seus herdeiros políticos da disputa eleitoral.  "Eu não seria mais candidato, nem deixaria ninguém da minha família (ser candidato) porque aqui nós não temos ‘familiocracia’, nós temos ideais, nós queremos é servir e não ser servidos".

Joaquim Roriz tenta pela quinta vez o governo do Distrito Federal. Acredita que muito tem a fazer pelos moradores de Brasília e das Cidades Satélites. De acordo com ele, isso o motiva a continuar na disputa eleitoral. “Eu não posso me omitir numa hora dessas, quando a cidade está sobressaltada, deixou sequelas no último tempo. Se eu me omitisse, estaria traindo o povo. Então eu me ofereci para buscar uma solução para tudo e é o Supremo (Tribunal Federal) que vai decidir, e se decidir (favoravelmente) eu tenho absoluta certeza, convicção, de que eu ganho em primeiro turno, disse o candidato pelo PSC. E completa:"Eu conheço pesquisa. Eu sei o que o povo está pensando. Eu tenho intimidade nas cidades satélites. O povo quer votar em mim. Está no olhar do povo. Até no olhar do povo eu sei que eles querem votar em mim. O político aprende essas coisas. Tenho absoluta convicção de que ganho a eleição. Eu estou dando meu nome para cumprir meu desígnio, mas se não deixarem é porque eu cumpri minha missão. Aí eu vou embora".